Bonjour Lyon

Uma das melhores coisas desta minha estadia na Alemanha é ter a oportunidade de conhecer lugares que a princípio eu não tinha em mente. Neste post vou contar sobre minha viagem a Lyon, destino situado no centro-leste da França. Com uma população de mais de 2 milhões de habitantes (considerando, é claro, toda a região metropolitana), Lyon é uma das maiores e mais importantes cidades do país. De origem romana, a cidade é conhecida pela boa mesa, pelos famosos marionetes, por ser o segundo maior centro universitário da França com 120.000 estudantes, e por possuir um centro histórico (Viex Lyon) tombado como patrimônio histórico pela UNESCO. Minha viagem a Lyon também foi especial, pois fui como assistente de um dos meus supervisores aqui da Alemanha em seu curso sobre Introdução à Sustentabilidade na Hotelaria no Institut Paul Bocuse (IPB). Para quem não sabe (eu pelo menos não sabia), Paul Bocuse é o maior chefe de cozinha francês na atualidade. Há 23 anos, juntamente com Gérard Pélisson, um dos fundadores do grupo Accor, Paul Bocuse abriu uma escola voltada à culinária e a hotelaria, unindo a expertise dos dois empreendedores. Esta escola é uma fundação, quer dizer, todo o lucro obtido é reinvestido no próprio empreendimento. Hoje, a escola é referência no mundo todo; possui 450 alunos de 40 diferentes nacionalidades, estudando em cursos de curta duração, bacharelado, mestrado e até doutorado. A Escola também possui uma taxa de empregabilidade invejável de 100%, quer dizer, TODOS os alunos que terminam seu curso saem empregados, sem exceção. Além da escola, o Institut Paul Bocuse também administra o Hotel Le Royal, um hotel escola 5 estrelas localizado na Place Bellecour, e os próprios restaurantes Paul Bocuse (sua sede em Ecully tem uma lista de espera de 3 meses). Sentiram o meu nível? Segue abaixo duas fotos da sede da IPB em Ecully.

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A escola é absolutamente fantástica. Tem a formalidade de uma escola de hospitalidade (os alunos estão sempre uniformizados e possuem aulas inclusive aos Domingos), mas a informalidade de estar em um ambiente jovem e divertido (tem até uma mesa de sinuca logo na entrada do edifício). O almoço de todos os alunos é servido na própria sede. Ele está incluído nos valores do curso (para ter uma ideia, o Curso de Bacharelado em Culinária custa €10,000 anuais. Que dor no coração!) e é preparado pelos estudantes do 1º e 2º do Curso de Culinária. É uma refeição completa com entrada, prato principal e sobremesa. É ótima! As cozinhas são de outro mundo e os cursos estão voltados para a prática do setor. Os professores vêm de todos os continentes e são os mais qualificados dentro de suas áreas de atuação. Vou parar de falar da escola e contar um pouco mais da viagem. Passei quatro dias em Lyon, mas como estive envolvida no curso, não dediquei tanto tempo visitando os atrativos turísticos. Mas aí vai a primeira dica… Para conhecer Lyon, não é necessário muitos dias. Então se está pensando em dar uma passadinha em Lyon, mas a agenda está apertada, dois dias são suficientes para conhecer o principal, pois grande parte dos atrativos turísticos está localizada mais ou menos na mesma região, o que facilita bastante a visita. Como tenho feito nos últimos posts, também vou contar a viagem no geral. Vou começar falando do Aéroport St. Exupéry. Ele está afastado do centro da cidade, mas é  moderno, prático e no tamanho ideal para a demanda vigente. Neste passeio fiquei hospedada no Résidence Le Clipper, residência dos alunos do Instituto. O edifício fica há poucos metros da IPB, mas está bem afastado do centro de Lyon. Para ir ao centro é necessário pegar um ônibus e o metrô, mas o transporte público funciona relativamente bem e não é caro. Minha visita turística começou na Place Bellecour, a principal praça da cidade. Ela é uma área aberta, circundada por edifícios neoclássicos, mas para descontrair, possui uma enorme roda gigante no centro do espaço. Minha paixão pela cidade começou logo aqui! Estava um dia muito gelado, mas um sol gostoso, romântico, bem a cara da França.

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A princípio eu havia planejado pegar um desses ônibus turísticos na própria Praça para conhecer o maior número de atrativos na menor quantidade de tempo, mas os achei tão desorganizados que acabei desistindo deste passeio. Caso tenham interesse em saber, o ônibus custa € 18. Como eu tinha o mapa da cidade e um plano do metrô (cortesia dos meus anfitriões do Le Clipper), resolvi economizar esse dinheiro e conhecer o destino por conta própria. Minha primeira parada foi em Viex Lyon (a parte mais antiga da cidade). Para chegar até lá é fácil, é só atravessar a Ponte do Rio Saône. Como era um Domingo de manhã, ao lado do Rio tinha uma feirinha bem típica francesa, cheia de bancas com queijos locais, muitos pães, até livros antigos. É tudo que você espera de uma tradicional feira de Domingo na Europa. Viex Lyon ou Velha Lyon é o maior bairro renascentista fora da Itália e é uma região que ainda conserva muitas construções medievais. O lugar é uma fofura, mas muito turístico. É cheio de lojas de artesanato, de chocolaterias gourmet, de produtos locais, de crepes (Aí meu Deus! Esses crépes estão acabando com minha silhueta) e de turistas. Andando pelas ruas estreitas da Viex Lyon, visitei a Cathédrale Saint-Jean-Baptiste (nos moldes da maioria das igrejas góticas francesas) e alguns prédios históricos. Deem uma olhada abaixo em uma das vielas da Viex Lyon.

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Mas o melhor do bairro são as passagens secretas. Para se chegar de um lugar a outro, os moradores na Idade Média usavam corredores estreitos que se transformaram ao longo dos séculos em passagens secretas. Minha segunda dica da viagem: A melhor forma de saber onde estão estas passagens secretas é seguindo um grupo de turistas. Os guias sempre mostram as mais bonitas e interessantes. Eu vi algumas passagens que davam em lindas varandas renascentistas, lindo! Da Viex Lyon fui conhecer Le Basilique Notre Dame de Fourvière. Construída no século XIX, a basílica está situada nos pés de um morro, local que também é ocupado pelo antigo fórum romano de Trajano. Para chegar até lá o turista tem três opções: pegar o funicular (um tipo de bonde elétrico), ir com um carro ou ônibus particular ou chegar a pé. É claro que eu optei por ir a pé, mas além de optar pela alternativa mais difícil, eu ainda inventei de chegar até lá pela Place Saint Paul (Gente! Não façam isso, vão se arrepender). Tive que subir 771 degraus. Sério! FORAM 771 DEGAUS! Se eu não estivesse com as minhas pernas em forma pelas escadas que tenho que enfrentar na IUBH todos os dias, eu não ia aguentar. Ia chegar em frangalhos, descabelada e botando os bofes para fora. Mas como estou me tornando uma atleta, cheguei linda e formosa, só com um pouco de calor, mesmo numa temperatura congelante. A melhor opção é pegar as escadarias localizadas ao lado da Place de la Basoche,  muito próxima à Catedral. São apenas 260 degraus e duas rampas. Voltando à Notre Dame, a Igreja é magnífica (coloquei uma foto do interior da Igreja, mas infelizmente ela não consegue mostrar a real beleza do lugar).

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Ela é toda ornamentada em mosaicos, muitos deles feitos com pequenos azulejos de ouro. É o tipo de lugar que tem que conhecer! Aproveitando que eu estava lá também visitei o Fórum Romano que é usado ainda hoje como um espaço para shows.

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Voltando ao centro da cidade, peguei a Rue de la Republique (principal rua comercial) e fui a Printemps (uma das maiores lojas de departamento da França). A filial de Lyon não tem tanta opção como em Paris, mas aproveitei para almoçar no Pignol, uma famosa confeitaria da cidade que tem um filial no último andar da loja.  Continuei andando pela Rue de Republique até chegar a Opéra (um lindo edifício neoclássico do século XIX que eles modernizaram colocando uma cúpula de vidro e metal no teto, ficou super esquisito!) virando a esquerda andei mais uma quadra e cheguei a Place de Terreaux onde está localizada o Hôtel de Ville (Prefeitura) e o Museu de Belas Artes. Com a minha mania de andar demais, resolvi andar pela orla do Rio Saône até chegar novamente a Place Bellecour, praça onde iniciei meu passeio turístico. O visual é lindo, deem uma olhada! 

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Também andei pela Rue Victor Hugo, um calçadão do comércio mais popular até a Gare de Perrache e voltei ao Museu de Belas Artes andando pelas margens do Rio Rhône. Quando estava andando  ao lado do Rio Rhône, tive aquela sensação gostosa de estar em Paris. Na verdade, em muitos momentos Lyon me lembrava Paris. Linda!

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Já no final da tarde dei uma passadinha no Musée des Beaux Arts (Museu de Belas Artes). Esse museu é daqueles atrativos que não dá para perder. O lugar é incrível! Tem itens que mostram toda a evolução das artes, mas também tem obras de artistas super renomados como Monet, Manet, Renoir, Degas, Rodin e Picasso. O museu não é muito grande e paguei € 7 pela visita, um preço justo. Saindo de lá ainda fui para o outro lado do Rio Rhône onde passei pelo Shopping do Part Dieu (muito nos moldes dos shoppings brasileiros) e voltei à Place Bellecour para assistir os fogos da Fête Lummiéres, um festival de luzes que acontece uma vez ao ano e que atrai 4 milhões de pessoas. Do tempo que passei em Lyon, também jantei uma noite no Restaurante Le Mercière, localizado na Rue Mercière. O restaurante é  um “authentique bouchon lyonnais” (restaurante tradicional lionês especializado em miúdos de carnes) do século XIX. Como não sou fã dessas coisas, pedi uma macarrãozinho com trufas bem básico. Mas essa rua é bacanérrima! Ela tem todo o tipo de restaurante e eles estão localizados um ao lado do outro. É outro programa que não pode deixar de fazer. Mais uma dica para quem estiver procurando um lugar interessante em Lyon.

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E assim terminou mais uma viagem. Lyon é daquelas cidades que te pegam de surpresa. É o tipo de lugar que te faz lembrar que realmente está na França. Adorei a simplicidade e a simpatia dos feirantes no Rio Saône. Adorei ver as tradicionais boulangeries e as pâtisseries espalhadas por todos os lugares. Isso mostra que mesmo sendo uma cidade aberta ao mundo, Lyon não perdeu seu espírito tipicamente francês. Em minha modesta opinião, as mulheres francesas estão longe de serem as mais bonitas ou as mais estilosas do mundo, mas adorei vê-las usando seus casados de pele na rua como se estivessem desfilando em uma passarela (eu sei que não é politicamente correto apoiar o casaco de pele, mas acho lindo e acabou!). Adorei ver os homens franceses super estilosos com seus ternos justos e casacos bem cortados. Eles têm alguma coisa no olhar, que não tem muito que explicar. E mesmo tendo enfrentado o maior frio até o momento na Europa (-3º C às 09h da manhã), adorei ter andado e explorado cada cantinho desta cidade. Também espero que tenham viajado comigo a partir deste meu relato…

C´est la vie mon ami!

4 comentários sobre “Bonjour Lyon

  1. Thaís

    Oi Vanessa, será que eles não estão precisando de uma nutri voluntária nessa humilde escola?! …rsrsr…
    Adorei…espero um dia ter a oportunidade de visitar essa cidade! Bj…Thais.

  2. Lindo blog. A Europa ela é mágica e principalmente a França. Olha que minhas gerações passadas que vieram ao Brasil, eram franceses e espanhóis. Parabéns pelas postagens e eu adoro foto das vielas europeias, principalmente as bem estreitas.

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