Aventuras pela Europa – Capítulo 10 – Antuérpia

Hoje começo a escrever sobre uma viagem que estou planejando há muitos anos. Conhecida como a capital dos diamantes (já que é responsável pela negociação de 80% dos diamantes brutos e 50% dos diamantes lapidados em circulação), por seu importante porto e por seus pintores barrocos (Rubens e Van Dyck), Antuérpia é uma das cidades mais charmosas de toda a Europa. Com pouco mais de 500 mil habitantes, a cidade é a segunda maior metrópole da Bélgica (metrópole é só maneira de dizer, já que as cidades belgas não são assim tão grandes) e fica a apenas 40 minutos de trem de Bruxelas, capital do país. O idioma predominante desta região é o holandês, mas TODOS os moradores falam fluentemente francês e inglês, o que facilita muito a comunicação. Antes mesmo de morar na Alemanha, eu já tinha planos de visitar a Antuérpia. Entretanto, desde que cheguei à Europa, outras viagens, sejam a negócios ou lazer, e o próprio inverno, acabaram atrasando este passeio. Fiquei apenas três dias na cidade e vou destacar logo abaixo todos os atrativos que tive a oportunidade de conhecer. Já adianto que como Bruxelas, acho que a Antuérpia é um destino que pode ser visitado em poucos dias, como em um final de semana, pois grande parte dos atrativos está localizada no centro histórico ou próximo dele.

Fui a Antuérpia de trem. São quase 4 horas de viagem de Bad Honnef e acho que é a melhor forma de chegar à cidade. Caso vocês também viajem a Antuérpia de trem, o primeiro atrativo do destino é a própria estação de trens. Construída no final do séc. XIX a Antwerpen-Centraal é por si só um atrativo turístico. É uma das estações de trens mais bonitas do mundo, com muitos detalhes em ouro e muito mármore. Além disso, ela é extremamente moderna; são três andares e 24 portões de embarque. Fiquei impressionada! Deem uma olhada nas fotos. A primeira mostra a fachada da Estação e a segunda destaca seu interior.

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 A Estação está localizada no distrito dos diamantes. Realmente esta região é repleta de lojas de joias, mas sinceramente achei tudo de muito mau gosto, muito datado, não me interessei por nada (como se eu pudesse comprar muita coisa com a minha bolsa de estudante da CAPES).

Com relação à hospedagem, não tive muita sorte com o hotel desta vez. Fiquei hospedada em frente à Estação, no Radisson Blu Astrid Hotel. Não sei nem como descrever o hotel. A localização era excelente e o 1º andar era todo dedicado ao bem estar do hóspede, oferecendo sauna seca, sauna úmida, piscina indoor, jacuzzi, academia completa e spa. É muito legal! Já o quarto era mais ou menos. A cama era de péssima qualidade, o chuveiro quente tinha pouca água. Além disso, esperei horas para fazer meu check-in, achei o mensageiro pouco amigável e meio “tabajara” (se vocês me entendem!).  Enfim, não sei se recomendo… Mas acho que se hospedar próximo à Estação de Trens é sempre importante.

 Vamos aos atrativos…

Meir – Esta é a principal rua comercial de Antuérpia. É um calçadão agradável, cheio de lindos edifícios neoclássicos e onde se concentram as marcas mais populares como Zara, H&M, Benetton, entre outras. Mesmo quem não gosta de umas comprinhas, acho que vale a pena passear por lá. Está localizada entre a Estação Central de Trens e o centro histórico. Na Meir, eu destacaria dois lugares especiais; o primeiro é o Stadsfeestzaal Shopping, um antigo espaço de eventos do séc. XIX – parece muito um antigo teatro – transformado em shopping. Eles se auto intitulam “o shopping mais bonito do mundo”. Não tenho essa certeza, mas o lugar é realmente de perder o fôlego. O outro é o Paleis op de Meir, um antigo palácio real do século XVIII que já serviu como residência de Napoleão Bonaparte e que hoje, além do museu, também possui uma charmosa brasserie (Café Impérial) e uma chocolaterie (The Chocolate Line). A visita ao museu custa € 6 e está disponível apenas aos Domingos. É pequeno, mas bonitinho, principalmente a sala dos espelhos. O restaurante é legal, a comida não é assim fantástica, mas vale a pena pelo ambiente monárquico e nostálgico. Já os chocolates… Ahhh, os chocolates… São divinos! Eu comprei uma caixinha com oito diferentes bombons artesanais e nem sei dizer qual era melhor. Recomendadíssimo! Deem uma olhada nas fotos. A primeira é o início da Meir. Já a segunda é o Palácio.

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Rubenshuis – Esta linda casa na Wapper, calçadão muito próximo ao Paleis op de Meir, foi adquirida pelo famoso pintor flamenco Peter Paul Rubens no início do século XVII e foi onde o artista morou e manteve seu estúdio para quase 30 anos. A casa é linda, principalmente as paredes com um papel dramático feito em couro, as fantásticas lareiras e as magníficas pinturas de artistas flamencos. O estúdio com as obras do pintor também é divino. É um passeio imperdível! Ahhh! O ingresso custa € 8, mas se você apresentar seu bilhete de trem, você ganha um desconto e paga apenas € 6. Também é possível fazer um combinado com o museu Mayer van den Bergh, pagando apenas € 10 pelos dois passeios. Como não tinha certeza se iria visitar o segundo museu, acabei ganhando só o desconto do trem. A primeira foto é a entrada do museu. Já a segunda foto é do pátio da casa. 

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Catedral de Nossa Senhora (Onze-Lieve-Vrouwekathedraal) – Localizada no centro histórico de Antuérpia, essa catedral de arquitetura eclética foi construída no séc. XVI. Vocês sabem que eu sou contra pagar ingresso para visitar igreja ( € 6), mas essa em especial é um museu de pinturas sacras flamencas. Além disso, possui quatro obras magníficas de Rubens. Seu interior não é assim impressionante, mas fiquei particularmente entusiasmada com os trabalhos em madeira escura. 

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Grote Markt – Localizada no coração do centro histórico da Antuérpia, essa praça preserva a linda prefeitura do séc. XVI e os edifícios muito típicos do renascimento flamenco (séc. XV). É um lugar agradável, cheio de restaurantes, cafés, bistrôs e brasseries e é o principal ponto turístico da cidade. Não há uma profusão de casas de waffle como em Bruxelas e o comércio de chocolate também é mais escasso. Em minha opinião, isso é ótimo, pois dá à praça uma imagem mais autêntica, menos “pega turista”. Essa região é o melhor lugar para se perder e descobrir vielas medievais e um comércio inusitado. Super recomendo!

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Steen – O castelo de Steen é a construção mais antiga da Antuérpia. Está localizado às margens do Rio Escalda (Steldt) e teve sua construção iniciada ainda no século IX. Já foi prisão, residência e museu naval. Hoje é apenas mais um marco da história desta cidade.

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The Vleeshuis – A “Casa do Açougueiro” é uma construção do séc. XVI, fica muito próximo ao Steen e congrega o museu histórico da música, som e dança da Antuérpia. É pequeno, mas têm peças interessantes, principalmente os lindos pianos do séc. XVII.  Achei dispensável a não ser que você seja uma fã de instrumentos musicais antigos. O ingresso custou € 5.

Museum Mayer van den Bergh – Esse museu foi feito a partir da coleção particular de Fritz Mayer van den Bergh, um grande admirador das artes. O acervo está exposto em uma linda casa em estilo neogótico. Eu gostei muito das pinturas barrocas no andar térreo e da biblioteca de tirar o fôlego no piso superior, mas acho que também é um museu dispensável a não ser que você seja fascinado por arte. O ingresso custou € 8.

Maagdenhuismuseum – Esse é um antigo orfanato para meninas, muito próximo ao Museu Mayer van den Bergh que também foi transformado em museu. É um lugar pequeno, mas que possui lindas obras de Rubens, Van Dyck e Jordaens, grandes pintores flamencos. Mesmo assim, também achei um museu dispensável. O ingresso custou € 7.

Cogels Osylei – É a região mais charmosa da cidade. Localizada ao sul da Estação Central de Trens, essa rua pertence ao distrito de Zurenborg. Eu não sei nem como descrever o lugar.  É uma região pequena composta por lindas mansões. Mas não são quaisquer mansões… A impressão que eu tive é que os donos faziam uma competição para ver quem construía a casa mais diferente do bairro. São mansões do começo do século XX e é possível encontrar edificações em estilo neoclássico, neogótico, art noveau, bizantino, a la tudor, ou até mesmo todos os estilos em uma mesma construção. Tudo com muitas torres, pontas e regadas com muitos mosaicos dourados. O lugar é lindo, muito calmo, parece um conto de fadas… Para quem gosta de arquitetura, é o tipo de lugar que precisa ser visitado. Mas minha dica é: Não vá a pé até lá, pois é meio longinho do centro;  pegue um trem até a estação de Antwerpen –Berchem, muito próxima da região. Segue abaixo algumas fotos do lugar.

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Outra dica legal… Se vocês estiverem na Antuérpia e quiserem almoçar em um lugar bem agradável, vão até a região do Museu Real de Belas Artes da Antuérpia. Localizado a uns 15 minutos a pé ao sul da Nationalestraat, essa região é cheia de restaurantes, cafés e brasseries. É extremamente calma e charmosa. O museu está fechado para restauração até 2017, mas mesmo assim, o passeio vale muito a pena! Almocei no Ferrier 30, um restaurante italiano contemporâneo. Minha escolha não podia ter sido melhor. Pedi um ravióli de lagostins com molho de crustáceo que estava divino! Além disso, de entrada eles servem um prosciutto maravilhoso (e não cobram por isso!). O ambiente é super agradável e o atendimento muito personalizado. Fica a dica! Outro lugar que eu também achei legal é o Brasserie den Artist, logo em frente ao museu. É um café histórico em art decó muito charmoso e lotado de gente, portanto imagino que seja bom.

Ahh! Não podia deixar de destacar que durante minha passagem pela Antuérpia também fui ao cinema (tinha que me atualizar) e comi alguns waffles com chocolate e creme (nada mais turístico). Essas pequenas indulgências fazem um bem danado para a alma!

 E assim terminou mais uma das minhas viagens. Antuérpia é um destino que me fez ver como a história pode estar viva. Foi uma viagem na qual tive sentimentos conflitantes. Não me apaixonei pela cidade como achei que me apaixonaria, mas gostei muito mais que Bruxelas. Eu vejo cada dia mais que a expectativa é o nosso maior inimigo. A cidade é mais cinzenta do que eu esperava. Em muitos momentos ela me pareceu decadente com construções que carecem urgente de uma limpeza ou uma demão de tinta. As ruas nem sempre estão limpas, principalmente ao sul do centro histórico e próximo à Estação Central de Trens. Não vi mendigos pedindo dinheiro, mas também não me senti segura andando à noite pela rua. Ao mesmo tempo, se alguns pontos da cidade me incomodaram, outros me fascinaram completamente. É uma cidade extremamente autêntica! Você não se sente perdido (sem saber se está na França, na Alemanha ou mesmo no Canadá). Os museus deixam clara a importância que a região teve e ainda tem na arte mundial, e os muitos edifícios históricos mostram o quanto essa cidade é singular. Fiquei surpresa em ver como a Antuérpia é cheia de boutiques descoladas (principalmente localizadas no quadrilátero da moda que compreende entre a Wapper e a Nationalestraat), de lojas de móveis e decoração com um bom gosto absurdo ou mesmo de alguns negócios inusitados como uma croissanterie. Também fiquei surpresa com o número de judeus ortodoxos (na verdade não devia me surpreender tanto, já que a cidade se dedica em grande parte ao comércio de joias) e com a pequena quantidade de turistas. Por essa razão, espero que tenham gostado do meu relato e se estiverem pensando em visitar o país, não deixem de reservar alguns dias para conhecer essa “joia” belga.

Tot de volgende keer!

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