Un recorrido por Mendoza

O post de hoje é sobre Mendoza. Capital da província de mesmo nome, Mendoza foi descoberta pelos espanhóis em 1561. Localizada próxima à fronteira com o Chile, a cidade está situada no meio da Cordilheira dos Andes, em uma área sísmica (entre as placas de Nazca e Sul-americana); por essa razão, tem registrado terremotos desde o século XVIII. No entanto, o terremoto de 1861 foi o mais marcante, pois destruiu a cidade e 40% da população local. Deste período, sobraram apenas as ruínas da Basílica de São Francisco e as fontes de água existentes na antiga praça principal, hoje ruínas subterrâneas. Esse terremoto mudou a cara da cidade, pois fez com que o centro de Mendoza fosse transferido para uma área mais ao norte (hoje conhecida como Centro Novo) e redefiniu o design urbanístico do destino, criando muitas praças (há uma grande praça principal, a Plaza Independencia, circundada por outras quatro lindas praças menores), avenidas largas, muitas áreas públicas, muitas árvores (em grande parte, Plátanos, a árvore símbolo do Canadá) e edificações baixas, dando uma cara particular à Mendoza.

Deem uma olhada em alguns pontos da cidade. A primeira foto é do primeiro banco de Mendoza, hoje é Secretaria de Cultura e centro cultural. Já a segunda é da Plaza San Martín; as duas últimas são da lindíssima Plaza España.

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Hoje a cidade de 120 mil habitantes ainda sente de 8 a 10 pequenos tremores por dia (eu presenciei um na minha última noite na cidade. Sensação esquisitíssima!), mas já está mais preparada para essas situações. De clima semidesértico, a economia atualmente é baseada na extração de petróleo (a região de Mendoza tem o primeiro poço de petróleo da América Latina), no setor hortifruti, nas vinícolas (bodegas), no turismo, entre outros.

Turisticamente a cidade é destino para os amantes do vinho e da boa gastronomia. São 957 bodegas registradas que, por conta do clima árido e da grande amplitude térmica, se tornou propícia para a produção de vinhos finos, principalmente Malbec (o símbolo de Mendoza), Cabernet Sauvignon, Chardonay, Syrah, Merlot, Moscatel, entre outros. A província de Mendoza é responsável por 80% de todo o vinho produzido na Argentina e algumas dessas bodegas são de propriedade de estrangeiros, como os austríacos da Swarovski, donos da Nieto Senetiner e os franceses da LVMH, o maior conglomerado de artigos de luxo do mundo, proprietários da Chandon, além de norte-americanos, belgas, inclusive brasileiros.

Viajamos para Mendoza com a Aerolíneas Argentinas, operado pela Austral. Saímos de Puerto Iguazú (Argentina) e fizemos escala em Salta. Apesar da confusão no embarque, gostei muito da Austal, pois as aeronaves são confortáveis (Embraer 190), modernas, atendimento eficaz e oferece um centro de entretenimento bacana, levando em consideração que é um voo relativamente curto. O Aeroporto de Mendoza é super pequeno, mas recentemente reformado e aconchegante.

Como vocês sabem, hotel é uma escolha importante nas minhas viagens. Mendoza oferece várias opções de hospedagem, mas a maioria é muito simples e, de maneira geral, muito cara. Para esta viagem fiquei hospedada no NH Cordillera. Escolhi o empreendimento basicamente pela trinquinha localização/preço. O hotel possui localização estratégica (em frente à Plaza San Martín e próximo aos principais atrativos e restaurantes), um bom atendimento, mas achei que faltava manutenção nos apartamentos. Deem uma olhada na fachada do empreendimento.

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Vou contar minha viagem pelos dias, pois acho que dessa forma ficará mais fácil entender todos os passeios que fiz durante minha estada.

Para quem estiver interessado em saber sobre a cotação do peso argentino, o valor do câmbio vai depender de onde o turista troca o dinheiro. A cotação gira de $ 2,70 (nas casas de câmbio) a $ 3,30 (cambistas de rua) (valores de setembro de 2015). Quer dizer, R$ 1  \cong $ 3. Eu tenho sempre receio em trocar dinheiro com cambistas, pois a possibilidade de receber dinheiro falso é muito grande. Acho que a melhor opção é tentar trocar no hotel ou negociar nos estabelecimentos o valor dos produtos em reais, pois muitos deles recebem a moeda brasileira. Ahhh! Também recomendo que o câmbio seja feito na Argentina, pois a cotação da moeda no Brasil infelizmente é muito baixa.

1º. Dia

Chegamos à Mendoza no meio da tarde e pegamos um táxi para o hotel (Os táxis de Mendoza são, em geral, velhos, sujos, mas com preço justo). Fizemos o check-in no NH Cordillera e passamos o restante do dia fazendo um reconhecimento da área (Microcentro). Jantamos no Azafrán, um restaurante super estiloso localizado na Avenida Sarmiento. O ambiente é pequeno, o cardápio é enxuto, meio caro (quando comparado aos demais restaurantes da cidade), mas os pratos são muito bons. O único ponto negativo foi o atendimento. No entanto, é um restaurante que eu recomendo. Eu escolhi um ravióli de abóbora com molho de cogumelos e lagostins que estava delicioso! Deem uma olhada na fachada do empreendimento, em seu interior e no prato que eu escolhi.

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2º. Dia

Pela manhã andamos pelo centro da cidade passando pela Avenida Las Heras (rua do comércio popular de Mendoza) e demos uma olhadinha no Mercado Central, local onde é possível encontrar produtos típicos da região. É uma edificação muito simples, mas recomendo para quem quiser conhecer os sabores mendocinos.

No período da tarde fizemos o Tour de Bodegas e Iglesia, passeio de meio dia oferecido pela Aymará Turismo ($ 300 por pessoa). O tour oferecia visita a duas bodegas e uma olivícola, fábrica de azeite de oliva. A primeira parada foi na Bodega Los Toneles, uma propriedade do século XIX que se transformou em vinícola no ano de 1922. A guia nos mostrou todo o processo de elaboração dos vinhos e nos levou para uma breve degustação. Deem uma olhada no espaço.

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A segunda parada foi na Domiciano de Barracas, uma bodega familiar boutique mais singela e com produção de pequena escala. A visita também teve uma explicação de todo o processo de elaboração dos vinhos e uma breve degustação dos produtos da empresa. Deem uma olhada nas videiras modelo e nos vinhos produzidos pela vinícola.

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A próxima parada foi na Olivícola Laur, uma empresa que produz azeites de oliva há mais de 100 anos. Nossa guia nos mostrou seus olivais, com oliveiras centenárias, explicou todo o processo de elaboração dos azeites, desde a elaboração do produto a partir de métodos rudimentares ao processo atual. Para finalizar o passeio tivemos uma degustação de azeites, inclusive azeites balsâmicos, e pastas de azeitona.

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Fechamos nosso tour passando pela Iglesia de la Carrodilla, uma igreja do começo do século XX em homenagem à virgem patrona dos vinhedos. A santa exposta no altar central foi trazida da cidade de Aragón, Espanha. Foi um passeio bem agradável e deu para ter uma ideia de como é feita a produção dos vinhos argentinos. Recomendado!

Acho que vale ressaltar que a grande maioria das vinícolas não está localizada na cidade de Mendoza, mas na região, em localidades como Maipú, Luján de Cuyo e Valle de Uco. Na verdade, há outros passeios mais elaborados passando por bodegas renomadas como Catena Zapata, Família Zucardi e Chandon, inclusive algumas delas oferecem um almoço degustação. No entanto, achei todos estes passeios muito caros e que não valia a pena o investimento. Estes tours mais longos custam a partir de $ 1100 por pessoa. Contudo, escutei ótimos depoimentos sobre esses passeios, então para aqueles aficionados por vinhos, mais abonados ou menos desprendidos de valores, acho que vale a pena adquiri-los. Ahhh! Não esqueçam que estes passeios devem ser comprados com certa antecedência, pois as bodegas exigem reservas antecipada para receber visitantes.

3º. Dia

Pela manhã passeamos pela Avenida Aristides Villanueva, rua que concentra vários restaurantes, lojas e hostels charmosos. Não achei o lugar tão irresistível como havia lido, mas é bem gracioso e há várias opções gastronômicas bacanas por lá. Vale a pena uma passadinha.

Almoçamos no Maria Antonieta, um restaurante pequeno, despretensioso, mas extremamente charmoso localizado na Avenida Belgrano. O cardápio é enxuto, mas tudo muito bom. Eu pedi um ravióli de ricota com molho de cogumelos que estava divino. O arroz basmati com limão também estava bom demais! Super recomendado! Deem uma olhada na fachada do restaurante e no meu prato.

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No começo da tarde fizemos um city tour com aqueles ônibus turísticos. Optamos pela empresa El Oro Negro (ônibus laranja) e fizemos o Circuito no. 2 que percorria o Parque San Martín, Cerro de la Gloria, zona histórica, centro da cidade e centro cívico. Gostei do passeio e o recomendo para as pessoas que querem conhecer um pouco mais sobre Mendoza. Para os interessados, o circuito custou $ 90. Ahhh! Também há outra empresa que faz este mesmo tipo de passeio, a Mendoza City Tour (ônibus rosa). Eles parecem bem profissionais, mas cobram um pouco mais caro ($ 110). Deem uma olhada na linda fonte do Parque San Martín (o maior e mais popular parque da cidade), na estátua da vitória que celebra o centenário da república argentina, localizada no Cerro de la Gloria, e no imponente Palácio do Governo.

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No final da tarde fomos ao Mendoza Plaza Shopping. O Shopping é bacaninha, tem opções mais bonitas, mas muito caro. Depois vou fazer um tópico específico sobre compras.

4º. Dia

Hoje fizemos o Tour de Alta Montania. O passeio de dia inteiro também foi adquirido na Aymará Turismo ($ 560 por pessoa) e foi a melhor surpresa da viagem! Pensem em uma paisagem de sonho (e olha que eu não sou muito fã de áreas naturais)?! Passamos pelo Dique Potrerillos, onde já começamos a ver a neve da Cordilheira. O cenário é lindíssimo (é claro que a modelo gata também ajuda! rsrsrs), deem uma babada.

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Passamos pela pequena cidade de Uspallata onde alugamos equipamentos de neve para usarmos na estação de ski Penitentes. Como só queria fazer uma caminhada pela neve, aluguei apenas um par de botinhas ($ 50), mas é possível alugar vestuário completo, além de equipamentos para ski e skibunda. O que mais gostei de Uspallata foi sem dúvida a vista. Olhem a minha foto super profissa… Modéstia parte, parece até um cartão postal, não?!

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Próxima parada foi na Estação de Ski Penitentes onde tomei um telefórico ($150) para um dos morros. Era possível ver pessoas praticando ski e skibunda e deu até uma invejinha por não ter habilidade nenhuma para estes esportes.

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Conhecemos ainda a Puente del Inca, uma ponte natural onde corre águas termais (com temperaturas entre 34o. a 38o. graus). A Ponte é lindíssima e é incrível pensar que ela é natural. O local já abrigou um hotel e um termas, explorados por um grupo inglês, mas depois de um grande deslizamento da montanha os empreendimentos foram desativados. A Ponte é tão famosa que já foi visitada por Charles Darwin no século XIX. Bacana, não?! Deem uma olhada na foto. Ahhh! Prestem atenção no fundo da foto. Tem uma igrejinha por lá! Mesmo com o grande deslizamento, a igrejinha permaneceu intacta. Coisas inexplicáveis da vida!

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Passamos também pelo lado sul do Monte Aconcágua, o ponto mais alto das Américas e terminamos o passeio em Las Cuevas, uma cidade anteriormente abandonada, mas que aos poucos tem sido adaptada para receber turistas. Deem uma olhada no Monte; ele está no fundo da foto, coberto em parte por uma névoa branca.

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Voltamos no final da tarde bem felizes e satisfeitos com o passeio. Super recomendado!

Jantamos no La Lucia, um restaurante ítalo-argentino. O ambiente é charmosíssimo e a seleção musical é sensacional, mas achei a comida bem normal. Deem uma olhada na fachada e no interior do empreendimento.

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5º. Dia

Hoje foi dia de fazer as compras de última hora e voltar para casa (Quem lê até pensa que foram muitas compras!). Passei pela Avenida San Martín, a principal rua comercial de Mendoza, a Calle 9 de Julio e a Peatonal Sarmiento (calçadão onde é possível encontrar outras opções comerciais). Segue abaixo fotos da Avenida San Martín e da Peatonal Sarmiento.

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Para fechar a viagem comemos umas empanadas no Mercado Central e provei um “cucurucho” (sorvete) da Família Perin, a sorveteria mais tradicional de Mendoza, aberta desde 1947. Muito bom!

Mesmo que vocês tenham visto lindas fotos da cidade, eu devo admitir que Mendoza me decepcionou um pouco. É aquela coisa das expectativas que eu sempre comento. Quando as expectativas são muito altas, a chance de voltar frustado é muito grande! Vi muitos edifícios históricos fechados e sem a restauração apropriada. Além disso, se sair um pouquinho do centro de Mendoza, vocês veem uma cidade pobre e meio abandonada no meio de um deserto. É triste! A frota de carros e transporte público é muito antiga, o comércio é muito populesco e extremamente caro. Na verdade, o que mais me chamou a atenção na cidade foi o preço de tudo; passeios, comida, vestuário. Ao contrário do que muitos brasileiros pensam, a Argentina está muito cara! As pessoas não são bonitas como em outras partes do país e elas, na maioria das vezes, têm um gosto muito duvidoso. Na verdade, eu nunca vi tanto mau gosto para sapato antes. Consegui ver os sapatos mais feios da vida, e olha que já vi sapato feio nesta minha vida. Fiquei tão assustada que fiz um pot-pourri das vitrines mendocinas para vocês terem uma ideia do que eu estou falando. Deem uma olhada no último grito da moda!

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No entanto, fiquei positivamente entusiasmada com alguns pontos. Achei as praças de Mendoza charmosíssimas e elas são um convite para sentar e aproveitar o sol. Fiquei muito impressionada com o sistema de aproveitamento de águas na cidade. Por estar localizada em um região muito seca, eles possuem um sistema de irrigamento e aproveitamento de água invejável. Invejável é pensar que ele foi desenvolvido ainda no século XIX, quando nós só começamos a nos preocupar com a falta de água a partir da década de 1970.

De qualquer forma, continuo apaixonada pela Argentina e pelos argentinos. É um país tão rico, seja em belezas naturais ou em patrimônio histórico-cultural. Fico impressionada com o orgulho que eles têm de seu país e de suas origens, apesar das dificuldades atuais. Também fico impressionada com a variedade e a qualidade dos produtos alimentícios. Na verdade, há muito tempo não comia tão bem em uma viagem!

Enfim, agora é hora de desarrumar a mala de começar a sonhar com o próximo destino.

¡Hasta luego!

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