Agora em terras cariocas

Os últimos posts do meu blog descrevem viagens realizadas ao exterior, mas como uma boa brasileira também valorizo os destinos nacionais, por isso dessa vez vou descrever um pouco da minha última viagem ao Rio de Janeiro. Na verdade, ela não foi uma viagem a lazer e sim a trabalho, mas não dá para dizer que não aproveitei os dias na “Cidade Maravilhosa”. Acho que todos sabem disso, mas não custa relembrar; o Rio de Janeiro é a capital do estado de mesmo nome e a segunda maior metrópole do país. A região, especificamente a Baía da Guanabara, foi descoberta por Gaspar de Lemos, um navegador português em 1º de janeiro de 1502. Mesmo fazendo parte do território brasileiro, a localidade foi invadida pelos franceses, expulsos definitivamente em 1567. Independente disso, a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro foi oficialmente fundada por Estácio de Sá poucos anos antes, em 1565. Por muito tempo o desenvolvimento do Rio de Janeiro foi lento, mas após a transferência da sede da colônia de Salvador para a cidade, em 1763, e a chegada da Família Real portuguesa, em 1808, a capital fluminense passou a se despontar e se transformou em uma metrópole cosmopolita.

Hoje, a economia da cidade está baseada em grande parte pelo setor de serviços, mas é preciso ressaltar que ela também está relacionada ao dinheiro recebido pelos royalties devido à exploração de petróleo no estado. Além de capital econômica, a cidade é conhecida por ser um dos destinos mais bonitos do mundo, esse título está relacionado à beleza cênica do local que mistura praias de águas verde escuro, morros que circundam a região e a floresta atlântica que está presente em todo o território.

1ºDia

Começamos nosso passeio com uma viagem interminável de ônibus (17 horas). Chegando ao Rio de Janeiro havíamos planejado visitar o Cristo Redentor por meio do trem que leva ao Corcovado. Só que quando estávamos no centro da cidade uma amiga avisou que essa visita deveria ter sido agendada com antecedência, portanto tive que mudar meus planos; deixei os alunos no hostel e fui fazer a reserva do grupo. Consegui um horário para as 17h40, então nesse meio tempo tentei descansar um pouco.

Como era uma viagem de estudantes, ficamos hospedados no Copa Hostel, um dos albergues mais conhecidos do Rio de Janeiro. Ele está situado no final do bairro de Copacabana, há duas quadras da praia. Pela internet, o lugar parecia perfeito; despretencioso, mas ao mesmo tempo super charmoso e jovial. Nossa, como a internet engana!!! O estabelecimento era dividido em dois prédios. No prédio central, os quartos mesmo sendo novos eram muito abafados e os banheiros coletivos não ofereciam privacidade. Já no edifício em anexo, os dois apartamentos transformados em quartos eram aparentemente sujos, com um cheiro pouco lisonjeiro e nada práticos. Eu fiquei em um quarto triplo que era visivelmente uma cozinha transformada em UH. Era abafado, a pia estava dentro do armário, o cano do gás fazia parte da cabeceira de uma das camas e as paredes eram cobertas com azulejo. Isso porque eu ainda não contei do banheiro, ui!!!! A cortina de plástico estava cheia de mofo, tinha cabelo na torneira da pia e também não tinha um cheiro agradável. Não é um empreendimento que eu recomende!

Após o check-in, fomos fazer a visita ao Corcovado onde tomamos o trem no bairro do Cosme Velho. O Centro de Recepção de Visitantes é bem estruturado e sinalizado, mas muito apertado para o fluxo de turistas que recebe todos os dias. O passeio custou R$ 43,00 e logo que chegamos já tomamos o trenzinho para subir ao morro. A viagem é agradável já que corta parte da Floresta da Tijuca, mas muito demorada. Além do trenzinho andar muito lento (mais lento que uma caminhada normal), também fazia paradas sem sentido no meio do caminho. Chegando ao ponto mais alto, andamos alguns degraus de escada (se quiser tem a opção do elevador) e depois pegamos a escada rolante até a estátua. A vista do lugar é indescritível !!!! Você consegue ter uma visão 360º da cidade do Rio, mas o frio lá em cima é muito forte, de chorar! Portanto lá vai a minha primeira dica de viagem; quando for visitar o Cristo Redentor, leve uma blusa pesada, pois o frio é de doer. Segue abaixo uma foto do trenzinho.

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O tempo também não ajudou muito, pois estava nublado. Lá é possível ver turistas de todo o mundo, tinha até uma noiva fazendo sua cerimônia de casamento na capela atrás da estátua do Cristo. Para quem não sabe o Cristo Redentor tem 38 metros (8 deles fazem parte do pedestal), foi feito em concreto armado e é coberto por um mosaico de pedra sabão. Esse ano o monumento completou 80 anos. Deem uma olhada na foto do Cristo e na linda vista da cidade (infelizmente não tão linda com o tempo nublado!).

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Estava doida para ir embora, pois o frio acabava comigo, mas tive que esperar todo grupo descer para tomarmos o trem juntos. Por conta disso, ficamos em torno de 1h30 na fila esperando. Esse é um ponto negativo do atrativo, pois a volta foi confusa e havia uma fila muito grande, eles deveriam repensar esse layout. A descida também foi demorada, mas a melhor parte foi quando o trenzinho parou os vagões e desligou a luz por alguns momentos. Ver a cidade iluminada do alto foi de tirar o fôlego! Terminando o passeio, voltamos à Copacabana e terminei minha noite caminhando pela orla da praia. Passei pelo lindo Copacabana Palace que a noite é ainda mais estonteante e dei uma fuçada na feirinha de artesanato. Fiquei contente em saber que mesmo escutando coisas horríveis sobre a violência no Rio, é possível andar pela orla da praia à noite sem se preocupar com possíveis abordagens. Fui dormir acabada, mas feliz por ter dado tudo certo!

2º Dia

Acordamos cedo, pois pela manhã faríamos uma visita guiada ao centro da cidade. Nossa visita começou na Igreja Nossa Senhora da Candelária (linda igreja do séc. XIX que infelizmente é mais conhecida pela chacina ocorrida no começo da década de 1990). Vejam a foto da Igreja abaixo.

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Logo ao lado da Igreja, visitamos o Centro Cultural Banco do Brasil (edifício também do séc. XIX que abrigou o Banco do Brasil e que hoje é um espaço para diferentes exposições. Além das apresentações esporádicas, o lugar conta com um museu numismático [moedas] e de mobiliário histórico do banco). Segue foto abaixo.

Passamos pela Praça XV de Novembro (onde desembarcou a Família Real quando chegou à cidade e hoje ainda possui vários edifícios de valor histórico como o Paço Imperial); Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (instalado no Palácio Tiradentes, um lindo edifício em estilo eclético construído na década de 1920); Confeitaria Colombo (que estava fechada); Largo da Carioca (um espaço onde fica o Convento de Santo Antonio); Cinelândia (região onde está localizado o magnífico Theatro Municipal, além da Biblioteca Nacional, Museu Nacional de Belas Artes, Câmara Municipal entre outros edifício importantes); e terminamos o tour na Lapa. Segue foto do Theatro Municipal e da Biblioteca Nacional.

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Eu fiquei bastante decepcionada com o centro do Rio, pois a última vez que havia visitado estes pontos, a cidade estava linda, limpa e muito bem preservada. Desta vez, esta região apresentava muito lixo, o calçamento parcialmente destruído e muitos moradores de rua dormindo do chão e pedindo dinheiro. Uma pena! Almoçamos no Graça da Vila, um restaurante por quilo no bairro do Catete e à tarde visitamos o Museu da República. Deem uma olhada na fachada do edifício e uma das suas salas.

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Conhecido também como Palácio do Catete, este lindo prédio do séc. XIX foi sede do poder executivo no Brasil e palco de acontecimentos marcantes como o velório de Afonso Pena e o suicídio de Getúlio Vargas. O museu é pequeno e conta com um acervo relativamente modesto, mas é bonito. Ao fundo, o edifício possui um lindo jardim, nos moldes do Jardim Botânico, um lugar bastante agradável. Finalizando nossa visita, voltamos para Copacabana. Separada do grupo fui conhecer o charmoso bairro da Urca, cheio de casas antigas, mas muito bem cuidadas, arborizadas e com uma vista indescritível (passei até pela cobertura do Roberto Carlos!!!) e o Forte de Copacabana (construído de 1914). Ainda dei uma voltinha pela Praia de Ipanema. À noite fui em um dos barzinho do bairro de Copacabana mesmo. Deem uma olhada na fachada do Forte de Copacabana.

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3º Dia

Hoje pude acordar um pouco mais tarde, pois nossa visita ao Pão de Açúcar estava marcada para às 10h. O passeio ao Pão de Açúcar surgiu de uma ideia do engenheiro brasileiro Augusto Ferreira Ramos que durante a Exposição Nacional ocorrida no Rio de Janeiro de 1908. Ele pensou em criar um teleférico nos moldes dos vistos na Europa que ligasse a Praia Vermelha, o Morro da Urca e o Pão de Açúcar. A ideia foi concretizada em 1912, e esse teleférico foi chamado carinhosamente de Bondinho, pois os carros se assemelhavam aos vagões dos bondes que circulavam pela cidade. Claro que hoje os  carros do teleférico são muito mais modernos, deem uma olhada.

O passeio custa R$ 53,00 e é muito melhor do que eu esperava. A infraestrutura é boa, tudo muito organizado, e mesmo havendo filas, elas andam relativamente rápido. A vista é magnífica e lá em cima é possível conhecer toda a história do atrativo.

De lá voltamos à zona sul onde fui até o Shopping Leblon (nem é aquelas coisas) para almoçar. Dei uma andada pelo bairro do Leblon e voltei até Ipanema a pé, pois queria ir a Rua Garcia D’Ávila para umas comprinhas básicas. Esta rua é considerada a mais elegante da cidade, como se fosse um shopping de luxo a céu aberto. Congrega lojas de vestuário, cama, mesa e banho e decoração de marcas nacionais e internacionais, além de cafés e bistrôs super charmosos. É uma área plana, super arborizada e extremamente agradável, vale a pena a visita, mesmo que seja só para ver! Andamos pela rua até o final onde fica a Lagoa Rodrigo de Freitas, uma das paisagens mais tradicionais do Rio, mas que infelizmente estava visivelmente poluída. Segue foto abaixo.

Voltamos a pé para o hostel e à noite retornamos ao bairro de Ipanema onde tomamos uma Sangría no ¡Venga!, bar de tapas espanhol super charmoso que tem filiais no Leblon – Rio e na Vila Madalena – São Paulo. Mais do que recomendado!

4º Dia

Hoje acordamos chedo, pois haviamos planejado tomar café da manhã na Confeitaria Colombo, talvez a confeitaria mais tradicional do Brasil. Inaugurada em 1894, o lugar conserva o ambiente bucólico da época em que era o reduto de políticos e artistas. Foi a preferida de presidentes, recebeu visitas inclusive de reis, e é considerada Patrimônio Histórico e Artístico do Rio de Janeiro. O lugar é fabuloso; os espelhos belgas moldurando o mobiliário em jacarandá e as bancadas de mármore italiano fazem você imaginar que está na Paris dos anos 20. Um programa imperdível! Deem uma olhada no interior do atrativo.

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Tomamos um café da manhã completo (R$ 46,00 para duas pessoas); ele não é requintado como eu imaginei, mas é bom o suficiente e você fica tão encantada com o lugar, portanto é capaz de comer pão francês amanhecido com margarina acompanhado de café preto e achar que foi a melhor refeição da sua vida. Tomamos um metrô até o lugar e foi excelente; um transporte limpo, eficiente e de valor justo. Depois de ter comido horrores na Confeitaria voltamos ao hostel para o check-out e retornamos para casa. Como pegamos dois incidentes na estrada, nossa viagem levou “apenas” 20 horas (Ai meu Deus!), mas tudo bem.

Minhas impressões gerais dessa viagem foram bastante contraditórias. Por um lado, fiquei decepcionada com o descaso de alguns atrativos turísticos como o Centro Histórico, e me questionei muitas vezes se a cidade realmente tem estrutura para receber um evento tão complexo como as Olimpíadas de 2016. Por outro, fiquei feliz em ver que o Rio não é uma zona de guerra como os jornais pintam. Sobre os cariocas, infelizmente tenho que admitir que eles não são tão amistosos e acolhedores como no imaginário popular, achei até alguns deles muito interesseiros. Além disso, eles não são um primor de beleza e elegância. Os vestidos das mulheres eram demasiado curtos e os saltos demasiado altos, muito periguete para o meu senso de estilo. Mas mesmo quem não gosta de praia, tipo eu, é sempre um prazer olhar o mar circundado pelas montanhas e ver como os cariocas, mesmo tendo uma vida frenética, sempre reservam um espaço para o lazer, seja na pelada com os colegas de trabalho nas quadras de esporte no bairro da Glória, ou andando de bicicleta na orla das diferentes praias.

Até a próxima!

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