Aventuras pela Europa – Capítulo 11 – Bruges

Bruges (ou Brugge em holandês) é uma cidade localizada ao noroeste da Bélgica, na região conhecida como Flandres. Ela é denominada a Veneza do Norte, pois possui vários canais como a Veneza original, e é um dos destinos turísticos mais populares do país. A primeira vez que ouvi falar sobre Bruges foi quando a minha querida amiga Keila voltou de uma viagem a Europa e me contou como esta pequena cidade belga a encantou. Desde então, Bruges ficou na minha cabeça. Anos depois, achei que estava na hora de conhecê-la, e devo admitir que eu retornei a Alemanha completamente APAIXONADA por este destino! Bruges foi um grande centro comercial no final da Idade Média, mas acabou perdendo sua importância para a Antuérpia, cidade mais ao norte do país. Séculos depois, passou a explorar o turismo como sua principal atividade econômica, e hoje, suas lindas edificações do séc. XVII e XVIII tipicamente flamencas e seu charme bucólico a transformaram em um dos Patrimônios Mundiais da UNESCO.

Fui a Bruges de trem, como sempre. A viagem durou cerca de 4 horas e meia (saindo de Bad Honnef) e paguei € 88.  Minha paixão por Bruges começou logo na saída da Estação de Trens, pois na entrada da cidade já era possível ver os canais e suas charmosas paisagens. Como passei apenas o final de semana, fiz questão de ficar em um meio de hospedagem especial. Depois de pesquisar as várias opções existentes (e Bruges tem muitas opções!), escolhi o Duke´s Palace, um hotel histórico localizado próximo às ruas comerciais e à Grote Markt, principal praça da cidade. Instalado em um lindo palácio do século XV que serviu como residência dos duques de Borgonha, este hotel possui uma estrutura e áreas sociais impactantes, mas fiquei bastante decepcionada com os apartamentos. Além de achar tudo muito comum, e até um pouco datado, o chuveiro do banheiro não tinha água quente direito (imaginem tomar banho frio pela manhã no inverno europeu!).  Mesmo que eu tenha ficado empolgada com a variedade dos ammenities (uma coleção completa da L´Occitane até com bucha, lip balm e demaquilante), achei que faltou alguma coisa! Não sei se recomendo para outros turistas, mas na dúvida, segue abaixo algumas fotos para que vocês o conheçam.

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Durante meu final de semana na cidade visitei os seguintes atrativos:

– Grote Markt – Praça Principal. Nela é possível ver o Campanário, uma edificação do século XVIII no qual o turista pode subir e ter uma visão completa de Bruges. Também é onde fica o Tribunal Provincial, um lindo edifício do séc. XIX em estilo neogótico; além de outras construções em estilo medieval (dizem que elas não são autênticas e há muitas críticas por conta disso). A praça é o principal atrativo turístico de Bruges e por essa razão, concentra vários restaurantes, cafés, casas de chá, chocolateiras, etc. Também é de lá que saem as românticas charretes que fazem city tours pelos principais atrativos do destino. Por mais que as charretes sejam de fato super românticas, tenho que admitir que por conta dos cavalos, essa parte da cidade fede um pouco! Ahhh! Nesta região é onde se concentra o maior número de lojas de souvenirs. É possível encontrar coisas muito típicas belgas como os bordados (minha mãe ia infartar várias vezes por lá!), as cervejas e os chocolates, e outras coisas de origem duvidosa como tamancos holandeses e os bonecos quebra-nozes de Rotemburgo, Alemanha. De qualquer forma, deem uma olhada em duas imagens da Praça.

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– Burg – Outra praça importante da cidade localizada ao lado da Grote Markt. Nela estão situadas o Palácio Bispal, a Prefeitura e a Basílica do Sangue Sagrado. A Basílica do Sangue Sagrado (Basiliek van het Heilig Bloed) foi construída ainda no séc. XII. É uma igreja pequena, meio escondida no canto direito da Prefeitura, mas a capela é linda demais! Fiquei até emocionada de estar lá, sério mesmo! Ela possui ainda um museu com diferentes relíquias. Mesmo custando apenas €2, não recomendo a visita no museu. É apenas uma salinha com um acervo bastante enxuto. São peças lindas, tenho que admitir, mas muito poucas! Deem uma olhada nas fotos abaixo. A primeira é a do edifício da prefeitura e a segunda, do interior da Basílica.

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– Igreja de Nossa Senhora (Onze-Lieve-Vrouwekerk) – Essa linda igreja medieval possui uma escultura de mármore da Madonna de Michelangelo. Dizem que essa peça estava originalmente destinada à Catedral de Siena, mas foi adquirida por dois comerciantes de Bruges e doada a esta igreja. Eu estava curiosa para ver a escultura, pois segundo o filme “Caçadores de Obras-Primas” (Monuments Men – vejam o filme!), ela tem uma história emocionante.  Ahhh! Para ver a obra é necessário pagar € 2, mas eu posso mostrar para vocês de graça, deem uma olhada na foto abaixo. Ela é a figura central deste altar.

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– Begijnhof – É uma pequena área da cidade fundada ainda no séc. XIII, onde estava estabelecida uma irmandade de beguines, mulheres dedicadas à vida religiosa. Durante uma pesquisa na internet, vi que muitos turistas descreviam que o local transmitia paz. Não sei se paz é a melhor palavra para descrevê-lo, mesmo porque tinha um grupo de italianos buzinando no meu ouvido a visita inteira. Mas é um lugar lindo, muito especial e senti uma felicidade interior muito grande! Vale a visita!

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Bruges ainda oferece vários museus, mas dessa vez, fiz questão de não visitar nenhum deles. Queria dedicar meu tempo à própria cidade, que é na verdade o principal atrativo.  O melhor programa a se fazer é caminhar pelas bucólicas e sinuosas ruas e descobrir o que o local te proporciona. Também recomendo fazer uma caminhada beirando os canais, pois eles propiciam charmosas e inesquecíveis paisagens. Deem uma olhada!

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Sobre a gastronomia de Bruges, ela não foge a regra belga. É possível encontrar uma infinidade de opções de cervejas, waffels, pommes (batata-frita), chocolates e mussels (mexilhões). Como eu não bebo cerveja, me dediquei às outras especialidades locais. No Domingo, almocei no Breydel de Coninc, um restaurante despretensioso localizado entre a Grote Markt e o Burg. Mesmo que o garçom tenha me avisado que este período do ano não seja época de mexilhões (quer dizer, eles estavam muito pequenos), eu tive que experimentá-los. Eu pedi mexilhões ao molho de vinho branco e gostei muito, principalmente se você acompanhá-los com um molhinho de mostarda. É uma ótima opção para quem gosta de frutos do mar! Ahh! E achei que eles estavam enormes! Deem uma olhada no meu prato… Ele era gigante!

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Com relação aos chocolates… Ahhh os chocolates… No meu post sobre a Antuérpia eu havia comentado sobre a Chocolate in Line, uma marca de chocolates gourmet na qual eu tinha me apaixonado. Imaginem a minha felicidade quando descobri que eles tinham uma loja em Bruges. Comprei não uma, mas duas caixas de bombons. Dominique Persoone, o chocolatier responsável pela criação dos bombons é um gênio! Super, mega recomendado! Não deixem de provar! Também experimentei os chocolates da Mary, uma chocolateria de 1919 fundada pela primeira mulher chocolatier da Bélgica. A loja oferece bombons mais tradicionais, mas também são muito saborosos!

Duas atividades super tradicionais que eu não fiz em Bruges foram; passeio de barco pelos canais da cidade e a subida ao topo do Campanário. Eu achei os dois programas meio bestas, e por essa razão, acabei não fazendo! Sem arrependimentos!

E assim terminou mais uma viagem. Eu devo admitir que até este último final de semana, a Bélgica não tinha me trazido muitas emoções! Bruxelas estava muito aquém ao que eu esperava, e a Antuérpia também não me conquistou de fato. Entretanto, descobri nesta última viagem que a verdadeira joia belga está em Bruges. Li alguns blogs de viagem dizendo que Bruges era meio “fake”. Eu particularmente não tive essa impressão! É verdade que a cidade vive exclusivamente do turismo e por essa razão, o centro histórico é dedicado basicamente ao turista. É possível ver uma profusão de lojas de souvenirs e estabelecimentos gastronômicos. Mas ao mesmo tempo, achei tudo extremamente despretensioso e verídico, sem forçação de barra ou coisa do gênero. Li em outros blogs que os restaurantes do centro histórico eram “pega turista”. Também não concordo com isso! É claro que é possível encontrar todos os tipos de estabelecimentos, inclusive aqueles meio trabajaras, mas vi restaurantes de chefes renomados, alguns deles até com estrelas no Guia Michelin. Existe também muitos estabelecimentos ligados a escola de hotelaria e culinária, portanto, vejo que a gastronomia é coisa séria por lá.

Para fechar o post, gostaria de dar três dicas para aqueles turistas que se animaram em visitar Bruges. 1) Leve um tênis bem confortável, pois a melhor forma de conhecer os atrativos é caminhando e o calçamento da cidade é todo em paralelipípedos pequenos, portanto qualquer outro calçado vai acabar com seu pé (Experiência própria! No meu segundo dia inventei de colocar uma bota de salto fino. No meio da tarde já não estava mais aguentando de dor. Além de ter estragado o salto da minha bota);  2) faça um regiminho antes da viagem, ou mesmo já comece a planejar um detox para quando voltar do passeio, pois é difícil resistir a tantas tentações. Eu que sou super comedida acabei pisando um pouquinho na jaca; 3) caso queira comprar algum produto tipicamente belga, encontrei uma loja entre a Grote Markt  e o Dijver chamada 2Be. Ela é muito bacana e vende todas as marcas belgas de chocolate, cerveja, molhos, etc. Gostei bastante e recomendo!

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Até a próxima!

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