Aventuras pela Europa – Capítulo 16 – Palma de Maiorca

Hoje escrevo sobre uma das viagens mais agradáveis que tive nesta temporada europeia. Passei o último final de semana em Palma de Maiorca, Espanha (ou Palma de Mallorca em espanhol). Não que as viagens que eu tenha feito nos últimos meses não tenham sido agradáveis, pois todas foram ótimas, mas Palma teve um gostinho especial. Fiquei tão empolgada com o destino que me descontrolei na quantidade de fotos (e olha que eu nunca faço isso!). Ahhh! E levei a primeira tostada desta temporada! Estou vermelha até agora.

Pouco conhecida pelos brasileiros, Palma de Maiorca é a capital das Ilhas Baleares, uma comunidade autônoma localizada no Mar Mediterrâneo entre a Espanha e a Itália. Possui pouco mais de 400 mil habitantes e tem o turismo como sua principal atividade econômica. De origem romana, Palma presenciou durante os séculos diversas transformações, sejam por meio da invasão árabe durante o início da Idade Média, pela conquista e anexação do território ao Reino de Aragón (hoje Espanha) séculos mais tarde, ou pela explosão demográfica nas décadas de 1950 e 1960 por conta do sucesso ao explorar o turismo de massa. A verdade é que toda essa miscelânea cultural, unida ao clima tipicamente mediterrâneo e as praias com águas azuis fizeram com que Palma se transformasse em um dos destinos mais populares do país.

 1º Dia

Fui à Palma de Mallorca de avião e cheguei à ilha espanhola no horário do almoço. Dessa vez, voei de Ryanair direto de Colônia. Não sou muito fã da Ryanair, pois o atendimento é péssimo, os voos estão sempre atrasados e as aeronaves são super desconfortáveis. Porém é uma das companhias mais baratas da Europa e oferece voos diretos de Colônia, então eu não tinha muito o que reclamar. O trajeto até Palma foi, no mínimo, peculiar! O voo estava lotado de homens (pelo menos 80% dos passageiros) e eles estavam super animados; falando alto, brincando, me senti como se estivesse num bar em pleno ar. O aeroporto de Palma é gigante, moderno e muito bem sinalizado (as placas estão disponibilizadas em quatro idiomas, para dar um tapa com luvas de pelica no amadorismo brasileiro). A cidade não oferece metrô, mas há ônibus (Airport Express) que saem da entrada do Aeroporto e param no centro histórico. Eles são super práticos e custam apenas € 3 por trecho. Dessa vez, não vou comentar sobre o meu hotel, pois não fiquei muito satisfeita com minha escolha. Entretanto, posso dizer que fiquei hospedada ao lado da Plaça d´Espanya, uma praça localizada em frente ao Terminal Intermodal (antiga Estação de Trens) e onde era possível pegar ônibus para todos os cantos da cidade. Palma oferece uma hotelaria bastante diversificada e com preços atraentes, quando comparados a outros destinos europeus, portanto não acho que seja difícil achar uma boa opção neste destino. Minha dica sobre os meios de hospedagem… Antes de reservar um hotel, pensem qual o seu maior interesse na cidade, sejam as praias ou o centro histórico, e procurem as opções hoteleiras próximas desses atrativos. Palma é uma cidade muito espalhada, então é importante se hospedar em um local próximo dos seus maiores interesses.

Bem vindos a Palma!

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Comecei meu passeio explorando a região próxima ao meu hotel. Andei pela Avenida de Alexandre Rosselló, uma via perimetral onde é possível encontrar várias lojas como Zara, Massimo Dutti e El Corte Inglés. Após meu tour de compras, visitei o centro histórico. Passei pela La Rambla (nos mesmos moldes do calçadão de Barcelona, mas sem o mesmo glamour) e cheguei a Plaça Major (também nos moldes das Plazas Mayores da maioria das cidades espanholas). Acho que vocês devem ter reparado que a escrita dos atrativos está meio estranha. O Catalão é um dos idiomas oficiais desta região e por esta razão, todos os atrativos estão escritos nesta língua. Engraçado é ver os programas de televisão em Catalão. Tem-se a sensação de que estamos escutando um português  conversando, mas não conseguimos entender ao certo o que ele está tentando falar. Voltando às minhas andanças, passei pela Plaça de Cort, onde esta localizada o lindo edifício da Prefeitura (Ayuntament). Andando mais um pouquinho passei pelo Parlamento das Ilhas Baleares (Parlament de les Illes Balears) e cheguei ao Palau de Almudaiana. Segue abaixo o edifício da Prefeitura.

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 O Palau de Almudaina ou Palácio Real de la Almudaina é uma fortaleza construída durante o período de dominação árabe na cidade e reconstruído por Jaime II séculos depois, durante o Reinado de Aragón. É uma das residências da Família Real Espanhola e conta um pouco da história desta rica cidade. O lugar é bacana, muito bem conservado, vale a visita! Ahhh! O bilhete custa € 7. Segue abaixo duas fotos do Palácio. A primeira é a da fachada do atrativo e a segunda mostra parte de seu pátio central.

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Logo em frente ao Palácio está a Catedral de Palma, o mais imponente atrativo da cidade. Popularmente conhecida como La Seu, a Catedral teve sua construção iniciada ainda na Idade Média, mas até o século XX contou com reformas, adições e incursões de artistas espanhóis. A arquitetura do edifício é gótica, mas dentro da Catedral é possível ver uma mistura de estilos. Para ter uma ideia de como esta igreja é eclética, o altar central foi concebido por Antoni Gaudí, o famoso arquiteto catalão responsável pela Igreja da Sagrada Família em Barcelona. Para conhecer o interior da Catedral é necessário pagar € 6. Eu odeio pagar para visitar igrejas, mas de carinha feia comprei uma entrada, pois sabia que esse era um dos mais importantes atrativos da cidade. A entrada também dá direito a visitar os claustros da Catedral. Lindos! Segue abaixo duas fotos do atrativo. Ahhh! Ela é tão imponente que pode ser vista de qualquer ponto da cidade.

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Após minha visita à Catedral, passei ainda no Museu de Mallorca, um museu gratuito que conta a história da cidade por meio de objetos como vasos e joias. Ele é muito pequeno,  não  acho que valha a pena conhece-lo. Também visitei os Baños Árabes, uma construção do século X que serviu como um banho de caráter privado durante a ocupação árabe da cidade. O local também é pequeno, nada muito representativo, mas custa apenas € 2,50 . Segue abaixo uma das salas dos banhos.

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Falando um pouquinho mais sobre o centro histórico da cidade é importante ressaltar como esta região é linda. Ela é em parte cercada por muralhas (a outra parte das muralhas foi destruída a partir do crescimento de Palma) e é composta, em grande parte, por um casario em estilo colonial espanhol. É charmosa, está super bem conservada e me lembra Cartagena de Indias na Colômbia. Também estou impressionada com o paisagismo da cidade. O centro histórico é muito verde. Esta repleto de palmeiras, flores de diferentes tonalidades e fontes. Deem uma olhada.

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Também gostei bastante de ver moinhos históricos por toda a costa. Um charme!

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2º Dia

Acordei cedo, pois queria visitar a parte mais oeste da cidade. Primeiramente fui conhecer duas praias de Palma; a Caló des Macs e a Cala Major. A tonalidade da água realmente impressiona, mas a faixa de areia é muito pequena, a areia é muito grossa e a praia tem muitas pedras. Neste quesito, nossas praias brasileiras ganham de lavada. Deem uma olhada! A primeira foto é da Caló des Macs e a segunda é da Cala Major.

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Uma curiosidade… Na Cala Major fica o Palácio Marivent, a residência de verão dos Reis da Espanha. Essa região praiana faz parte da área mais nova da cidade. É possível ver edifícios mais modernos, mais altos e com um comércio bem típico de litoral. Não é charmoso como o centro histórico, mas é bem organizado e impecavelmente limpo. 

Pela manhã ainda visitei o Castell de Bellver, um castelo em estilo gótico erguido no século XIV. É o único castelo construído em forma circular na Espanha. A visita é gratuita e no interior do atrativo há um museu que conta sobre o planejamento urbanístico da cidade. Além disso, o Castelo propicia lindas vistas de Palma. Gostei muito! 

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Após à visita ao Castelo fui ao Porto Pi, o maior centro comercial de Palma. O local é simples para os padrões brasileiros, mas tem várias opções de loja.

No horário do almoço voltei ao centro histórico, pois queria almoçar no Japonice, um restaurante dedicado à cozinha oriental localizado entre a Plaça del Mercat e o Passeig del Born. Eles servem o melhor sushi da cidade. Não sou muito fã de comida japonesa, portanto optei por noodles com molho thai e lagostins. Delicioso e preço bom!  Restaurante super recomendado! Deem uma olhada no prato.

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Ainda andei pelo centro histórico passando pelo Passeig del Born, um lindo calçadão onde se concentram vários restaurantes, cafés e as lojas mais exclusivas de Palma como a Louis Vuitton, Escada e a multimarcas Corner. O local me lembra um pouco o Paseo del Prado em La Havana, Cuba (claro que com suas devidas proporções!). Ao lado da Passeig del Born fica a Avenida Jaime III, outra rua comercial super charmosa. Lá é possível encontrar uma loja da Havaianas. Senti-me em casa! Em Palma de Maiorca é possível até encontrar Havaianas falsificadas nas lojas mais simples. Achei um sarro! Ahhh! O comércio de Palma é bem diversificado. Além disso, fica aberto aos Domingos e de segunda a sexta-feira fecha as portas apenas às 21h. Ótimo!

No final da tarde estava voltando ao meu hotel e encontrei uma filial do restaurante Mas Q Menos. Eu já havia comentado sobre este restaurante no meu post da Espanha. O sanduíche de jamón ibérico com queijo brie deles é coisa de outro mundo. É claro que eu não resisti e tive que repetir a dose.

Uma dica gastronômica. Ainda falando de comida, um dos meus assuntos preferidos, não deixem de provar as ensaimadas, um doce típico local. Eu não sei nem descrever o que elas são. Parecem um schneke, mas a massa se assemelha mais com uma massa folhada. Super gordo, mas saboroso. É possível encontrar as ensaimadas em várias pastelarias, mas a Forn del Sto. Cristo é uma das mais tradicionais da cidade. Eles têm três pontos de venda em Palma de Maiorca e além das ensaimadas, também vendem outros petiscos espanhóis super tradicionais.

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3º Dia

Hoje não acordei muito cedo, pois queria descansar um pouco mais (Esses jogos da Copa do Mundo à meia noite estão me matando!). Ainda no período da manhã, fui conhecer ao Poble Espanyol. Este atrativo temático congrega em um mesmo espaço várias edificações importantes da Espanha. São réplicas de atrativos famosos como a La Alhambra de Granada ou a Torre de Oro de Sevilha. É uma maneira interessante de conhecer a riqueza arquitetônica da Espanha. O local não é autêntico, parece mais uma Disneylândia, mas eu gostei! A entrada  custa € 6.

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No horário do almoço voltei ao centro histórico, pois queria almoçar no Cappuccino Grand Café. O Cappuccino é uma rede de estabelecimentos gastronômicos com filiais em várias cidades espanholas e em países do mundo árabe. Eles são especializados em cocktails, mas é possível encontrar um cardápio eclético que oferece pratos da cozinha japonesa, árabe e indiana. Em Palma de Maiorca há cafés espalhados por toda a cidade, mas eu almocei na filial em frente ao Passeig del Born. O lugar não é muito barato, devo admitir, mas o ambiente é ótimo.

No período da tarde, como o tempo não estava muito bonito fui ao cinema do Porto Pi para assistir o filme “No Limite do Amanhã”. E no final da tarde, terminei meu dia andando pela Passeig Maritim, a avenida beira mar de Palma. Na verdade, esta avenida dá de frente para o porto, mas é possível encontrar por lá os edifícios tipicamente praianos, vários meios de hospedagem, restaurantes, bares e as casas noturnas mais descoladas de Palma como a Pacha. Ahhh! Até encontrei um bar e uma churrascaria brasileira. Além disso, é possível ter uma vista linda do centro histórico. Adorei!

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Assim terminou minha viagem a Palma de Maiorca. Adorei o destino! Tirando o calor escaldante (eu parecia uma senhora na menopausa), acho que Palma é um destino para qualquer tipo de turista. Além das praias, é um cidade repleta de cultura e história, boa comida, preços módicos e gente simpática. Palma só reforçou o amor que eu sinto pela Espanha e esse é sem dúvida um destino que não vou me esquecer.

Hasta luego!

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