Descobrindo a Polônia (Varsóvia, Breslávia e Cracóvia)

Há alguns meses comecei a planejar minha próxima viagem. Pensei em visitar tantos lugares diferentes, mas por uma questão de oportunidade e custo, decidi conhecer a Polônia. Após a compra da viagem, era muito engraçado… Quando eu comentava com meus amigos que eu visitaria a Polônia, as pessoas me perguntavam: – Sério?! O que você vai fazer por lá? E eu respondia: – Não sei, mas irei descobrir! E esse foi o melhor posicionamento que eu poderia ter tomado, pois fui sem expectativa nenhuma e voltei completamente encantada pelo destino. Com certeza foi o melhor lugar que eu poderia ter escolhido neste momento.

Para aqueles que não têm ideia nenhuma sobre a Polônia, o país é uma república democrática parlamentar localizada na Europa Central ao lado da Alemanha e da República Checa. Possui pouco mais de 38 milhões de habitantes e mesmo não usando o Euro como moeda oficial, faz parte da União Europeia. A moeda oficial é o złoty (EUR 1≅ PLN 4,2) e, ao contrário dos demais países europeus, é um país relativamente barato (os preços dos produtos e serviços são semelhantes aos valores praticados no Brasil; arrisco a dizer até que são um pouco mais baratos), o que chama a atenção de muitos viajantes, principalmente dos europeus.

Mesmo que a Polônia aceite bem as diversas crenças, o país é predominantemente católico. De acordo com um dos meus guias, 94% da população se declara católica e 50% deles vão a missa pelo menos uma vez ao mês. Isso explica o grande número de igrejas em todas as cidades.

Não há voos diretos saindo do Brasil para a Polônia. Para chegar ao país é necessário fazer conexão em algum outro destino, mas há várias empresas que oferecem o trecho até Varsóvia, então é bem tranquilo. No meu caso, eu voei com a Alitalia (Devo admitir que a empresa já foi melhor!), com conexão em Roma. Os aeroportos da Polônia (já vou adiantando que conheci três deles) são muito bons; modernos e práticos.

Ao contrário das outras viagens longas que contei meu tour pelos dias, vou contar esta viagem pelas cidades, pois fiz um roteiro confuso com idas e vindas e acho que desta forma ficará mais fácil entender tudo o que eu visitei por lá. Também contarei um pouquinho sobre cada um dos destinos. Já vou adiantando que esse post ficou GIGANTE, pois me empolguei demais. No entanto, coloquei várias fotos para ilustrar os lugares, já que dessa forma o relato fica mais interessante e menos cansativo.

Varsóvia

Ou Warszawa (em polonês) foi minha primeira parada na Polônia. É a capital e maior cidade do país. Cortada pelo Rio Vístula (o maior rio polonês), a cidade possui quase dois milhões de habitantes e sua economia é baseada na indústria de diferentes bens e empresas com foco em tecnologia, no setor financeiro e em serviços. Fui a Varsóvia sem expectativa nenhuma, mas me surpreendi com a cidade. Ela é charmosa ao seu próprio jeito; florida, limpíssima e mistura diferentes estilos arquitetônicos, do medieval ao vanguardista. É lá que foi criada a segunda mais antiga constituição do mundo; é a terra do músico Chopin (na verdade, ele nasceu em um vilarejo próximo à Varsóvia, mas se criou na cidade) e também foi o lar de Marie Skłodowska-Curie. Não a conhecia, mas descobri que ela foi a primeira mulher a ganhar um Prêmio Nobel e a primeira pessoa e única mulher a ganhar duas vezes este mesmo prêmio. Ela criou a Teoria da Radioatividade e descobriu dois elementos químicos (aqueles que aprendemos na Tabela Periódica das temidas aulas de Química), o Rádio e o Polônio. #girlpower

Cheguei a Varsóvia e fui direto para o meu hotel. Para chegar ao centro da cidade é possível optar pelo ônibus ou pelo táxi. Como os táxis são relativamente baratos e o aeroporto é próximo ao centro, fui de táxi (sem brincadeirinha com a música da Angélica, viu?!). Em Varsóvia fiquei hospedada no H15 Boutique Hotel, um dos mais estilosos hotéis da cidade. É um empreendimento com 46 apartamentos modernos, mas instalados em uma edificação clássica do século XIX. Ele está localizado no centro novo da cidade, próximo à Estação Central e do Palácio da Cultura e Ciência. O serviço é atencioso e o melhor de tudo, ganhei um upgrade de categoria e fui acomodada em uma suíte. O apartamento era tão grande que eu não sabia onde eu ficava. Em minha opinião, o único ponto negativo é; mesmo que ele esteja em uma área cheia de restaurantes bacanas, próximo do metrô e de centros comerciais, o hotel está longe do centro histórico da cidade, então me senti meio isolada do burburinho turístico. Segue algumas fotos da fachada do empreendimento e da minha suíte.

Aos atrativos da cidade…

Free Walking Tour – É sempre o primeiro passeio que eu faço quando chego a um destino, pois gosto muito do conceito deste tipo de tour e da qualidade dos guias. A Free Walking Tour é formada por um grupo de pessoas que mostram os principais atrativos. Eles contam as histórias e curiosidades do destino e de seus ilustres moradores, fazendo com que o turista entenda um pouco da realidade local. Já cansei de falar deles para vocês aqui no blog e o conceito é sempre o mesmo, eles oferecem o melhor tour que eles podem e vocês decidem quanto vale o passeio. A empresa Freewalkingtour.com (escolhi esta empresa em todas as cidades que visitei na viagem) foi criada em 2007 e está presente em várias cidades polonesas: Cracóvia, Varsóvia, Breslávia, Gdańsk, Posnânia, Zakopane, além de Lemberga, na Ucrânia. É uma empresa bem organizada, que oferece diferentes tours, conduzidos em vários idiomas (vocês distinguem os guias pelos guarda-chuvas amarelos), mas mesmo que os guias sejam muito bons, eles são mais sérios, não são tão engraçadinhos como em outros lugares do mundo (talvez seja uma característica polaca). O tour do Centro Histórico dura em média 2 horas e sai todos os dias às 10h30 da Sigismund’s Column, em frente ao Castelo Real. Durante o tour passamos pelo Castelo Real, a Praça do Mercado, o Barbacan e as muralhas da cidade medieval, o monumento da Revolta de Varsóvia (localizado ao lado da Suprema Corte – relembra a resistência dos poloneses durante a Segunda Guerra Mundial), a Krakowskie Przedmieście Street, o Palácio Presidencial e a Universidade de Varsóvia. Segue abaixo fotos do Castelo Real, da Praça do Mercado, do Barbacan e do Palácio Presidencial.

À tarde também fiz o tour da Free Walking Tour pela Varsóvia Judaica. É um passeio que trata sobre os judeus na Polônia (para ter uma ideia, em 1939, 35% de todos os habitantes de Varsóvia eram judeus) e todos os desafios que eles enfrentaram em sua história, principalmente durante a Segunda Guerra Mundial. Infelizmente o bairro judeu e o gueto já não existem mais, mas o Museu da História dos Judeus Poloneses, inaugurado em 2014, conta sobre a cultura judaica polonesa e dedica duas alas à Segunda Guerra Mundial e a resistência do povo judeu. O tour dura em torno de 2 horas e meia e o recomendo apenas para quem tem interesse na Segunda Guerra Mundial, em história de uma forma geral ou na cultura judaica polonesa.

Palácio Wilanów – É um palácio barroco construído para o Rei João III Sobieski no século XVII.  Passou por vários donos até se transformar em um museu em 1805. Ele está localizado nos arredores de Varsóvia, mas é muito fácil chegar até lá. E só tomar os ônibus das linhas 116, 180 ou 519 que passam por vários pontos do centro da cidade. O ticket custa apenas PLN 4,4 (o trecho) e pode ser comprado nas máquinas disponíveis nos próprios pontos de ônibus ou nos quiosques de rua (eles cobram um pouco mais caro, paguei PLN 13,2 o trecho de ida e volta) e a parada final é em frente ao Palácio, não tem erro. O atrativo oferece vários tipos de tickets. Eu comprei um ingresso que dava acesso às salas do Palácio (PLN 20) e aos apartamentos privados (PLN 7) e acho que os dois valem muito a pena. O lugar é lindo demais! Não tem como não ficar meio bobo. Eu fiquei impressionada com o luxo e padronagem dos tecidos usado nas paredes, os detalhes dos tetos, dos espelhos e como toda essa opulência conseguiu transmitir uma sensação de aconchego. Segue algumas fotos do local para vocês terem ideia do que eu estou falando.

Castelo Real de Varsóvia – É um antigo palácio que serviu como residência oficial dos Reis da Polônia e como centro administrativo pelo Czar no século XIX. Infelizmente foi destruído durante a Segunda Guerra Mundial (como grande parte dos edifícios públicos poloneses) e reconstruído na década de 1980 da maneira mais fidedigna possível. Muitas das obras de arte expostas no museu são autênticas, pois foram escondidas durante a Guerra. Destaco as obras de Canaletto, um pintor italiano que trabalhou como retratista do rei Stanislav II da Polônia no século XVIII. Para quem tem interesse, o museu custa PLN 30.

Museu Nacional de Varsóvia – Foi originalmente fundado em 1862 e é um dos museus mais antigos do país. Está localizado em um edifício modernista construído entre os anos de 1920/1930 e é dedicado, quase que exclusivamente às obras de artistas poloneses. Existe uma área voltada aos grandes mestres e outra com artefatos encontrados no continente africano por arqueólogos poloneses, mas as demais salas dão destaque à arte polaca no decorrer dos séculos. Vi lindas obras como July-August da Zofia Stryjeńska (foto abaixo) e conheci outros artistas maravilhosos como Henryka Beyer e Jan Matejko. É um museu interessante, mas só o recomendo para quem REALMENTE aprecie arte. Caso tenham interesse, o ingresso custa PLN 15.

Palácio da Cultura e Ciência – Localizado no centro mais moderno da cidade, este edifício construído na década de 1950 pelos soviéticos é o mais alto de Varsóvia. Não é uma construção muito bem vista pelos poloneses porque representa a repressão comunista enfrentada pelo país durante décadas, mas o edifício em si é lindo e toda a quadra oferece vários espaços interessantes: centro de exibições, escritórios, sala de conferências, cinemas, teatros, museus, livrarias, etc. Também dizem que o Palácio oferece um observatório onde é possível ter a melhor vista da cidade. Não conheci o observatório, mas fica a dica.

Breslávia

Ou Wrocław (em polonês) é uma cidade a oeste da Polônia com 640.000 habitantes. É conhecida como a Veneza do norte, pois é formada por 9 ilhas e 125 pontes. Devido à sua localização, já fez parte da Polônia, da Boêmia, da Prússia e da Alemanha. Foi definitivamente anexada à Polônia depois da Segunda Guerra Mundial e todas estas mudanças trouxeram à cidade uma arquitetura única. É uma cidade universitária com mais de 130.000 estudantes e muitas pessoas laureadas com o prêmio Nobel já estudaram por lá. A cidade é toda fofa! O centro é super charmoso, cheio de casas coloridas de diferentes estilos. Como o centro é pequeno e os atrativos turísticos estão relativamente próximos, é um lugar que vocês podem conhecer em apenas um dia.

Para essa viagem fiquei hospedada no PURO Hotel Wrocław Stare Miasto. A PURO Hotels é uma rede de hotéis polonesa que oferece empreendimentos modernos, práticos e super estilosos localizados em várias cidades do país: Cracóvia, Breslávia, Gdańsk e Posnâne. Em Breslávia, o hotel está localizado a 5 minutos da Praça do Mercado, próximo dos principais shoppings e atrativos. Recomendo!

Free Walking Tour – Também fiz um tour pelo centro histórico da cidade. Ele acontece todos os dias às 10h em Inglês, Polonês e Alemão com saídas na Praça do Mercado. Visitamos a antiga Prefeitura, a Igreja de St. Elizabeth, Ossolineum (uma linda biblioteca pública barroca), a Universidade de Breslávia (considerada uma das mais bonitas do mundo. A Aula Leopoldina, uma das salas da Universidade, é um espetáculo aberto à visitação), a Hala Targowaa (O Mercado Municipal), e terminamos em uma das ilhas onde em um micro espaço se concentra cinco igrejas, entre elas a Catedral. Ahh! Para quem gosta de igrejas e arquitetura barroca, em minha opinião, o espaço mais bonito da cidade é a Jesuit Church of the Most Holy Name of Jesus, do lado da Universidade. É uma joia! Segue abaixo duas fotos de diferentes ângulos da Praça do Mercado, da antiga prefeitura, da Ossolineum, da fachada da Universidade e da Catedral.

Breslávia é conhecida por seus duendes. São mais de 500 espalhados por toda a cidade. O primeiro duende surgiu em 2001 como uma homenagem à resistência comunista, mas se multiplicaram e se transformaram em uma jogada de marketing que deu certo. Hoje há um roteiro específico para conhecer os duendes, caça de duendes com mapas que mostram onde eles estão localizados, bem ao estilo Pokémon GO. Deem uma olhada em alguns dos duendes que eu encontrei pelo caminho.

 

 

 

 

 

 

No período da tarde, também fiz o tour da Segunda Guerra Mundial e Breslávia Judaica. Assim como em Varsóvia, quase não há resquícios dos judeus na cidade, até porque a esta comunidade era menos expressiva que em outras cidades polonesas, mas adorei saber mais sobre a Segunda Guerra Mundial, pois durante este período, Breslávia era território alemão. Portanto, ela foi devastada não pelos alemães, mas pelos soviéticos. O segundo tour é interessante, mas só o recomendo para os amantes de história.

Museu da Cidade de Breslávia (The Royal Palace – History Museum) – É um museu que conta toda a história da cidade. Está localizado no palácio real em estilo barroco comprado por Frederico o Grande da Prússia em 1750. Foi parcialmente danificado durante a Segunda Guerra Mundial, mas meticulosamente recriado. É um museu interessante para conhecer a complexa história da cidade e o melhor, é gratuito.

Se eu puder dar uma dica gastronômica em Breslávia, experimentem os doces da confeitaria Stara Pączkarnia. É um espaço bem simples no centro da cidade sempre com filas enormes. Eles vendem Pączek (o típico sonho brasileiro) com diferentes recheios e donuts. Como vendem MUITO, os doces são produzidos constantemente e vendidos fresquinhos. São baratos e bons! Eu nem gosto de Donuts, mas tive que levar um. Admito que foi o melhor donut que eu já comi! Portanto, fica a dica!

Cracóvia

Ou Kraków (em polonês) está localizada ao sul do país e foi a capital da Polônia até o século XVI. Têm pouco mais de 850 mil habitantes e também é cortada pelo Rio Vístula. Cracóvia foi uma das pouquíssimas cidades polonesas a se manterem intactas depois da Segunda Guerra Mundial e a riqueza do seu centro histórico fez com que ela fosse tombada como Patrimônio Mundial pela UNESCO em 1978. É conhecida como um dos destinos mais bonitos da Europa e é sem dúvida a cidade mais turística do país. O centro histórico é uma preciosidade, não tem como não ficar encantado e os bosques que circundam o centro também são de um cuidado extremo e um convite para o descanso.

A personalidade mais famosa de Cracóvia é Karol Józef Wojtyła, também conhecido como Papa João Paulo II. Ele nasceu no interior da Polônia, mas estudou em Cracóvia e foi o bispo da cidade por 20 anos até ser aclamado como o Papa da Igreja Católica.

Em Cracóvia fiquei hospedada no PURO Kraków Stare Miasto, outro hotel da rede PURO. Ele está localizado em frente à estação de trens, a 5 minutos de caminhada do Barbacan. O empreendimento segue a mesma linha do estabelecimento de Breslávia; moderno, prático e o melhor, oferece uma máquina de café na recepção à disposição do hóspede sem custo adicional. Deem uma olhada na fachada moderna do edifício e na estrutura do hotel.

Free Walking Tour – Também fiz um tour pelo centro histórico da cidade. Ele acontece todos os dias às 10h, às 14h e às 16h em Inglês, Espanhol, Italiano, Polonês e Alemão a partir do Portão do St. Florian, em frente ao Barbacan. Durante o passeio, que leva 2 horas e meia, visitamos a Praça do Mercado, a igreja de St. Mary (a igreja mais bonita da Croácia, em minha opinião), a torre da antiga Prefeitura, a igreja de St. Francis, a Universidade Jaguelônica, o Palácio do Bispo, a Colina de Wawel e finalizamos o passeio na Catedral de Wawel. Adorei o passeio e o recomendo! Abaixo anexei fotos do Barbacan, da Praça do Mercado, da fachada da igreja de St. Mary, da colina de Wawel e da estrutura interior do Castelo de Wawel.

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Também fiz o roteiro Cracóvia judaica e acho que, de todas as cidades que eu visitei, esse é o roteiro sobre a cultura dos judeus poloneses mais interessante, pois como não houve a destruição do patrimônio existente durante a Segunda Guerra Mundial, as sinagogas e o gueto judeu ainda estão intactos. A comunidade judaica de Cracóvia também era significativa; no final da década de 1930, 25% da população era judia. Os tours são oferecidos todos os dias às 10h, às 13h30 e às 17h e o ponto de encontro é em frente à Sinagoga antiga na Szeroka Street, na região de Kazimierz. Durante o passeio visitamos ruas importantes, sinagogas, o gueto e finalizamos o tour em frente à fábrica de Schindler (o empresário checo que salvou vários judeus durante a guerra e sua história inspirou o filme “A Lista de Schindler”, dirigido por Steven Spielberg e vencedor do Oscar). O passeio dura 2 horas e meia e preparem as perninhas porque ele é bem cansativo. Mesmo que o tour tenha sido sobre a cultura judaica, um dos espaços que mais me chamou a atenção foi a Bazylika Bożego Ciała, uma igreja católica barroca divina localizada no bairro de Kazimierz.

Castelo Real de Wawel – Foi residência oficial dos reis polacos até ao séc XVII. Durante a ocupação nazista o espaço serviu como quartel geral alemão. O Castelo oferece diferentes tipos de tours, mas eles disponibilizam um número delimitado de tickets por dia. Eu queria muito visitar os aposentos reais, mas os ingressos para este passeio já estavam esgotados. Então comprei apenas o ticket para conhecer os Salões do Estado (PLN 18). E não me arrependi…. Pensa em um cenário de um filme medieval?! A tapeçaria, os tetos, os pisos, os quadros de grandes artistas italianos, tudo de cair o queixo. Amei a visita e recomendo muito! Minha única dica é: se preparem para encarar filas enormes na compra dos ingressos e se quiserem visitar os aposentos reais, comprem o ticket com muita antecedência.

Museu Nacional da Cracóvia – Localizado em uma área mais afastada do centro histórico, o museu fica em um edifício de linhas retas construído da década de 1930. Foi primeiramente estabelecido em 1879 e traz objetos de arte, dando especial atenção à arte polonesa. Trata sobre a língua, a moda, a cultura e o mobiliário polonês. Mas, na verdade, a peça mais famosa do museu é mais italiana impossível, o quadro “Lady with an Ermine” de Leonardo Da Vinci. A Pintura se perdeu na Itália no século XVII, mas foi adquirida pelo príncipe Adam Jerzy Czartoryski e incorporada à coleção da família Czartoryskis em 1800. Toda a história desta obra é fantástica, não deixem de se informar sobre ela. O Museu custa PLN 20, mas aos Domingos a entrada é gratuita. Abaixo está uma foto da fachada do espaço e da réplica do quadro do Leonardo Da Vinci.

E assim terminou mais uma viagem. Eu sei que esse post está entre os mais longos do blog, mas precisava compartilhar tudo isso com vocês.

Essa viagem foi muito especial para mim. Vocês devem estar pensando: – Ahhh! Mas você escreve isso em todas as viagens que relata aqui no blog! Mas a verdade é que por mais que eu viaje muito e ache que cada passeio vale a pena, poucas vezes um país tocou meu coração de uma maneira tão intensa e verdadeira. Admito que os poloneses estão longe de serem as pessoas mais atenciosas e hospitaleiras que já conheci, mas durante meu curto período de tempo no destino, fiquei tocada (essa é a palavra certa, tocada!) com o orgulho e apego à cultura local. Estou descrevendo um povo que durante toda a sua história esteve sob o domínio dos mongóis, da Prússia (antiga Alemanha), da Áustria, da Alemanha nazista e da União Soviética. Um povo que foi devastado por guerras, sacrificado pelo comunismo, mas que, mesmo com todas as adversidades, conseguiu manter sua língua, seus costumes, sua culinária e o orgulho de ser polonês. Um povo persistente, batalhador, educado (o país tem o segundo maior percentual de graduados em cursos superiores da Europa e seis poloneses já ganharam o Prêmio Nobel em diferentes categorias). Vi durante meus dias um país desenvolvido, seguro, moderno, antenado, impecavelmente limpo, bem conservado, organizado, que valoriza sua herança e seu patrimônio histórico e que luta por um futuro ainda mais próspero e justo.

E aqui vão minhas dicas finais:

Compras – A Polônia não é um lugar para os amantes de compras, portanto os brasileiros mais ávidos por uma lojinha ficarão decepcionados. No entanto, a Polônia é conhecida por suas porcelanas com detalhes típicos (caríssimas, mas feitas manualmente), as joias e objetos confeccionados em âmbar e os souvenires com estampas alegres e coloridas. Portanto, caso queiram investir em algum produto, invistam nestes itens.

Comida – A comida típica polonesa não é tão colorida e vasta como a brasileira e a mediterrânea, mas é diferente, portanto acho que merece atenção. O Pierogi é o prato mais popular do país; pode ser encontrado em diversas versões (cozido, assado e frito), com diversos recheios (carne, batata, cogumelos, lentilha, queijo, espinafre, etc.) e com vários molhos (de nata, de cebola, de tomate, de cogumelos, de manteiga, etc.). Se possível, experimentem todas as versões! Eu que sou fã da iguaria, me esbaldei. Mas nem só de pierogi vive a culinária polonesa; o Borscht (caldo de beterraba branca ou vermelha), o Gołąbki (o famoso charuto), a Żurek (caldo feito à base de levedura de centeio servido com linguiça [kiełbasa] – não gostei), Placki Ziemniaczane (panqueca de batata – não fui com a cara dela de imediato, mas é ótima, melhor que batata frita!), Golonka (o famoso joelho de porco na versão polonesa), são alguns outros exemplos de pratos que vocês encontram pelos vários restaurantes típicos locais. Os poloneses também são loucos por uma limonada. Eu não gostei muito, mas fica a dica! Segue abaixo uma foto dos pierogis assados de um restaurante bacana na Breslávia (Pierogarnia Stary Młyn) e das limonadas típicas da Galícia.

A Polônia tem um tipo de restaurante muito típico chamado Milk Bar (bar mleczny em polonês). É um restaurante bem simples, que oferece opções locais com preços módicos. É um resquício do período comunista do país. Se vocês quiserem uma experiência realmente polonesa, comam em um destes estabelecimentos. O único problema é que os cardápios são em polonês e os atendentes só falam a língua local (o que não chega a ser uma surpresa, pois nas cidades que eu estive, dificilmente você encontra pessoas que falem inglês).  Mas, na verdade, o que mais me chamou a atenção na culinária polonesa foram os doces. A beleza, a variedade e a qualidade são de ficar com o queixo caído e as lombrigas atiçadas. Os sorvetes, o Pączek (nosso famoso sonho), os pães recheados, as tortas, os bombons, as pâtisseries, os chocolates, enfim, viajar para a Polônia é deixar de lado o regime e se jogar no que o país oferece de melhor!

Transporte – O país oferece uma rede de transporte barata e eficaz. É possível se locomover dentro das cidades de ônibus, bonde, metrô e entre as cidades de trem e avião. Eu havia planejado fazer o trecho entre as cidades de trem, mas como não consegui comprar os tickets com antecedência, no desespero acabei optando pelo avião. Todos os trechos eu fiz com a LOT Polish Airlines, uma empresa local. A companhia trabalha com aviões pequenos, mas é super prática, profissional e oferece tarifas bem atrativas. Recomendo!

Ufa! É isso. Espero que tenham gostado de todas as informações e que tenham viajado comigo. Até a próxima!

Cześć!

11 comentários sobre “Descobrindo a Polônia (Varsóvia, Breslávia e Cracóvia)

  1. Cátia

    Olá! Muito obrigada pelo post, estava à procura de alguém que também tivesse feito essas 3 cidades de uma só vez e não estava encontrando nada em português. O seu post está tão bom que me deixou ainda com mais vontade de ir 🙂
    Eu estou a pensar fazer a minha primeira solo trip à polónia, precisamente a essas três cidades, em Setembro. Para ter um ideia, fez essas 3 cidades em quantos dias? Ou quantos dias recomendaria?
    Estava a pensar fazer as ligações de comboio.
    Mais uma vez, muito obrigada.

    1. Olá Cátia! Fiquei muito feliz que tenha gostado do post. Esse é um dos meus posts preferidos e a Polônia foi um dos destinos mais surpreendentes que já conheci, principalmente porque não esperava nada do país. É muito tranquilo viajar sozinha por lá, muito seguro, mas se prepare, pois grande parte dos poloneses (para não dizer quase todos) não fala Inglês, então terá que trabalhar muito a sua mímica. Eu passei 4 dias em Varsóvia, 2 dias em Breslávia e 3 dias em Cracóvia. Foi o suficiente para conhecer todos os atrativos, mas eu sou do tipo incansável; começava minhas andanças às 9 da manhã e parava à noite, depois do jantar. Se você quiser algo mais tranquilo, talvez seja melhor aumentar um dia em cada destino. Breslávia é a cidade que requer menos tempo, pois são poucos atrativos e eles estão próximos. O transporte na Polônia é muito eficiente. Todas estas cidades são ligadas por trens (comboios), mas em julho (período no qual viajei) não consegui comprar os bilhetes pela Internet, pois todos os trens estavam lotados. Fiquei com medo de perder minhas reservas de hospedagem e comprei os tkts aéreos. Recomendo que compre os tkts de trem com a máxima antecedência possível, pois setembro ainda é alta temporada em toda a Europa. Um abraço e boa viagem!

      1. Cátia

        Estou maravilhada com a rápida resposta, muito obrigada! 🙂 Eu também não me entusiasmava nada pela Polónia, até há uns meses atrás, em que fiz uns amigos de Varsóvia. Desde então, quanto mais pesquisava, mais cidades queria conhecer e, tendo-me decidido por estas três, agora é marcar :b
        Será a minha primeira viagem sozinha, mas realmente não encontro ninguém com tanta vontade e disponibilidade financeira para o fazer comigo. Já estou a contar que não vou entender nada da língua, e que os polacos não falam muito o inglês, só espero que a mímica ajude e a barreira linguística não torne a viagem assustadora.
        Muito obrigado pela dica, acho que vou pela opção tranquila! Sendo que também quero visitar os campos de concentração.
        Sim, isso foi chato, vi que só posso comprar os bilhetes com um mês de antecedência, e não antes, mas vou apontar para marcar o mais cedo possível.
        Muito obrigada, beijinhos!

    1. Não conheci os campos de concentração, mas como sou apaixonada por história, acho que é um passeio válido. Meus pais disseram que Auschwitz é um local muito triste, mas todos os meus amigos que o visitaram disseram que a visita foi transformadora. Aproveite!

  2. Olá conheci o seu blog através do comentário que você deixou em um dos meus vídeos lá no Mundo para Iniciantes. Achei o seu post lindo, muito bem escrito, informativo e com fotos lindas. Parabéns por esse trabalho tão delicado!

  3. Cássia Queiroz

    Olá! Estou planejando minha viagem para Polônia no outono de 2019 e fiquei maravilhada com seu post rico em detalhes e tão bem escrito. Estou ansiosa por conhecer aquele país, mas tenho somente 17 dias para conhecer Gdasnk, Cracóvia, Wroclam , mais duas capitais Bálticas, daí pretendo excluir a Varsóvia ou apenas dormir por la´para garantir meu voo de volta para casa, o que vc acha? Também gostaria de saber se prefere os deslocamentos entre as cidades feitos por trens ou pelos ônibus , tipo Flexibus (eu amo viajar de trem, mas recentemente utilizei essas empresas de ônibus – ecolines tb – e gostei muito da pontualidade, conforto, segurança e preço. Como são os trens intermunicipais na Polônia? Tem essa informação? Grata e reitero os parabéns pelo primor do seu trabalho neste post

    1. Olá Cássia! Fico muito feliz que tenha gostado do texto, mesmo que tenha ficado gigante (nem todos tem a paciência de lê-lo). É um dos posts que eu mais gosto do todo o blog e essa foi uma das viagens mais especiais que eu já fiz. A Polônia surpreende! Seu roteiro parece muito bom, mas eu tiraria pelo menos uma tarde para conhecer Varsóvia. Faça um tour pelo centro histórico, acho que vale a pena! Vá conhecer o museu da cidade ou o Museu da História do Judeus Poloneses (super moderno, diferente!). Não tive a oportunidade de conhecer os ônibus intermunicipais, pois não consegui reservá-los com antecedência e sou muito noiada com reservas, mas dizem ser muito bons. O transporte na Polônia de uma maneira geral é muito bom, então não tenho dúvidas sobre essa informação. O ônibus é sempre a opção mais barata, mas na maioria dos países ele é muito ruim e demora muito. Também conheci o Flexibus, mas na Holanda e gostei muito da proposta. Nem tanto pelo ônibus em si, mas porque ele faz trajetos diretos, sem o pinga pinga dos trens e no final das contas fica mais rápido e barato. Aproveite a viagem! Se tiver interesse, dê uma olhada em outros post do blog, tenho sempre lindas fotos e às vezes dou dicas muito interessantes de vários lugares pelo mundo. E se gosta de Youtube, estou mostrando parte das minhas viagens por lá. Não tenho nenhum vídeo da Polônia, mas morarei na Holanda no próximo ano e terão muitos vídeos sobre a Europa. Talvez tenha algum deles que também te interesse. Um abraço e agradeço o carinho!

  4. Pingback: Os números de 2018 – Vanessa's Diaries

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