Desventuras pela Europa – Capítulo 6 – Gante (Bélgica)

E a vontade de sassaricar pela Europa não pára. Em uma viagem planejada de última hora, o post de hoje conta sobre meu final de semana em Gante, Gent (Holandês) ou Ghent (Inglês).

Gante é a terceira cidade mais importante da Bélgica com pouco mais de 260 mil habitantes. Com uma história fascinante incentivada por seu porto estratégico e suas boas relações comerciais, principalmente com a Inglaterra, Gante foi, na Idade Média, a segunda maior cidade europeia, logo depois de Paris. É reconhecida como primeira zona industrial da Europa por conta de seus produtos têxtis, mas a reforma protestante nos séculos XVI e XVII trouxeram problemas profundos à cidade. Nos séculos XVIII e XIX Gante recuperou parte de sua indústria têxtil e teve grande êxito econômico ao ser a primeira cidade continental europeia a instalar uma máquina a vapor, contrabandeada da Inglaterra. Foi a cidade de nascimento de Carlos V, um dos mais importantes reis da Espanha e parada de Karl Marx que escreveu alguns de seus ensaios por lá. Fez parte da Espanha, do Reino Unido, da Holanda e hoje está localizada na porção com influência holandesa da Bélgica, conhecida como Flandres.

Fui à Gante de trem e o trajeto de Amsterdã ao ponto final dura em torno de 2h30 a 3h10, dependendo do tipo de trem escolhido. As passagens custam em torno de € 30 a € 90 por trecho e este valor está diretamente relacionado ao tipo do trem, à categoria escolhida e a data da compra. Já escrevi várias vezes em outros posts e volto a destacar; caso optem pelos trens europeus, comprem os tickets com a maior antecedência possível, pois isso influencia diretamente no valor final do passeio. Ressalto também que o bilhete só estará disponível para a venda com três meses de antecedência, portanto, não tentem comprá-lo hoje para o próximo ano. A Estação Central de Trens de Gante, St. Pieters, é linda, parece um castelo medieval, uma pena estar tão longe do centro da cidade. Deem uma olhada em sua fachada.

Como sempre tentei escolher a melhor opção de hospedagem possível e não poderia ter pedido por uma localização mais privilegiada. Nesta viagem fiquei hospedada no 1898 The Post, um hotel boutique situado na principal praça de Gante, no antigo edifício dos correios. O quarto era pequenino, mas extremamente charmoso, confortável e bom atendimento. O único ponto negativo foi a própria localização, pois o Hotel estava ubicado entre as três principais igrejas da cidade, portanto estava eu disposta a dormir o sono da beleza até o meio dia, mas as insistentes badaladas dos sinos das igrejas não deixaram. Tudo bem… Digamos que era a cidade me chamando para aproveitá-la. Deem uma olhada na fachada do Hotel e nos detalhes da mesa de trabalho do meu apartamento.

O primeiro passeio que fiz por Gante e foi o Free Tour of Ghent, que oferece tours em Inglês e Espanhol todos os dias às 10h30 e às 14h.  A saída é na Cataloniëstraat 18 ao lado da igreja de St. Nicolas, em frente ao Taco Restaurante. É fácil reconhecê-los, pois sempre estão usando um guarda-chuva laranja. Durante nosso paasseio visitamos:  a Igreja de St. Nicolas, Belfry of Ghent, conhecido como o Campanário da cidade, a Catedral de Saint Bavo (ou São Bavão), Korenmarkt, a charmosa ponte de São Miguel, o antigo porto, o Castelo de Gravensteen, também nominado como o Castelo dos Condes, o antigo mercado das carnes e dos peixes, o mercado de sexta-feira e terminamos o tour na Câmara Municipal da cidade. Admito que não foi o melhor free walking tour que eu já fiz, mas nosso guia era muito solícito e como o centro da cidade é pequeno, foi possível conhecer seus principais atrativos em uma caminhada. Além disso, Gante é um charme! Ela conseguiu manter parte de suas construções medievais no centro de uma cidade moderna, mas de uma forma muito harmônica, portanto é um tipo de passeio que deve ser feito. Minha dica é: Deixem os sapatos estilosos no hotel e usem um calçado bom para toda a obra, pois o calçamento das ruas de Gante são em paralelepípedos pequenos e, como sempre, estava usando um sapato inadequado. Não machuquei meu pé, mas gerei “feridas de guerra” nos meus sapatos carérrimos e xodós do meu guarda-roupa. Deem uma olhada em algumas fotos tiradas pelo caminho. A quarta foto é da linda fachada do antigo mercado dos peixes e as últimas duas imagens é do Castelo dos Condes.

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A cidade de Gante oferece vários museus interessantes como o Museu de Belas Artes, Museu do Design, Museum Dr. Guislain, entre outros. No entanto, optei por conhecer o STAM que é o Museu da Cidade. Ele apresenta sua história por meio de uma trilha cronológica de objetos e multimídia que acompanham o desenvolvimento e o crescimento local. Localizado entre o centro da cidade e a estação de trens, parte de sua estrutura fez parte da antiga abadia de Bijloke, além de outros edifícios do mesmo complexo. O lugar, adaptado às necessidades atuais, é maravilhoso. O museu é interessante, mas não é fenomenal! Acho que vale a pena apenas para os amantes de história. Caso tenham interesse, o ingresso custa € 8. Segue abaixo fotos da fachada do Museu e de algumas salas e espaços internos.

O restante do meu final de semana foi destinado a andar pelas ruas e aproveitar o que a cidade tem de melhor. Fiz questão de conhecer o interior das principais igrejas e acho que vale a pena a visita à Catedral de São Bavão (St. Bavo) que tem o púlpito mais bonito que eu já vi na vida. Vejam os detalhes da obra abaixo.

Na Igreja está exposto o painel “A Adoração do Cordeiro Místico” feita por Hubert e Jan van Eyck e é considerada a obra mais furtada da história. Até hoje um de seus painéis está desaparecido.

Também não deixem de experimentar os waffles quentinhos (comi muitos!), os famosos chocolates e degustar as cervejas locais. Esta última eu dispenso, mas é realmente impressionante a variedade de marcas disponíveis no comércio.

E assim me despeço desta viagem. A Bélgica não é um país no qual tenho apego, mas fiz questão de conhecer Gante para ter um novo ponto de vista e posso admitir que foi uma experiência muito positiva. Ela tem o charme de Brugges com os canais e construções medievais, mas com a vivacidade de Bruxelas. De alguma forma, as edificações medievais fazem muito sentido no ambiente moderno e tudo mescla muito bem. Ainda acho estranho o fato da Bélgica não ter uma identidade própria; em alguns momentos sentia-me na França, em outros tinha certeza que estava na Holanda e, de repente, me sentia no Leste Europeu, mas talvez seja essa mistura que transforme a Bélgica em um lugar único. Ainda não gosto do atendimento no comércio, na falta de cardápios em outras línguas que não seja Holandês (mesmo que o Francês e o Alemão também sejam os idiomas oficiais do país); mesmo assim, depois de Brugges, na minha opinião, Gante é a cidade mais charmosa da Bélgica e se estiverem pela região acho que vale a pena dar uma passadinha por lá, nem que seja para andar pelas agradáveis ruas do centro da cidade.

Espero que tenham gostado de acompanhar mais essa viagem comigo e fiquem ligados para as próximas aventuras desta caçadora de destinos. Caso tenham interesse em ver com mais detalhes toda a jornada, abaixo segue mais um vídeo do YouTube. Nele faço um tour completo pelo quarto do Hotel e conto algumas histórias curiosas e partiulares de Gante. Acompanhem!

 

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