Desventuras pela Europa – Capítulo 7 – Manchester e Buxton (Inglaterra)

O post de hoje é sobre mais uma viagem inusitada que fiz nesta nova jornada pela Europa. Fui ao noroeste da Inglaterra, especificamente Manchester e Buxton. Minha viagem tinha como objetivo participar do 2019 Tourism Naturally Conference, conferência organizada pela University of Derby para discutir temas relacionados ao turismo de bem-estar, com foco na experiência, saúde, sustentabilidade e áreas protegidas.

Fui a Manchester em um voo com saída em Amsterdã pela KLM e não tenho muito o que dizer; tirando o atraso por conta das condições meteorológicas da Holanda e o fato de que os voos no Aeroporto de Schiphol saem sempre atrasados, foi tudo tranquilo e muito rápido, pouco mais uma hora. Chegando ao aeroporto inglês peguei um trem em direção ao centro da cidade (£ 4) e em pouco menos de 20 minutos estava em Manchester Picadillly, a principal estação de trens.

E aí vai minha dica de amiga: Lembrem que em todo Reino Unido, região composta pela Inglaterra, País de Gales, Escócia e Irlanda do Norte, a moeda é a Libra Esterlina. Portanto, troquem o dinheiro o quanto antes, pois nenhum estabelecimento aceitará Euros ou Dólares.

Contarei a viagem pelas cidades, pois assim fica mais fácil entender cada um dos destinos e os atrativos que visitei.

Manchester

É a segunda maior cidade do Reino Unido e a terceira mais visitada. É uma cidade industrial com papel marcante na história mundial por ser o berço da Revolução Industrial, no qual foi utilizada pela primeira vez a máquina a vapor no setor têxtil em 1789 e onde surgiu a primeira ferrovia do mundo, ligando Manchester a Liverpool em 1830. Também é onde foi criado o primeiro computador, construído na Universidade Victoria em 1948, carinhosamente chamado de Baby. Foi a casa de vários pesquisadores importantes como Alan Turing, famoso por quebrar os códigos alemães durante a Segunda Guerra Mundial, pai da computação moderna e pioneiro nos trabalhos relacionados à inteligência artificial. Por essa história repleta de esforço, pessoas geniais, trabalhadores, focadas, o símbolo da cidade é a abelha. Como se cada morador fosse uma abelhinha nesta grande colmeia que é Manchester.

A cidade oferece uma variedade de meios de hospedagem convenientes, mas escolhi o Ibis Styles Manchester Portland Hotel, um empreendimento temático muito bem localizado com atmosfera amigável e lúdica,  remetendo ao tema “condições climáticas”. Simples, divertido, prático e limpinho.

Free Manchester Walking Tours – Meu primeiro passeio como sempre, foi um Free Walking Tour. O tour compreende em 3 horas de percurso no qual conhecemos: Sackville Gardens; The University of Manchester; Canal Street, onde vimos uma eclusa em funcionamento, e a região underground; Manchester Town Hall; Central Library, cópia do Pantheon de Roma; Midland Hotel e Royal Exchange Theatre. Durante o tour, nossa maravilhosa guia Farah também explicou sobre as histórias de Manchester, dando destaque às diferentes etapas da cidade; experimentamos o Vimto, uma bebida local, e terminamos o trajeto na região comercial, muito próximo de onde houve um atentado a bomba idealizado pelo grupo paramilitar irlandês IRA na década de 1980 que, ao invés de acabar com a cidade, deu mais ânimo para que ela continuasse crescendo. Foi um passeio muito legal e recomendo a empresa e a guia. Caso tenham interesse, o tour sai todos os dias às 11h da Alan Turing Memorial na Sackville Gardens. Segue algumas fotos tiradas durante o percurso. A primeira delas é da Prefeitura de Manchester.

Science + Industry Museum – É dedicado às ideias que mudaram o mundo a partir da Revolução Industrial. Está localizado no edifício que sediou a mais antiga estação ferroviária de passageiros existente. Exibe maquinários históricos e conta a evolução da cidade por eles. É interessante pela sua importância histórica e é um espaço criativo e interativo para as crianças, mas não acho que seja fundamental. O melhor de tudo é que oferece entrada gratuita.

The John Rylands Library – É um edifício neogótico do período vitoriano aberto ao público em 1900. Hoje faz parte da Biblioteca da Universidade de Manchester e é uma linda biblioteca que se assemelha a uma igreja. Outro atrativo com entrada gratuita que vale a pena dar uma olhada.

Chetham’s Library – É a mais antiga biblioteca pública do Reino Unido aberta há mais de 350 anos. O lugar é fenomenal; possui mais de 100.000 volumes de livros impressos, dos quais 60.000 foram publicados antes de 1851. O livro mais antigo é do século XII e foi escrito a mão, pois ainda não existia imprensa ou editoras e o local possui, ainda, o dicionário mais antigo do mundo da língua inglesa. Foi um espaço de estudos de Karl Marx e Friedrich Engels quando passaram pela cidade para conhecer as condições laborais das fábricas inglesas. A biblioteca está aberta ao público e as ótimas visitas guiadas são realizadas gratuitamente a cada hora. Acho que é um programa indispensável, pois é a história viva.

Catedral de Manchester – Construída no século XV, tornou-se catedral somente no século XIX. Apresenta diferentes estilos arquitetônicos, principalmente o Gótico, devido a uma reforma ocorrida no período vitoriano. Durante a Segunda Guerra Mundial foi gravemente danificada por uma bomba alemã e levou quase 20 anos para concluir os reparos. Uma linda catedral nos moldes das igrejas inglesas, muito próxima do centro comercial da cidade e outra visita gratuita.

Para os amantes de futebol, outro atrativo imperdível é o National Football Museum. Originalmente inaugurado em 2001 na cidade de Preston, o Museu foi posteriormente tranferido para Manchester e oferece uma coleção com mais de 140.000 botas, bolas, programas, pinturas, cartões postais e cerâmica (incluindo a coleção da FIFA). Não o visitei por pura pão-durice, mas caso tenham interesse, o ingresso custa £ 10.

Destaco também a oferta gastronômica de Manchester. Não vou indicar nenhum lugar específico, mas há muitas opções bacanas, inclusive que oferecem o tradicional chá da tarde inglês e fiquei triste por não explorar este aspecto da cidade como gostaria.

Mesmo que eu esteja mostrando lindas fotos e muitos atrativos interessantes, não acho a cidade um must see. Ela é confusa, suja, mal planejada, com muitos pedintes e desabrigados. Os edifícios de diferentes estilos e de distintos períodos históricos não se mesclam de forma harmônica. O comércio está muito aquém do que poderia ser para uma cidade de tal importância e tamanho. Enfim, fiquei feliz de tê-la conhecido, pois cada viagem é especial e é mais uma oportunidade de adquirir conhecimento e experiência, mas devo admitir que Manchester não conquistou meu coração.  

No final da minha jornada, peguei um trem na Manchester Picadilly para Buxton (£ 10,90). O trem, apesar de caro e barulhento, é prático e, em menos de uma hora, estava em um cenário completamente diferente.

Buxton

Denominada pelos romanos como Aquae Arnemetiae, ou Água da Deusa do Bosque Sagrado, esta pequena cidade com pouco mais de 20 mil habitantes se transformou em um produto turístico quando o 5º Duque de Devonshire criou no século XVIII um destino termal completamente estruturado com edifícios vitorianos e georgianos para rivalizar com Bath, um destino de spa muito famoso na Inglaterra. A cidade possui águas termais com uma temperatura constante de 28ºC munida de vários benefícios para a saúde, principalmente para o reumatismo. Entre seus principais atrativos estão a impressionante Devonshire Dome, antigo estábulo de cavalos, posteriormente hospital real e hoje parte da estrutura da Universidade de Derby, onde ocorreu o evento. Segue uma foto abaixo.

Destaca-se, também, a requintada Opera House, que recebe festivais, peças de teatro e de música e shows de comédia durante todo o ano.

E o Old Hall Hotel, o hotel mais antigo da Inglaterra ainda em funcionamento e onde a Rainha Mary da Escócia foi mantida em cativeiro no século XVI durante uma caminhada em direção à Caverna de Poole.

Outro lindo atrativo são os Jardins do Pavilhão, muito bem cuidados e com lojinhas turísticas. O próprio Pavilhão abriga stands de produtores locais que vendem um pouco de tudo.

O meu despontamento em Manchester foi completamente esquecido quando cheguei a Buxton. É uma cidade muito charmosa, bem cuidada, com casas construídas em pedras e muito verde. É pequena, rústica, mas é o que nos vem a mente quando pensamos no interior da Inglaterra. No entanto, a cereja do bolo foi um jantar oferecido pelo Evento no Chatsworth House, palácio localizado a aproximadamente 30 minutos de Buxton que serve como moradia dos Duques de Devonshire há gerações. Os jardins de Chatsworth são um dos mais famosos da Inglaterra; é o segundo atrativo mais popular no Reino Unido pelos turistas chineses e tudo isso se deve ao fato da propriedade ter sido cenário do filme “Orgulho e Preconceito”,  blockbuster com Keira Knightley baseado na obra da autora inglesa Jane Austen. Uma surpresa encantadora!

Durante meus dias em Buxton fiquei hospedada no Best Western Lee Wood Hotel, um hotel em estilo campestre inglês que funciona com este propósito desde sua inauguração. Admito que não é bem meu estilo de hospedagem, pois é muito datado, mas o Hotel era extremamente limpo e aconchegante. Ressalto que todos os meios de hospedagem de Buxton seguem a mesma vibe. Deem uma olhada na fachada do edifício central do empreendimento.

No final da minha jornada em Buxton, peguei um ônibus express na Market Square para o Aeroporto de Manchester (£ 4,20). Apesar de ter parado em vários lugares foi uma forma conveniente e barata de chegar ao destino final. O percurso levou pouco menos de 1h40.  

E assim termino mais um post. Espero que tenham viajado comigo nestes dois destinos ingleses e entendido um pouco mais da história e do espírito local. Se por um lado Manchester não chamou minha atenção, Buxton me conquistou e já estou programando minha volta. Ahhh! E para os curiosos, a água de Buxton é realmente boa! Minha pele e meu cabelo estavam radiantes durante toda a viagem e poderão ver isso no meu vídeo do Youtube no qual conto com detalhes todos os atrativos que visitei.

Finalizo meu post com esta foto mais inglesa impossível e see you later!

 

Desventuras pela Europa – Capítulo 6 – Gante (Bélgica)

E a vontade de sassaricar pela Europa não pára. Em uma viagem planejada de última hora, o post de hoje conta sobre meu final de semana em Gante, Gent (Holandês) ou Ghent (Inglês).

Gante é a terceira cidade mais importante da Bélgica com pouco mais de 260 mil habitantes. Com uma história fascinante incentivada por seu porto estratégico e suas boas relações comerciais, principalmente com a Inglaterra, Gante foi, na Idade Média, a segunda maior cidade europeia, logo depois de Paris. É reconhecida como primeira zona industrial da Europa por conta de seus produtos têxtis, mas a reforma protestante nos séculos XVI e XVII trouxeram problemas profundos à cidade. Nos séculos XVIII e XIX Gante recuperou parte de sua indústria têxtil e teve grande êxito econômico ao ser a primeira cidade continental europeia a instalar uma máquina a vapor, contrabandeada da Inglaterra. Foi a cidade de nascimento de Carlos V, um dos mais importantes reis da Espanha e parada de Karl Marx que escreveu alguns de seus ensaios por lá. Fez parte da Espanha, do Reino Unido, da Holanda e hoje está localizada na porção com influência holandesa da Bélgica, conhecida como Flandres.

Fui à Gante de trem e o trajeto de Amsterdã ao ponto final dura em torno de 2h30 a 3h10, dependendo do tipo de trem escolhido. As passagens custam em torno de € 30 a € 90 por trecho e este valor está diretamente relacionado ao tipo do trem, à categoria escolhida e a data da compra. Já escrevi várias vezes em outros posts e volto a destacar; caso optem pelos trens europeus, comprem os tickets com a maior antecedência possível, pois isso influencia diretamente no valor final do passeio. Ressalto também que o bilhete só estará disponível para a venda com três meses de antecedência, portanto, não tentem comprá-lo hoje para o próximo ano. A Estação Central de Trens de Gante, St. Pieters, é linda, parece um castelo medieval, uma pena estar tão longe do centro da cidade. Deem uma olhada em sua fachada.

Como sempre tentei escolher a melhor opção de hospedagem possível e não poderia ter pedido por uma localização mais privilegiada. Nesta viagem fiquei hospedada no 1898 The Post, um hotel boutique situado na principal praça de Gante, no antigo edifício dos correios. O quarto era pequenino, mas extremamente charmoso, confortável e bom atendimento. O único ponto negativo foi a própria localização, pois o Hotel estava ubicado entre as três principais igrejas da cidade, portanto estava eu disposta a dormir o sono da beleza até o meio dia, mas as insistentes badaladas dos sinos das igrejas não deixaram. Tudo bem… Digamos que era a cidade me chamando para aproveitá-la. Deem uma olhada na fachada do Hotel e nos detalhes da mesa de trabalho do meu apartamento.

O primeiro passeio que fiz por Gante e foi o Free Tour of Ghent, que oferece tours em Inglês e Espanhol todos os dias às 10h30 e às 14h.  A saída é na Cataloniëstraat 18 ao lado da igreja de St. Nicolas, em frente ao Taco Restaurante. É fácil reconhecê-los, pois sempre estão usando um guarda-chuva laranja. Durante nosso paasseio visitamos:  a Igreja de St. Nicolas, Belfry of Ghent, conhecido como o Campanário da cidade, a Catedral de Saint Bavo (ou São Bavão), Korenmarkt, a charmosa ponte de São Miguel, o antigo porto, o Castelo de Gravensteen, também nominado como o Castelo dos Condes, o antigo mercado das carnes e dos peixes, o mercado de sexta-feira e terminamos o tour na Câmara Municipal da cidade. Admito que não foi o melhor free walking tour que eu já fiz, mas nosso guia era muito solícito e como o centro da cidade é pequeno, foi possível conhecer seus principais atrativos em uma caminhada. Além disso, Gante é um charme! Ela conseguiu manter parte de suas construções medievais no centro de uma cidade moderna, mas de uma forma muito harmônica, portanto é um tipo de passeio que deve ser feito. Minha dica é: Deixem os sapatos estilosos no hotel e usem um calçado bom para toda a obra, pois o calçamento das ruas de Gante são em paralelepípedos pequenos e, como sempre, estava usando um sapato inadequado. Não machuquei meu pé, mas gerei “feridas de guerra” nos meus sapatos carérrimos e xodós do meu guarda-roupa. Deem uma olhada em algumas fotos tiradas pelo caminho. A quarta foto é da linda fachada do antigo mercado dos peixes e as últimas duas imagens é do Castelo dos Condes.

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A cidade de Gante oferece vários museus interessantes como o Museu de Belas Artes, Museu do Design, Museum Dr. Guislain, entre outros. No entanto, optei por conhecer o STAM que é o Museu da Cidade. Ele apresenta sua história por meio de uma trilha cronológica de objetos e multimídia que acompanham o desenvolvimento e o crescimento local. Localizado entre o centro da cidade e a estação de trens, parte de sua estrutura fez parte da antiga abadia de Bijloke, além de outros edifícios do mesmo complexo. O lugar, adaptado às necessidades atuais, é maravilhoso. O museu é interessante, mas não é fenomenal! Acho que vale a pena apenas para os amantes de história. Caso tenham interesse, o ingresso custa € 8. Segue abaixo fotos da fachada do Museu e de algumas salas e espaços internos.

O restante do meu final de semana foi destinado a andar pelas ruas e aproveitar o que a cidade tem de melhor. Fiz questão de conhecer o interior das principais igrejas e acho que vale a pena a visita à Catedral de São Bavão (St. Bavo) que tem o púlpito mais bonito que eu já vi na vida. Vejam os detalhes da obra abaixo.

Na Igreja está exposto o painel “A Adoração do Cordeiro Místico” feita por Hubert e Jan van Eyck e é considerada a obra mais furtada da história. Até hoje um de seus painéis está desaparecido.

Também não deixem de experimentar os waffles quentinhos (comi muitos!), os famosos chocolates e degustar as cervejas locais. Esta última eu dispenso, mas é realmente impressionante a variedade de marcas disponíveis no comércio.

E assim me despeço desta viagem. A Bélgica não é um país no qual tenho apego, mas fiz questão de conhecer Gante para ter um novo ponto de vista e posso admitir que foi uma experiência muito positiva. Ela tem o charme de Brugges com os canais e construções medievais, mas com a vivacidade de Bruxelas. De alguma forma, as edificações medievais fazem muito sentido no ambiente moderno e tudo mescla muito bem. Ainda acho estranho o fato da Bélgica não ter uma identidade própria; em alguns momentos sentia-me na França, em outros tinha certeza que estava na Holanda e, de repente, me sentia no Leste Europeu, mas talvez seja essa mistura que transforme a Bélgica em um lugar único. Ainda não gosto do atendimento no comércio, na falta de cardápios em outras línguas que não seja Holandês (mesmo que o Francês e o Alemão também sejam os idiomas oficiais do país); mesmo assim, depois de Brugges, na minha opinião, Gante é a cidade mais charmosa da Bélgica e se estiverem pela região acho que vale a pena dar uma passadinha por lá, nem que seja para andar pelas agradáveis ruas do centro da cidade.

Espero que tenham gostado de acompanhar mais essa viagem comigo e fiquem ligados para as próximas aventuras desta caçadora de destinos. Caso tenham interesse em ver com mais detalhes toda a jornada, abaixo segue mais um vídeo do YouTube. Nele faço um tour completo pelo quarto do Hotel e conto algumas histórias curiosas e partiulares de Gante. Acompanhem!

 

Minha primeira vez na Ásia (Hong Kong e Macau)

Sou uma incansável viajante e tenho uma lista de lugares que eu gostaria de conhecer. No entanto, por alguma razão a Ásia nunca esteve nos meus planos. Isso pode estar relacionado à nossa formação escolar centrada na Europa e nos Estados Unidos, a não familiaridade com a história e a cultura do continente ou simplesmente por uma falta de conexão. De qualquer forma, nos últimos anos tenho visto vários destinos asiáticos se destacando no cenário turístico e alguns deles, por alguma razão, passaram a chamar minha atenção; Hong Kong, sem dúvida estava nesta lista.

Hong Kong é uma das duas regiões administrativas especiais da China, quer dizer, faz parte do território chinês, mas possui suas próprias regras e leis. Está localizada no sul do país delimitada pelo delta do Rio das Pérolas e pelo Mar da China. Possui sete milhões de pessoas espremidas em um território pequenino, transformando-a em uma das regiões mais densamente povoadas do mundo. Foi colônia do Império Britânico por mais de 100 anos; ocupada pelo Japão durante a Guerra do Pacífico, e, desde 1997 voltou a fazer parte do território chinês. A grande maioria da população é chinesa e o idioma mais falado é o cantonês. A moeda local é o Dólar de Hong Kong e a cotação é de € 1 HK$ 8,40 (Maio de 2019). E aí vai minha primeira dica de viagem: As casas de câmbio possuem cotações diferentes, portanto pesquisem antes de trocar o dinheiro e se atentem que as piores casas de câmbio são sempre aquelas que fazem parte da franquia Western Union. #sincerona

Fui a Hong Kong participar do 2019 APacCHRIE & EuroCHRIE Joint Conference cum 4th Global Tourism and Hospitality Conference, um dos principais eventos mundiais sobre educação em Turismo e Hospitalidade. Foi um encontro realmente muito grande; 750 participantes de mais de 40 países e eu estava entre uma das três brasileiras. #orgulho

Como estou morando no norte da Holanda, não me preocupei tanto com a viagem em si, pois há voos diretos saindo de Amsterdã para a China, mas a verdade é que optei pela empresa mais barata e com os horários mais convenientes, portanto, voei com Finair com uma rápida conexão em Helsinki. Vamos dizer que a empresa é ok; boas aeronaves, opções de entretenimento limitadas e comida ruim.

O Hong Kong International Airport é muito bom, grande, espaçoso, bem sinalizado e completo; um dos melhores aeroportos que já conheci. Para chegar ao centro é possível optar pelo ônibus, trem ou táxi. O ônibus é, sem dúvida, a opção mais barata, mas leva tempo, pois há muitas paradas durante o trajeto e fica preso no intenso e insano trânsito de Hong Kong. O táxi é o mais cômodo, mas o mais caro e também perde muito tempo no trânsito. Portanto, eu optei pelo trem, pois é uma opção moderna, de alta velocidade que chega em 22 minutos a Estação de Kowloon, região onde se concentra grande parte dos meios de hospedagem de Hong Kong. Desta estação partem vários shuttles, ônibus gratuitos que levam os turistas aos principais hotéis da cidade. Achei-o prático, fácil e paguei HK$ 185 pelo trecho de ida e volta.

Para esta viagem eu precisava escolher um hotel especial, pois Hong Kong oferece as principais redes hoteleiras do mundo; possui vários dos melhores empreendimentos hoteleiros que unem tecnologia a um serviço de qualidade. O único problema é que a maioria destes estabelecimentos não cabe no bolso do turista padrão. Mesmo assim, há opções bacanas muito modernas, limpas, bem localizadas e com preços competitivos. Desta forma, devo dizer que a oferta hoteleira de Hong Kong pode atender todos os tipos de turista, é só procurar com cuidado. Fiquei hospedada no Icon Hotel, hotel escola da Hong Kong Polytechnic University, uma das melhores e mais respeitadas escolas de hotelaria do mundo. É um hotel moderno, super instagramável, bem localizado e que oferece os serviços e as facilidades de um hotel de luxo. A equipe jovem e entusiasmada está determinada a fazer o que for preciso para tornar a estadia memorável, mesmo que às vezes a inexperiência e o nervosismo sejam nítidos no rosto do staff. O Hotel oferece piscina aquecida, academia 24 horas e um spa administrado pela Banyan Tree, uma das marcas mais respeitadas na área de spa e bem-estar. Além de tudo isso, o Icon Hotel sediaria o Evento, portanto mais conveniente impossível. O empreendimento é realmente muito bom, o atendimento acolhedor, desde o momento da reserva ao check-out, inclusive ganhei um upgrade gratuito; o quarto é espaçoso e o banheiro, um sonho. No entanto, na minha opinião o setor de Alimentos & Bebidas deixou a desejar; achei o café da manhã bem normal, o brunch muito ruim (mesmo custando um bom dinheiro!) e a alimentação servida durante o evento, incluindo o Gala Dinner, normal. Recomendo o Hotel? Claro! Mas estejam cientes que comida não é seu ponto forte. Segue abaixo algumas fotos do empreendimento para que vocês entendam minha empolgação.

Ao contrário das outras viagens que contei meu tour pelos dias, vou contar esta jornada pelos atrativos, pois grande parte da semana estive envolvida nas atividades relacionadas ao evento.

Hong Kong Free Tour – É formada por pessoas que moram em Hong Kong e por meio de diferentes passeios mostram os principais atrativos da cidade. O conceito do tour é o seguinte; eles oferecem o melhor que eles podem e vocês decidem quanto vale o passeio. A empresa oferece vários programas e escolhi o mais básico que se concentra na Ilha e explica sobre as peculiaridades de Hong Kong como um território especial da China e ex-colônia britânica. Durante o passeio visitamos: Government HQ, Tamar Park, PLA Building, Prefeitura, Corte de Justiça, Edifício do HSBC e Bank of China, todos localizados no coração do centro financeiro;  Queen’s Road e terminamos o tour na Catedral de St. John. O passeio sai todos os dias às 10:00 da Admiralty Station e dura em torno de duas horas e meia. É tudo muito fácil; saindo da Estação, procure os guias que estão vestindo camisetas ou jaquetas amarelas escrito “The Hong Kong Free Tours”. O passeio é conduzido em língua inglesa e recomendo! Acrescento que caso tenham interesse, a empresa oferece outras opções como uma visita à Kowloon e Food Tour. Deem uma olhada em algumas fotos que tirei durante o passeio. A útima foto é da Catedral de St. John.

Hong Kong Museum of History – Localizado em um edifício moderno, o Museu mostra a história de Hong Kong de uma maneira didática e interessante, descrevendo a fauna e flora local, a cultura popular e sua evolução ao longo de 400 milhões de anos. É um museu um pouco confuso com subidas e decidas e a parte que trata sobre o entorno natural e Hong Kong pré-histórica é meio chato, mas depois o Museu fica incrível, pois mostra a evolução da China com cenários, objetos e músicas. Fiquei encantada! O melhor é que a entrada é gratuita (Adoro museu gratuito!) Deem uma olhada em algumas fotos tiradas no interior do Atrativo.

Avenue of the Stars – Reaberto em 2019, o atrativo tem mais de cem marcas de mãos de celebridades chinesas. Como eu não conheço nenhuma delas, já fiquei satisfeita em ver uma estátua do Bruce Lee. O melhor do atrativo é, sem dúvida, a vista do skyline da Ilha de Hong Kong. Bonito a qualquer hora do dia! 

Grande parte dos atrativos que eu mencionei podem visitados a pé, mas se andar não é seu forte, a cidade oferece uma malha rodoviária e ferroviária muito boa. O metrô é barato e rapidíssimo; sempre lotado, mas por algum milagre da natureza funciona perfeitamente bem.

O restante do meu tempo passei andando pelas ruas e shoppings de Hong Kong; a cidade possui uma infinidade de lojas e centros comerciais. Lá encontra-se todas as marcas possíveis e impossíveis e uma infinidade de produtos (alguns até de gosto duvidoso!). Caso estejam pensando em fazer comprinhas, acho prudente avisá-los que os preços dos produtos em Hong Kong são mais caros que na Europa e nos Estados Unidos, portanto, só vale a pena comprar algo que vocês tenham amado ou que não encontrariam facilmente em outros mercados. O maior shopping da cidade é o Harbour City e ouso a dizer que é o segundo maior shopping do mundo (perdendo apenas para Dubai!), pois não tem fim, mas há um centro comercial em cada esquina e para todos os bolsos. Eu comprei basicamente alguns cosméticos japoneses e coreanos (e outro produtinho que está me dando uma dor de cabeça danada que é melhor nem mencionar) que não teria acesso na Europa.

Ainda sobre os atrativos turísticos, caso estejam passeando por Hong Kong, não deixem de passar pelo Kowloon Park, um pulmão verde na parte continental do destino. 

Deem uma volta no charmoso 1881 Heritage, o antigo quartel general da Polícia Marítima, transformado em uma praça de compras, espaço com restaurantes e um hotel boutique.

E passem pelo magnífico Xingu Centre, um moderno centro cultural.

Também não deixem de experimentar as sobremesas asiáticas (nunca vi tanta loja de doces no mundo e o hype do momento são as sobremesas com matchá, o famoso chá japonês) e comam nos restaurantes de Hong Kong, pois a cidade oferece os melhores e mais renomados restaurantes que vocês podem imaginar. A comida não é barata, na verdade, nada é barato naquela terra; é o preço que eu pagaria em um restaurante médio na Holanda. No entanto, tudo faz parte da experiência.

A parte mais aventureira de toda a viagem foi minha rápida visita a Macau. Quando ainda estava em Leeuwarden e havia comentado com meus colegas de trabalho que iria a Hong Kong, todos diziam que eu deveria passar um dia em Macau. Que era muito simples, só pegar uma balsa e que valia a pena. Admito que fiquei com medo, pois era minha primeira vez em um território tão diferente do meu, com uma língua tão diferente de tudo que eu tinha conhecimento e tomar uma balsa e chegar à um outro lugar não me pareceu assim tão simples. Enfim… Chegando em Hong Kong, a vontade de conhecer Macau ficou ainda maior; procurei empresas de turismo que faziam o passeio, pois é sempre a forma mais segura e confiável, mas os tours custavam em torno de HK$ 1200 a HK$1400. Achei muito caro! (A minha versão mão de vaca falou mais alto). Portanto, em um impulso de coragem resolvi fazer o passeio sozinha e admito que foi fácil, prático e mais barato. Pela manhã fui ao China Ferry Terminal em Tsim Sha Tsui, na área do continente onde estão grande parte dos hotéis e comprei um ticket de ida e volta. Há algumas empresas que vendem este tipo de passeio, mas adquiri o bilhete com a Turbojet, recomendada pelo recepcionista do hotel no qual estava hospedada. Passei pela imigração. E aí vem a segunda dica de viagem: Sim! É necessário viajar para Macau munido com seu passaporte, pois estará saindo da região especial de Hong Kong e entrando na região especial de Macau. É como se fossem dois países diferentes, com leis de imigração distintas, mesmo fazendo parte da China. O Terminal parece como um aeroporto com portões e chamadas de embarque. Além disso, o barco (que é muito confortável, como os barcos que fazem o trecho de Nápoles a Capri na Itália) também tem assentos marcados e precisamos usar o cinto de segurança.

Para quem nunca ouviu falar de Macau, a Ilha é uma das regiões administrativas especiais China desde 1999. No entanto, Macau foi colonizada e administrada por Portugal durante mais de 400 anos e é considerada a primeira e última colônia europeia na Ásia. Possui pouco mais de meio milhão de habitantes, sua moeda é a Pataca e aí vem a confusão, pois a cotação da Pataca é muito similar ao Dólar de Hong Kong. Todo o comércio de Macau recebe Dólar de Hong Kong, mas o troco é sempre dado em Pataca, que infelizmente só é aceito por lá. A economia de Ilha é em grande parte baseada no turismo e nos cassinos. 

Chegando à Macau, peguei um táxi e fui ao centro da cidade. Neste período do dia visitei os seguintes atrativos: o Largo do Senado, coração do centro histórico e é onde estão localizados as principais edificações em estilo colonial português; ele nos remete à Portugal, ou mesmo ao centro de algumas cidades brasileiras. Era onde ficavam os antigos edifícios administrativos da Colônia e, assim como vários atrativos de Macau, foi declarado Patrimônio Cultural pela Unesco em 2006.

Visitei a Igreja da Santo Domingo, a Igreja da Sé e as ruínas de São Paulo. Esta última é um dos atrativos mais famosos da cidade; a igreja Madre de Deus e o Colégio São Paulo foi construída no século XVI, mas destruídas por um incêndio no século XIX. Local sempre lotado de turistas!

Logo ao lado está localizado o Museu de Macau. Situado em um forte construído por padres jesuítas no séc. XVII, o Museu é o lugar mais importante para o visitante conhecer a história da cidade. Conta desde a cultura chinesa, a vida em Macau como colônia portuguesa e destaca a mescla entre estas duas culturas. Gostei muito e o recomento. Na terça-feira as visitas ao Museu são gratuitas.

Também fui ao Templo A-Má. O espaço já existia antes da chegada dos portugueses; a primeira estrutura foi construída ainda no século XV. Os vários pavilhões são dedicados à veneração de diferentes divindades. Outro local com entrada gratuita e o recomendo para conhecerem um pouco mais da diversa cultura chinesa.

Peguei novamente um táxi e fui à Cotai, uma outra região de Macau onde estão localizados os cassinos. Neste período, visitei o Venetian Macao, o maior cassino do mundo, o Four Seasons, o Parisian (outro cassino impressionante) e o Sheraton Grand Macao Hotel. Segue abaixo algumas fotos do Venetian Macao.

E da riqueza do Parisian:

Todos estes cassinos, além de muitos outros, estão localizados em uma grande avenida chamada de Cotai Strip, uma referência à Strip, a principal rota dos cassinos em Las Vegas nos Estados Unidos. É impressionante a magnitude das construções, a qualidade dos materiais utilizados, o tamanho dos cassinos, o tamanho dos shoppings e a opulência dos edifícios. Enfim… É um atrativo turístico muito divertido para quem quer uma distração “a la Disneylândia”. Eu adorei! No final do dia peguei o shuttle, um ônibus gratuito oferecido pelos hotéis para o aeroporto e os portos da cidade e, no início da noite, já estava de volta a Hong Kong. No final da minha aventura gastei HK$ 600 com todas as refeições incluídas!

Surpreendi-me o Macau, pois é uma Ilha que respira história e cultura. Há uma mistura muito flagrante da cultura do Oriente e do Ocidente e fiquei muito feliz por ter tomado a decisão de tê-la conhecido sozinha. Fiz tudo no meu tempo, do meu jeito. Foi fácil, seguro e me senti imbatível por fazer essa visita em um território onde ninguém falava a minha língua (mesmo sendo uma ex-colônia portuguesa, ninguém fala português por lá). Minhas dicas são: Não deixem de comprar os vários doces locais e experimentar o pastel de nata. Admito que eles são bem ruins quando comparados as iguarias verdadeiramente portuguesas, mesmo da marca mais badalada que tem o David Beckham como garoto propagando (o que o pobre David vai saber sobre Pastel de Natas, não é?!), mas ainda assim vale a pena pela experiência.

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E assim termino mais um post. Admito que desta vez fiquei na dúvida se escreveria este relato, pois Hong Kong não é o tipo de cidade que tem que ser contada; ela tem que ser vivida. É lotada, caótica, mas muito limpa. É diferente de tudo que eu já vi, mas, ao mesmo tempo, ela me remetia a algum lugar familiar. A cultura chinesa está presente a todo momento, mas também é uma cidade muito internacional. Enfim, é um destino de extremos e de sentimentos múltiplos; em alguns momentos te traz supressa, em outros monotonia. Em alguns momentos te traz ânimo, em outros te esgota. Fiquei muito feliz de tê-la conhecido e de saber que meu pezinho pisou em mais uma parte do mundo.

Espero que tenham gostado da aventura e nos encontramos em uma nova viagem!

Para aqueles que tem interesse em ver a viagem com mais detalhes, assistam o vídeo do Youtube que mostro cada um dos lugares que conheci durante esse período.

 

Desventuras pela Europa – Capítulo 5 – Keukenhof

O post de hoje é, na verdade, um vídeo. Tive a experiência maravilhosa de conhecer Keukenhof, o parque das tulipas na Holanda. É considerado, inclusive, o jardim da Europa. Keukenhof está localizado há 30/40 minutos do centro de Amsterdã e é um dos principais atrativos do país. Mesmo para uma pessoa que não é fã de natureza, não tem como não se apaixonar pelo lugar. Além de lindo, é extremamente limpo e organizado. Caso tenham interesse em saber como é o parque, preços e como chegar ao atrativo, disponibilizei um vídeo contando todo o passeio. Garanto lindas e impactantes imagens.

Tot ziens!

Desventuras pela Europa-Capítulo 4 – Leeuwarden,meu lar na Holanda!

Esse deveria ser o segundo post desta série, mas admito que a preguiça e a falta de inspiração fizeram eu postergar minha tarefa. Entretanto, os últimos dias de sol e calor me deram um novo fôlego para escrever sobre o lugar que vem me conquistando aos poucos. Desta forma, no texto de hoje gostaria de apresentar Leewarden, minha cidade pelo próximo ano na Holanda. Com quase 100 mil habitantes, Leeuwarden é a capital da província da Frísia, região situada no noroeste do país. Está localizada há pouco mais de duas horas de Amsterdã e é aquele lugar com carinha e jeitinho de interior que, a partir de sua rica história e cultura, foi nomeada, juntamente com Valeta, em Malta, Capital Europeia da Cultural em 2018. A própria Frísia, ou Friesland (em holandês) é um caso a parte, pois tem uma cultura e língua própria, o Frísio. É uma província com pouco mais de 600 mil habitantes que possui um povo mais aberto, amistoso e muito orgulho de sua origem.

Neste post contarei brevemente sobre os principais edifícios e atrativos do cidade.

O principal símbolo de Leeuwarden é a Oldehove, uma torre com quase dois metros de inclinação construída no século XVI que, devido à instabilidade do terreno se transformou na Pisa Holandesa. A história da Torre é muito interessante, pois neste período Leeuwarden se tornava a capital da Frísia e queria mostrar sua importância construindo uma grande catedral no lugar de uma igreja já existente; esta catedral deveria ter a torre mais alta da Holanda. No entanto, logo no início da construção foi possível perceber que a estrutura começou a cair e depois de tentativas frustradas para corrigi-la, a obra foi completamente abandonada. Caso tenham interesse, é possível entrar na torre e subir os 183 degraus até seu topo, ou simplesmente pegar o elevador. A partir da torre tem-se uma vista de parte da cidade e de seu entorno. Deem uma olhada na construção.

O segundo edifício mais importante de Leeuwarden é De Waag. Construído em 1595 em estilo renascentista, servia como um local para a pesagem de mercadorias antes de vendê-las ao mercado. Foi usado principalmente para pesar laticínios como manteiga e funcionou até 1880. Hoje sedia um café chamado Stadsterras. O edifício está estrategicamente construído em frente a um canal na Niewestad, a principal rua comercial da cidade com cinemas (sim, Leeuwarden tem dois cinemas!), cafés estilosos e lojas como C&A, Hema, Etos, Zara e H&M. Abaixo disponibilizei fotos do De Waag e da charmosa Niewestad.

Outro orgulho de Leeuwarden é o Blokhuispoort, uma antiga prisão que se tornou um espaço multicultural. Foi originalmente construída pelos saxões no final do século XV como uma fortaleza. No século XVI foi transformada em uma prisão e funcionou com tal propósito até 2007 quando o edifício foi oficialmente fechado. O espaço foi reestruturado e reaberto há poucos anos; conta com uma livraria estilosa e completíssima, café e restaurante que estão entre os mais descolados da cidade; uma feira de artesãos e um hostel temático. Caso tenham interesse em mais histórias sobre a prisão em si, há visitas guiadas com os antigos guardas todos os sábados às 14:00 e 16:00. O passeio custa € 10 e inclui uma bebida no Café de Bak. Deem uma olhada na fachada do Edifício.

Na mesma rua da antiga prisão encontram-se outros edifícios importantes como a Casa da Província, o antigo prédio do Correio, hoje transformado em um hotel de luxo e um dos mais estilosos restaurantes da cidade e a Chancelaria. A Chancelaria (Kanselarij em holandês) foi o tribunal da Frísia por quase 300 anos. Construído em 1566, é considerado um dos edifícios mais bonitos de toda a Holanda e é cheio de detalhes e simbolismo. Hoje é um espaço destinado ao empreendedorismo.

Ainda no centro da cidade, outro edifício importante é a antiga Prefeitura. Construída sobre as ruínas do palácio Auckamastins, este edifício do século XVIII em estilo Louis XV ainda é usado como gabinete do prefeito e dos vereadores. Logo em frente à Prefeitura localiza-se o antigo Palácio Real, hoje transformado em um Hotel. Deem uma olhada na fachada da antiga Prefeitura.

A cidade de Leeuwarden conta com vários museus que abordam diversas temáticas, mas o maior e mais importante deles é o Fries Museum. Ele trata sobre a Frísia e oferece um acervo com objetos escavados de antigos montes frísios e talheres dos séculos XVII e XVIII. Há itens sobre Mata Hari, a bailarina exótica mais famosa da Europa no início do século XX que nasceu em Leeuwarden e foi condenada a morte ao se tornar uma espiã alemã; obras de pintores consagrados e artistas frísios do século XX, arte e design contemporâneo. Caso tenham interesse o ticket custa € 20.

Outro museu que vale a pena visitar se vocês gostam de arte é o Museu Nacional de Cerâmica Princessehof. O local possui a maior e mais variada coleção de porcelanas chinesas dos Países Baixos, peças de Picasso, além de uma coleção de cerâmicas holandesas Art Nouveau e Art Déco do período 1880 a 1930 (que eu perdi o fôlego!). Além do acervo interessante, o museu está localizado em um palácio do século XVIII no qual serviu como residência de Maria Louise van Hessen-Kassel, um personagem importante para a Frísia e para a monarquia europeia atual. A visita ao Museu custa €12,50.

Eu ainda poderia escrever sobre as Gasthuizen, os canais e sobre tantas outras particularidades da cidade, mas vou terminar meu post com alguns edifícios e momentos especiais em Leeuwarden. De certa forma é muito difícil para uma urbanoide como eu estar tão longe dos grandes centros, mas meu coração está tão cheio de amor por este pedacinho tão charmoso, cheio de gente com um sorriso no rosto e que faz um esforço para me entender, que nem o vento de 70 quilômetros por hora, as chuvas que não dão trégua e as bicicletas que nunca respeitam os pedrestes tiram o brilho do lugar.

Caso tenham interesse em saber mais sobre a cidade, assistam o vídeo no Youtube. Preparei-o com todo amor e é o único vídeo de Leeuwarden disponível na língua portuguesa e há alguns cantinhos no vídeo que não destaquei no texto.

Encontro vocês nas próximas aventuras.

Tot Ziens!

Desventuras pela Europa – Capítulo 3 – Visitando o Drácula (Romênia)

Quando viajei para o meu estudo pós-doutoral na Holanda em fevereiro, fiz uma lista de lugares que eu gostaria de conhecer durante este período na Europa e Bucareste na Romênia era um deles, pois queria visitar um lugar novo e estou muito interessada no Leste Europeu, só não sabia que a visitaria tão rápido. Para quem sabe muito pouco sobre a Romênia, o país é uma república semipresidencialista, quer dizer, tem um primeiro ministro e um presidente. Está localizado no centro-sudeste da Europa, próximo de países como a Hungria, Bulgária e Ucrânia e possui pouco mais de 20 milhões de habitantes. Lidou com o domínio otomano, viveu um regime monárquico, lutou durante as duas grandes guerras, enfrentou décadas de comunismo e hoje tem orgulho de ser uma nação tentando trilhar seu próprio caminho, mesmo não tão entusiasmada com seus políticos. É um país laico, no entanto a população é majoritariamente cristã ortodoxa (mais de 90% dos romenos). Por questões religiosas são conservadores e tem como idioma oficial o romeno, uma variação das línguas latinas que se assemelha ao Italiano. A capital é Bucareste, maior cidade do país; também considerada a capital cultural, industrial e financeira da Romênia. Não sabia, mas a cidade também é muito conhecida pela vida noturna e pelo turismo sexual (sim, quando soube disso fiquei me perguntando o que eu estava fazendo por lá!), principalmente por turistas israelenses e italianos, mas recebe cada vez mais turistas internacionais motivados por negócios, eventos, história e cultura. Mesmo com essa fama de ser uma cidade noturna, destaco que Bucareste é uma das capitais mais seguras da Europa. Por fim, a Romênia faz parte da Comunidade Europeia, mas não utiliza o Euro como moeda oficial, e sim o Leu (RON). A cotação do Leu é de 1 EUR 4.5 RON (abril de 2019).

Vou contar minha viagem pelos dias, pois assim mostro de forma mais sucinta todos os atrativos que visitei. Fui à Bucareste de avião; optei pela companhia KLM pelo simples fato de ter voos diretos e horários amigáveis saindo de Amsterdã. E foi logo no começo da jornada que percebi o perrengue de morar no interior da Holanda. Madruguei, corri até a estação de trens, fiz um longo percurso de comboio ao Aeroporto Schiphol, o maior terminal aeroportuário do país e depois de longas filas nos setores de segurança e imigração, finalmente embarquei para Bucareste. Enfim, percebi que realmente não é fácil fazer uma viagem ao exterior morando tão longe de tudo. O aeroporto de Bucareste (Aeroporto Internacional Henri Coandă) é grande e moderno. Ele é conectado às diferentes regiões da cidade por ônibus públicos e táxis. O trecho de ônibus do Aeroporto ao centro da cidade custa 8.60 RON, mas leva uma eternidade, em torno de uma hora. O táxi é mais rápido, mas muito mais caro, cerca de 68 RON. Primeira dica de viagem: Chegando em Bucareste, troque um pouco de dinheiro em uma casa de câmbio no próprio aeroporto, pois os estabelecimentos romenos não recebem moedas estrangeiras e o sistema de transporte, seja táxi ou ônibus, não aceita cartão de crédito internacional. As tarifas das companhias de câmbio no aeroporto são as piores possíveis, mas troquem pelo menos o necessário para chegar ao centro da cidade.

A hotelaria de Bucareste é muito boa e variada e por ser uma cidade barata para os padrões europeus, é possível conseguir ótimas opções por preços amigáveis. Estava muito disposta a reservar um hotel boutique próximo ao centro da cidade, mas de última hora escolhi o Hilton Garden Inn Bucharest Old Town. Localizado na parte mais antiga da cidade, o Hotel foi recém inaugurado, portanto tudo novinho. Bons ambientes, ótima localização, café da manhã completo incluído na diária e o melhor de tudo, ganhei um upgrade de categoria sem custo adicional. Ele é bem padronizado, ao estilo Hilton, mas mesmo assim, achei muito bom. Segue abaixo algumas fotos do empreendimento.

1º. Dia

Esse era um dia reservado para o tour pela cidade e aproveitaria o tempo para visitar os principais museus, mas depois de uma conversa sincera com o taxista que me levou ao centro e com a recepcionista do Hotel, decidi comprar um passeio para conhecer o interior da Romênia. Comprei uma excursão de um dia que visitava os castelos mais famosos do país, incluindo o Castelo de Peles. Localizado na região de Sinaia, o Castelo é uma edificação lindíssima do século XIX que serviu como residência da família real romena. O lugar é lindo e apesar de ser relativamente pequeno, é um dos castelos mais encantadores que eu já vi. Foi a edificação mais moderna de sua época com sistema de ventilação, calefação, rede elétrica e telefônica em pleno século XIX. Além disso, tem um cinema, o primeiro de toda a Romênia, decorado com pinturas de Gustav Klint. Segue algumas fotos da fachada e do interior do Castelo.

Visitamos também o Castelo de Drácula, na Transilvânia, uma construção medieval que sofreu várias modificações durante os séculos, mas que serviu de inspiração para o romance Drácula, escrito pelo autor irlandês Bram Stocker.

E finalizamos o dia visitando a cidade de Brasov, a segunda maior cidade da Romênia com mais de meio milhão de habitantes. Conhecida também como uma cidade universitária, o centro de Brasov é tombado como patrimônio histórico arquitetônico.

O pacote custou € 80, preço médio entre as empresas que oferecem o mesmo tour. Valeu super a pena, pois é possível conhecer o interior da Romênia cercado de tradições, lindas paisagens e muita história. Minhas únicas recomendações são: Tenham em mente que é uma excursão de um dia completo, portanto é extremamente cansativa. Também é importante saber que a região de Sinaia é cheia de montanhas, portanto é MUITO fria. Podíamos ver o gelo no chão em plena primavera. Voltei à Bucareste no final do dia acabada, só pensando na minha cama.

2º. Dia

Hoje foi dia de fazer os programas por Bucareste. Pela manhã participei de um free walking tour pelo centro da cidade. Optei pelo tour Bucharest Free Tour Old Town Legends & Stories, oferecido pelo site FreeTour.com. Sempre faço esse tipo de tour e o conceito é basicamente o mesmo; o guia oferece o melhor tour que ele pode e você decide quanto vale o passeio. O tour sai todos os dias às 10h30 e às 15h da da Manuc’s Inn e é necessário uma pré-reserva antecipada sem custos na homepage da empresa. Durante o trajeto de quase três horas, passamos pelos seguintes locais: Manuc´s Inn, Monastério Stavropoleos, as ruínas da fortaleza de Drácula, Banco Nacional da Romênia, Museu de História e a Estátua Romana do Lobo, Oriental style inns, Russian Church, University Square, Macca Villacrosse Passage, Palácio CEC e Rua Lipscani. O tour foi muito legal e nossa guia Maria era ótima! Recomendo muito! Segue abaixo fotos do Monastério (fachada e interior), do Palácio CEC e Macca Villacrosse Passage.

Saindo do passeio peguei um metrô rapidão, pois queria muito conhecer o Muzeul Național al Satului Dimitrie Gusti, também conhecido como Village Museum. É um museu a céu aberto situado no Parque Herăstrău, o maior parque urbano de Bucareste. Foi inaugurado em 1936 e apresenta 360 monumentos dos séculos XVII ao XX recolhidos de diferentes regiões da Romênia que mostra a arquitetura, história, cultura e tradições romenas. São casas, igrejas de madeira e instalações industriais, que incluem oficinas, moinhos de vento e algumas instalações hidráulicas. Maravilhoso, maravilhoso! Mesmo em um dia chuvoso, fiquei completamente encantada pela atmosfera do lugar e recomendo demais o passeio. O ingresso custa 15 RON.

E se preparem para a overdose de fotos, pois não resisti.

E assim terminou minha viagem. Voltei ao Aeroporto de ônibus dando adeus a cidade e ao meu primeiro roteiro internacional nesta nova jornada europeia.

A Romênia é muito diferente do que eu imaginei. Não achei o país tão encantador com a Polônia, a Croácia e a Hungria. E Bucareste certamente não é tão bonita como Budapeste e Varsóvia. Há lugares realmente encantadores, mas também há caos e confusão que trazem uma mistura desconexa à cidade. Os romenos são, em grande maioria, pessoas espalhafatosas, que falam alto, gostam de música alta e de gosto duvidoso e muito bons de papo. Gostam de boa comida, preparadas a base de muita carne e tempero; são muito apegados às tradições e tem muito respeito à sua própria cultura.

Outro país conhecido e outro novo mundo descoberto. Senti-me muito grata durante toda a viagem pelo privilégio de conhecer um lugar que nunca imaginaria conhecer e muito feliz de poder saborear cada nova experiência com a maturidade de alguém que aceita e respeita o próximo e as diferenças. Agora é hora de explorar novos lugares e espero que me acompanhem nestas jornadas, pois há muito destinos diferentes na minha cabeça.

Assim como tenho feito nos últimos posts, fiz um vídeo sobre a viagem no qual mostro imagens inéditas da aventura e falo um pouco mais sobre minha experiência. Este vídeo é especial, pois é o primeiro na qual edito sozinha, portanto relevem os erros de principiante e curtam a Romênia de um a forma mais pessoal. 

La revedere!

Desventuras pela Europa – Capítulo 2 – Groningen

Hallo!

Minha primeira parada nesta jornada holandesa foi em Groningen, a cidade mais jovem da Holanda. Caso tenham interesse em conhecer mais sobre a Holanda e descobrir que o país é muito mais que Amsterdã, fiz um vídeo contando sobre a maior cidade do norte holandês. Groningen é a capital da província com o mesmo nome e sedia uma das principais universidades do país. Meu holandês ainda tá feio, então não reparem no sotaque, mas estou me esforçando. Prometo que dessa vez não fiz nenhum longa metragem; o vídeo está curto e com uns toques de turismóloga atacada.

Doei! 

Desventuras pela Europa – Capítulo 1 – Morando na Holanda!

Hoje começa mais uma série sobre as viagens que farei no período de um ano, como fiz durante meu doutorado sanduíche na Alemanha. Se preparem, pois vou escrever e postar muito material neste tempo! Para aqueles que ainda não sabem, sou professora de Turismo, especialista em Meios de Hospedagem, Doutora em Administração e apaixonada por viagens. Estou na Holanda realizando meus estudos de pós-doutorado na área de Sustentabilidade e Hospitalidade no programa International Hospitality Management (IHM) da Stenden Hotel Management School. A Stenden Hotel Management é uma das principais escolas internacionais de gestão hoteleira da Europa (Study in Holland, 2015) e é um exemplo de boas práticas sustentáveis. A escolha pela Holanda foi fácil. É um país consolidado no mercado global como destino turístico, no qual o Turismo representa 5,2% do PIB (dados de 2016) (WTTC, 2017). Oferece um setor hoteleiro maduro e competitivo, realidade que se deve à alta qualidade no ensino em cursos relacionados à hospitalidade, à diversidade de empreendimentos hoteleiros e à presença de grandes redes hoteleiras nacionais e internacionais. Tenho certeza que será uma experiência maravilhosa e quero compartilhá-la com vocês! Para começar fiz um vídeo explicando um pouco mais sobre a Universidade, mostrando sua estrutura e a moradia estudantil. Se é um assunto que lhes interessa, deem uma olhada.

Acompanhem as próximas aventuras.

Doei! 

Museus em Amsterdã

Quando grande parte das pessoas pensam em Amsterdã, imaginam construções típicas holandesas, os canais, as bicicletas e o charme característico da região. Mas além de tudo isso, Amsterdã é uma capital cultural; oferece museus e espaços com diferentes temáticas que atendem a todos os tipos de público.

Neste post, dedico-me a contar sobre os museus que visitei nesta temporada em Amsterdã. Conto, sob o meu ponto de vista, aqueles valem a pena serem visitados. É uma enciclopédia para quem quer descobrir o que Amsterdã pode oferecer. 

Acho pertinente destacar que aqui não mencionarei o Anne Frank House e o Van Gogh Museum, pois os visitei em minha primeira viagem à Amsterdã e já os descrevi por lá (caso tenham interesse em saber mais sobre eles, deem uma olhada neste link). De qualquer forma, adianto que os dois são museus imperdíveis, mas recomendo que o ingresso seja comprado com antecedência pela Internet para evitar as filas.

Museum Het Rembrandthuis

Rembrandt é, sem dúvida, um dos artistas mais prestigiados e reconhecidos da Holanda. O Museu Casa de Rembrandt é um edifício histórico do século XVII no qual o artista viveu e trabalhou entre os anos de 1639 e 1658. O local é pequeno, mas muito interessante para quem gosta de arte, história e arquitetura. Eu gostei, especialmente dos ambientes da antiga casa, mas também achei muito interessante de ler sobre como o seu círculo de amigos foi importante nos momentos de sucesso e fracasso. Gostei!  A visita custa € 14, mas quem tem o Museumkaart a entrada é gratuita.

Hermitage Amsterdam

Esse é um museu que eu estava muito ansiosa, pois é a filial do Museu Hermitage de São Petersburgo, na Rússia, um dos maiores e mais bonitos do mundo. Aberto oficialmente em 2009, a filial holandesa está localizado em um edifício do séc. XVII destinado à mulheres idosa (vale lembrar que naquele período, qualquer mulher acima de 50 anos era considerada idosa). O museu possui um acervo próprio que conta a Era de Ouro da Holanda, mostrando como funcionava a sociedade holandesa nos século XVII e XVIII, mas também possui peças aleatórias provenientes do museu russo, além de exposições temporárias. Admito que fiquei bem decepcionada, pois esperava muito mais. É interessante, mas um atrativo dispensável. Caso tenham interesse, o ingresso custa € 25, mas quem tem Museumkaart a entrada custa € 5.

Rijksmuseum

É o principal museu do país. Localizado na Praça dos Museus (Museumplein), é dedicado à artes e história possui uma coleção quem permeia entre os anos 1100 a 2000. Construído no final do século XIX (se bem o museu foi inicialmente aberto em 1800 na cidade de Haia e depois transferido para Amsterdã), o edifício é magnífico. É moderno e com todas as facilidades existentes como conexão de wifi e carregadores de celular, mas ao mesmo tempo acolhedor. É lá que você encontrará todos os grandes mestres como Rembrandt, Vermeer, Van Gogh, Frans Hals, entre outros. Lugar lindo, de muito bom gosto e visita indispensável para quem gosta de arte. Minha dica é: para comprar os ingressos é necessário enfrentar uma fila nada básica, portanto, compre os ingressos online; custa € 20, mas quem tem Museumkaart a entrada é gratuita.

Paleis Amsterdam (Palácio Real de Amsterdam)

Construído no século XVII para servir como a Prefeitura de Amsterdam, em 1808 o edifício passa a ser um palácio real quando serviu de residência de Luiz Napoleão Bonaparte, irmão de Napoleão, rei da Holanda por alguns anos. Ele fez grandes mudanças estruturais e na decoração da edificação que podem ser vistas até hoje. Desde 1939 é usado pela atual família real holandesa com funções políticas e casa de hóspedes para as visitas de Estado. Dentro do complexo é possível visitar 21 cômodos. Há um áudio guide gratuito que explica cada um dos espaços e a história do palácio. Eu sou a “louca do palácio”, portanto achei interessante, pois além de ser um lindo edifício, ele é realmente usado no dia a dia, não é apenas uma casa de bonecas para mostrar às pessoas. Caso tenham interesse, o ticket custa 10 euros, mas quem tem o Museumkaart a entrada é gratuita. No entanto, antes de planejarem o passeio, tenham certeza de que o Palácio está aberto a visitação, pois em muitas ocasiões ele está fechado para compromissos oficiais.

 

Museu de Amsterdã

O Museu está localizado no coração comercial de Amsterdã e foi instalado em uma edificação do século XVI que já serviu como mosteiro e orfanato. Está dedicado à história de Amsterdã, desde a construção das primeiras edificações até os dias atuais. É um museu interativo com vários vídeos e muitos painéis que apresentam diferentes informações. É um local muito moderno, mas para ser sincera não gostei como as informações e objetos são apresentados. É um pouco confuso e desconexo, portanto, não acho o melhor Museu para conhecer. Mesmo assim, caso tenham interesse em conhece-lo, o ticket custa 15 euros, mas quem tem o Museumkaart a entrada é gratuita. Segue abaixo uma foto da fachada do Museu.

 

Museum Willet-Holthuysen

Localizado na Herengracht, uma das vias mais importantes na expansão de Amsterdã durante a fase de ouro da cidade, está casa foi construída no século XVII e pertenceu há várias famílias de mercadores, artistas e banqueiros. A última delas foi Willet-Holthuysen que viveu na casa durante o século XIX e posteriormente a doou para exposição ao público. O museu mostra a vida da aristocracia holandesa nos século XVIII e XIX com móveis e objetos de decoração. É um espaço pequeno e não tem um acervo tão diversificado, mas é interessante para quem gosta dessa temática. Caso tenham interesse, o museu custa  € 12,50, mas quem tem o Museumkaart a entrada é gratuita. Deem uma olhada na fachada do Museu e em uma de suas salas.

 

Tassen Museum Hendrijke (Museum of Bags and Purses)

Também instalado na Herengracht, em um lindo edíficio que pertencia a um prefeito de Amsterdã no século XVII, este museu está dedicado a história da bolsa. Conta com um acervo de colecionadores particulares e traz objetos de vários períodos históricos, estilos e propósitos. É outro Museu pequeno e que, por mais que tenha um acervo interessante, esperava mais. Mas é interessante para curiosos, estudantes de design e moda. O café é um espaço muito gostoso e o salão de chá está localizado em duas salas maravilhosas. Caso tenham interesse, o museu custa  € 13, mas para quem tem o Museumkaart a entrada é gratuita.

 

Museum Van Loon

É uma residência privada construída no séc. XVII. Seu primeiro morador foi Ferdinand Bol, pupilo de Rembrandt. O interior da casa permaneceu intacto durante os últimos séculos e ainda evoca a Idade do Ouro. O nome do Museu se deve ao fato da casa ser propriedade da família Van Loon; Willem van Loon foi foi membro fundador da Companhia Holandesa das Índias Orientais e a casa foi adquirida séculos depois como um presente de casamento. Assim como o Museum Willet-Holthuysen, o espaço também mostra a vida da aristocracia holandesa nos séculos XVII, XVIII e XIX com móveis e objetos de decoração. É um espaço maior que o anterior e tem um acervo um pouco mais diversificado com estábulo, grande jardim e uma ampla área de serviço que faz o visitante imaginar que está em um capítulo da série Downton Abby. No entanto, o mais interessante é que a família ainda mora no endereço. Caso tenham interesse, o museu custa  € 10, mas para quem tem o Museumkaart a entrada é gratuita. Deem uma olhada na fachada do Museu, em uma de suas salas e nos jardins.

Tropenmuseum

É um museu jovem, mais interativo dedicado à cultura de outros continentes. É um espaço amplo que conta com vários objetos e artefatos. Destaco a exposição sobre a Indonésia, território que já foi colônia holandesa. O Museu custa € 16, mas também disponibiliza entrada gratuita para os portadores do MuseumKaart. Recomendo para os amantes de história e de culturas distantes.

The Dutch Costume Museum - Het klederdrachtmuseum

O Museu apresenta uma coleção de roupas típicas holandesas de diferentes regiões do país. É incrível perceber que uma nação tão pequena possui realidades e costumes tão distintos, e, neste caso, como estes costumes e tradições são traduzidos no vestuário. É um espaço pequeno, composto por apenas sete salas, mas as roupas apresentadas são realmente lindíssimas, cheias de cores, adornos e significados. Caso tenham interesse, o museu custa  € 10, mas para quem tem o Museumkaart a entrada é gratuita. Recomendo para quem gosta de arte, vestuário, história ou quer conhecer mais a fundo a história holandesa.

Stedelijk Museum

Localizado na Praça dos Museus, assim como o Rijksmuseum e o Museu Van Gogh, é o maior museu de arte moderna e contemporânea da Holanda. Possui 700 peças agrupadas de acordo com o movimento histórico e temas sociais. É possível ver obras de artistas modernistas como Picasso, Mondrian, Chagal; a pop art de Warhol e Roy Lichtenstein, além de peças de design e obras muito contemporâneas. Eu não sou a maior fã de arte moderna e muito menos de obras contemporâneas, portanto o Museu não me chamou tanto a atenção. A coleção modernista é de muito bom gosto, mas achei a ala vanguardista demais para mim, não deu. Não acho que vale a pena, a não ser que seja fascinado por arte contemporânea, pois o ingresso é muito caro (custa € 18,50 se você não tiver o MuseumKaart) e o Stedelijk Museum é relativamente pequeno, quando comparado a outros museus de arte de Amsterdam.

 

Assim termino meu postEspero que tenham gostado e acompanhem minhas próximas aventuras pelo mundo.

Tot ziens!

Cruzeiro pelo Caribe (Curaçao, Aruba, St. Kitts and Nevis e St. Thomas)

Há muitos anos atrás fiz um cruzeiro pelo litoral brasileiro. Na ocasião, embarquei em Santos e por uma semana visitei Búzios, Rio de Janeiro, Ilhéus e Salvador. O mercado de cruzeiros no Brasil estava em franca expansão e muitas companhias internacionais ofereciam trajetos a preços atrativos e com condições de pagamento favoráveis. Devo admitir que por mais que eu tenha aproveitado a viagem e aprendido muito, fiquei um pouco decepcionada com a experiência em si. Primeiramente porque a infraestrutura portuária brasileira era precária, situação sem melhorias significativas nos últimos anos; não o achei glamoroso como vemos nos filmes; a comida, por mais que fosse farta e diversificada, era insossa; e o navio, mesmo oferecendo atividades variadas para todas as faixas etárias, não havia atendido completamente minhas expectativas. Assim, por muitos anos evitei este tipo de passeio, pois temia me decepcionar novamente. No entanto, ainda na saga “Conheça a América” e planejando fazer algo diferente em 2019, dei uma nova chance aos cruzeiros. Desta vez estabeleci algumas pré-condições, até como forma de comparar com a minha experiência anterior: (I) gostaria que fosse um roteiro internacional; (II) em um navio da Royal Caribbean International, uma das maiores e mais conhecidas empresas de cruzeiros do mundo, e (III) que tivesse diferentes paradas durante o roteiro. Após procurar diversas opções, achei uma que atendia os requisitos, o Freedom of the Seas pelo sul do Caribe, saindo de San Juan, Porto Rico. Por um lado, o valor cruzeiro era muito bom, quando comparado àqueles com saída em Miami ou Fort Lauderdale, no sul da Flórida, Estados Unidos; no entanto, por outro, a economia que eu faria com o preço total do cruzeiro eu gastaria na passagem aérea para chegar à Porto Rico. Mesmo assim, embarcamos nesta aventura, literalmente.

Não há voos diretos do Brasil para Porto Rico. Para chegar à Ilha é necessário fazer conexão em algum outro destino. No ano passado viajamos para San Juan com a United Airlines e realizamos a conexão nos Estados Unidos, conforme contei neste post. Nesta viagem, optamos pela Copa Airlines com conexão no Panamá. Admito que a Copa não é a melhor empresa aérea da América Latina, mas a conexão no Panamá foi muito mais rápida e prática, portanto foi a melhor escolha, além de ser a mais econômica.


Abaixo contarei cada uma das nossas paradas e ao final descreverei um panorama geral sobre o navio e minha experiência como um todo.

Curaçao
Nossa primeira parada. É uma ilha localizada próxima à Venezuela; é um território independente, mas membro constituinte do Reino da Holanda. Sua capital é Willemstad, a moeda é o Florim e as línguas oficiais são o holandês e o papiamento (língua nativa que mescla vários outros idiomas e dialetos). Chegamos ao porto de Willemstad no começo da manhã e passamos o dia no destino. Durante nossa estada negociamos com um táxi um tour privado para a região oeste da Ilha, onde dizem ter as praias mais bonitas e de água mais quente. É distante de Willemstad, mas vale a pena. Visitamos Kenepa Grandi e Kenepa Chiki. Kenepa Grandi me encantou, deem uma olhada!

Voltando ao sul, visitamos Kokomo e terminamos o tour em Blue Bay, ambas próximas à Willemstad. Blue Bay, em minha opinião, é a praia com a melhor infraestrutura para o turista. Segue abaixo uma foto da praia de Kokomo e outra de Blue Bay.

Almoçamos em Punda, um dos bairros históricos de Curaçao no qual percebe-se a mistura da arquitetura holandesa com as cores do Caribe. Passamos a tarde explorando o comércio local.

Curaçao é um lugar realmente multicultural; cheio de lindas praias e tempo ensolarado. Ao meu ver, o único ponto negativo são as pessoas, pois a maioria dos comerciantes foi indiferente, beirando a má educação. Fiquei impressionada, pois não é um comportamento comum para uma Ilha na América Central, região conhecida pela hospitalidade e um destino que sobrevive em grande parte do turismo, mas em resumo foi ótimo!

Aruba
Nossa segunda parada foi em Aruba, outra ilha próxima à Venezuela e que, apesar de ser um território independente, também faz parte do Reino da Holanda. Descoberta e ocupada em 1499 por exploradores espanhóis, o território foi adquirido pelos Países Baixos em 1636. Sua capital é Oranjestad, a moeda local é o Florim e as línguas, assim como em Curaçao, são o holandês e o papiamento. No entanto, os moradores também falam Inglês e Espanhol. Na verdade, eles têm grande familiaridade com o espanhol. Chegamos ao porto de Oranjestad no começo da manhã e passamos o dia no destino. No Porto compramos um tour com uma excursão para conhecer grande parte da Ilha; o passeio custou US$ 20 por pessoa e em um período de quase três horas visitamos Casibari, formações rochosas compostas de diorito de quartzo, conforme foto abaixo.

Visitamos também a Capela Alto Vista, o Farol Califórnia e passamos pelas praias de Boca Catalina, Arashi e Palm Beach, esta última é a região mais comercial da Ilha. Terminamos o passeio com uma visita a Eagle Beach, a praia abaixo.

O passeio valeu super a pena, pois tivemos uma ideia da dimensão, características e principais atrativos da Ilha. No período da tarde, exploramos os shoppings e o comércio local. A cidade de Oranjestad tem um comércio mais interessante que Willemstad e mesmo que não passe uma sensação de autenticidade, é uma cidade muito bem cuidada. Gostei muito e gostaria de ter ficado mais dias.


Agora o roteiro começa a ficar engraçado, pois as próximas duas paradas foram em ilhas que eu nunca tinha ouvido falar e nem sabia que estavam no roteiro. Isso que é uma pessoa antenada!

St. Kitts and Nevis
Depois de um dia de navegação, nossa próxima parada foi em St. Kitts and Nevis. Também conhecida como São Cristóvão e Névis, foi colonizada pelos ingleses no século XVII; sua capital é Basseterre e apesar de ser um território soberano, faz parte da comunidade do Reino Unido. A moeda local é o Dólar do Caribe Oriental (achei um dos nomes mais estranhos que já escutei!) e a língua oficial é o Inglês. Assim como em Curaçao, ao chegar ao Porto negociamos um tour privado com um táxi que nos levou a Frigate Bay, uma das praias mais famosas da Ilha, propícia para esportes aquáticos como jet-ski, passeios de fragata, caiaque e banana boat. A Praia é muito fraquinha e o melhor foi a tostada que eu levei! Essa curitibana que não usa protetor solar é fogo…

No entanto, a Ilha me surpreendeu, pois ela tem uma fauna mais rica que as duas primeiras paradas e é muito bem cuidada. Após a visita à Praia conhecemos o centro da cidade. Basseterre parece uma típica cidade colonial britânica com casas de madeira coloridas. É um lugar muito simples, mas com um certo charme. No entanto, o comércio de rua é, em parte, informal e desorganizado. Segue uma foto da avenida central de Basseterre.

Visitamos, ainda, a Independence Square, a principal praça da cidade onde está localizada a Igreja da Imaculada Conceição. Na Praça fui mordiscada por um macaco de estimação e saí de lá traumatizada…. Segue abaixo uma foto da Praça.

St. Thomas

A última parada do navio faz parte das Ilhas Virgens do Mar do Caribe. Foi colônia dinamarquesa, mas hoje é território estadunidense. Sua capital é Charlotte Amalie, a moeda corrente é o Dólar americano e a língua oficial o Inglês. É outra ilha pequena como St. Kitts, mas com uma rica e abundante fauna. Chegamos ao Porto no começo da manhã e tomamos um táxi para conhecer Magens Bay, que, segundo a National Geographic, é uma das 10 praias mais bonitas do mundo. A Praia é realmente muito agradável e o mar é de um azul turquesa profundo. Como faz parte de um Parque, é cobrada uma taxa de US$ 5 para a visitação. Mas o local oferece mesas, bares, banheiros, quer dizer, é bem estruturada. Deem uma olhada.

Os táxis em St. Thomas são um capítulo à parte, pois se assemelham a uma lotação brasileira. Não é um transporte privado. É engraçado e confuso no começo, mas um pouco chato, pois só parte em direção ao destino final quando estiver lotado.

Voltamos ao centro da cidade e passamos pelo Fort Christian, uma edificação do século XVII.

A cidade de Charlotte Amalie também é conhecida pelo turismo de compras, principalmente pelas joalherias que não cobram imposto, mas passamos muito rápido por esta parte que lembra ligeiramente Bassaterre em St. Kitts. Após nossa ligeira passagem pelo centro da cidade, voltamos ao navio para aproveitar nossa última noite à bordo.

Assim terminou meu primeiro cruzeiro internacional e acho que devo fazer várias considerações. Ainda há um grande número de brasileiros que sonham em fazer um cruzeiro, mas que tem a falsa impressão de que é um passeio muito caro. Se vocês analisarem que o cruzeiro inclui a hospedagem, a alimentação, o uso das áreas sociais com piscinas, jacuzzi, academia, balada, cassino, todos os shows e etc., perceberão que o custo/benefício é muito bom, mais barato que vários destinos brasileiros, inclusive que os resorts.

 

Uma das grandes vantagens é que no cruzeiro vocês têm a possibilidade de conhecer vários destinos em uma mesma viagem. Sob este ponto de vista, vale a pena fazer uma cotação de roteiros e preços. Em nosso caso, foi mais caro a passagem aérea para San Juan, onde embarcamos no navio, que o cruzeiro em si. No entanto, ao final, a viagem foi mais barata que muitos outros destinos que incluem apenas a hospedagem. Há outras pessoas que tem medo de passar mal durante o cruzeiro. Devo admitir no meu primeiro cruzeiro tive uma indisposição na última noite devido ao forte balanço do mar. Na verdade, todos os membros da minha família passaram mal em algum dia do passeio. Já nesta segunda oportunidade, sentia o navio mexer o tempo todo, mas tirando a estranheza inicial, não senti nenhum tipo de desconforto. Caso vocês sejam mais sensíveis, recomendo que levem um remédio de enjôo e não se preocupem, pois o navio tem uma equipe médica completa e extremamente preparada para atender este tipo de situação. Algumas outras pessoas tem medo de estar em um navio, pois não sabem nadar. Vale destacar que os navios de grande porte são extremamente seguros e antes mesmo de sair do porto, todos os passageiros, TODOS MESMO, juntamente com os tripulantes, fazem um breve treinamento de segurança, portanto, não é um ponto que devam se preocupar. Ao fim, o Freedom of the Seas me trouxe boas surpresas. O enxoval das cabines era extremamente confortável e dificultava a minha vida, pois não queria sair da cama por nada. Os espetáculos foram maravilhosos, tanto aqueles no estilo Broadway, que nem eu sabia que gostava tanto, quanto os shows musicais e a patinação no gelo. Me diverti horrores no karaokê, mesmo não sabendo nenhuma letra em Inglês. Bati meus próprios recordes na academia, mas o ponto alto do Navio, para mim, foi a comida. Como havia relatado no começo do post, minha primeira experiência gastronômica em um cruzeiro não foi das melhores. No entanto, no Freedom of the Seas experimentei pratos deliciosos, muito bem temperados e que atendiam a todos os paladares. Segue abaixo uma foto da estrutura do restaurante central.

Portanto, agora tenho mais uma nova história para recordar e já estou pronta para novas aventuras. Caso tenham interesse em acompanhar toda a aventura pelo Youtube, fiz um vídeo contando toda a jornada, inclusive mostrando a estrutura do navio e dica para os passageiros pão duros. Deem uma olhada!

Zie je later!