Desventuras pela Europa-Capítulo 4 – Leeuwarden,meu lar na Holanda!

Esse deveria ser o segundo post desta série, mas admito que a preguiça e a falta de inspiração fizeram eu postergar minha tarefa. Entretanto, os últimos dias de sol e calor me deram um novo fôlego para escrever sobre o lugar que vem me conquistando aos poucos. Desta forma, no texto de hoje gostaria de apresentar Leewarden, minha cidade pelo próximo ano na Holanda. Com quase 100 mil habitantes, Leeuwarden é a capital da província da Frísia, região situada no noroeste do país. Está localizada há pouco mais de duas horas de Amsterdã e é aquele lugar com carinha e jeitinho de interior que, a partir de sua rica história e cultura, foi nomeada, juntamente com Valeta, em Malta, Capital Europeia da Cultural em 2018. A própria Frísia, ou Friesland (em holandês) é um caso a parte, pois tem uma cultura e língua própria, o Frísio. É uma província com pouco mais de 600 mil habitantes que possui um povo mais aberto, amistoso e muito orgulho de sua origem.

Neste post contarei brevemente sobre os principais edifícios e atrativos do cidade.

O principal símbolo de Leeuwarden é a Oldehove, uma torre com quase dois metros de inclinação construída no século XVI que, devido à instabilidade do terreno se transformou na Pisa Holandesa. A história da Torre é muito interessante, pois neste período Leeuwarden se tornava a capital da Frísia e queria mostrar sua importância construindo uma grande catedral no lugar de uma igreja já existente; esta catedral deveria ter a torre mais alta da Holanda. No entanto, logo no início da construção foi possível perceber que a estrutura começou a cair e depois de tentativas frustradas para corrigi-la, a obra foi completamente abandonada. Caso tenham interesse, é possível entrar na torre e subir os 183 degraus até seu topo, ou simplesmente pegar o elevador. A partir da torre tem-se uma vista de parte da cidade e de seu entorno. Deem uma olhada na construção.

O segundo edifício mais importante de Leeuwarden é De Waag. Construído em 1595 em estilo renascentista, servia como um local para a pesagem de mercadorias antes de vendê-las ao mercado. Foi usado principalmente para pesar laticínios como manteiga e funcionou até 1880. Hoje sedia um café chamado Stadsterras. O edifício está estrategicamente construído em frente a um canal na Niewestad, a principal rua comercial da cidade com cinemas (sim, Leeuwarden tem dois cinemas!), cafés estilosos e lojas como C&A, Hema, Etos, Zara e H&M. Abaixo disponibilizei fotos do De Waag e da charmosa Niewestad.

Outro orgulho de Leeuwarden é o Blokhuispoort, uma antiga prisão que se tornou um espaço multicultural. Foi originalmente construída pelos saxões no final do século XV como uma fortaleza. No século XVI foi transformada em uma prisão e funcionou com tal propósito até 2007 quando o edifício foi oficialmente fechado. O espaço foi reestruturado e reaberto há poucos anos; conta com uma livraria estilosa e completíssima, café e restaurante que estão entre os mais descolados da cidade; uma feira de artesãos e um hostel temático. Caso tenham interesse em mais histórias sobre a prisão em si, há visitas guiadas com os antigos guardas todos os sábados às 14:00 e 16:00. O passeio custa € 10 e inclui uma bebida no Café de Bak. Deem uma olhada na fachada do Edifício.

Na mesma rua da antiga prisão encontram-se outros edifícios importantes como a Casa da Província, o antigo prédio do Correio, hoje transformado em um hotel de luxo e um dos mais estilosos restaurantes da cidade e a Chancelaria. A Chancelaria (Kanselarij em holandês) foi o tribunal da Frísia por quase 300 anos. Construído em 1566, é considerado um dos edifícios mais bonitos de toda a Holanda e é cheio de detalhes e simbolismo. Hoje é um espaço destinado ao empreendedorismo.

Ainda no centro da cidade, outro edifício importante é a antiga Prefeitura. Construída sobre as ruínas do palácio Auckamastins, este edifício do século XVIII em estilo Louis XV ainda é usado como gabinete do prefeito e dos vereadores. Logo em frente à Prefeitura localiza-se o antigo Palácio Real, hoje transformado em um Hotel. Deem uma olhada na fachada da antiga Prefeitura.

A cidade de Leeuwarden conta com vários museus que abordam diversas temáticas, mas o maior e mais importante deles é o Fries Museum. Ele trata sobre a Frísia e oferece um acervo com objetos escavados de antigos montes frísios e talheres dos séculos XVII e XVIII. Há itens sobre Mata Hari, a bailarina exótica mais famosa da Europa no início do século XX que nasceu em Leeuwarden e foi condenada a morte ao se tornar uma espiã alemã; obras de pintores consagrados e artistas frísios do século XX, arte e design contemporâneo. Caso tenham interesse o ticket custa € 20.

Outro museu que vale a pena visitar se vocês gostam de arte é o Museu Nacional de Cerâmica Princessehof. O local possui a maior e mais variada coleção de porcelanas chinesas dos Países Baixos, peças de Picasso, além de uma coleção de cerâmicas holandesas Art Nouveau e Art Déco do período 1880 a 1930 (que eu perdi o fôlego!). Além do acervo interessante, o museu está localizado em um palácio do século XVIII no qual serviu como residência de Maria Louise van Hessen-Kassel, um personagem importante para a Frísia e para a monarquia europeia atual. A visita ao Museu custa €12,50.

Eu ainda poderia escrever sobre as Gasthuizen, os canais e sobre tantas outras particularidades da cidade, mas vou terminar meu post com alguns edifícios e momentos especiais em Leeuwarden. De certa forma é muito difícil para uma urbanoide como eu estar tão longe dos grandes centros, mas meu coração está tão cheio de amor por este pedacinho tão charmoso, cheio de gente com um sorriso no rosto e que faz um esforço para me entender, que nem o vento de 70 quilômetros por hora, as chuvas que não dão trégua e as bicicletas que nunca respeitam os pedrestes tiram o brilho do lugar.

Caso tenham interesse em saber mais sobre a cidade, assistam o vídeo no Youtube. Preparei-o com todo amor e é o único vídeo de Leeuwarden disponível na língua portuguesa e há alguns cantinhos no vídeo que não destaquei no texto.

Encontro vocês nas próximas aventuras.

Tot Ziens!

Desventuras pela Europa – Capítulo 3 – Visitando o Drácula (Romênia)

Quando viajei para o meu estudo pós-doutoral na Holanda em fevereiro, fiz uma lista de lugares que eu gostaria de conhecer durante este período na Europa e Bucareste na Romênia era um deles, pois queria visitar um lugar novo e estou muito interessada no Leste Europeu, só não sabia que a visitaria tão rápido. Para quem sabe muito pouco sobre a Romênia, o país é uma república semipresidencialista, quer dizer, tem um primeiro ministro e um presidente. Está localizado no centro-sudeste da Europa, próximo de países como a Hungria, Bulgária e Ucrânia e possui pouco mais de 20 milhões de habitantes. Lidou com o domínio otomano, viveu um regime monárquico, lutou durante as duas grandes guerras, enfrentou décadas de comunismo e hoje tem orgulho de ser uma nação tentando trilhar seu próprio caminho, mesmo não tão entusiasmada com seus políticos. É um país laico, no entanto a população é majoritariamente cristã ortodoxa (mais de 90% dos romenos). Por questões religiosas são conservadores e tem como idioma oficial o romeno, uma variação das línguas latinas que se assemelha ao Italiano. A capital é Bucareste, maior cidade do país; também considerada a capital cultural, industrial e financeira da Romênia. Não sabia, mas a cidade também é muito conhecida pela vida noturna e pelo turismo sexual (sim, quando soube disso fiquei me perguntando o que eu estava fazendo por lá!), principalmente por turistas israelenses e italianos, mas recebe cada vez mais turistas internacionais motivados por negócios, eventos, história e cultura. Mesmo com essa fama de ser uma cidade noturna, destaco que Bucareste é uma das capitais mais seguras da Europa. Por fim, a Romênia faz parte da Comunidade Europeia, mas não utiliza o Euro como moeda oficial, e sim o Leu (RON). A cotação do Leu é de 1 EUR 4.5 RON (abril de 2019).

Vou contar minha viagem pelos dias, pois assim mostro de forma mais sucinta todos os atrativos que visitei. Fui à Bucareste de avião; optei pela companhia KLM pelo simples fato de ter voos diretos e horários amigáveis saindo de Amsterdã. E foi logo no começo da jornada que percebi o perrengue de morar no interior da Holanda. Madruguei, corri até a estação de trens, fiz um longo percurso de comboio ao Aeroporto Schiphol, o maior terminal aeroportuário do país e depois de longas filas nos setores de segurança e imigração, finalmente embarquei para Bucareste. Enfim, percebi que realmente não é fácil fazer uma viagem ao exterior morando tão longe de tudo. O aeroporto de Bucareste (Aeroporto Internacional Henri Coandă) é grande e moderno. Ele é conectado às diferentes regiões da cidade por ônibus públicos e táxis. O trecho de ônibus do Aeroporto ao centro da cidade custa 8.60 RON, mas leva uma eternidade, em torno de uma hora. O táxi é mais rápido, mas muito mais caro, cerca de 68 RON. Primeira dica de viagem: Chegando em Bucareste, troque um pouco de dinheiro em uma casa de câmbio no próprio aeroporto, pois os estabelecimentos romenos não recebem moedas estrangeiras e o sistema de transporte, seja táxi ou ônibus, não aceita cartão de crédito internacional. As tarifas das companhias de câmbio no aeroporto são as piores possíveis, mas troquem pelo menos o necessário para chegar ao centro da cidade.

A hotelaria de Bucareste é muito boa e variada e por ser uma cidade barata para os padrões europeus, é possível conseguir ótimas opções por preços amigáveis. Estava muito disposta a reservar um hotel boutique próximo ao centro da cidade, mas de última hora escolhi o Hilton Garden Inn Bucharest Old Town. Localizado na parte mais antiga da cidade, o Hotel foi recém inaugurado, portanto tudo novinho. Bons ambientes, ótima localização, café da manhã completo incluído na diária e o melhor de tudo, ganhei um upgrade de categoria sem custo adicional. Ele é bem padronizado, ao estilo Hilton, mas mesmo assim, achei muito bom. Segue abaixo algumas fotos do empreendimento.

1º. Dia

Esse era um dia reservado para o tour pela cidade e aproveitaria o tempo para visitar os principais museus, mas depois de uma conversa sincera com o taxista que me levou ao centro e com a recepcionista do Hotel, decidi comprar um passeio para conhecer o interior da Romênia. Comprei uma excursão de um dia que visitava os castelos mais famosos do país, incluindo o Castelo de Peles. Localizado na região de Sinaia, o Castelo é uma edificação lindíssima do século XIX que serviu como residência da família real romena. O lugar é lindo e apesar de ser relativamente pequeno, é um dos castelos mais encantadores que eu já vi. Foi a edificação mais moderna de sua época com sistema de ventilação, calefação, rede elétrica e telefônica em pleno século XIX. Além disso, tem um cinema, o primeiro de toda a Romênia, decorado com pinturas de Gustav Klint. Segue algumas fotos da fachada e do interior do Castelo.

Visitamos também o Castelo de Drácula, na Transilvânia, uma construção medieval que sofreu várias modificações durante os séculos, mas que serviu de inspiração para o romance Drácula, escrito pelo autor irlandês Bram Stocker.

E finalizamos o dia visitando a cidade de Brasov, a segunda maior cidade da Romênia com mais de meio milhão de habitantes. Conhecida também como uma cidade universitária, o centro de Brasov é tombado como patrimônio histórico arquitetônico.

O pacote custou € 80, preço médio entre as empresas que oferecem o mesmo tour. Valeu super a pena, pois é possível conhecer o interior da Romênia cercado de tradições, lindas paisagens e muita história. Minhas únicas recomendações são: Tenham em mente que é uma excursão de um dia completo, portanto é extremamente cansativa. Também é importante saber que a região de Sinaia é cheia de montanhas, portanto é MUITO fria. Podíamos ver o gelo no chão em plena primavera. Voltei à Bucareste no final do dia acabada, só pensando na minha cama.

2º. Dia

Hoje foi dia de fazer os programas por Bucareste. Pela manhã participei de um free walking tour pelo centro da cidade. Optei pelo tour Bucharest Free Tour Old Town Legends & Stories, oferecido pelo site FreeTour.com. Sempre faço esse tipo de tour e o conceito é basicamente o mesmo; o guia oferece o melhor tour que ele pode e você decide quanto vale o passeio. O tour sai todos os dias às 10h30 e às 15h da da Manuc’s Inn e é necessário uma pré-reserva antecipada sem custos na homepage da empresa. Durante o trajeto de quase três horas, passamos pelos seguintes locais: Manuc´s Inn, Monastério Stavropoleos, as ruínas da fortaleza de Drácula, Banco Nacional da Romênia, Museu de História e a Estátua Romana do Lobo, Oriental style inns, Russian Church, University Square, Macca Villacrosse Passage, Palácio CEC e Rua Lipscani. O tour foi muito legal e nossa guia Maria era ótima! Recomendo muito! Segue abaixo fotos do Monastério (fachada e interior), do Palácio CEC e Macca Villacrosse Passage.

Saindo do passeio peguei um metrô rapidão, pois queria muito conhecer o Muzeul Național al Satului Dimitrie Gusti, também conhecido como Village Museum. É um museu a céu aberto situado no Parque Herăstrău, o maior parque urbano de Bucareste. Foi inaugurado em 1936 e apresenta 360 monumentos dos séculos XVII ao XX recolhidos de diferentes regiões da Romênia que mostra a arquitetura, história, cultura e tradições romenas. São casas, igrejas de madeira e instalações industriais, que incluem oficinas, moinhos de vento e algumas instalações hidráulicas. Maravilhoso, maravilhoso! Mesmo em um dia chuvoso, fiquei completamente encantada pela atmosfera do lugar e recomendo demais o passeio. O ingresso custa 15 RON.

E se preparem para a overdose de fotos, pois não resisti.

E assim terminou minha viagem. Voltei ao Aeroporto de ônibus dando adeus a cidade e ao meu primeiro roteiro internacional nesta nova jornada europeia.

A Romênia é muito diferente do que eu imaginei. Não achei o país tão encantador com a Polônia, a Croácia e a Hungria. E Bucareste certamente não é tão bonita como Budapeste e Varsóvia. Há lugares realmente encantadores, mas também há caos e confusão que trazem uma mistura desconexa à cidade. Os romenos são, em grande maioria, pessoas espalhafatosas, que falam alto, gostam de música alta e de gosto duvidoso e muito bons de papo. Gostam de boa comida, preparadas a base de muita carne e tempero; são muito apegados às tradições e tem muito respeito à sua própria cultura.

Outro país conhecido e outro novo mundo descoberto. Senti-me muito grata durante toda a viagem pelo privilégio de conhecer um lugar que nunca imaginaria conhecer e muito feliz de poder saborear cada nova experiência com a maturidade de alguém que aceita e respeita o próximo e as diferenças. Agora é hora de explorar novos lugares e espero que me acompanhem nestas jornadas, pois há muito destinos diferentes na minha cabeça.

Assim como tenho feito nos últimos posts, fiz um vídeo sobre a viagem no qual mostro imagens inéditas da aventura e falo um pouco mais sobre minha experiência. Este vídeo é especial, pois é o primeiro na qual edito sozinha, portanto relevem os erros de principiante e curtam a Romênia de um a forma mais pessoal. 

La revedere!

Desventuras pela Europa – Capítulo 2 – Groningen

Hallo!

Minha primeira parada nesta jornada holandesa foi em Groningen, a cidade mais jovem da Holanda. Caso tenham interesse em conhecer mais sobre a Holanda e descobrir que o país é muito mais que Amsterdã, fiz um vídeo contando sobre a maior cidade do norte holandês. Groningen é a capital da província com o mesmo nome e sedia uma das principais universidades do país. Meu holandês ainda tá feio, então não reparem no sotaque, mas estou me esforçando. Prometo que dessa vez não fiz nenhum longa metragem; o vídeo está curto e com uns toques de turismóloga atacada.

Doei! 

Desventuras pela Europa – Capítulo 1 – Morando na Holanda!

Hoje começa mais uma série sobre as viagens que farei no período de um ano, como fiz durante meu doutorado sanduíche na Alemanha. Se preparem, pois vou escrever e postar muito material neste tempo! Para aqueles que ainda não sabem, sou professora de Turismo, especialista em Meios de Hospedagem, Doutora em Administração e apaixonada por viagens. Estou na Holanda realizando meus estudos de pós-doutorado na área de Sustentabilidade e Hospitalidade no programa International Hospitality Management (IHM) da Stenden Hotel Management School. A Stenden Hotel Management é uma das principais escolas internacionais de gestão hoteleira da Europa (Study in Holland, 2015) e é um exemplo de boas práticas sustentáveis. A escolha pela Holanda foi fácil. É um país consolidado no mercado global como destino turístico, no qual o Turismo representa 5,2% do PIB (dados de 2016) (WTTC, 2017). Oferece um setor hoteleiro maduro e competitivo, realidade que se deve à alta qualidade no ensino em cursos relacionados à hospitalidade, à diversidade de empreendimentos hoteleiros e à presença de grandes redes hoteleiras nacionais e internacionais. Tenho certeza que será uma experiência maravilhosa e quero compartilhá-la com vocês! Para começar fiz um vídeo explicando um pouco mais sobre a Universidade, mostrando sua estrutura e a moradia estudantil. Se é um assunto que lhes interessa, deem uma olhada.

Acompanhem as próximas aventuras.

Doei! 

Museus em Amsterdã

Quando grande parte das pessoas pensam em Amsterdã, imaginam construções típicas holandesas, os canais, as bicicletas e o charme característico da região. Mas além de tudo isso, Amsterdã é uma capital cultural; oferece museus e espaços com diferentes temáticas que atendem a todos os tipos de público.

Neste post, dedico-me a contar sobre os museus que visitei nesta temporada em Amsterdã. Conto, sob o meu ponto de vista, aqueles valem a pena serem visitados. É uma enciclopédia para quem quer descobrir o que Amsterdã pode oferecer. 

Acho pertinente destacar que aqui não mencionarei o Anne Frank House e o Van Gogh Museum, pois os visitei em minha primeira viagem à Amsterdã e já os descrevi por lá (caso tenham interesse em saber mais sobre eles, deem uma olhada neste link). De qualquer forma, adianto que os dois são museus imperdíveis, mas recomendo que o ingresso seja comprado com antecedência pela Internet para evitar as filas.

Museum Het Rembrandthuis

Rembrandt é, sem dúvida, um dos artistas mais prestigiados e reconhecidos da Holanda. O Museu Casa de Rembrandt é um edifício histórico do século XVII no qual o artista viveu e trabalhou entre os anos de 1639 e 1658. O local é pequeno, mas muito interessante para quem gosta de arte, história e arquitetura. Eu gostei, especialmente dos ambientes da antiga casa, mas também achei muito interessante de ler sobre como o seu círculo de amigos foi importante nos momentos de sucesso e fracasso. Gostei!  A visita custa € 14, mas quem tem o Museumkaart a entrada é gratuita.

Hermitage Amsterdam

Esse é um museu que eu estava muito ansiosa, pois é a filial do Museu Hermitage de São Petersburgo, na Rússia, um dos maiores e mais bonitos do mundo. Aberto oficialmente em 2009, a filial holandesa está localizado em um edifício do séc. XVII destinado à mulheres idosa (vale lembrar que naquele período, qualquer mulher acima de 50 anos era considerada idosa). O museu possui um acervo próprio que conta a Era de Ouro da Holanda, mostrando como funcionava a sociedade holandesa nos século XVII e XVIII, mas também possui peças aleatórias provenientes do museu russo, além de exposições temporárias. Admito que fiquei bem decepcionada, pois esperava muito mais. É interessante, mas um atrativo dispensável. Caso tenham interesse, o ingresso custa € 25, mas quem tem Museumkaart a entrada custa € 5.

Rijksmuseum

É o principal museu do país. Localizado na Praça dos Museus (Museumplein), é dedicado à artes e história possui uma coleção quem permeia entre os anos 1100 a 2000. Construído no final do século XIX (se bem o museu foi inicialmente aberto em 1800 na cidade de Haia e depois transferido para Amsterdã), o edifício é magnífico. É moderno e com todas as facilidades existentes como conexão de wifi e carregadores de celular, mas ao mesmo tempo acolhedor. É lá que você encontrará todos os grandes mestres como Rembrandt, Vermeer, Van Gogh, Frans Hals, entre outros. Lugar lindo, de muito bom gosto e visita indispensável para quem gosta de arte. Minha dica é: para comprar os ingressos é necessário enfrentar uma fila nada básica, portanto, compre os ingressos online; custa € 20, mas quem tem Museumkaart a entrada é gratuita.

Paleis Amsterdam (Palácio Real de Amsterdam)

Construído no século XVII para servir como a Prefeitura de Amsterdam, em 1808 o edifício passa a ser um palácio real quando serviu de residência de Luiz Napoleão Bonaparte, irmão de Napoleão, rei da Holanda por alguns anos. Ele fez grandes mudanças estruturais e na decoração da edificação que podem ser vistas até hoje. Desde 1939 é usado pela atual família real holandesa com funções políticas e casa de hóspedes para as visitas de Estado. Dentro do complexo é possível visitar 21 cômodos. Há um áudio guide gratuito que explica cada um dos espaços e a história do palácio. Eu sou a “louca do palácio”, portanto achei interessante, pois além de ser um lindo edifício, ele é realmente usado no dia a dia, não é apenas uma casa de bonecas para mostrar às pessoas. Caso tenham interesse, o ticket custa 10 euros, mas quem tem o Museumkaart a entrada é gratuita. No entanto, antes de planejarem o passeio, tenham certeza de que o Palácio está aberto a visitação, pois em muitas ocasiões ele está fechado para compromissos oficiais.

 

Museu de Amsterdã

O Museu está localizado no coração comercial de Amsterdã e foi instalado em uma edificação do século XVI que já serviu como mosteiro e orfanato. Está dedicado à história de Amsterdã, desde a construção das primeiras edificações até os dias atuais. É um museu interativo com vários vídeos e muitos painéis que apresentam diferentes informações. É um local muito moderno, mas para ser sincera não gostei como as informações e objetos são apresentados. É um pouco confuso e desconexo, portanto, não acho o melhor Museu para conhecer. Mesmo assim, caso tenham interesse em conhece-lo, o ticket custa 15 euros, mas quem tem o Museumkaart a entrada é gratuita. Segue abaixo uma foto da fachada do Museu.

 

Museum Willet-Holthuysen

Localizado na Herengracht, uma das vias mais importantes na expansão de Amsterdã durante a fase de ouro da cidade, está casa foi construída no século XVII e pertenceu há várias famílias de mercadores, artistas e banqueiros. A última delas foi Willet-Holthuysen que viveu na casa durante o século XIX e posteriormente a doou para exposição ao público. O museu mostra a vida da aristocracia holandesa nos século XVIII e XIX com móveis e objetos de decoração. É um espaço pequeno e não tem um acervo tão diversificado, mas é interessante para quem gosta dessa temática. Caso tenham interesse, o museu custa  € 12,50, mas quem tem o Museumkaart a entrada é gratuita. Deem uma olhada na fachada do Museu e em uma de suas salas.

 

Tassen Museum Hendrijke (Museum of Bags and Purses)

Também instalado na Herengracht, em um lindo edíficio que pertencia a um prefeito de Amsterdã no século XVII, este museu está dedicado a história da bolsa. Conta com um acervo de colecionadores particulares e traz objetos de vários períodos históricos, estilos e propósitos. É outro Museu pequeno e que, por mais que tenha um acervo interessante, esperava mais. Mas é interessante para curiosos, estudantes de design e moda. O café é um espaço muito gostoso e o salão de chá está localizado em duas salas maravilhosas. Caso tenham interesse, o museu custa  € 13, mas para quem tem o Museumkaart a entrada é gratuita.

 

Museum Van Loon

É uma residência privada construída no séc. XVII. Seu primeiro morador foi Ferdinand Bol, pupilo de Rembrandt. O interior da casa permaneceu intacto durante os últimos séculos e ainda evoca a Idade do Ouro. O nome do Museu se deve ao fato da casa ser propriedade da família Van Loon; Willem van Loon foi foi membro fundador da Companhia Holandesa das Índias Orientais e a casa foi adquirida séculos depois como um presente de casamento. Assim como o Museum Willet-Holthuysen, o espaço também mostra a vida da aristocracia holandesa nos séculos XVII, XVIII e XIX com móveis e objetos de decoração. É um espaço maior que o anterior e tem um acervo um pouco mais diversificado com estábulo, grande jardim e uma ampla área de serviço que faz o visitante imaginar que está em um capítulo da série Downton Abby. No entanto, o mais interessante é que a família ainda mora no endereço. Caso tenham interesse, o museu custa  € 10, mas para quem tem o Museumkaart a entrada é gratuita. Deem uma olhada na fachada do Museu, em uma de suas salas e nos jardins.

Tropenmuseum

É um museu jovem, mais interativo dedicado à cultura de outros continentes. É um espaço amplo que conta com vários objetos e artefatos. Destaco a exposição sobre a Indonésia, território que já foi colônia holandesa. O Museu custa € 16, mas também disponibiliza entrada gratuita para os portadores do MuseumKaart. Recomendo para os amantes de história e de culturas distantes.

The Dutch Costume Museum - Het klederdrachtmuseum

O Museu apresenta uma coleção de roupas típicas holandesas de diferentes regiões do país. É incrível perceber que uma nação tão pequena possui realidades e costumes tão distintos, e, neste caso, como estes costumes e tradições são traduzidos no vestuário. É um espaço pequeno, composto por apenas sete salas, mas as roupas apresentadas são realmente lindíssimas, cheias de cores, adornos e significados. Caso tenham interesse, o museu custa  € 10, mas para quem tem o Museumkaart a entrada é gratuita. Recomendo para quem gosta de arte, vestuário, história ou quer conhecer mais a fundo a história holandesa.

Stedelijk Museum

Localizado na Praça dos Museus, assim como o Rijksmuseum e o Museu Van Gogh, é o maior museu de arte moderna e contemporânea da Holanda. Possui 700 peças agrupadas de acordo com o movimento histórico e temas sociais. É possível ver obras de artistas modernistas como Picasso, Mondrian, Chagal; a pop art de Warhol e Roy Lichtenstein, além de peças de design e obras muito contemporâneas. Eu não sou a maior fã de arte moderna e muito menos de obras contemporâneas, portanto o Museu não me chamou tanto a atenção. A coleção modernista é de muito bom gosto, mas achei a ala vanguardista demais para mim, não deu. Não acho que vale a pena, a não ser que seja fascinado por arte contemporânea, pois o ingresso é muito caro (custa € 18,50 se você não tiver o MuseumKaart) e o Stedelijk Museum é relativamente pequeno, quando comparado a outros museus de arte de Amsterdam.

 

Assim termino meu postEspero que tenham gostado e acompanhem minhas próximas aventuras pelo mundo.

Tot ziens!

Cruzeiro pelo Caribe (Curaçao, Aruba, St. Kitts and Nevis e St. Thomas)

Há muitos anos atrás fiz um cruzeiro pelo litoral brasileiro. Na ocasião, embarquei em Santos e por uma semana visitei Búzios, Rio de Janeiro, Ilhéus e Salvador. O mercado de cruzeiros no Brasil estava em franca expansão e muitas companhias internacionais ofereciam trajetos a preços atrativos e com condições de pagamento favoráveis. Devo admitir que por mais que eu tenha aproveitado a viagem e aprendido muito, fiquei um pouco decepcionada com a experiência em si. Primeiramente porque a infraestrutura portuária brasileira era precária, situação sem melhorias significativas nos últimos anos; não o achei glamoroso como vemos nos filmes; a comida, por mais que fosse farta e diversificada, era insossa; e o navio, mesmo oferecendo atividades variadas para todas as faixas etárias, não havia atendido completamente minhas expectativas. Assim, por muitos anos evitei este tipo de passeio, pois temia me decepcionar novamente. No entanto, ainda na saga “Conheça a América” e planejando fazer algo diferente em 2019, dei uma nova chance aos cruzeiros. Desta vez estabeleci algumas pré-condições, até como forma de comparar com a minha experiência anterior: (I) gostaria que fosse um roteiro internacional; (II) em um navio da Royal Caribbean International, uma das maiores e mais conhecidas empresas de cruzeiros do mundo, e (III) que tivesse diferentes paradas durante o roteiro. Após procurar diversas opções, achei uma que atendia os requisitos, o Freedom of the Seas pelo sul do Caribe, saindo de San Juan, Porto Rico. Por um lado, o valor cruzeiro era muito bom, quando comparado àqueles com saída em Miami ou Fort Lauderdale, no sul da Flórida, Estados Unidos; no entanto, por outro, a economia que eu faria com o preço total do cruzeiro eu gastaria na passagem aérea para chegar à Porto Rico. Mesmo assim, embarcamos nesta aventura, literalmente.

Não há voos diretos do Brasil para Porto Rico. Para chegar à Ilha é necessário fazer conexão em algum outro destino. No ano passado viajamos para San Juan com a United Airlines e realizamos a conexão nos Estados Unidos, conforme contei neste post. Nesta viagem, optamos pela Copa Airlines com conexão no Panamá. Admito que a Copa não é a melhor empresa aérea da América Latina, mas a conexão no Panamá foi muito mais rápida e prática, portanto foi a melhor escolha, além de ser a mais econômica.


Abaixo contarei cada uma das nossas paradas e ao final descreverei um panorama geral sobre o navio e minha experiência como um todo.

Curaçao
Nossa primeira parada. É uma ilha localizada próxima à Venezuela; é um território independente, mas membro constituinte do Reino da Holanda. Sua capital é Willemstad, a moeda é o Florim e as línguas oficiais são o holandês e o papiamento (língua nativa que mescla vários outros idiomas e dialetos). Chegamos ao porto de Willemstad no começo da manhã e passamos o dia no destino. Durante nossa estada negociamos com um táxi um tour privado para a região oeste da Ilha, onde dizem ter as praias mais bonitas e de água mais quente. É distante de Willemstad, mas vale a pena. Visitamos Kenepa Grandi e Kenepa Chiki. Kenepa Grandi me encantou, deem uma olhada!

Voltando ao sul, visitamos Kokomo e terminamos o tour em Blue Bay, ambas próximas à Willemstad. Blue Bay, em minha opinião, é a praia com a melhor infraestrutura para o turista. Segue abaixo uma foto da praia de Kokomo e outra de Blue Bay.

Almoçamos em Punda, um dos bairros históricos de Curaçao no qual percebe-se a mistura da arquitetura holandesa com as cores do Caribe. Passamos a tarde explorando o comércio local.

Curaçao é um lugar realmente multicultural; cheio de lindas praias e tempo ensolarado. Ao meu ver, o único ponto negativo são as pessoas, pois a maioria dos comerciantes foi indiferente, beirando a má educação. Fiquei impressionada, pois não é um comportamento comum para uma Ilha na América Central, região conhecida pela hospitalidade e um destino que sobrevive em grande parte do turismo, mas em resumo foi ótimo!

Aruba
Nossa segunda parada foi em Aruba, outra ilha próxima à Venezuela e que, apesar de ser um território independente, também faz parte do Reino da Holanda. Descoberta e ocupada em 1499 por exploradores espanhóis, o território foi adquirido pelos Países Baixos em 1636. Sua capital é Oranjestad, a moeda local é o Florim e as línguas, assim como em Curaçao, são o holandês e o papiamento. No entanto, os moradores também falam Inglês e Espanhol. Na verdade, eles têm grande familiaridade com o espanhol. Chegamos ao porto de Oranjestad no começo da manhã e passamos o dia no destino. No Porto compramos um tour com uma excursão para conhecer grande parte da Ilha; o passeio custou US$ 20 por pessoa e em um período de quase três horas visitamos Casibari, formações rochosas compostas de diorito de quartzo, conforme foto abaixo.

Visitamos também a Capela Alto Vista, o Farol Califórnia e passamos pelas praias de Boca Catalina, Arashi e Palm Beach, esta última é a região mais comercial da Ilha. Terminamos o passeio com uma visita a Eagle Beach, a praia abaixo.

O passeio valeu super a pena, pois tivemos uma ideia da dimensão, características e principais atrativos da Ilha. No período da tarde, exploramos os shoppings e o comércio local. A cidade de Oranjestad tem um comércio mais interessante que Willemstad e mesmo que não passe uma sensação de autenticidade, é uma cidade muito bem cuidada. Gostei muito e gostaria de ter ficado mais dias.


Agora o roteiro começa a ficar engraçado, pois as próximas duas paradas foram em ilhas que eu nunca tinha ouvido falar e nem sabia que estavam no roteiro. Isso que é uma pessoa antenada!

St. Kitts and Nevis
Depois de um dia de navegação, nossa próxima parada foi em St. Kitts and Nevis. Também conhecida como São Cristóvão e Névis, foi colonizada pelos ingleses no século XVII; sua capital é Basseterre e apesar de ser um território soberano, faz parte da comunidade do Reino Unido. A moeda local é o Dólar do Caribe Oriental (achei um dos nomes mais estranhos que já escutei!) e a língua oficial é o Inglês. Assim como em Curaçao, ao chegar ao Porto negociamos um tour privado com um táxi que nos levou a Frigate Bay, uma das praias mais famosas da Ilha, propícia para esportes aquáticos como jet-ski, passeios de fragata, caiaque e banana boat. A Praia é muito fraquinha e o melhor foi a tostada que eu levei! Essa curitibana que não usa protetor solar é fogo…

No entanto, a Ilha me surpreendeu, pois ela tem uma fauna mais rica que as duas primeiras paradas e é muito bem cuidada. Após a visita à Praia conhecemos o centro da cidade. Basseterre parece uma típica cidade colonial britânica com casas de madeira coloridas. É um lugar muito simples, mas com um certo charme. No entanto, o comércio de rua é, em parte, informal e desorganizado. Segue uma foto da avenida central de Basseterre.

Visitamos, ainda, a Independence Square, a principal praça da cidade onde está localizada a Igreja da Imaculada Conceição. Na Praça fui mordiscada por um macaco de estimação e saí de lá traumatizada…. Segue abaixo uma foto da Praça.

St. Thomas

A última parada do navio faz parte das Ilhas Virgens do Mar do Caribe. Foi colônia dinamarquesa, mas hoje é território estadunidense. Sua capital é Charlotte Amalie, a moeda corrente é o Dólar americano e a língua oficial o Inglês. É outra ilha pequena como St. Kitts, mas com uma rica e abundante fauna. Chegamos ao Porto no começo da manhã e tomamos um táxi para conhecer Magens Bay, que, segundo a National Geographic, é uma das 10 praias mais bonitas do mundo. A Praia é realmente muito agradável e o mar é de um azul turquesa profundo. Como faz parte de um Parque, é cobrada uma taxa de US$ 5 para a visitação. Mas o local oferece mesas, bares, banheiros, quer dizer, é bem estruturada. Deem uma olhada.

Os táxis em St. Thomas são um capítulo à parte, pois se assemelham a uma lotação brasileira. Não é um transporte privado. É engraçado e confuso no começo, mas um pouco chato, pois só parte em direção ao destino final quando estiver lotado.

Voltamos ao centro da cidade e passamos pelo Fort Christian, uma edificação do século XVII.

A cidade de Charlotte Amalie também é conhecida pelo turismo de compras, principalmente pelas joalherias que não cobram imposto, mas passamos muito rápido por esta parte que lembra ligeiramente Bassaterre em St. Kitts. Após nossa ligeira passagem pelo centro da cidade, voltamos ao navio para aproveitar nossa última noite à bordo.

Assim terminou meu primeiro cruzeiro internacional e acho que devo fazer várias considerações. Ainda há um grande número de brasileiros que sonham em fazer um cruzeiro, mas que tem a falsa impressão de que é um passeio muito caro. Se vocês analisarem que o cruzeiro inclui a hospedagem, a alimentação, o uso das áreas sociais com piscinas, jacuzzi, academia, balada, cassino, todos os shows e etc., perceberão que o custo/benefício é muito bom, mais barato que vários destinos brasileiros, inclusive que os resorts.

 

Uma das grandes vantagens é que no cruzeiro vocês têm a possibilidade de conhecer vários destinos em uma mesma viagem. Sob este ponto de vista, vale a pena fazer uma cotação de roteiros e preços. Em nosso caso, foi mais caro a passagem aérea para San Juan, onde embarcamos no navio, que o cruzeiro em si. No entanto, ao final, a viagem foi mais barata que muitos outros destinos que incluem apenas a hospedagem. Há outras pessoas que tem medo de passar mal durante o cruzeiro. Devo admitir no meu primeiro cruzeiro tive uma indisposição na última noite devido ao forte balanço do mar. Na verdade, todos os membros da minha família passaram mal em algum dia do passeio. Já nesta segunda oportunidade, sentia o navio mexer o tempo todo, mas tirando a estranheza inicial, não senti nenhum tipo de desconforto. Caso vocês sejam mais sensíveis, recomendo que levem um remédio de enjôo e não se preocupem, pois o navio tem uma equipe médica completa e extremamente preparada para atender este tipo de situação. Algumas outras pessoas tem medo de estar em um navio, pois não sabem nadar. Vale destacar que os navios de grande porte são extremamente seguros e antes mesmo de sair do porto, todos os passageiros, TODOS MESMO, juntamente com os tripulantes, fazem um breve treinamento de segurança, portanto, não é um ponto que devam se preocupar. Ao fim, o Freedom of the Seas me trouxe boas surpresas. O enxoval das cabines era extremamente confortável e dificultava a minha vida, pois não queria sair da cama por nada. Os espetáculos foram maravilhosos, tanto aqueles no estilo Broadway, que nem eu sabia que gostava tanto, quanto os shows musicais e a patinação no gelo. Me diverti horrores no karaokê, mesmo não sabendo nenhuma letra em Inglês. Bati meus próprios recordes na academia, mas o ponto alto do Navio, para mim, foi a comida. Como havia relatado no começo do post, minha primeira experiência gastronômica em um cruzeiro não foi das melhores. No entanto, no Freedom of the Seas experimentei pratos deliciosos, muito bem temperados e que atendiam a todos os paladares. Segue abaixo uma foto da estrutura do restaurante central.

Portanto, agora tenho mais uma nova história para recordar e já estou pronta para novas aventuras. Caso tenham interesse em acompanhar toda a aventura pelo Youtube, fiz um vídeo contando toda a jornada, inclusive mostrando a estrutura do navio e dica para os passageiros pão duros. Deem uma olhada!

Zie je later!

Os números de 2018

Sempre que possível faço um post trazendo uma retrospectiva do ano, um momento mais introspectivo no qual avalio as conquistas, os desafios e o que ainda há por vir. Apesar de vocês verem em todos os posts uma Vanessa pleníssima, feliz e realizada, acho importante contar que 2018 não foi um ano fácil (tenho a impressão que não foi para ninguém!). Para mim foi um ano solitário, de muitos desafios pessoais e principalmente profissionais; de incertezas e de angustias, de crises e questionamentos, e, por mais que as viagens me trouxessem um novo fôlego e uma nova perspectiva sobre a vida, o ano foi emperrado e pesado. Por outro lado, não posso deixar de destacar as conquistas de 2018. Este ano meu blog teve o maior número de visualizações de toda a sua história, 35% a mais que minha melhor marca. Eu comemoro cada pessoa que acessa aos meus posts, cada novo inscrito e cada comentário (mesmo aqueles indelicados que faço questão de deletar), pois sempre foi um hobby, visto e levado de uma forma orgânica e amadora, portanto fico muito feliz quando vocês sentem o amor que eu coloco em cada um dos meus relatos. O mais interessante é que mesmo que eu escreva todos os textos em Português, em 2018, 54% dos meus leitores estavam em países estrangeiros, provenientes de 69 diferentes nações. É surreal pensar que há pessoas de locais tão distantes como a Macedônia, o Uzbequistão ou a Finlândia prestigiando seu trabalho. E o post mais acessado e elogiado foi o da Polônia (segue o link caso tenham interesse em lê-lo), outro grande orgulho, pois é um dos posts mais bonitos que eu já escrevi, apesar de ser quase um livro.

Esse ano também criei um canal no Youtube, o Vanessa´s Diaries, (deem uma olhada neste link), mostrando um pouco das viagens, como um complemento ao blog. Ainda é muito pequeno, sou muito tímida para falar, uso apenas meu celular durante as filmagens, mas é outro veículo no qual dedico todo o meu amor e espero que cresça aos poucos.

2018 me presenteou com muitas viagens (e com um rombo danado na conta bancária, fiz e ainda faço um malabarismo financeiro danado!); tive a oportunidade de voltar ao Chile após 20 anos e de realizar duas viagens dos sonhos, uma para o sudeste americano, onde visitei Charleston e Savannah e outra para Assunção. Para fechar o texto, gostaria de contar que o final de 2018 me trouxe uma surpresa, um novo desafio. Começo em 2019 um novo capítulo da minha vida, pois estarei realizando meu pós-doutorado na Stenden University na cidade de Leeuwarden, no noroeste da Holanda. Admito que estou muito ansiosa, perdida, mas espero que seja um ano especial, cheio de felicidade e conhecimento e posso garantir para terão muitas viagens bacanas e estarei compartilhando todas essas experiências por aqui. Desta forma, gostaria de agradecer o carinho, a paciência, por acompanharem minhas andanças e por torcerem por mim. Espero que 2019 seja um ano da virada para todos nós.

Feliz Ano Novo!

Roadtrip pelo sul da Espanha

Hoje conto sobre mais uma viagem à minha amada Espanha. Na verdade, a viagem foi a Portugal, pois apresentei um trabalho científico no TMS Tourism Management Studies 2018 Algarve em Olhão, evento bienal organizado pela Escola Superior de Gestão, Hotelaria e Turismo (ESGHT) da Universidade do Algarve (UAlg) que reúne pesquisadores de turismo de todo o mundo. No entanto, como já escrevi no blog sobre essa região (caso queiram saber mais sobre esse passeio cliquem neste link) conto aqui apenas uma parte da viagem na qual tirei uns dias off para conhecer algumas cidades da Andaluzia, sul da Espanha.

Essa viagem foi diferente de todas as outras que já fiz, pois alugamos um carro em Lisboa e realizamos todo o trajeto por nossa conta. Excluindo minha louca aventura em Nova York quando fiz um batidão até Washington D.C. de carro em uma época onde GPS era coisa de filme de ficção científica (toda vez que lembro dessa viagem tenho sentimentos diversos; dá um aperto no coração de saudade, dou muitas risadas sozinha lembrando de algumas situações e um frio na espinha ao pensar na nossa coragem!), nunca havia alugado um carro fora do país e estava apreensiva, pois não sabia como seriam as estradas portuguesas e espanholas, mas foi MUITO tranquilo. Estradas ótimas, principalmente as portuguesas, muito bem sinalizadas e GPS é vida! Há várias locadoras disponíveis no mercado, portanto vejam qual lhes oferece o melhor custo/benefício. No nosso caso, optamos pela Sixt e o aluguel ficou em torno de € 100 ao dia (com todas as taxas incluídas), mas aviso que não adquirimos a opção mais barata; optamos por uma versão de veículo maior, pois tínhamos muitas malas, e com GPS. Portanto, há pacotes mais econômicos! Minha única observação é que, se andarem pelas estradas de Portugal, terão que adquirir o Via Verde, um dispositivo acoplado ao carro que dá direito a passar pelos pedágios como o Sem Parar no Brasil. O valor do pedágio é cobrado no seu cartão de crédito a posteriori. Cada pedágio custou em torno de € 1,85. Aviso que essa é a única opção viável já que os pedágios no sul de Portugal não têm cobrador, quer dizer, não é possível pagar na hora. Na Espanha, há a opção de pagar no guichê, mas os pedágios são salgados; custou € 7,30 o trecho de Sevilha a Cádiz.

Sevilha

Capital da Andaluzia, província ao sul da Espanha, é uma das maiores cidades do país com pouco mais de 700 mil habitantes. Está próxima da fronteira com Portugal e tem uma história fascinante; fundada no século XIII a.C. pelos turdetanos, foi ocupada pelos fenícios, fez parte do império romano, inclusive três imperadores (Trajano, Adriano e Teodósio) nasceram lá, na antiga cidade de Itálica; foi tomada pelos visigodos e pelos mouros e finalmente reconquistada pelo rei Fernando III de Castela na Idade Média. Toda essa rica história deixou vestígios que, juntamente com o clima quente e ensolarado a transformaram em um dos destinos mais visitados do país. É diferente do que eu imaginava; possui avenidas largas, é ampla, muito arborizada e passa a sensação de imponência. Gostei!

Em Sevilha fiquei hospedada no NH Collection Sevilla, um hotel a aproximadamente 2 quilômetros do centro. Escolhi este empreendimento, pois na dúvida sempre opto por uma rede hoteleira e o NH Sevilla oferecia estacionamento, mesmo que terceirizado. Dica importante: Se vocês estão de carro, precisam se preocupar com esta questão, principalmente em cidades europeias que geralmente não tem estrutura de estacionamento. Deem uma olhada na fachada do Hotel.

Ao chegar em Sevilha fizemos o Free Walking Tour. A cidade possui algumas empresas que oferecem o mesmo tipo de passeio, mas escolhi a White Umbrella Tours (vocês distinguem os guias pelos guarda-chuvas brancos), que também está presente em Paris, Praga, Budapeste, Munique, Amsterdã, Madri e Lisboa. Em Sevilha eles apresentam diferentes tipos de passeio, mas optei pelo mais básico que sai todos os dias às 10h30 e às 16h00 da Plaza Virgen de los Reyes, ao lado de La Giralda. Durante nosso tour passamos por La Giralda (torre construída no século XII d.C. durante a ocupação árabe na região. Hoje é o campanário da Catedral de Sevilha e é tombada como Patrimônio Mundial pela UNESCO), a Catedral (erguida a partir de construções romanas, foi uma antiga mesquita árabe durante a ocupação moura e posteriormente convertida em igreja católica. A edificação possui diferentes espaços, alguns deles góticos e outros com estilos que retratam os diversos períodos históricos vividos pela cidade), Reales Alcázares (complexo de palácios originalmente construídos sob um antigo assentamento romano), Archivo de Indias, Puerta del Perdón, Ayuntamiento de Sevilla (Prefeitura), Plaza Nueva, Puente de Triana, Torre del Oro, Puerta de Jérez, Rectorado (antigo edifício da reitoria da Universidad de Sevilla), Prado de San Sebastián, Parque María Luisa (principal área verde da cidade; foi palco da Exposição Ibero-americana de 1929 e hoje abriga o Museu Arqueológico e o Museu de Artes e Costumes Populares) e finalizamos o tour na Plaza de España (que também faz parte do Parque), um dos cartões postais de Sevilha. O passeio foi legal, nosso guia era solícito e foi possível ter um bom dimensionamento da cidade, mas não recomendo o tour das 16h, pois chegamos à Plaza de España muito tarde, já havia anoitecido (o outono na Europa não ajuda), deste modo, minha recomendação é optar pelo passeio da manhã, pois assim poderão aproveitar o Parque e tirar lindas fotos da Praça para deixar todo mundo morrendo de inveja no Instagram. Mesmo que o tour tenha sido muito legal, acho importante avisar que a caminhada é puxada e um pouco cansativa, então preparem as pernas. Abaixo há fotos de La Giralda, da Reales Alcazáres, das ruas de Sevilha, da Torre del Oro, da fachada do Rectorado e da Plaza de España.

Minha dica em Sevilha é: Se percam pelas ruas… O centro histórico possui ruas estreitas, sinuosas, mas cheias de cores, cheiros e muito singulares. É uma ótima forma de descobrir a cidade. Passe pela Judería, bairro onde habitavam os judeus e entrem na Iglesia de Santa María la Blanca, aquela igrejinha que você não dá nada, mas quando entra perde o fôlego. Vejam a foto de seu interior abaixo.

Outra dica é: Visitem Triana. É um bairro localizado do outro lado do rio (Guadalquivir). Tem uma história associada aos ciganos, mas hoje é um dos locais mais descolados da cidade com espetáculos de flamenco e restaurantes.

Dia de Roadtrip. Fizemos vários destinos em um único dia e vou destacar atrativos e impressões. Saímos pela manhã de Sevilha para Jerez de La Frontera (96 kms) e lá tivemos o desafio de abastecer o carro. Foi a primeira vez que abasteci o carro em um país estrangeiro; na verdade, foi a primeira vez que abasteci um carro sozinha e aí vai minhas dicas de iniciante. Sim, é você que o abastecerá, portanto tenha certeza qual tipo de combustível necessário e finja costume! Abasteça o veículo com a quantidade desejada e posteriormente pague o valor abastecido na loja de conveniência local. Enquanto estiver pagando, não deixe o carro ao lado da bomba atrapalhando os demais clientes que querem abastecer, estacione-o em um local apropriado, e não usem o celular durante o processo. O Diesel custou, em média, € 1,85 por litro e gastamos em toda a viagem cerca de € 110.

Jerez de la Frontera

Com uma história que remonta a Idade do Cobre, a cidade também foi invadida pelos cartagineses, conquistada pelos romanos e pelos muçulmanos e tornou-se parte do Reino de Castela na Idade Média após a conquista de Sevilha por Fernando III. Hoje, com pouco mais de 200 mil habitantes, é conhecida pelo xerez (vinho fortificado muito semelhante a um licor, típico da região), pelos espetáculos com os cavalos andaluzes e por ser um dos berços do flamenco. Durante nosso breve período em Jerez fizemos uma degustação de xerez em uma das várias vinícolas (bodegas) (€ 6,50), a Sandeman, e gostei da experiência. Eles também oferecem visitas guiadas no qual mostra o processo de produção do vinho, mas os horários eram limitados e não tínhamos tempo. Outra vinícola importante é a Tío Pepe-González Byass. Fica a dica! Também passamos pelo centro da cidade onde visitamos a Catedral e a Plaza del Arenal. É um destino bem agradável, gostei! Segue abaixo fotos da Sandeman, da nossa degustação de Xerex, da Catedral e da Plaza del Arenal.

Cádiz

Localizada há apenas 36 quilômetros de Jerez de la Frontera, Cádiz é considerada uma das cidades mais antigas da Europa Ocidental. Possui 120 mil habitantes. Descoberta pelos fenícios, foi habitada por gregos, cartagineses, romanos e muçulmanos. Era um destino que eu estava muito entusiasmada para visitar, pois havia lido várias reportagens que apontavam-na como uma das cidades mais bonitas da Espanha, mas admito que me decepcionei. Acho que tem a ver com a questão das expectativas muito altas, que sempre conto por aqui, achei-a apenas normal. Durante nosso período passamos pela antiga Plaza Mayor de Cádiz, pela Catedral, visitamos o edifício dos Correios com uma escadaria interna em um tom acobreado lindo, a Torre Tavira e a Puerta de Tierra, a antiga entrada da cidade que separa a parte histórica da moderna. Anexei fotos da fachada da Catedral e da Puerta de Tierra.

Vejer de la Frontera

Essa talvez tenha sido a maior surpresa da viagem. A 56 quilômetros de Cádiz, Vejer de la Frontera está localizada em uma colina e é considerada um dos “pueblos” mais bonitos da Espanha. Fui ao destino, pois parte da família da Paula, minha companheira de viagem, é de lá. E conduzidos pela sua prima, pudemos andar por todo o povoado que, por conta da sua localização, manteve características muito particulares como todas as casas pintadas de branco e moinhos de vento históricos. Outra característica da cidade é a de que ela se desenvolveu dentro e ao redor de uma muralha árabe. É muito charmosa, bem cuidada, florida e a Plaza de España é um capítulo à parte. É uma mistura de Marrocos com umas pitadas de Disneylândia (quis descrevê-la no sentido de lugar perfeito, mas muito autêntica). A melhor forma de conhecer o povoado é andando. Visitamos a cidade murada, a Igreja Paroquial do Salvador Divino, El Castillo e o Mirador de la Cobijada. Cobijado é o traje típico da mulher vejeriega. É quase como uma burca, no qual fica apenas um olho de fora. A origem dessa vestimenta é castelhana, muito parecida com a roupa das mulheres dos séculos XVI e XVII. Deem uma olhada em algumas das fotos da cidade, mas já vou adiantando que o tempo fechado não ajudou nas imagens.

No final da noite voltamos à Sevilha e no outro dia retornamos à Portugal.

E essa foi minha escapada espanhola, com direito a surpresas, lembranças, novos conhecimentos, risadas, situações inusitadas, momento de ansiedade e desespero, histórias para contar, regada a zumo de naranja (não posso ir para a Espanha sem tomá-lo), bocadillo de jamón ibérico e arroz con leche.

É sempre bom voltar à Espanha, ainda mais para conhecer novos lugares. Caso queiram acompanham toda a viagem pelo Youtube, fiz um vlog que explica o roteiro e mostra minhas dicas de meios de hospedagem e alimentação, inclusive em Portugal.

Assim finalizo o texto e me acompanhem na próxima aventura.

Foi num baile em Asunción, capital do Paraguai

Não, essa não é a letra da música do Chitãozinho e Xororó. É mais um post contando minhas aventuras pelo mundo. De volta à saga “Conheça a América”, meu último destino foi Assunção. Acho que Assunção é uma cidade pouco explorada pelos brasileiros e muitas vezes estereotipada, mas é um lugar que planejo conhecer desde que era estudante de Turismo. Oficialmente batizada como Nuestra Señora Santa María de la Asunción, foi fundada em 1537 e é a capital e maior cidade do Paraguai com pouco mais de 700 mil habitantes. É conhecida como a “Mãe das Cidades”, pois durante o período colonial, Assunção foi ponto de partida de várias expedições que fundaram outras importantes cidades sul-americanas como Buenos Aires, Corrientes, Santa Fé e Santa Cruz de la Sierra. Assunção tem um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) maior que o de Curitiba e é a capital mais segura da América do Sul.

Viajei para Assunção com a companhia aérea paraguaia Amaszonas, que desde dezembro de 2017 oferece voos diretos partindo de Curitiba. A aeronave disponível é pequena (apenas 50 assentos), serviço enxuto, mas muito tranquilo. O Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi é pequeno, datado, mas suficiente para a demanda local. Minha única crítica é: O serviço na sala de embarque é muito fraquinho; eles poderiam disponibilizar mais opções de compras (duty free) e de alimentação. O melhor é que o Aeroporto está localizado próximo ao centro da cidade.

Passei apenas um final de semana em Assunção mas vou descrever todos os atrativos que visitei, dar algumas dicas e contar minha experiência durante a estada na capital paraguaia. A minha primeira dica é: Caso vocês estejam planejando visitar Assunção para fazer umas comprinhas, sinto informa-los que a cidade não possui a mesma oferta de produtos que outros destinos paraguaios como Ciudad del Este, Salto del Guairá e Pedro Juan Caballero. Essas sim são as capitais comerciais do país. Os produtos em Assunção são bem mais caros que nas demais cidades e muitos deles são mais caros que no Brasil. A segunda dica é: A moeda local é o Guarani e diferente de outras cidades paraguaias onde o comércio aceita facilmente o dólar e o real, na capital alguns lugares recebem apenas a moeda local. Quando aceitam dólar, a cotação praticada não é tão favorável, portanto, assim que chegarem ao país, troquem o dinheiro por Guaranies. A cotação do Guarani é de US$1.00 ₲ 5.700 (valores de agosto de 2018). Admito que é uma loucura lidar com valores tão altos, mas fiquem tranquilos, nada que uma calculadora a mão não resolva.

Se é para conhecer Assunção, precisa ser com estilo, portanto, durante meu final de semana fiz questão de ver e experimentar o que a cidade tem de melhor. Com relação ao meio de hospedagem, fiquei no Factoria Hotel, um hotel boutique localizado na parte mais moderna da cidade, a uma quadra da Avenida España. O empreendimento, mesmo com apenas 3 anos de funcionamento, tem carinha de fábrica antiga, com decoração vintage e cheio de objetos pincelados em antiquários. É um local mais intimista, inusitado, mas muito legal! As suítes são enormes e cheias de personalidade. Bom atendimento! Segue abaixo uma foto da fachada do edifício, do restaurante Ofelia, onde é servido o café da manhã, e dos ambientes da minha suíte giga.

Devo alertá-los de que a oferta hoteleira de Assunção é muito boa. É possível encontrar as principais redes mundiais e hotéis independentes de qualidade com tarifas competitivas, então não acho que seja um tópico que deva preocupar nenhum visitante.

City Tour – O centro histórico, também conhecido como microcentro ou casco histórico é relativamente pequeno, portanto havia planejado conhece-lo a pé. Fiz todo um roteiro, estudei cada uma das edificações, mas Assunção me recebeu com dias chuvosos e frios. Portanto, para conhecer essa parte da cidade optei pelo tour da Asuncion City Tour (US$ 27). É uma empresa que disponibiliza vans com guias que passam pelos principais pontos de interesse turístico. Durante o percurso de pouco mais de 3 horas visitamos o Barrio Carmelitas, onde conhecemos o palácio em estilo francês do General Andrés Rodríguez, antigo presidente do país, Banco Central del Paraguay, Bahía de Asunción, hoje conhecida como Costanera, Palácio de Gobierno, Barrio San Jerónimo, um dos mais antigos e peculiares da cidade, microcentro onde visitamos o Panteón de los Héroes, Casa de la Independencia, Catedral Metropolitana de Asunción, Manzana de la Rivera e retornamos ao ponto inicial do passeio pela Avenida Mariscal López, uma via muito arborizada onde há lindas casas históricas que, em grande parte, servem como repartições governamentais ou embaixadas. Admito que Assunção não é tão charmosa como Buenos Aires ou Santiago, mas é muito arborizada, florida e tem uma carinha de cidade latino-americana, no bom sentido da expressão. Achei o passeio muito legal e o recomendo. Caso tenham interesse, o tour sai todos os dias às 09h30 em frente ao Shopping del Sol.

E caso tenham interesse em fazer o tour a pé, acho que é um passeio viável, pois os principais edifícios históricos estão muito próximos uns dos outros e assim vocês têm a oportunidade de sentir melhor a cidade. Segue abaixo fotos do Palácio de Gobierno, da escadaria do Loma San Jerónimo, de uma das praças centrais e da fachada da Casa de la Independencia.

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Compras – Apesar de ter comentado que Assunção não tem a mesma gama de produtos que outras cidades paraguaias, ela possui vários centros comerciais que oferecem um pouco de tudo, muito similar aos shoppings brasileiros. Visitei o Paseo La Galeria, o mais exclusivo da cidade. Apesar de ser um espaço agradável e ter lojas hypadas como a Saxs e a Monalisa, o ponto alto é o espaço gastronômico variado localizado na entrada do empreendimento; o Shopping del Sol, com o maior número de opções de compra e o Shopping Mariscal. Recomendo os dois primeiros; já o terceiro, achei desnecessário, pois é apenas mais do mesmo. Ahhh! Tenho que contar que a cidade de Assunção oferece muitas marcas brasileiras. Cozinhas Florense, Sierra Móveis, Carmen Sttefens, Havaianas, Arezzo, Capodarte, Melissa, Puket, Lupo, Dudalina são apenas algumas das muitas lojas brasileiras que vi durante o passeio. Fico sempre orgulhosa quando vejo marcas brasileiras pelo mundo. Ainda no quesito compras, outro lugar que conheci foi a Avenida San Martín. Por lá, encontram-se lojas dedicadas a produtos para casa. Elas possuem muitas opções, preços acessíveis e foi o momento que mais me senti como em Ciudad del Este. Fica a dica!

Gastronomia – O que mais me surpreendeu nesta viagem foi a oferta gastronômica da cidade. Se vocês visitarem Assunção achando que ficarão a base de sopa paraguaia e chipa, se surpreenderão. A cidade oferece vários restaurantes descolados, diferentes gastronomias e há muitos espaços que unem elementos tradicionais da culinária paraguaia com toques contemporâneos. Durante minha estadia em Assunção fiz questão de jantar no Tierra Colorada, considerado o melhor restaurante da cidade. Para ser sincera, a comida em si não me surpreendeu, até não me caiu bem, mas achei fantástico o conceito de unir elementos tradicionais à gastronomia internacional, portanto, caso tenham interesse em experimentar um lugar diferente, deem uma olhada nesta opção. Segue abaixo uma foto do salão do restaurante e do meu prato, um parpadelle caseiro com camarões.

Transporte – Para mim, o único ponto genuinamente negativo do destino foram os táxis. Além da frota completamente ultrapassada, tivemos o azar de pegar apenas veículos sujos, alguns taxistas rudes, outros completamente perdidos, sem noção ou exploradores. Portanto, meu conselho para os visitantes é: Se preparem….  E para o poder público: Por favor, pensem numa reestruturação neste tipo de transporte, pois não condiz com o que a cidade quer ser. Se é a única opção de transporte para os turistas (pois não há Uber disponível), que sejam confortáveis, padronizados e profissionais

E assim foi mais uma aventura. Minhas expectativas eram tão altas (afinal foram tantos anos esperando por essa viagem) que estava com medo de me decepcionar. No final, fiquei feliz de conhecer mais esse pedacinho da América do Sul. Uma pena não ter visto a cidade com o sol característico da região, mesmo assim, conhecer Assunção é quebrar estereótipos. Muitos brasileiros veem o Paraguai como um país desorganizado, pobre e essa não deveria ser a visão geral das pessoas. Vi durante minha estada em Assunção um país estruturado, com uma rica história e cultura ímpar, muito orgulhoso de sua origem e muito otimista com o presente e com o futuro. É claro que ainda é possível ver algumas falhas estruturais (durante a chuva do final de semana as ruas pareciam um rio, quer dizer, não havia escoamento de água e, se havia, não estava funcionando adequadamente. Além disso, a cidade oferece uma frota de ônibus coletivo muito antiga, sem contar os táxis que relatei em detalhes), mas ao mesmo tempo vi uma cidade moderna, antenada e que se desenvolve rapidamente.

Para fechar o post queria compartilhar a foto deste edifício público com portas de ouro (teve uma turista argentina engraçadinha na excursão que fez uma piada afirmando que se fosse no país dela, as portas já teriam sido roubadas e colocariam apenas algumas cortinas para cobrir a entrada – possivelmente um brasileiro faria uma piada similar) e com as bandeiras do Paraguai em todos os cantos. Isso ilustra um pouco do nacionalismo presente no país e no espírito atual dos paraguaios.

Assim como tenho feito nas minhas últimas viagens, fiz um vídeo simples mostrando um pouco da aventura. Dou destaque especial aos shoppings e à hospedagem. Caso tenham interesse é só clicar no link abaixo.

Até a próxima!

Realizando um sonho – Charleston e Savannah (Estados Unidos)

Hey y’all! Sejam bem-vindos a mais um post. E esse é um relato muito especial, pois é a realização de um sonho. Em vários momentos aqui no Blog contei que tenho um ranking de lugares que sonho conhecer. Claro que nestas últimas décadas tive a oportunidade de visitar muitos deles, mas ainda tenho alguns destinos guardados na minha cabeça e no meu coração. Uma das viagens dos sonhos, e vocês podem achar um tanto quanto esquisito, pois não é um destino tradicional entre os brasileiros (se bem que eu não sou uma viajante óbvia, se vocês ainda não perceberam), era conhecer o sudeste dos Estados Unidos, especificamente as cidades de Charleston no estado da Carolina do Sul e Savannah na Geórgia. Minha vontade de conhecer estes dois destinos estava relacionada ao meu fascínio por história, pois elas tiveram papel importante na Guerra da Independência e Guerra Civil Americana, e por estas cidades terem sido pano de fundo de vários filmes que eu amo. Admito que este era um sonho que no fundo, lá no fundo, achei que nunca se realizaria, mais aqui estou eu, contando minha experiência em um dos lugares mais encantadores e hospitaleiros que já visitei.

Só para constar, não há voos diretos saindo do Brasil para Charleston ou Savannah. Para chegar a estes destinos é necessário fazer conexão em algum outro ponto dos Estados Unidos. Eu aconselho procurar Miami (o hub mais ao sul do país) e de lá viajar ao destino final, pois é a maneira mais prática. Voei com a Avianca que agora está operando voos diretos de São Paulo para Miami e Nova York; vou dizer que o voo foi só ok. O aeroporto de Charleston, onde comecei meu tour americano, é pequeno, mas tão fofo! Moderno, suficiente para a demanda local e muito, mas muito arborizado. Achei que tivesse chegado ao Havaí (como se eu soubesse como são os aeroportos do Havaí!).

Vou descrever esta viagem destacando cada cidade. Contarei um pouquinho sobre o destino em si, salientando alguns atrativos e farei um compilado de outros (porque visitei muita coisa). Finalizarei com um parecer geral sobre o que eu achei do local e com dicas para quem tiver interesse. Já vou adiantando que esse post está gigante e terá muitas fotos. Os lugares são tão lindos que não consegui escolher qual era a melhor imagem para postar.

Depois desta longa explanação, vamos aos destinos…

Charleston

É uma cidade localizada no estado da Carolina do Sul. Foi fundada em 1670, possui pouco menos de 130.000 habitantes e foi importante historicamente, entre outras razões, por ter sido a cidade mais rica da colônia britânica na América. Seu nome foi dado em homenagem ao rei Carlos II da Inglaterra, “Charles Towne” (a cidade do Charles) e foi palco de duas importantes batalhas da história americana, a Guerra da Independência e a Guerra Civil, também conhecida como Guerra da Secessão. Por muito tempo a economia da cidade foi baseada em seu porto, que, durante um grande período, recebeu escravos africanos que chegavam ao território americano. Para terem uma ideia, 40% de todos os escravos trazidos aos Estados Unidos chegaram ao continente por Charleston. Mas a economia da região também foi baseada na agricultura, basicamente no plantio de algodão. Parte das propriedades se transformaram em fazendas históricas abertas à visitação. A cidade é linda, linda, linda! Fiquei apaixonada desde o momento que eu cheguei. Juro! Nenhuma foto ou vídeo que eu mostre vai capturar completamente a beleza do lugar. Muito tranquila, muito florida, muito ensolarada, tudo perfeito. Já estava olhando imóveis e pensando qual deles poderia ser meu (nenhum, óbvio! As casas custam a partir de US$ 1,2 milhão), mas enfim, estava em um estado de encanto.

Fiquei hospedada no Bluegreen Vacations King Street Resort e foi uma ótima escolha. Localizado na King Street, uma das principais ruas da cidade, esta área está um poucos afastada do comércio, mas próxima de restaurantes descolados (juro, nunca vi tantos restaurantes lindos em uma mesma área na minha vida!) e tem um conceito de flat. Meu apartamento tinha cozinha completa e sala com lareira; poderia ter levado a família toda. Recomendado!

Durante o passeio fiz os seguintes programas:

Free Walking Tour – Toda vez que visito uma cidade opto por fazer este tour. É um passeio andando pelos principais pontos da cidade. Em Charleston optei pela empresa Free Tours by Foot que são tours guiados sem preço fixo, portanto vocês pagam quanto acham que vale o passeio, no entanto é cobrado no ato da reserva o valor de US$ 3 correspondente a taxa municipal. Fiz o Historic Charleston, mas a empresa oferece outros passeios e o tour foi muito, muito bom! Durante pouco mais de 2 horas passamos pelos seguintes pontos: The French Quarter, Four Corners of Law, Rainbow Row, St. Phillip’s Episcopal Church, French Huguenot Church, Charleston City Market, Dock Street Theater (o primeiro teatro do sul dos Estados Unidos; as visitas ao interior do espaço podem ser feitas gratuitamente e sem agendamento prévio), Old Slave Mat Museum, Old Exchange Building e Waterfront Park. O tour sai alguns dias da semana (verificar o calendário na homepage da empresa) às 09h30 na esquina da Church Street com a Linguard Street, perto do Tommy Condon’s Restaurant. É necessário reservar com antecedência e o único problema é que os tours são oferecidos apenas em Inglês, mas recomendo demais! Segue abaixo fotos do Dock Street Theater, do Rainbow Row e a última foto é da casa mais antiga de Charleston.

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Old Slave Mart Museum – Funciona desde 1938 e é o primeiro museu afro-americano. Era o antigo mercado de escravos de Charleston e conta a história da escravidão negra no continente americano. Ele é pequeno, mas muito informativo. Uma das muitas coisas que me chocaram foi saber que um escravo, nos dias atuais, custaria entre US$ 30.000 a 40.000 (valores de 2017) e a grande maioria das pessoas tinha apenas um escravo, pois era “uma mercadoria” (sinto-me horrível escrevendo isso, mas era como os viam) valiosa e o valor dependia do gênero, idade e porte físico. De acordo com meu guia, os Estados Unidos recebeu, durante o período de escravidão negra, em torno de meio milhão de africanos. No início achei esse número muito pequeno, mas de acordo com dados do museu, os Estados Unidos recebeu menos de 4% de todos os negros trazidos à América. Em contrapartida, o Brasil recebeu quase 40% de todo esse montante. A vinda de negros ao país foi proibida em 1808, mas ainda perdurou o comércio de escravos negros (neste caso, escravos americanos) por várias décadas. Fiquei muito triste ao constatar que o Brasil foi último país das Américas a abolir a escravatura. Todavia, fiquei entusiasmada ao ver que entre os negros proeminentes nas Américas, o Museu conta a história e a genialidade de Aleijadinho. É um espaço pesado, muito informativo e com poucos artefatos, mas achei-o importante para que possamos aprender com nossos erros e deixemos de ver o ser humano de uma maneira tão mesquinha. O ingresso custa US$ 8, mas para quem faz o Free Walking Tour, a entrada sai por apenas US$ 4. Segue uma foto da fachada do Museu.

Boone Hall Plantation & Gardens – Como eu havia comentado no início do post, muitas das fazendas históricas de algodão hoje estão abertas ao público. Existem várias lindas fazendas para visitar como a Magnolia Plantation & Gardens, MCleod Plantation Historic Site, Drayton Hall, Charleston Tea Plantation, entre outras. No entanto, por indicação de uma taxista e por ter servido como locação e inspiração para o filme “E o Vento Levou”, um dos meus filmes preferidos da vida, escolhi conhecer a Boone Hall. Na verdade, a propriedade serviu de locação para várias séries e filmes como “O Diário de uma Paixão” e foi o local escolhido para celebrar o casamento de Blake Lively (atriz de Gossip Girl) com Ryan Reynolds (ator de Deadpool). Boone Hall fica a uns 20/30 minutos do centro de Charleston e não há transporte público para chegar até o local, portanto o negócio é chamar um Uber amigo ou um táxi. O valor da entrada é de US$ 24 e dá direito a fazer todos os passeios: conhecer a Slave Street, a antiga vila dos escravos que trabalhavam na fazenda, visitar o interior da casa principal e pegar uma carroça adaptada puxada por um trator para conhecer a propriedade, que hoje se dedica ao turismo e ao cultivo de frutas e produção de mel. É um passeio lindo, muito prazeroso. Minha recomendação é tirar umas 3 horas do dia para ter tempo de conhecer tudo. Olhem as fotos da propriedade.

House Museums – Um dos atrativos imperdíveis em Charleston é conhecer as antigas casas da aristocracia sulista e ver como moravam estas pessoas no século XIX. A cidade oferece vários museus com esta pegada. Visitei o Aiken-Rhett House (US$ 12), o Calhoun Mansion (US$ 17) e Nathaniel Russell House (US$ 12). Em termos de arquitetura e história, as três casas são incríveis, no entanto, a Aiken-Rhett infelizmente está bastante deteriorada; a sensação é que seu interior continua intacto, sem um restauro há 150 anos. A segunda é um desbunde de linda. A casa histórica mais impactante que já conheci, mas nenhum dos móveis e decoração são originais do local, além dos lustres Tiffany (que já são de tirar o fôlego). A terceira é legal, linda estrutura, mas os móveis também não são originais da casa. Portanto, se vocês puderem e tiverem interesse de conhecer as três, visitem-nas. No entanto, se escolherem apenas uma, minha indicação é a Calhoun Mansion. Segue abaixo uma foto da Aiken-Rhett House, da Calhoun Mansion e da Nathaniel Russell House.

Dicas – A melhor dica que eu posso dar para vocês é andem muito! Se percam pelas ruas. Conheçam cada um dos bairros, vejam os detalhes das casas, entrem nas lojas de decoração, tão lindas e de um bom gosto absurdo e nos antiquários (tive muitos peripaques. Os primeiros quando me apaixonava por alguma peça histórica e depois quando descobria como era cara). Também não deixem de visitar a College of Charleston (o edifício central pode ser visto na foto abaixo), uma das mais antigas universidades dos Estados Unidos. Linda! Os departamentos, alojados em edifícios históricos são de cair o queixo. Tão perfeita que parece um pedaço da Disney! E não deixem de experimentar um dos maravilhosos restaurantes do final da King Street. Segue algumas fotos para vocês captarem o espírito da cidade.

Para viajar de Charleston à Savannah, se vocês não alugaram um carro, podem optar pelo ônibus, pelo trem ou pela van. O ônibus e o trem são as opções mais baratas, mas as estações ficam distantes do centro histórico e os horários disponíveis são incômodos. Optei pela van. Comprei os ticket com a Ace Basin Express (US$ 52 o trecho com impostos) e gostei do serviço. Além deles nos pegarem e nos deixarem nos hotéis escolhidos, a van é nova, cômoda e ótimo atendimento. 

Savannah

Fundada em 1733, foi a primeira capital colonial da Geórgia. É conhecida como uma das primeiras cidades planejadas da América com 24 quadras (na qual ainda restam 22) e atrai visitantes por sua arquitetura, história e estrutura. A cidade possui quase 150.000 habitantes e hoje o centro de Savannah é um dos maiores distritos históricos nacionais dos Estados Unidos. A princípio não tive muita sorte em Savannah. Logo de cara peguei uma tempestade, achei o Píer (um dos principais atrativos da cidade) feio, sujo e esquisito e não fui feliz na escolha do meu hotel, mas passando o susto inicial, tenho que admitir que Savannah é outra cidade mágica. Tanto Savannah como Charleston tem a mesma pegada; cheia de casas históricas bem cuidadas, restaurantes e lojas descoladas, mas enquanto Charleston te conquista pelas flores, Savannah te atrai pelas praças e arborização.

Fiquei hospedada no B Historic Savannah, um dos meios de hospedada da rede americana B Hotels & Resorts. Por mais que o hotel fique no começo do centro histórico, próximo dos principais atrativos e as áreas sociais sejam muito bonitas, espaçosas e bem decoradas, é visivelmente um antigo meio de hospedagem reformado. Tive que solicitar a troca do meu apartamento três vezes até ficar satisfeita. Portanto, eu não o recomendaria, a não ser pelo preço. Segue abaixo uma foto da fachada e de um dos espaços sociais.

Free Walking Tour – Escolhi a Free Savannah Tours que oferece passeios pelo centro histórico todos os dias às 09h30 e às 10h30 com saída na Johnson Square. Durante 1 hora e meia o guia nos leva pelas ruas de Savannah, mostrando a cidade antiga e passando pelas praças com suas árvores centenárias. É contada a história da criação da Geórgia e, respectivamente de Savannah; dos tempos coloniais com o comércio de pinheiros, o porto e as fazendas de algodão; a rivalidade com Charleston, os tempos de guerra, prosperidade e os dias atuais como cenário de inúmeros filmes e destino turístico. O tour é interessante, mas acho que o guia perde muito tempo contando a história da cidade e pouco tempo mostrando os atrativos em si. Passamos por pouquíssimas praças, não visitamos o píer, enfim, foi legal, mas esperava mais. Por esta razão, recomendo o tour para que acabou de chegar à cidade. Depois, caso queiram conhecer todos os pontos da região histórica, peguem o Old City Trolley Tour, pois este ônibus (na verdade há várias empresas que fazem o mesmo passeio) percorre as principais ruas contando um pouquinho de cada local. Ahhh! O Free Walking Tour em Savannah também requer reserva antecipada; custa um mínimo de US$ 2,18 (taxa municipal) e é oferecido somente em Inglês. Segue uma foto do City Hall (Prefeitura) e de uma das lindas praças da cidade.

American Prohibition Museum – Localizado na City Market, trata sobre a lei seca nos Estados Unidos. É super temático e conta de maneira muito visual e divertida sobre esse capítulo da história americana. Adorei e recomendo! O ingresso custa a partir de US$15.

House Museums – E a “louca do museu” contra-ataca. Assim como Charleston, um dos atrativos imperdíveis em Savannah são as antigas casas da aristocracia sulista. Durante meu período visitei: o Harper Fowlkes House (US$ 12), o Owens-Thomas House (US$ 21,40) e o The Mercer Williams House (US$ 13,78). A primeira casa foi a que eu mais gostei, mas caso vocês precisem escolher apenas um local, escolham o Owens-Thomas House, pois o ingresso dá direito a visita em outros dois museus, o Telfair Academy (muito interessante, pois a antiga casa da família Telfair foi transformada em um museu, o mais antigo do sul do país) e o Jepson Center. O que eu menos gostei foi o Mercer Williams House, mas a propriedade tem uma história tão boa que eu recomendo que vocês pesquisem sobre ela. Na verdade, a história se transformou em um filme, “Meia-Noite no Jardim do Bem e do Mal”, dirigido por Clint Eastwood. Há também outras casas interessantes e muitas delas oferecem tours que contam as histórias dos fantasmas de Savannah, pois a cidade tem fama de ser mal-assombrada. Segue fotos das fachadas da Harper Fowlkes House, da Owes-Thomas House, da Telfair Academy e da the Mercer Williams House.

Dicas – Assim como em Charleston, a melhor dica que eu posso oferecer é andem muito! Se percam pelas ruas, conheçam cada uma das praças, vejam os detalhes das casas, entrem nas lojas de decoração e nos antiquários. Também não deixem de visitar o Forsyth Park, almoçar no Olde Pink House, uma das casa mais antigas da Geórgia, e experimentar um sorverte da Leopold´s, uma das sorveterias mais tradicionais dos Estados Unidos. Achei o Píer um lugar bem dispensável, mas se as perninhas estiverem boas, recomendo uma passada no Victorian District. Segue abaixo a fonte, a região da Forsyth Park e as casas do Victorian District. A última foto é do Olde Pink House.

Estou quase terminando, juro! E assim finalizo mais uma viagem. Voltei dessa jornada cheia de amor no coração. Além de ter visitado duas cidades encantadoras, conheci muita gente atenciosa, amorosa e gentil. Muitos brasileiros tem a impressão de que os americanos são pessoas prepotentes, rudes e esnobes e pela minha experiência (já estive 10 vezes nos Estados Unidos), posso dizer que eles são completamente o oposto disso. É claro que há pessoas ruins, mas eles não representam a população como um todo. E no Sul, eles ainda não mais abertos e acolhedores. Senti-me a mulher mais bonita e estilosa da região. O mais interessante é que essa gentileza contagia; todos os dias eu transmitia esse bom humor, essa amabilidade e educação às pessoas a minha volta ou quem eu encontrava pelo caminho. Enfim, mais um sonho realizado e volto com o coração recheado de boas recordações. Agora é hora de descansar um pouco, botar a vida em ordem e planejar a próxima aventura.

É claro que não podia deixar de filmar tudo para vocês. Caso tenham interesse em ver mais imagens destes dois destinos ou mais informações sobre a viagem, assistam meu vídeo no Youtube. Mesmo ainda muito tímida e achar que a câmera me deixa um pouco fanha e muitos anos mais velha, estou tomando gosto pela oportunidade de levar vocês comigo.

See you later!