Como escolher um bom hotel para minha próxima viagem?

Esse é um post que eu relutei um pouco em escrever, pois por mais que eu seja apaixonada por meios de hospedagem e que este tema seja minha área profissional e de estudo há um bom tempo, eu acho que a escolha de um empreendimento é uma questão muito pessoal. Tem pessoas que preferem hotéis mais agitados, outras buscam estabelecimentos mais tranquilos. Alguns turistas procuram por hotéis ultramodernos, outros preferem empreendimentos tradicionais. Enfim, o que é bom para mim pode não ser necessariamente bom para o outro. No entanto, as pessoas frequentemente me pedem dicas de meios de hospedagem pelo mundo, então resolvi escrever sobre isso.

Acho que durante a escolha de um hotel, a primeira coisa que precisa ser levada em consideração é a localização do estabelecimento. Procurem meios de hospedagem próximos aos atrativos turísticos que vocês tenham interesse. Eu já tive experiências péssimas de escolher hotéis muito distantes de tudo para economizar; levava mais de uma hora para chegar ao centro da cidade (sem contar o troca troca de trem, ônibus e metrô). No final das contas, esse trânsito é um tempo precioso que vocês perdem e que poderiam estar aproveitando de outra maneira. Quando estou na Europa, por exemplo, costumo escolher empreendimentos que fiquem perto das estações centrais de trem, pois as estações geralmente estão localizadas próximas ao centro da cidade e possuem sempre uma rede de transporte público que chega a qualquer lugar. No Brasil, em outros países sul-americanos e nos Estados Unidos procuro ficar em bairros próximos aos atrativos que me interessam ou no coração da cidade.

Entre um hotel independente e um hotel de rede, eu quase sempre escolho um hotel de rede. Hoje há redes de hotéis especializadas em todos os nichos de mercado; casais em lua de mel, família, solteiros, festeiros, executivos, muambeiros, LGBT, melhor idade, etc., e para todos os bolsos. Já existe até redes que só oferecem hostels como a Generator, Stayokay e a Safestay; portanto há opções para todos os tipos de cliente. Por mais que muitos turistas ainda vejam os hotéis de rede como estabelecimentos impessoais e padronizados, devo discordar parcialmente desta visão. A padronização nos hotéis não é algo ruim; é a garantia de que o empreendimento segue algum modelo mínimo de serviço e que há padrões de limpeza, higiene e comodidade semelhantes em qualquer estabelecimento da mesma rede ao redor do mundo, além de ser uma forma de assegurar que dificilmente o turista terá alguma surpresa desagradável durante sua estadia. Ahhh! Há redes de hotéis que já trabalham com a falta de um padrão (25Hours Hotel, por exemplo) e esse pode até ser um diferencial competitivo para uma companhia. Já a questão da impessoalidade está mais ligada à cultura do destino, aos colaboradores do empreendimento e ao interesse do investidor (lembrando que muitos desses empreendimentos são franquias, eles possuem um dono específico que muitas vezes não é a rede em questão) que uma característica de marca.

Eu só opto pelo hotel independente quando tenho certeza que o empreendimento é muito bom, pois mesmo que na Europa e no Brasil a maioria esmagadora dos empreendimentos hoteleiros seja independente, alguns deles infelizmente ainda atuam de maneira amadora, o que pode minar a experiência do cliente.

Das Stue - um ótimo hotel independente em Berlim
Das Stue – um ótimo e estiloso hotel independente em Berlim, Alemanha
Interior do apartamento do Das Sue
Interior do apartamento no Das Stue em Berlim, Alemanha
Outra opção de um bom hotel independente. Absalon Hotel em Copenhague.
Outra opção de um bom hotel independente. Absalon Hotel em Copenhague.
Esse é o apartamento standard do Absalon Hotel. Chique, tranquilo, estiloso e limpíssimo!
Esse é o apartamento standard do Absalon Hotel. Chique, tranquilo, estiloso e limpíssimo!
Pol & Grace Hotel em Barcelona. Um hotel longe do agito da região turística, mas engraçadinho e aconchegante.
Pol & Grace Hotel em Barcelona. Um hotel longe do agito da região turística, mas divertido e aconchegante.

Quando estamos viajando com um pacote turístico fechado, geralmente não há como escolher os empreendimentos estabelecidos pela operadora turística (salvo algumas exceções). Neste caso, escolham uma operadora de confiança e que vocês saibam que irá privilegiar empreendimentos que tenham um bom custo/benefício. E quando estiverem com o roteiro em mãos, entrem no Google Maps para saber onde ficam estes estabelecimentos e quais as melhores maneiras de se chegar aos atrativos turísticos que tenham interesse em conhecer (se vocês tiverem tempo livre em seus roteiros, claro).

Como saber se o empreendimento é bom? Há várias maneiras de descobrir isso. Uma delas é conversar com amigos e parentes que já estiveram no empreendimento. Caso não seja possível, há diferentes sites como o Booking.com, Tripadvisor, Trippie, etc. no qual vocês podem ler a opinião de pessoas que já estiveram naquele lugar. Eu sei que não dá para levar tudo ao pé da letra nestes sites, mas é possível entender o consenso geral sobre o empreendimento. Entretanto, isso não é garantia de que a hospedagem de vocês será 100%. Vocês podem ter o azar do chuveiro não querer esquentar, de encontrarem um recepcionista com pouca experiência e que ainda não dominou completamente sua posição ou até pegar um quarto com cheirinho de cigarro, pois o turista anterior, mesmo ciente de que era proibido fumar no interior do apartamento, insistiu em acender seu cigarrinho amigo. Excepcionalidades sempre podem acontecer, mas fiquem tranquilos, se o empreendimento é muito bem avaliado nos sites de viagens, estas situações serão raras!

Quais são as melhores redes para quem está com o orçamento super apertado? Entre as redes bem baratas, eu gosto muito da francesa Accor. A Accor trabalha com várias bandeiras, desde aquelas de alto luxo às super econômicas. No Brasil, a Ibis Budget é sempre a bandeira mais barata, mas geralmente a Ibis e a Ibis Styles também oferecem preços justos. O que eu gosto na Accor é que vocês encontram hotéis da rede em cidades do mundo todo; a ducha padrão é sempre boa e agora eles estão disponibilizando uma cama chamada comfort que é mara… Dentre essas três bandeiras, eu prefiro a Ibis Styles. Ela é um pouco mais cara, mas é mais estilosinho e tem sempre o café da manhã incluído no valor da diária, diferente das outras duas que o cobra a parte. Deem uma olhada em alguns empreendimentos da Accor.

Fachada do Ibis Styles Madrid Prado no centro de Madri
Fachada do Ibis Styles Madrid Prado no centro de Madri, Espanha
Apartamento do Ibis Budget Aeroport Lyon Saint Exupery
Apartamento do Ibis Budget Aeroport Lyon Saint Exupery em Lyon, França
Apartamento no Ibis Al Barsha em Dubai
Apartamento no Ibis Al Barsha em Dubai, Emirados Árabes Unidos

As bandeiras americanas são sempre as campeãs em bons preços. Comfort Inn, Econologde, Sleep Inn, Holiday Inn Express (que hoje faz parte da britânica IHG, mas é de origem estadunidense), Ramada, Days Inn e Super 8 são boas escolhas. Elas são no maior estilo padronizado e oferecem pouquíssimos serviços, mas são limpos e vocês os encontram em qualquer destino norte-americano.

Para quem procura hotéis baratos no Reino Unido e Irlanda, eu recomendo o Travelodge, pois é um super BBB (bom, bonito e barato). Deem uma olhada em um de seus estabelecimentos.

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Fachada do Travelodge Hotel – London Central Convent Garden em Londres, Inglaterra
Interior do apartamento no Travelodge London - Central Covent Garden
Interior do apartamento no Travelodge Hotel – London Central Covent Garden em Londres, Inglaterra

Já para quem procura hotéis na Itália (hotel BBB na Itália é como achar uma agulha em um palheiro. Infelizmente a hotelaria low cost italiana é demais de ruim), o Idea Hotel é ótimo, barato e oferece o café da manhã incluído no valor da diária.

Para quem procura um hotel mais descolado e com preços legais, eu recomendo o Motel One (um dos meus queridinhos!). É uma rede alemã que possui unidades na Alemanha, Áustria, Suíça, Reino Unido, Holanda e República Tcheca. Os quartos são bem pequenos, mas sempre novos, limpos e estilosos. 

VLUU L100, M100 / Samsung L100, M100
Fachada do Motel One Salzburg Mirabel em Salzburg, Áustria
Interior do apartamento Hotel Edinburgh - Princes Motel One em Edimburgo
Interior do apartamento do Hotel Edinburgh – Princes Motel One em Edimburgo, Escócia

A B&B Hotels também é outra cadeia alemã descoladinha e com um precinho camarada. Eles têm hotéis na Alemanha, França, Itália, Marrocos e Portugal. Já para quem quer um empreendimento com uma pegada sustentável, a Scandic é a melhor opção. Como iniciativas ambientalmente e socialmente sustentáveis, a Scandic também é descoladinha e possui empreendimentos na Alemanha, Bélgica, Polônia, Suécia, Dinamarca, Finlândia e Noruega. Também recomendo a Yotel, com quartos pequeninhos, mas super tecnológicos e preço bacana.

Ahhh! Também há sempre a opção de escolher um hostel. Para quem não sabe, Hostels são os antigos Albergues da Juventude (acho que estou denunciando minha idade!). Eu sou a pior pessoa para falar sobre os hostels, pois esse negócio de dormir com mais 7 desconhecidos e dividir banheiro com gente que você não conhece não faz bem o meu estilo. Contudo, devo admitir que os hostels têm melhorado muito nos últimos anos e há várias boas opções que oferecem um preço bem atrativo. Eu recomendaria o One 80º Hostel Berlin e o The Circus Hostel (ambos em Berlim), o The Independente (Lisboa), o U Hostels (Madri), o Leblon Spot e o Z.Bra Hostel (ambos no Rio de Janeiro), o F Design Hostel (Salvador), o We Hostel Design (São Paulo – considerado o hostel mais decolado do Brasil pela Hostel World em 2014), o Concept Design Hostel e o novíssimo Tetris Conteiner Hostel (ambos em Foz do Iguaçu). Sem contar a Safestay, uma rede de hostels estilosos na Inglaterra e a Generators Hostels, que já mencionei anteriormente; oferece empreendimentos na Alemanha, Reino Unido, Irlanda, Dinamarca, Espanha e Itália.

Se meu orçamento está um pouco mais abastado, quais as melhores opções de hotéis? Se vocês são fascinados por design e/ou por lugares inusitados, tipo eu, recomendo demais a 25Hours Hotel. Eu amo de paixão os empreendimentos desta rede e sempre que posso me hospedo em um hotel da marca. Eles têm empreendimentos na Alemanha, Áustria e Suíça. São sempre diferentes, até meio temáticos, passando longe da breguice, e zero padronização. Para mostrar como eles são inusitados, o hotel da rede em Frankfurt foi realizado em parceria com a Levi´s. Todo o empreendimento é baseado no jeans. Super cool! Deem uma olhada em alguns hotéis da 25Hours Hotel.

25hours Hotel Frankfurt by Levi's
25Hours Hotel Frankfurt by Levi’s em Frankfurt, Alemanha
Apartamento P no 25hours Hotel Frankfurt by Levi's
Apartamento P no 25Hours Hotel Frankfurt by Levi’s em Frankfurt, Alemanha
Área social do 25Hours Hotel Zurich West em Zurique
Área social do 25Hours Hotel Zurich West em Zurique, Suiça
Apartamento do 25Hours Hotel beim Museumsquartier em Viena
Apartamento do 25Hours Hotel beim Museumsquartier em Viena, Áustria

O Room Mate é outra rede que brinca com a falta de padronização. Com decoração inusitada, os hotéis da marca são batizados com nomes de mulheres e seus empreendimentos estão espalhados pela Espanha, Holanda, Itália, Turquia, México e Estados Unidos. Outra marca bacana é a Citizen M. Ela é bem moderna, descolada, um tanto futurista e oferece hotéis no Reino Unido, Estados Unidos, Holanda e França. A Moxy é outra rede interessante; focada no design, conta com empreendimentos na Alemanha, Itália, Áustria e Estados Unidos. Já para quem procura empreendimentos mais tradicionais, recomendo a Cortyard (uma coqueluche nos Estados Unidos) que faz parte da rede Marriott e o Novotel, bandeira da rede Accor.

E se dinheiro não é problema para mim, qual a melhor escolha? Sorte a sua… Se jogue… Há inúmeras opções que vocês podem escolher. Aqui no Brasil, tenho uma queda pela Fasano, rede com hotéis em São Paulo. Rio de Janeiro e Porto Feliz (interior do estado de São Paulo). A Fasano está em processo de expansão, mas sempre oferecendo um estilo clean, luxo sem opulência, localização estratégica e atendimento personalizado. Já internacionalmente, deem uma olhada nos empreendimentos da Four Seasons Hotels & Resorts, Kempinski Hotels & Resorts, Jumeirah Hotels & Resorts, Rocco Forte Hotels, Mandarin Oriental Hotel Group, The Peninsula Hotels, além dos empreendimentos das associações Dorchester Collection (que inclui ícones como o Le Meurice Paris, o Plaza Athénée Paris, o The Beverly Hills Hotel em Los Angeles e o Hotel Principe di Savoia em Milão), a The Leading Hotels of the Word (que congrega os melhores hotéis do mundo) e a Design Hotels (com empreendimentos diferenciados em todos os continentes). Já para quem procura empreendimentos ultramodernos, estilosos, hiper badalados, mas sem esquecer do luxo, recomendo as redes norteamericanas The Standard e The Thompson Collection.

Burj Al Arab em Dubai, Emirados Árabes. Hotel pertencente à rede Jumeirah Hotels & Resorts
Burj Al Arab em Dubai, Emirados Árabes Unidos. Hotel pertencente à rede Jumeirah Hotels & Resorts
Interior do Burj Al Arab em Dubai, Emirados Árabes.
Hall de entrada do Burj Al Arab em Dubai, Emirados Árabes Unidos
Fachada do Plaza Athénée Paris
Fachada do Plaza Athénée Paris
Suíte do Le Meurice Paris
Suíte do Le Meurice Paris

Espero que meu post tenha agradado vocês e que tenha ajudado na escolha do próximo empreendimento. Boa viagem!

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