Museus em Amsterdã

Quando grande parte das pessoas pensam em Amsterdã, imaginam construções típicas holandesas, os canais, as bicicletas e o charme característico da região. Mas além de tudo isso, Amsterdã é uma capital cultural; oferece museus e espaços com diferentes temáticas que atendem a todos os tipos de público.

Neste post, dedico-me a contar sobre os museus que visitei nesta temporada em Amsterdã. Conto, sob o meu ponto de vista, aqueles valem a pena serem visitados. É uma enciclopédia para quem quer descobrir o que Amsterdã pode oferecer. 

Acho pertinente destacar que aqui não mencionarei o Anne Frank House e o Van Gogh Museum, pois os visitei em minha primeira viagem à Amsterdã e já os descrevi por lá (caso tenham interesse em saber mais sobre eles, deem uma olhada neste link). De qualquer forma, adianto que os dois são museus imperdíveis, mas recomendo que o ingresso seja comprado com antecedência pela Internet para evitar as filas.

Museum Het Rembrandthuis

Rembrandt é, sem dúvida, um dos artistas mais prestigiados e reconhecidos da Holanda. O Museu Casa de Rembrandt é um edifício histórico do século XVII no qual o artista viveu e trabalhou entre os anos de 1639 e 1658. O local é pequeno, mas muito interessante para quem gosta de arte, história e arquitetura. Eu gostei, especialmente dos ambientes da antiga casa, mas também achei muito interessante de ler sobre como o seu círculo de amigos foi importante nos momentos de sucesso e fracasso. Gostei!  A visita custa € 14, mas quem tem o Museumkaart a entrada é gratuita.

Hermitage Amsterdam

Esse é um museu que eu estava muito ansiosa, pois é a filial do Museu Hermitage de São Petersburgo, na Rússia, um dos maiores e mais bonitos do mundo. Aberto oficialmente em 2009, a filial holandesa está localizado em um edifício do séc. XVII destinado à mulheres idosa (vale lembrar que naquele período, qualquer mulher acima de 50 anos era considerada idosa). O museu possui um acervo próprio que conta a Era de Ouro da Holanda, mostrando como funcionava a sociedade holandesa nos século XVII e XVIII, mas também possui peças aleatórias provenientes do museu russo, além de exposições temporárias. Admito que fiquei bem decepcionada, pois esperava muito mais. É interessante, mas um atrativo dispensável. Caso tenham interesse, o ingresso custa € 25, mas quem tem Museumkaart a entrada custa € 5.

Rijksmuseum

É o principal museu do país. Localizado na Praça dos Museus (Museumplein), é dedicado à artes e história possui uma coleção quem permeia entre os anos 1100 a 2000. Construído no final do século XIX (se bem o museu foi inicialmente aberto em 1800 na cidade de Haia e depois transferido para Amsterdã), o edifício é magnífico. É moderno e com todas as facilidades existentes como conexão de wifi e carregadores de celular, mas ao mesmo tempo acolhedor. É lá que você encontrará todos os grandes mestres como Rembrandt, Vermeer, Van Gogh, Frans Hals, entre outros. Lugar lindo, de muito bom gosto e visita indispensável para quem gosta de arte. Minha dica é: para comprar os ingressos é necessário enfrentar uma fila nada básica, portanto, compre os ingressos online; custa € 20, mas quem tem Museumkaart a entrada é gratuita.

Paleis Amsterdam (Palácio Real de Amsterdam)

Construído no século XVII para servir como a Prefeitura de Amsterdam, em 1808 o edifício passa a ser um palácio real quando serviu de residência de Luiz Napoleão Bonaparte, irmão de Napoleão, rei da Holanda por alguns anos. Ele fez grandes mudanças estruturais e na decoração da edificação que podem ser vistas até hoje. Desde 1939 é usado pela atual família real holandesa com funções políticas e casa de hóspedes para as visitas de Estado. Dentro do complexo é possível visitar 21 cômodos. Há um áudio guide gratuito que explica cada um dos espaços e a história do palácio. Eu sou a “louca do palácio”, portanto achei interessante, pois além de ser um lindo edifício, ele é realmente usado no dia a dia, não é apenas uma casa de bonecas para mostrar às pessoas. Caso tenham interesse, o ticket custa 10 euros, mas quem tem o Museumkaart a entrada é gratuita. No entanto, antes de planejarem o passeio, tenham certeza de que o Palácio está aberto a visitação, pois em muitas ocasiões ele está fechado para compromissos oficiais.

 

Museu de Amsterdã

O Museu está localizado no coração comercial de Amsterdã e foi instalado em uma edificação do século XVI que já serviu como mosteiro e orfanato. Está dedicado à história de Amsterdã, desde a construção das primeiras edificações até os dias atuais. É um museu interativo com vários vídeos e muitos painéis que apresentam diferentes informações. É um local muito moderno, mas para ser sincera não gostei como as informações e objetos são apresentados. É um pouco confuso e desconexo, portanto, não acho o melhor Museu para conhecer. Mesmo assim, caso tenham interesse em conhece-lo, o ticket custa 15 euros, mas quem tem o Museumkaart a entrada é gratuita. Segue abaixo uma foto da fachada do Museu.

 

Museum Willet-Holthuysen

Localizado na Herengracht, uma das vias mais importantes na expansão de Amsterdã durante a fase de ouro da cidade, está casa foi construída no século XVII e pertenceu há várias famílias de mercadores, artistas e banqueiros. A última delas foi Willet-Holthuysen que viveu na casa durante o século XIX e posteriormente a doou para exposição ao público. O museu mostra a vida da aristocracia holandesa nos século XVIII e XIX com móveis e objetos de decoração. É um espaço pequeno e não tem um acervo tão diversificado, mas é interessante para quem gosta dessa temática. Caso tenham interesse, o museu custa  € 12,50, mas quem tem o Museumkaart a entrada é gratuita. Deem uma olhada na fachada do Museu e em uma de suas salas.

 

Tassen Museum Hendrijke (Museum of Bags and Purses)

Também instalado na Herengracht, em um lindo edíficio que pertencia a um prefeito de Amsterdã no século XVII, este museu está dedicado a história da bolsa. Conta com um acervo de colecionadores particulares e traz objetos de vários períodos históricos, estilos e propósitos. É outro Museu pequeno e que, por mais que tenha um acervo interessante, esperava mais. Mas é interessante para curiosos, estudantes de design e moda. O café é um espaço muito gostoso e o salão de chá está localizado em duas salas maravilhosas. Caso tenham interesse, o museu custa  € 13, mas para quem tem o Museumkaart a entrada é gratuita.

 

Museum Van Loon

É uma residência privada construída no séc. XVII. Seu primeiro morador foi Ferdinand Bol, pupilo de Rembrandt. O interior da casa permaneceu intacto durante os últimos séculos e ainda evoca a Idade do Ouro. O nome do Museu se deve ao fato da casa ser propriedade da família Van Loon; Willem van Loon foi foi membro fundador da Companhia Holandesa das Índias Orientais e a casa foi adquirida séculos depois como um presente de casamento. Assim como o Museum Willet-Holthuysen, o espaço também mostra a vida da aristocracia holandesa nos séculos XVII, XVIII e XIX com móveis e objetos de decoração. É um espaço maior que o anterior e tem um acervo um pouco mais diversificado com estábulo, grande jardim e uma ampla área de serviço que faz o visitante imaginar que está em um capítulo da série Downton Abby. No entanto, o mais interessante é que a família ainda mora no endereço. Caso tenham interesse, o museu custa  € 10, mas para quem tem o Museumkaart a entrada é gratuita. Deem uma olhada na fachada do Museu, em uma de suas salas e nos jardins.

Tropenmuseum

É um museu jovem, mais interativo dedicado à cultura de outros continentes. É um espaço amplo que conta com vários objetos e artefatos. Destaco a exposição sobre a Indonésia, território que já foi colônia holandesa. O Museu custa € 16, mas também disponibiliza entrada gratuita para os portadores do MuseumKaart. Recomendo para os amantes de história e de culturas distantes.

The Dutch Costume Museum - Het klederdrachtmuseum

O Museu apresenta uma coleção de roupas típicas holandesas de diferentes regiões do país. É incrível perceber que uma nação tão pequena possui realidades e costumes tão distintos, e, neste caso, como estes costumes e tradições são traduzidos no vestuário. É um espaço pequeno, composto por apenas sete salas, mas as roupas apresentadas são realmente lindíssimas, cheias de cores, adornos e significados. Caso tenham interesse, o museu custa  € 10, mas para quem tem o Museumkaart a entrada é gratuita. Recomendo para quem gosta de arte, vestuário, história ou quer conhecer mais a fundo a história holandesa.

Stedelijk Museum

Localizado na Praça dos Museus, assim como o Rijksmuseum e o Museu Van Gogh, é o maior museu de arte moderna e contemporânea da Holanda. Possui 700 peças agrupadas de acordo com o movimento histórico e temas sociais. É possível ver obras de artistas modernistas como Picasso, Mondrian, Chagal; a pop art de Warhol e Roy Lichtenstein, além de peças de design e obras muito contemporâneas. Eu não sou a maior fã de arte moderna e muito menos de obras contemporâneas, portanto o Museu não me chamou tanto a atenção. A coleção modernista é de muito bom gosto, mas achei a ala vanguardista demais para mim, não deu. Não acho que vale a pena, a não ser que seja fascinado por arte contemporânea, pois o ingresso é muito caro (custa € 18,50 se você não tiver o MuseumKaart) e o Stedelijk Museum é relativamente pequeno, quando comparado a outros museus de arte de Amsterdam.

 

Assim termino meu postEspero que tenham gostado e acompanhem minhas próximas aventuras pelo mundo.

Tot ziens!

Cruzeiro pelo Caribe (Curaçao, Aruba, St. Kitts and Nevis e St. Thomas)

Há muitos anos atrás fiz um cruzeiro pelo litoral brasileiro. Na ocasião, embarquei em Santos e por uma semana visitei Búzios, Rio de Janeiro, Ilhéus e Salvador. O mercado de cruzeiros no Brasil estava em franca expansão e muitas companhias internacionais ofereciam trajetos a preços atrativos e com condições de pagamento favoráveis. Devo admitir que por mais que eu tenha aproveitado a viagem e aprendido muito, fiquei um pouco decepcionada com a experiência em si. Primeiramente porque a infraestrutura portuária brasileira era precária, situação sem melhorias significativas nos últimos anos; não o achei glamoroso como vemos nos filmes; a comida, por mais que fosse farta e diversificada, era insossa; e o navio, mesmo oferecendo atividades variadas para todas as faixas etárias, não havia atendido completamente minhas expectativas. Assim, por muitos anos evitei este tipo de passeio, pois temia me decepcionar novamente. No entanto, ainda na saga “Conheça a América” e planejando fazer algo diferente em 2019, dei uma nova chance aos cruzeiros. Desta vez estabeleci algumas pré-condições, até como forma de comparar com a minha experiência anterior: (I) gostaria que fosse um roteiro internacional; (II) em um navio da Royal Caribbean International, uma das maiores e mais conhecidas empresas de cruzeiros do mundo, e (III) que tivesse diferentes paradas durante o roteiro. Após procurar diversas opções, achei uma que atendia os requisitos, o Freedom of the Seas pelo sul do Caribe, saindo de San Juan, Porto Rico. Por um lado, o valor cruzeiro era muito bom, quando comparado àqueles com saída em Miami ou Fort Lauderdale, no sul da Flórida, Estados Unidos; no entanto, por outro, a economia que eu faria com o preço total do cruzeiro eu gastaria na passagem aérea para chegar à Porto Rico. Mesmo assim, embarcamos nesta aventura, literalmente.

Não há voos diretos do Brasil para Porto Rico. Para chegar à Ilha é necessário fazer conexão em algum outro destino. No ano passado viajamos para San Juan com a United Airlines e realizamos a conexão nos Estados Unidos, conforme contei neste post. Nesta viagem, optamos pela Copa Airlines com conexão no Panamá. Admito que a Copa não é a melhor empresa aérea da América Latina, mas a conexão no Panamá foi muito mais rápida e prática, portanto foi a melhor escolha, além de ser a mais econômica.


Abaixo contarei cada uma das nossas paradas e ao final descreverei um panorama geral sobre o navio e minha experiência como um todo.

Curaçao
Nossa primeira parada. É uma ilha localizada próxima à Venezuela; é um território independente, mas membro constituinte do Reino da Holanda. Sua capital é Willemstad, a moeda é o Florim e as línguas oficiais são o holandês e o papiamento (língua nativa que mescla vários outros idiomas e dialetos). Chegamos ao porto de Willemstad no começo da manhã e passamos o dia no destino. Durante nossa estada negociamos com um táxi um tour privado para a região oeste da Ilha, onde dizem ter as praias mais bonitas e de água mais quente. É distante de Willemstad, mas vale a pena. Visitamos Kenepa Grandi e Kenepa Chiki. Kenepa Grandi me encantou, deem uma olhada!

Voltando ao sul, visitamos Kokomo e terminamos o tour em Blue Bay, ambas próximas à Willemstad. Blue Bay, em minha opinião, é a praia com a melhor infraestrutura para o turista. Segue abaixo uma foto da praia de Kokomo e outra de Blue Bay.

Almoçamos em Punda, um dos bairros históricos de Curaçao no qual percebe-se a mistura da arquitetura holandesa com as cores do Caribe. Passamos a tarde explorando o comércio local.

Curaçao é um lugar realmente multicultural; cheio de lindas praias e tempo ensolarado. Ao meu ver, o único ponto negativo são as pessoas, pois a maioria dos comerciantes foi indiferente, beirando a má educação. Fiquei impressionada, pois não é um comportamento comum para uma Ilha na América Central, região conhecida pela hospitalidade e um destino que sobrevive em grande parte do turismo, mas em resumo foi ótimo!

Aruba
Nossa segunda parada foi em Aruba, outra ilha próxima à Venezuela e que, apesar de ser um território independente, também faz parte do Reino da Holanda. Descoberta e ocupada em 1499 por exploradores espanhóis, o território foi adquirido pelos Países Baixos em 1636. Sua capital é Oranjestad, a moeda local é o Florim e as línguas, assim como em Curaçao, são o holandês e o papiamento. No entanto, os moradores também falam Inglês e Espanhol. Na verdade, eles têm grande familiaridade com o espanhol. Chegamos ao porto de Oranjestad no começo da manhã e passamos o dia no destino. No Porto compramos um tour com uma excursão para conhecer grande parte da Ilha; o passeio custou US$ 20 por pessoa e em um período de quase três horas visitamos Casibari, formações rochosas compostas de diorito de quartzo, conforme foto abaixo.

Visitamos também a Capela Alto Vista, o Farol Califórnia e passamos pelas praias de Boca Catalina, Arashi e Palm Beach, esta última é a região mais comercial da Ilha. Terminamos o passeio com uma visita a Eagle Beach, a praia abaixo.

O passeio valeu super a pena, pois tivemos uma ideia da dimensão, características e principais atrativos da Ilha. No período da tarde, exploramos os shoppings e o comércio local. A cidade de Oranjestad tem um comércio mais interessante que Willemstad e mesmo que não passe uma sensação de autenticidade, é uma cidade muito bem cuidada. Gostei muito e gostaria de ter ficado mais dias.


Agora o roteiro começa a ficar engraçado, pois as próximas duas paradas foram em ilhas que eu nunca tinha ouvido falar e nem sabia que estavam no roteiro. Isso que é uma pessoa antenada!

St. Kitts and Nevis
Depois de um dia de navegação, nossa próxima parada foi em St. Kitts and Nevis. Também conhecida como São Cristóvão e Névis, foi colonizada pelos ingleses no século XVII; sua capital é Basseterre e apesar de ser um território soberano, faz parte da comunidade do Reino Unido. A moeda local é o Dólar do Caribe Oriental (achei um dos nomes mais estranhos que já escutei!) e a língua oficial é o Inglês. Assim como em Curaçao, ao chegar ao Porto negociamos um tour privado com um táxi que nos levou a Frigate Bay, uma das praias mais famosas da Ilha, propícia para esportes aquáticos como jet-ski, passeios de fragata, caiaque e banana boat. A Praia é muito fraquinha e o melhor foi a tostada que eu levei! Essa curitibana que não usa protetor solar é fogo…

No entanto, a Ilha me surpreendeu, pois ela tem uma fauna mais rica que as duas primeiras paradas e é muito bem cuidada. Após a visita à Praia conhecemos o centro da cidade. Basseterre parece uma típica cidade colonial britânica com casas de madeira coloridas. É um lugar muito simples, mas com um certo charme. No entanto, o comércio de rua é, em parte, informal e desorganizado. Segue uma foto da avenida central de Basseterre.

Visitamos, ainda, a Independence Square, a principal praça da cidade onde está localizada a Igreja da Imaculada Conceição. Na Praça fui mordiscada por um macaco de estimação e saí de lá traumatizada…. Segue abaixo uma foto da Praça.

St. Thomas

A última parada do navio faz parte das Ilhas Virgens do Mar do Caribe. Foi colônia dinamarquesa, mas hoje é território estadunidense. Sua capital é Charlotte Amalie, a moeda corrente é o Dólar americano e a língua oficial o Inglês. É outra ilha pequena como St. Kitts, mas com uma rica e abundante fauna. Chegamos ao Porto no começo da manhã e tomamos um táxi para conhecer Magens Bay, que, segundo a National Geographic, é uma das 10 praias mais bonitas do mundo. A Praia é realmente muito agradável e o mar é de um azul turquesa profundo. Como faz parte de um Parque, é cobrada uma taxa de US$ 5 para a visitação. Mas o local oferece mesas, bares, banheiros, quer dizer, é bem estruturada. Deem uma olhada.

Os táxis em St. Thomas são um capítulo à parte, pois se assemelham a uma lotação brasileira. Não é um transporte privado. É engraçado e confuso no começo, mas um pouco chato, pois só parte em direção ao destino final quando estiver lotado.

Voltamos ao centro da cidade e passamos pelo Fort Christian, uma edificação do século XVII.

A cidade de Charlotte Amalie também é conhecida pelo turismo de compras, principalmente pelas joalherias que não cobram imposto, mas passamos muito rápido por esta parte que lembra ligeiramente Bassaterre em St. Kitts. Após nossa ligeira passagem pelo centro da cidade, voltamos ao navio para aproveitar nossa última noite à bordo.

Assim terminou meu primeiro cruzeiro internacional e acho que devo fazer várias considerações. Ainda há um grande número de brasileiros que sonham em fazer um cruzeiro, mas que tem a falsa impressão de que é um passeio muito caro. Se vocês analisarem que o cruzeiro inclui a hospedagem, a alimentação, o uso das áreas sociais com piscinas, jacuzzi, academia, balada, cassino, todos os shows e etc., perceberão que o custo/benefício é muito bom, mais barato que vários destinos brasileiros, inclusive que os resorts.

 

Uma das grandes vantagens é que no cruzeiro vocês têm a possibilidade de conhecer vários destinos em uma mesma viagem. Sob este ponto de vista, vale a pena fazer uma cotação de roteiros e preços. Em nosso caso, foi mais caro a passagem aérea para San Juan, onde embarcamos no navio, que o cruzeiro em si. No entanto, ao final, a viagem foi mais barata que muitos outros destinos que incluem apenas a hospedagem. Há outras pessoas que tem medo de passar mal durante o cruzeiro. Devo admitir no meu primeiro cruzeiro tive uma indisposição na última noite devido ao forte balanço do mar. Na verdade, todos os membros da minha família passaram mal em algum dia do passeio. Já nesta segunda oportunidade, sentia o navio mexer o tempo todo, mas tirando a estranheza inicial, não senti nenhum tipo de desconforto. Caso vocês sejam mais sensíveis, recomendo que levem um remédio de enjôo e não se preocupem, pois o navio tem uma equipe médica completa e extremamente preparada para atender este tipo de situação. Algumas outras pessoas tem medo de estar em um navio, pois não sabem nadar. Vale destacar que os navios de grande porte são extremamente seguros e antes mesmo de sair do porto, todos os passageiros, TODOS MESMO, juntamente com os tripulantes, fazem um breve treinamento de segurança, portanto, não é um ponto que devam se preocupar. Ao fim, o Freedom of the Seas me trouxe boas surpresas. O enxoval das cabines era extremamente confortável e dificultava a minha vida, pois não queria sair da cama por nada. Os espetáculos foram maravilhosos, tanto aqueles no estilo Broadway, que nem eu sabia que gostava tanto, quanto os shows musicais e a patinação no gelo. Me diverti horrores no karaokê, mesmo não sabendo nenhuma letra em Inglês. Bati meus próprios recordes na academia, mas o ponto alto do Navio, para mim, foi a comida. Como havia relatado no começo do post, minha primeira experiência gastronômica em um cruzeiro não foi das melhores. No entanto, no Freedom of the Seas experimentei pratos deliciosos, muito bem temperados e que atendiam a todos os paladares. Segue abaixo uma foto da estrutura do restaurante central.

Portanto, agora tenho mais uma nova história para recordar e já estou pronta para novas aventuras. Caso tenham interesse em acompanhar toda a aventura pelo Youtube, fiz um vídeo contando toda a jornada, inclusive mostrando a estrutura do navio e dica para os passageiros pão duros. Deem uma olhada!

Zie je later!

Os números de 2018

Sempre que possível faço um post trazendo uma retrospectiva do ano, um momento mais introspectivo no qual avalio as conquistas, os desafios e o que ainda há por vir. Apesar de vocês verem em todos os posts uma Vanessa pleníssima, feliz e realizada, acho importante contar que 2018 não foi um ano fácil (tenho a impressão que não foi para ninguém!). Para mim foi um ano solitário, de muitos desafios pessoais e principalmente profissionais; de incertezas e de angustias, de crises e questionamentos, e, por mais que as viagens me trouxessem um novo fôlego e uma nova perspectiva sobre a vida, o ano foi emperrado e pesado. Por outro lado, não posso deixar de destacar as conquistas de 2018. Este ano meu blog teve o maior número de visualizações de toda a sua história, 35% a mais que minha melhor marca. Eu comemoro cada pessoa que acessa aos meus posts, cada novo inscrito e cada comentário (mesmo aqueles indelicados que faço questão de deletar), pois sempre foi um hobby, visto e levado de uma forma orgânica e amadora, portanto fico muito feliz quando vocês sentem o amor que eu coloco em cada um dos meus relatos. O mais interessante é que mesmo que eu escreva todos os textos em Português, em 2018, 54% dos meus leitores estavam em países estrangeiros, provenientes de 69 diferentes nações. É surreal pensar que há pessoas de locais tão distantes como a Macedônia, o Uzbequistão ou a Finlândia prestigiando seu trabalho. E o post mais acessado e elogiado foi o da Polônia (segue o link caso tenham interesse em lê-lo), outro grande orgulho, pois é um dos posts mais bonitos que eu já escrevi, apesar de ser quase um livro.

Esse ano também criei um canal no Youtube, o Vanessa´s Diaries, (deem uma olhada neste link), mostrando um pouco das viagens, como um complemento ao blog. Ainda é muito pequeno, sou muito tímida para falar, uso apenas meu celular durante as filmagens, mas é outro veículo no qual dedico todo o meu amor e espero que cresça aos poucos.

2018 me presenteou com muitas viagens (e com um rombo danado na conta bancária, fiz e ainda faço um malabarismo financeiro danado!); tive a oportunidade de voltar ao Chile após 20 anos e de realizar duas viagens dos sonhos, uma para o sudeste americano, onde visitei Charleston e Savannah e outra para Assunção. Para fechar o texto, gostaria de contar que o final de 2018 me trouxe uma surpresa, um novo desafio. Começo em 2019 um novo capítulo da minha vida, pois estarei realizando meu pós-doutorado na Stenden University na cidade de Leeuwarden, no noroeste da Holanda. Admito que estou muito ansiosa, perdida, mas espero que seja um ano especial, cheio de felicidade e conhecimento e posso garantir para terão muitas viagens bacanas e estarei compartilhando todas essas experiências por aqui. Desta forma, gostaria de agradecer o carinho, a paciência, por acompanharem minhas andanças e por torcerem por mim. Espero que 2019 seja um ano da virada para todos nós.

Feliz Ano Novo!

Roadtrip pelo sul da Espanha

Hoje conto sobre mais uma viagem à minha amada Espanha. Na verdade, a viagem foi a Portugal, pois apresentei um trabalho científico no TMS Tourism Management Studies 2018 Algarve em Olhão, evento bienal organizado pela Escola Superior de Gestão, Hotelaria e Turismo (ESGHT) da Universidade do Algarve (UAlg) que reúne pesquisadores de turismo de todo o mundo. No entanto, como já escrevi no blog sobre essa região (caso queiram saber mais sobre esse passeio cliquem neste link) conto aqui apenas uma parte da viagem na qual tirei uns dias off para conhecer algumas cidades da Andaluzia, sul da Espanha.

Essa viagem foi diferente de todas as outras que já fiz, pois alugamos um carro em Lisboa e realizamos todo o trajeto por nossa conta. Excluindo minha louca aventura em Nova York quando fiz um batidão até Washington D.C. de carro em uma época onde GPS era coisa de filme de ficção científica (toda vez que lembro dessa viagem tenho sentimentos diversos; dá um aperto no coração de saudade, dou muitas risadas sozinha lembrando de algumas situações e um frio na espinha ao pensar na nossa coragem!), nunca havia alugado um carro fora do país e estava apreensiva, pois não sabia como seriam as estradas portuguesas e espanholas, mas foi MUITO tranquilo. Estradas ótimas, principalmente as portuguesas, muito bem sinalizadas e GPS é vida! Há várias locadoras disponíveis no mercado, portanto vejam qual lhes oferece o melhor custo/benefício. No nosso caso, optamos pela Sixt e o aluguel ficou em torno de € 100 ao dia (com todas as taxas incluídas), mas aviso que não adquirimos a opção mais barata; optamos por uma versão de veículo maior, pois tínhamos muitas malas, e com GPS. Portanto, há pacotes mais econômicos! Minha única observação é que, se andarem pelas estradas de Portugal, terão que adquirir o Via Verde, um dispositivo acoplado ao carro que dá direito a passar pelos pedágios como o Sem Parar no Brasil. O valor do pedágio é cobrado no seu cartão de crédito a posteriori. Cada pedágio custou em torno de € 1,85. Aviso que essa é a única opção viável já que os pedágios no sul de Portugal não têm cobrador, quer dizer, não é possível pagar na hora. Na Espanha, há a opção de pagar no guichê, mas os pedágios são salgados; custou € 7,30 o trecho de Sevilha a Cádiz.

Sevilha

Capital da Andaluzia, província ao sul da Espanha, é uma das maiores cidades do país com pouco mais de 700 mil habitantes. Está próxima da fronteira com Portugal e tem uma história fascinante; fundada no século XIII a.C. pelos turdetanos, foi ocupada pelos fenícios, fez parte do império romano, inclusive três imperadores (Trajano, Adriano e Teodósio) nasceram lá, na antiga cidade de Itálica; foi tomada pelos visigodos e pelos mouros e finalmente reconquistada pelo rei Fernando III de Castela na Idade Média. Toda essa rica história deixou vestígios que, juntamente com o clima quente e ensolarado a transformaram em um dos destinos mais visitados do país. É diferente do que eu imaginava; possui avenidas largas, é ampla, muito arborizada e passa a sensação de imponência. Gostei!

Em Sevilha fiquei hospedada no NH Collection Sevilla, um hotel a aproximadamente 2 quilômetros do centro. Escolhi este empreendimento, pois na dúvida sempre opto por uma rede hoteleira e o NH Sevilla oferecia estacionamento, mesmo que terceirizado. Dica importante: Se vocês estão de carro, precisam se preocupar com esta questão, principalmente em cidades europeias que geralmente não tem estrutura de estacionamento. Deem uma olhada na fachada do Hotel.

Ao chegar em Sevilha fizemos o Free Walking Tour. A cidade possui algumas empresas que oferecem o mesmo tipo de passeio, mas escolhi a White Umbrella Tours (vocês distinguem os guias pelos guarda-chuvas brancos), que também está presente em Paris, Praga, Budapeste, Munique, Amsterdã, Madri e Lisboa. Em Sevilha eles apresentam diferentes tipos de passeio, mas optei pelo mais básico que sai todos os dias às 10h30 e às 16h00 da Plaza Virgen de los Reyes, ao lado de La Giralda. Durante nosso tour passamos por La Giralda (torre construída no século XII d.C. durante a ocupação árabe na região. Hoje é o campanário da Catedral de Sevilha e é tombada como Patrimônio Mundial pela UNESCO), a Catedral (erguida a partir de construções romanas, foi uma antiga mesquita árabe durante a ocupação moura e posteriormente convertida em igreja católica. A edificação possui diferentes espaços, alguns deles góticos e outros com estilos que retratam os diversos períodos históricos vividos pela cidade), Reales Alcázares (complexo de palácios originalmente construídos sob um antigo assentamento romano), Archivo de Indias, Puerta del Perdón, Ayuntamiento de Sevilla (Prefeitura), Plaza Nueva, Puente de Triana, Torre del Oro, Puerta de Jérez, Rectorado (antigo edifício da reitoria da Universidad de Sevilla), Prado de San Sebastián, Parque María Luisa (principal área verde da cidade; foi palco da Exposição Ibero-americana de 1929 e hoje abriga o Museu Arqueológico e o Museu de Artes e Costumes Populares) e finalizamos o tour na Plaza de España (que também faz parte do Parque), um dos cartões postais de Sevilha. O passeio foi legal, nosso guia era solícito e foi possível ter um bom dimensionamento da cidade, mas não recomendo o tour das 16h, pois chegamos à Plaza de España muito tarde, já havia anoitecido (o outono na Europa não ajuda), deste modo, minha recomendação é optar pelo passeio da manhã, pois assim poderão aproveitar o Parque e tirar lindas fotos da Praça para deixar todo mundo morrendo de inveja no Instagram. Mesmo que o tour tenha sido muito legal, acho importante avisar que a caminhada é puxada e um pouco cansativa, então preparem as pernas. Abaixo há fotos de La Giralda, da Reales Alcazáres, das ruas de Sevilha, da Torre del Oro, da fachada do Rectorado e da Plaza de España.

Minha dica em Sevilha é: Se percam pelas ruas… O centro histórico possui ruas estreitas, sinuosas, mas cheias de cores, cheiros e muito singulares. É uma ótima forma de descobrir a cidade. Passe pela Judería, bairro onde habitavam os judeus e entrem na Iglesia de Santa María la Blanca, aquela igrejinha que você não dá nada, mas quando entra perde o fôlego. Vejam a foto de seu interior abaixo.

Outra dica é: Visitem Triana. É um bairro localizado do outro lado do rio (Guadalquivir). Tem uma história associada aos ciganos, mas hoje é um dos locais mais descolados da cidade com espetáculos de flamenco e restaurantes.

Dia de Roadtrip. Fizemos vários destinos em um único dia e vou destacar atrativos e impressões. Saímos pela manhã de Sevilha para Jerez de La Frontera (96 kms) e lá tivemos o desafio de abastecer o carro. Foi a primeira vez que abasteci o carro em um país estrangeiro; na verdade, foi a primeira vez que abasteci um carro sozinha e aí vai minhas dicas de iniciante. Sim, é você que o abastecerá, portanto tenha certeza qual tipo de combustível necessário e finja costume! Abasteça o veículo com a quantidade desejada e posteriormente pague o valor abastecido na loja de conveniência local. Enquanto estiver pagando, não deixe o carro ao lado da bomba atrapalhando os demais clientes que querem abastecer, estacione-o em um local apropriado, e não usem o celular durante o processo. O Diesel custou, em média, € 1,85 por litro e gastamos em toda a viagem cerca de € 110.

Jerez de la Frontera

Com uma história que remonta a Idade do Cobre, a cidade também foi invadida pelos cartagineses, conquistada pelos romanos e pelos muçulmanos e tornou-se parte do Reino de Castela na Idade Média após a conquista de Sevilha por Fernando III. Hoje, com pouco mais de 200 mil habitantes, é conhecida pelo xerez (vinho fortificado muito semelhante a um licor, típico da região), pelos espetáculos com os cavalos andaluzes e por ser um dos berços do flamenco. Durante nosso breve período em Jerez fizemos uma degustação de xerez em uma das várias vinícolas (bodegas) (€ 6,50), a Sandeman, e gostei da experiência. Eles também oferecem visitas guiadas no qual mostra o processo de produção do vinho, mas os horários eram limitados e não tínhamos tempo. Outra vinícola importante é a Tío Pepe-González Byass. Fica a dica! Também passamos pelo centro da cidade onde visitamos a Catedral e a Plaza del Arenal. É um destino bem agradável, gostei! Segue abaixo fotos da Sandeman, da nossa degustação de Xerex, da Catedral e da Plaza del Arenal.

Cádiz

Localizada há apenas 36 quilômetros de Jerez de la Frontera, Cádiz é considerada uma das cidades mais antigas da Europa Ocidental. Possui 120 mil habitantes. Descoberta pelos fenícios, foi habitada por gregos, cartagineses, romanos e muçulmanos. Era um destino que eu estava muito entusiasmada para visitar, pois havia lido várias reportagens que apontavam-na como uma das cidades mais bonitas da Espanha, mas admito que me decepcionei. Acho que tem a ver com a questão das expectativas muito altas, que sempre conto por aqui, achei-a apenas normal. Durante nosso período passamos pela antiga Plaza Mayor de Cádiz, pela Catedral, visitamos o edifício dos Correios com uma escadaria interna em um tom acobreado lindo, a Torre Tavira e a Puerta de Tierra, a antiga entrada da cidade que separa a parte histórica da moderna. Anexei fotos da fachada da Catedral e da Puerta de Tierra.

Vejer de la Frontera

Essa talvez tenha sido a maior surpresa da viagem. A 56 quilômetros de Cádiz, Vejer de la Frontera está localizada em uma colina e é considerada um dos “pueblos” mais bonitos da Espanha. Fui ao destino, pois parte da família da Paula, minha companheira de viagem, é de lá. E conduzidos pela sua prima, pudemos andar por todo o povoado que, por conta da sua localização, manteve características muito particulares como todas as casas pintadas de branco e moinhos de vento históricos. Outra característica da cidade é a de que ela se desenvolveu dentro e ao redor de uma muralha árabe. É muito charmosa, bem cuidada, florida e a Plaza de España é um capítulo à parte. É uma mistura de Marrocos com umas pitadas de Disneylândia (quis descrevê-la no sentido de lugar perfeito, mas muito autêntica). A melhor forma de conhecer o povoado é andando. Visitamos a cidade murada, a Igreja Paroquial do Salvador Divino, El Castillo e o Mirador de la Cobijada. Cobijado é o traje típico da mulher vejeriega. É quase como uma burca, no qual fica apenas um olho de fora. A origem dessa vestimenta é castelhana, muito parecida com a roupa das mulheres dos séculos XVI e XVII. Deem uma olhada em algumas das fotos da cidade, mas já vou adiantando que o tempo fechado não ajudou nas imagens.

No final da noite voltamos à Sevilha e no outro dia retornamos à Portugal.

E essa foi minha escapada espanhola, com direito a surpresas, lembranças, novos conhecimentos, risadas, situações inusitadas, momento de ansiedade e desespero, histórias para contar, regada a zumo de naranja (não posso ir para a Espanha sem tomá-lo), bocadillo de jamón ibérico e arroz con leche.

É sempre bom voltar à Espanha, ainda mais para conhecer novos lugares. Caso queiram acompanham toda a viagem pelo Youtube, fiz um vlog que explica o roteiro e mostra minhas dicas de meios de hospedagem e alimentação, inclusive em Portugal.

Assim finalizo o texto e me acompanhem na próxima aventura.

Foi num baile em Asunción, capital do Paraguai

Não, essa não é a letra da música do Chitãozinho e Xororó. É mais um post contando minhas aventuras pelo mundo. De volta à saga “Conheça a América”, meu último destino foi Assunção. Acho que Assunção é uma cidade pouco explorada pelos brasileiros e muitas vezes estereotipada, mas é um lugar que planejo conhecer desde que era estudante de Turismo. Oficialmente batizada como Nuestra Señora Santa María de la Asunción, foi fundada em 1537 e é a capital e maior cidade do Paraguai com pouco mais de 700 mil habitantes. É conhecida como a “Mãe das Cidades”, pois durante o período colonial, Assunção foi ponto de partida de várias expedições que fundaram outras importantes cidades sul-americanas como Buenos Aires, Corrientes, Santa Fé e Santa Cruz de la Sierra. Assunção tem um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) maior que o de Curitiba e é a capital mais segura da América do Sul.

Viajei para Assunção com a companhia aérea paraguaia Amaszonas, que desde dezembro de 2017 oferece voos diretos partindo de Curitiba. A aeronave disponível é pequena (apenas 50 assentos), serviço enxuto, mas muito tranquilo. O Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi é pequeno, datado, mas suficiente para a demanda local. Minha única crítica é: O serviço na sala de embarque é muito fraquinho; eles poderiam disponibilizar mais opções de compras (duty free) e de alimentação. O melhor é que o Aeroporto está localizado próximo ao centro da cidade.

Passei apenas um final de semana em Assunção mas vou descrever todos os atrativos que visitei, dar algumas dicas e contar minha experiência durante a estada na capital paraguaia. A minha primeira dica é: Caso vocês estejam planejando visitar Assunção para fazer umas comprinhas, sinto informa-los que a cidade não possui a mesma oferta de produtos que outros destinos paraguaios como Ciudad del Este, Salto del Guairá e Pedro Juan Caballero. Essas sim são as capitais comerciais do país. Os produtos em Assunção são bem mais caros que nas demais cidades e muitos deles são mais caros que no Brasil. A segunda dica é: A moeda local é o Guarani e diferente de outras cidades paraguaias onde o comércio aceita facilmente o dólar e o real, na capital alguns lugares recebem apenas a moeda local. Quando aceitam dólar, a cotação praticada não é tão favorável, portanto, assim que chegarem ao país, troquem o dinheiro por Guaranies. A cotação do Guarani é de US$1.00 ₲ 5.700 (valores de agosto de 2018). Admito que é uma loucura lidar com valores tão altos, mas fiquem tranquilos, nada que uma calculadora a mão não resolva.

Se é para conhecer Assunção, precisa ser com estilo, portanto, durante meu final de semana fiz questão de ver e experimentar o que a cidade tem de melhor. Com relação ao meio de hospedagem, fiquei no Factoria Hotel, um hotel boutique localizado na parte mais moderna da cidade, a uma quadra da Avenida España. O empreendimento, mesmo com apenas 3 anos de funcionamento, tem carinha de fábrica antiga, com decoração vintage e cheio de objetos pincelados em antiquários. É um local mais intimista, inusitado, mas muito legal! As suítes são enormes e cheias de personalidade. Bom atendimento! Segue abaixo uma foto da fachada do edifício, do restaurante Ofelia, onde é servido o café da manhã, e dos ambientes da minha suíte giga.

Devo alertá-los de que a oferta hoteleira de Assunção é muito boa. É possível encontrar as principais redes mundiais e hotéis independentes de qualidade com tarifas competitivas, então não acho que seja um tópico que deva preocupar nenhum visitante.

City Tour – O centro histórico, também conhecido como microcentro ou casco histórico é relativamente pequeno, portanto havia planejado conhece-lo a pé. Fiz todo um roteiro, estudei cada uma das edificações, mas Assunção me recebeu com dias chuvosos e frios. Portanto, para conhecer essa parte da cidade optei pelo tour da Asuncion City Tour (US$ 27). É uma empresa que disponibiliza vans com guias que passam pelos principais pontos de interesse turístico. Durante o percurso de pouco mais de 3 horas visitamos o Barrio Carmelitas, onde conhecemos o palácio em estilo francês do General Andrés Rodríguez, antigo presidente do país, Banco Central del Paraguay, Bahía de Asunción, hoje conhecida como Costanera, Palácio de Gobierno, Barrio San Jerónimo, um dos mais antigos e peculiares da cidade, microcentro onde visitamos o Panteón de los Héroes, Casa de la Independencia, Catedral Metropolitana de Asunción, Manzana de la Rivera e retornamos ao ponto inicial do passeio pela Avenida Mariscal López, uma via muito arborizada onde há lindas casas históricas que, em grande parte, servem como repartições governamentais ou embaixadas. Admito que Assunção não é tão charmosa como Buenos Aires ou Santiago, mas é muito arborizada, florida e tem uma carinha de cidade latino-americana, no bom sentido da expressão. Achei o passeio muito legal e o recomendo. Caso tenham interesse, o tour sai todos os dias às 09h30 em frente ao Shopping del Sol.

E caso tenham interesse em fazer o tour a pé, acho que é um passeio viável, pois os principais edifícios históricos estão muito próximos uns dos outros e assim vocês têm a oportunidade de sentir melhor a cidade. Segue abaixo fotos do Palácio de Gobierno, da escadaria do Loma San Jerónimo, de uma das praças centrais e da fachada da Casa de la Independencia.

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Compras – Apesar de ter comentado que Assunção não tem a mesma gama de produtos que outras cidades paraguaias, ela possui vários centros comerciais que oferecem um pouco de tudo, muito similar aos shoppings brasileiros. Visitei o Paseo La Galeria, o mais exclusivo da cidade. Apesar de ser um espaço agradável e ter lojas hypadas como a Saxs e a Monalisa, o ponto alto é o espaço gastronômico variado localizado na entrada do empreendimento; o Shopping del Sol, com o maior número de opções de compra e o Shopping Mariscal. Recomendo os dois primeiros; já o terceiro, achei desnecessário, pois é apenas mais do mesmo. Ahhh! Tenho que contar que a cidade de Assunção oferece muitas marcas brasileiras. Cozinhas Florense, Sierra Móveis, Carmen Sttefens, Havaianas, Arezzo, Capodarte, Melissa, Puket, Lupo, Dudalina são apenas algumas das muitas lojas brasileiras que vi durante o passeio. Fico sempre orgulhosa quando vejo marcas brasileiras pelo mundo. Ainda no quesito compras, outro lugar que conheci foi a Avenida San Martín. Por lá, encontram-se lojas dedicadas a produtos para casa. Elas possuem muitas opções, preços acessíveis e foi o momento que mais me senti como em Ciudad del Este. Fica a dica!

Gastronomia – O que mais me surpreendeu nesta viagem foi a oferta gastronômica da cidade. Se vocês visitarem Assunção achando que ficarão a base de sopa paraguaia e chipa, se surpreenderão. A cidade oferece vários restaurantes descolados, diferentes gastronomias e há muitos espaços que unem elementos tradicionais da culinária paraguaia com toques contemporâneos. Durante minha estadia em Assunção fiz questão de jantar no Tierra Colorada, considerado o melhor restaurante da cidade. Para ser sincera, a comida em si não me surpreendeu, até não me caiu bem, mas achei fantástico o conceito de unir elementos tradicionais à gastronomia internacional, portanto, caso tenham interesse em experimentar um lugar diferente, deem uma olhada nesta opção. Segue abaixo uma foto do salão do restaurante e do meu prato, um parpadelle caseiro com camarões.

Transporte – Para mim, o único ponto genuinamente negativo do destino foram os táxis. Além da frota completamente ultrapassada, tivemos o azar de pegar apenas veículos sujos, alguns taxistas rudes, outros completamente perdidos, sem noção ou exploradores. Portanto, meu conselho para os visitantes é: Se preparem….  E para o poder público: Por favor, pensem numa reestruturação neste tipo de transporte, pois não condiz com o que a cidade quer ser. Se é a única opção de transporte para os turistas (pois não há Uber disponível), que sejam confortáveis, padronizados e profissionais

E assim foi mais uma aventura. Minhas expectativas eram tão altas (afinal foram tantos anos esperando por essa viagem) que estava com medo de me decepcionar. No final, fiquei feliz de conhecer mais esse pedacinho da América do Sul. Uma pena não ter visto a cidade com o sol característico da região, mesmo assim, conhecer Assunção é quebrar estereótipos. Muitos brasileiros veem o Paraguai como um país desorganizado, pobre e essa não deveria ser a visão geral das pessoas. Vi durante minha estada em Assunção um país estruturado, com uma rica história e cultura ímpar, muito orgulhoso de sua origem e muito otimista com o presente e com o futuro. É claro que ainda é possível ver algumas falhas estruturais (durante a chuva do final de semana as ruas pareciam um rio, quer dizer, não havia escoamento de água e, se havia, não estava funcionando adequadamente. Além disso, a cidade oferece uma frota de ônibus coletivo muito antiga, sem contar os táxis que relatei em detalhes), mas ao mesmo tempo vi uma cidade moderna, antenada e que se desenvolve rapidamente.

Para fechar o post queria compartilhar a foto deste edifício público com portas de ouro (teve uma turista argentina engraçadinha na excursão que fez uma piada afirmando que se fosse no país dela, as portas já teriam sido roubadas e colocariam apenas algumas cortinas para cobrir a entrada – possivelmente um brasileiro faria uma piada similar) e com as bandeiras do Paraguai em todos os cantos. Isso ilustra um pouco do nacionalismo presente no país e no espírito atual dos paraguaios.

Assim como tenho feito nas minhas últimas viagens, fiz um vídeo simples mostrando um pouco da aventura. Dou destaque especial aos shoppings e à hospedagem. Caso tenham interesse é só clicar no link abaixo.

Até a próxima!

Realizando um sonho – Charleston e Savannah (Estados Unidos)

Hey y’all! Sejam bem-vindos a mais um post. E esse é um relato muito especial, pois é a realização de um sonho. Em vários momentos aqui no Blog contei que tenho um ranking de lugares que sonho conhecer. Claro que nestas últimas décadas tive a oportunidade de visitar muitos deles, mas ainda tenho alguns destinos guardados na minha cabeça e no meu coração. Uma das viagens dos sonhos, e vocês podem achar um tanto quanto esquisito, pois não é um destino tradicional entre os brasileiros (se bem que eu não sou uma viajante óbvia, se vocês ainda não perceberam), era conhecer o sudeste dos Estados Unidos, especificamente as cidades de Charleston no estado da Carolina do Sul e Savannah na Geórgia. Minha vontade de conhecer estes dois destinos estava relacionada ao meu fascínio por história, pois elas tiveram papel importante na Guerra da Independência e Guerra Civil Americana, e por estas cidades terem sido pano de fundo de vários filmes que eu amo. Admito que este era um sonho que no fundo, lá no fundo, achei que nunca se realizaria, mais aqui estou eu, contando minha experiência em um dos lugares mais encantadores e hospitaleiros que já visitei.

Só para constar, não há voos diretos saindo do Brasil para Charleston ou Savannah. Para chegar a estes destinos é necessário fazer conexão em algum outro ponto dos Estados Unidos. Eu aconselho procurar Miami (o hub mais ao sul do país) e de lá viajar ao destino final, pois é a maneira mais prática. Voei com a Avianca que agora está operando voos diretos de São Paulo para Miami e Nova York; vou dizer que o voo foi só ok. O aeroporto de Charleston, onde comecei meu tour americano, é pequeno, mas tão fofo! Moderno, suficiente para a demanda local e muito, mas muito arborizado. Achei que tivesse chegado ao Havaí (como se eu soubesse como são os aeroportos do Havaí!).

Vou descrever esta viagem destacando cada cidade. Contarei um pouquinho sobre o destino em si, salientando alguns atrativos e farei um compilado de outros (porque visitei muita coisa). Finalizarei com um parecer geral sobre o que eu achei do local e com dicas para quem tiver interesse. Já vou adiantando que esse post está gigante e terá muitas fotos. Os lugares são tão lindos que não consegui escolher qual era a melhor imagem para postar.

Depois desta longa explanação, vamos aos destinos…

Charleston

É uma cidade localizada no estado da Carolina do Sul. Foi fundada em 1670, possui pouco menos de 130.000 habitantes e foi importante historicamente, entre outras razões, por ter sido a cidade mais rica da colônia britânica na América. Seu nome foi dado em homenagem ao rei Carlos II da Inglaterra, “Charles Towne” (a cidade do Charles) e foi palco de duas importantes batalhas da história americana, a Guerra da Independência e a Guerra Civil, também conhecida como Guerra da Secessão. Por muito tempo a economia da cidade foi baseada em seu porto, que, durante um grande período, recebeu escravos africanos que chegavam ao território americano. Para terem uma ideia, 40% de todos os escravos trazidos aos Estados Unidos chegaram ao continente por Charleston. Mas a economia da região também foi baseada na agricultura, basicamente no plantio de algodão. Parte das propriedades se transformaram em fazendas históricas abertas à visitação. A cidade é linda, linda, linda! Fiquei apaixonada desde o momento que eu cheguei. Juro! Nenhuma foto ou vídeo que eu mostre vai capturar completamente a beleza do lugar. Muito tranquila, muito florida, muito ensolarada, tudo perfeito. Já estava olhando imóveis e pensando qual deles poderia ser meu (nenhum, óbvio! As casas custam a partir de US$ 1,2 milhão), mas enfim, estava em um estado de encanto.

Fiquei hospedada no Bluegreen Vacations King Street Resort e foi uma ótima escolha. Localizado na King Street, uma das principais ruas da cidade, esta área está um poucos afastada do comércio, mas próxima de restaurantes descolados (juro, nunca vi tantos restaurantes lindos em uma mesma área na minha vida!) e tem um conceito de flat. Meu apartamento tinha cozinha completa e sala com lareira; poderia ter levado a família toda. Recomendado!

Durante o passeio fiz os seguintes programas:

Free Walking Tour – Toda vez que visito uma cidade opto por fazer este tour. É um passeio andando pelos principais pontos da cidade. Em Charleston optei pela empresa Free Tours by Foot que são tours guiados sem preço fixo, portanto vocês pagam quanto acham que vale o passeio, no entanto é cobrado no ato da reserva o valor de US$ 3 correspondente a taxa municipal. Fiz o Historic Charleston, mas a empresa oferece outros passeios e o tour foi muito, muito bom! Durante pouco mais de 2 horas passamos pelos seguintes pontos: The French Quarter, Four Corners of Law, Rainbow Row, St. Phillip’s Episcopal Church, French Huguenot Church, Charleston City Market, Dock Street Theater (o primeiro teatro do sul dos Estados Unidos; as visitas ao interior do espaço podem ser feitas gratuitamente e sem agendamento prévio), Old Slave Mat Museum, Old Exchange Building e Waterfront Park. O tour sai alguns dias da semana (verificar o calendário na homepage da empresa) às 09h30 na esquina da Church Street com a Linguard Street, perto do Tommy Condon’s Restaurant. É necessário reservar com antecedência e o único problema é que os tours são oferecidos apenas em Inglês, mas recomendo demais! Segue abaixo fotos do Dock Street Theater, do Rainbow Row e a última foto é da casa mais antiga de Charleston.

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Old Slave Mart Museum – Funciona desde 1938 e é o primeiro museu afro-americano. Era o antigo mercado de escravos de Charleston e conta a história da escravidão negra no continente americano. Ele é pequeno, mas muito informativo. Uma das muitas coisas que me chocaram foi saber que um escravo, nos dias atuais, custaria entre US$ 30.000 a 40.000 (valores de 2017) e a grande maioria das pessoas tinha apenas um escravo, pois era “uma mercadoria” (sinto-me horrível escrevendo isso, mas era como os viam) valiosa e o valor dependia do gênero, idade e porte físico. De acordo com meu guia, os Estados Unidos recebeu, durante o período de escravidão negra, em torno de meio milhão de africanos. No início achei esse número muito pequeno, mas de acordo com dados do museu, os Estados Unidos recebeu menos de 4% de todos os negros trazidos à América. Em contrapartida, o Brasil recebeu quase 40% de todo esse montante. A vinda de negros ao país foi proibida em 1808, mas ainda perdurou o comércio de escravos negros (neste caso, escravos americanos) por várias décadas. Fiquei muito triste ao constatar que o Brasil foi último país das Américas a abolir a escravatura. Todavia, fiquei entusiasmada ao ver que entre os negros proeminentes nas Américas, o Museu conta a história e a genialidade de Aleijadinho. É um espaço pesado, muito informativo e com poucos artefatos, mas achei-o importante para que possamos aprender com nossos erros e deixemos de ver o ser humano de uma maneira tão mesquinha. O ingresso custa US$ 8, mas para quem faz o Free Walking Tour, a entrada sai por apenas US$ 4. Segue uma foto da fachada do Museu.

Boone Hall Plantation & Gardens – Como eu havia comentado no início do post, muitas das fazendas históricas de algodão hoje estão abertas ao público. Existem várias lindas fazendas para visitar como a Magnolia Plantation & Gardens, MCleod Plantation Historic Site, Drayton Hall, Charleston Tea Plantation, entre outras. No entanto, por indicação de uma taxista e por ter servido como locação e inspiração para o filme “E o Vento Levou”, um dos meus filmes preferidos da vida, escolhi conhecer a Boone Hall. Na verdade, a propriedade serviu de locação para várias séries e filmes como “O Diário de uma Paixão” e foi o local escolhido para celebrar o casamento de Blake Lively (atriz de Gossip Girl) com Ryan Reynolds (ator de Deadpool). Boone Hall fica a uns 20/30 minutos do centro de Charleston e não há transporte público para chegar até o local, portanto o negócio é chamar um Uber amigo ou um táxi. O valor da entrada é de US$ 24 e dá direito a fazer todos os passeios: conhecer a Slave Street, a antiga vila dos escravos que trabalhavam na fazenda, visitar o interior da casa principal e pegar uma carroça adaptada puxada por um trator para conhecer a propriedade, que hoje se dedica ao turismo e ao cultivo de frutas e produção de mel. É um passeio lindo, muito prazeroso. Minha recomendação é tirar umas 3 horas do dia para ter tempo de conhecer tudo. Olhem as fotos da propriedade.

House Museums – Um dos atrativos imperdíveis em Charleston é conhecer as antigas casas da aristocracia sulista e ver como moravam estas pessoas no século XIX. A cidade oferece vários museus com esta pegada. Visitei o Aiken-Rhett House (US$ 12), o Calhoun Mansion (US$ 17) e Nathaniel Russell House (US$ 12). Em termos de arquitetura e história, as três casas são incríveis, no entanto, a Aiken-Rhett infelizmente está bastante deteriorada; a sensação é que seu interior continua intacto, sem um restauro há 150 anos. A segunda é um desbunde de linda. A casa histórica mais impactante que já conheci, mas nenhum dos móveis e decoração são originais do local, além dos lustres Tiffany (que já são de tirar o fôlego). A terceira é legal, linda estrutura, mas os móveis também não são originais da casa. Portanto, se vocês puderem e tiverem interesse de conhecer as três, visitem-nas. No entanto, se escolherem apenas uma, minha indicação é a Calhoun Mansion. Segue abaixo uma foto da Aiken-Rhett House, da Calhoun Mansion e da Nathaniel Russell House.

Dicas – A melhor dica que eu posso dar para vocês é andem muito! Se percam pelas ruas. Conheçam cada um dos bairros, vejam os detalhes das casas, entrem nas lojas de decoração, tão lindas e de um bom gosto absurdo e nos antiquários (tive muitos peripaques. Os primeiros quando me apaixonava por alguma peça histórica e depois quando descobria como era cara). Também não deixem de visitar a College of Charleston (o edifício central pode ser visto na foto abaixo), uma das mais antigas universidades dos Estados Unidos. Linda! Os departamentos, alojados em edifícios históricos são de cair o queixo. Tão perfeita que parece um pedaço da Disney! E não deixem de experimentar um dos maravilhosos restaurantes do final da King Street. Segue algumas fotos para vocês captarem o espírito da cidade.

Para viajar de Charleston à Savannah, se vocês não alugaram um carro, podem optar pelo ônibus, pelo trem ou pela van. O ônibus e o trem são as opções mais baratas, mas as estações ficam distantes do centro histórico e os horários disponíveis são incômodos. Optei pela van. Comprei os ticket com a Ace Basin Express (US$ 52 o trecho com impostos) e gostei do serviço. Além deles nos pegarem e nos deixarem nos hotéis escolhidos, a van é nova, cômoda e ótimo atendimento. 

Savannah

Fundada em 1733, foi a primeira capital colonial da Geórgia. É conhecida como uma das primeiras cidades planejadas da América com 24 quadras (na qual ainda restam 22) e atrai visitantes por sua arquitetura, história e estrutura. A cidade possui quase 150.000 habitantes e hoje o centro de Savannah é um dos maiores distritos históricos nacionais dos Estados Unidos. A princípio não tive muita sorte em Savannah. Logo de cara peguei uma tempestade, achei o Píer (um dos principais atrativos da cidade) feio, sujo e esquisito e não fui feliz na escolha do meu hotel, mas passando o susto inicial, tenho que admitir que Savannah é outra cidade mágica. Tanto Savannah como Charleston tem a mesma pegada; cheia de casas históricas bem cuidadas, restaurantes e lojas descoladas, mas enquanto Charleston te conquista pelas flores, Savannah te atrai pelas praças e arborização.

Fiquei hospedada no B Historic Savannah, um dos meios de hospedada da rede americana B Hotels & Resorts. Por mais que o hotel fique no começo do centro histórico, próximo dos principais atrativos e as áreas sociais sejam muito bonitas, espaçosas e bem decoradas, é visivelmente um antigo meio de hospedagem reformado. Tive que solicitar a troca do meu apartamento três vezes até ficar satisfeita. Portanto, eu não o recomendaria, a não ser pelo preço. Segue abaixo uma foto da fachada e de um dos espaços sociais.

Free Walking Tour – Escolhi a Free Savannah Tours que oferece passeios pelo centro histórico todos os dias às 09h30 e às 10h30 com saída na Johnson Square. Durante 1 hora e meia o guia nos leva pelas ruas de Savannah, mostrando a cidade antiga e passando pelas praças com suas árvores centenárias. É contada a história da criação da Geórgia e, respectivamente de Savannah; dos tempos coloniais com o comércio de pinheiros, o porto e as fazendas de algodão; a rivalidade com Charleston, os tempos de guerra, prosperidade e os dias atuais como cenário de inúmeros filmes e destino turístico. O tour é interessante, mas acho que o guia perde muito tempo contando a história da cidade e pouco tempo mostrando os atrativos em si. Passamos por pouquíssimas praças, não visitamos o píer, enfim, foi legal, mas esperava mais. Por esta razão, recomendo o tour para que acabou de chegar à cidade. Depois, caso queiram conhecer todos os pontos da região histórica, peguem o Old City Trolley Tour, pois este ônibus (na verdade há várias empresas que fazem o mesmo passeio) percorre as principais ruas contando um pouquinho de cada local. Ahhh! O Free Walking Tour em Savannah também requer reserva antecipada; custa um mínimo de US$ 2,18 (taxa municipal) e é oferecido somente em Inglês. Segue uma foto do City Hall (Prefeitura) e de uma das lindas praças da cidade.

American Prohibition Museum – Localizado na City Market, trata sobre a lei seca nos Estados Unidos. É super temático e conta de maneira muito visual e divertida sobre esse capítulo da história americana. Adorei e recomendo! O ingresso custa a partir de US$15.

House Museums – E a “louca do museu” contra-ataca. Assim como Charleston, um dos atrativos imperdíveis em Savannah são as antigas casas da aristocracia sulista. Durante meu período visitei: o Harper Fowlkes House (US$ 12), o Owens-Thomas House (US$ 21,40) e o The Mercer Williams House (US$ 13,78). A primeira casa foi a que eu mais gostei, mas caso vocês precisem escolher apenas um local, escolham o Owens-Thomas House, pois o ingresso dá direito a visita em outros dois museus, o Telfair Academy (muito interessante, pois a antiga casa da família Telfair foi transformada em um museu, o mais antigo do sul do país) e o Jepson Center. O que eu menos gostei foi o Mercer Williams House, mas a propriedade tem uma história tão boa que eu recomendo que vocês pesquisem sobre ela. Na verdade, a história se transformou em um filme, “Meia-Noite no Jardim do Bem e do Mal”, dirigido por Clint Eastwood. Há também outras casas interessantes e muitas delas oferecem tours que contam as histórias dos fantasmas de Savannah, pois a cidade tem fama de ser mal-assombrada. Segue fotos das fachadas da Harper Fowlkes House, da Owes-Thomas House, da Telfair Academy e da the Mercer Williams House.

Dicas – Assim como em Charleston, a melhor dica que eu posso oferecer é andem muito! Se percam pelas ruas, conheçam cada uma das praças, vejam os detalhes das casas, entrem nas lojas de decoração e nos antiquários. Também não deixem de visitar o Forsyth Park, almoçar no Olde Pink House, uma das casa mais antigas da Geórgia, e experimentar um sorverte da Leopold´s, uma das sorveterias mais tradicionais dos Estados Unidos. Achei o Píer um lugar bem dispensável, mas se as perninhas estiverem boas, recomendo uma passada no Victorian District. Segue abaixo a fonte, a região da Forsyth Park e as casas do Victorian District. A última foto é do Olde Pink House.

Estou quase terminando, juro! E assim finalizo mais uma viagem. Voltei dessa jornada cheia de amor no coração. Além de ter visitado duas cidades encantadoras, conheci muita gente atenciosa, amorosa e gentil. Muitos brasileiros tem a impressão de que os americanos são pessoas prepotentes, rudes e esnobes e pela minha experiência (já estive 10 vezes nos Estados Unidos), posso dizer que eles são completamente o oposto disso. É claro que há pessoas ruins, mas eles não representam a população como um todo. E no Sul, eles ainda não mais abertos e acolhedores. Senti-me a mulher mais bonita e estilosa da região. O mais interessante é que essa gentileza contagia; todos os dias eu transmitia esse bom humor, essa amabilidade e educação às pessoas a minha volta ou quem eu encontrava pelo caminho. Enfim, mais um sonho realizado e volto com o coração recheado de boas recordações. Agora é hora de descansar um pouco, botar a vida em ordem e planejar a próxima aventura.

É claro que não podia deixar de filmar tudo para vocês. Caso tenham interesse em ver mais imagens destes dois destinos ou mais informações sobre a viagem, assistam meu vídeo no Youtube. Mesmo ainda muito tímida e achar que a câmera me deixa um pouco fanha e muitos anos mais velha, estou tomando gosto pela oportunidade de levar vocês comigo.

See you later!

Ciao Italia (Napoli e Capri)

Ciao a tutti! No post de hoje conto sobre minha última viagem ao sul da Itália, especificamente Nápoles e Capri. Já visitei a Itália em 2009 quando fiz um circuito passando por várias cidades italianas, inclusive os dois destinos citados neste relato, mas não tive a oportunidade de conhece-las com tempo, portanto achei que valia a pena voltar para explorá-las com mais carinho. Fui à Nápoles para participar do Environmental Impact 2018 – 4th International Conference on Environmental and Economic Impact on Sustainable Development, evento internacional interdisciplinar que trata sobre impactos ambientais, uma das minhas áreas de estudo. Durante o evento, apresentei um artigo científico sobre eco inovações no Rio Quente Resorts em Caldas Novas, região central do Brasil, um dos resorts mais sustentáveis do país. No entanto, aproveitei minha viagem para visitar os atrativos locais e conto aqui mais sobre esta aventura. Vou especificar alguns dos pontos que conheci e outros programas que realizei durante meu período por lá.

Acho que tenho que começar o post contando que, contrariando a grande maioria dos brasileiros, não sou a maior fã da Itália. Admito que a Itália é um dos destinos histórico-culturais mais incríveis que existe e é o berço da civilização ocidental, além de ser um país de clima quente e ensolarado. No entanto, acho que as massas italianas são sempre mais gostosas no Brasil, e, como profissional de turismo, fico incomodada com a estrutura turística ultrapassada do país, percepções que nesta viagem começaram a se desconstruir.

Não há voos diretos saindo do Brasil para Nápoles. Para chegar ao destino é necessário fazer conexão em Roma ou em algum outro destino europeu. No meu caso, eu voei com a Iberia (que melhorou sua frota de aeronaves e seu centro de entretenimento nos últimos anos) até Roma e peguei um trem à Nápoles.

Do aeroporto Fiumicino (Roma) até o centro é possível utilizar o ônibus ou o trem. O ônibus é, sem dúvida, a forma mais barata de chegar à Estação Termini (principal estação de trens do país), mas analisando os reviews do TripAdvisor, fiquei assustada como eles são mal avaliados. Portanto, optei pelo Leonardo Express, um trem extremamente confortável e sem escalas que faz o trajeto ao centro em 32 minutos. O trecho custou € 14 (uma facada no coração!), mas acho que vale a pena. Na verdade, os trens italianos foram a maior surpresa desta viagem e vou explicar com mais detalhes o porquê. Para viajar de Roma à Nápoles, também optei pelo trem. Comprei os passes na homepage da Trenitalia, a principal companhia pública de transporte ferroviário italiana. Utilizei o Frecciarossa, um dos vários trens de alta velocidade; paguei ‎€ 39.80 no trecho de ida e volta e em uma hora e 10 minutos já estava em Nápoles, portanto foi a forma mais rápida e prática para chegar ao destino.

Não posso fazer um post sem mencionar minhas escolhas hoteleiras, pois afinal sou professora de hotelaria e acho que encontrar um bom meio de hospedagem na Itália é como achar uma agulha em um palheiro. Infelizmente a hotelaria de classificação média italiana é, em grande parte, muito amadora e defasada, mas percebi que eles estão melhorando, e muito. Localização é um fator importante na escolha de um empreendimento hoteleiro para mim, portanto, em Roma fiquei hospedada próximo à Estação Termini, pois lá encontram-se trens, ônibus, metrô, e há até empresas de aluguel de automóvel e scooter. O hotel escolhido foi o Smooth Hotel Rome Reppublica. É novinho, prático, limpinho e o melhor de tudo, tem o café da manhã incluído na diária. O Smooth é uma rede hoteleira com quatro empreendimentos em Roma. Recomendado! Deem uma olhada na fachada do Hotel e no apartamento.

Caso estejam procurando uma área diferente para se hospedar em Roma, recomendo a região da Piazza Spagna, pois é um dos principais atrativos turísticos da cidade e há uma estação de metrô à disposição, o que facilita a locomoção para outros lugares.

Já em Nápoles fui contra minhas próprias convicções, mas por uma boa causa. Fiquei hospedada no Metro 900, um hotel boutique localizado na região de Merguellina. O empreendimento fica afastado do centro, mas estava relativamente próximo do local onde ocorreria o evento e fiquei apaixonada pelo conceito do empreendimento. Além de tudo isso, o Metro 900 possui uma tarifa competitiva pelo serviço oferecido. Ele está anexo à uma estação de trem, portanto é prático, apesar de localizar-se longe do burburinho turístico. Amei o hotel e o recomendo demais! Deem uma olhada na fachada do empreendimento e no meu apartamento.

Nápoles

Fiquei muito entretida com as atividades do evento, mas entre uma folga e outra consegui fazer os seguintes programas:

Free Walking Tour – A empresa oferece três diferentes tours: Neapolis, o mais básico; Partenope e Old Town. Ele é oferecido em Inglês e Espanhol todos os dias às 10h30 e às 17h00 com saída no portão do Castel Nuovo. Por uma questão de tempo eu fiz apenas o tour Neapolis e durante o percurso de pouco mais de duas horas visitamos o Teatro Di San Carlo, Piazza Plebiscito e Palazzo Reale, Via Toledo, Quartiere Spagnoli, Pignasecca Market, Piazza del Gesù e Piazza San Domenico. O passeio foi muito legal, pois o guia conta sobre a rica história da cidade, desde o período grego, romano, espanhol, como território independente, até questões mais recentes como parte da Itália. Ahh! Vocês sabiam a pizza Marguerita foi inventada em Nápoles e a cidade era um dos destinos obrigatórios durante o Grand Tour, viagens organizadas pela aristocracia europeia nos séculos XVII e XVIII (meus alunos de Turismo vão entender bem sobre isso). O tour mostra também os bairros mais tradicionais do destino onde as ruelas estreitas escondem o dia a dia dos napolitanos. O Raffaele, nosso guia, é formalmente registrado como guia turístico e o Free Walking Tour funciona da seguinte forma; ele oferece o melhor tour possível e vocês decidem quanto vale o passeio. Recomendo! Se não puderem fazer com esta empresa, busquem uma outra que ofereça tours com caminhadas pela cidade, pois assim vocês realmente veem as diferentes nuances e contradições do destino. Segue abaixo uma foto da fachada do Castel Nuovo e do Quartiere Spagnoli.

Palazzo Reale – Quem me acompanha já sabe que eu sou “a louca do palácio”. Vejo um palácio e já vou agendando minha visita. Em Nápoles não podia ser diferente. Situado na Piazza del Plebiscito, a maior e mais importante praça de Nápoles, é um edifício construído em 1600 e serviu como residência para o vice-rei espanhol, vice-rei austríaco e quando Nápoles se tornou um território independente, foi o palácio dos reis da Casa de Bourbon. Com a unificação da Itália, em 1861, foi a residência napolitana dos membros da casa de Savoia. Toda a rica história do Palácio pode ser vista por meio de visitas que custam ‎€ 6.00. Lindo, lindo! É relativamente pequeno, mas vale a pena! Deem uma olhada na fachada do Palácio e em duas salas, incluindo a Sala do Trono.

Teatro di San Carlo – Localizado ao lado do Palazzo Reale, é um dos mais famosos e prestigiados teatros do mundo e segundo nossa guia, é o teatro europeu mais antigo ainda em funcionamento. Foi fundado em 1737 e pode acomodar até 1386 espectadores. O Teatro oferece visitas guiadas a cada hora em Italiano e às 11h30 e às 15h30 o tour é oferecido em Inglês. O valor do passeio é de € 8.00. O espaço é  lindo e o recomendo para quem gosta desse tipo de atrativo. Também o recomendo para os amantes de história, arte e arquitetura. Eu fiz o tour em Italiano e foi bem tranquilo entender as informações. Segue abaixo algumas fotos do interior do Teatro.

Capri

Se tem um lugar no qual sou apaixonada é Capri. É uma ilha a 40 minutos de barco de Nápoles e é conhecida como um dos cartões postais do sul da Itália por suas charmosas vias e pelo seu mar em tom de azul turquesa. Eu tenho uma história muito engraçada sobre essa Ilha. Quando estive pela primeira vez na Itália e contei para minha mãe sobre o itinerário que faria no país, ela comentou que eu iria adorar Capri. Achei que ela estava enganada, pois locais longe da civilização não são muito a minha praia. E também não sou a maior fã de passeios marítimos, mas fui cheia de expectativas. Recordo-me que quando cheguei ao porto de Capri, olhei ao redor e pensei: – Sério?! É só isso?! Achei que minha mãe tinha me enganado ou simplesmente nossos gostos não haviam batido…. Enfim… Nosso grupo tomou um barco e fizemos um passeio pelo mar e quando saí do porto, percebi como aquele pedacinho da Itália era especial. Nunca tinha visto um mar de um azul tão profundo e as formações rochosas em tom acinzentado claro que circundam a Ilha são inexplicavelmente lindas. Durante o passeio de barco são feitas visitas em algumas grutas e fiquei o tempo todo meio boba com a beleza cênica do lugar. Este é o testemunho de uma urbanóide que não é ligada ao mar e não é apaixonada por passeios de barco. Mas voltei da atividade em um estado de encanto. Mas encanto de verdade eu senti quando peguei o Funiculare e fui ao ponto mais alto da Ilha. Pronto, estava completamente apaixonada! Capri é linda demais! É pequena, é rústica, mas tão charmosa, tão autêntica… Cheia de lojas de grife e mercado de produtos típicos, tudo com um bom gosto absurdo e muito harmonioso. As vielas são estreitas, mas lindas e cheias de flores. Juro, um dos lugares mais bonitos que eu já visitei na minha vida! Deem uma olhada…

Na minha primeira visita a Capri eu não tive muito tempo para conhecer a cidade, pois meu grupo quis passar o dia na praia, portanto dessa vez fiz questão de aproveitar o tempo todo no centrinho. Andei por todas as ruas, visitei cada cantinho, enfim, vivi a Ilha. Caso tenham interesse em visitar Capri saindo de Nápoles, comprem os bilhetes de ferryboat no porto de passageiros localizado atrás do Castel Nuovo no Mollo Beverello. Há várias empresas que fazem esse trajeto, mas eu optei pela SNAV pelo horário disponível. O ticket de ida e volta custa em torno de € 43.80 (caro, uma dor no coração em época de Euro nas alturas), mas o preço é similar em todas as empresas e vale super a pena!

Se eu puder dar algumas dicas gastronômicas, acho que Capri é um lugar onde vocês podem investir. Os restaurantes mais hypados da Ilha são o Da Paolino, conhecido pelos limoeiros que cobrem todo o teto e o Aurora. O Da Paolino fica onde “judas perdeu as bocas”, no caminho de Marina Grande. Fiz questão de ir ao restaurante, mas descobri que eles só estão abertos no período da noite (fica a dica!). Voltei com o rabinho entre as pernas. Já o Aurora fica bem no centro da cidade e é o preferido de celebridades como Mariah Carrey, Beyoncé e Reese Whiterspoon. O lugar é pequeno, mas muito bonito e está localizado em uma rua super charmosa. Se preparem que é caro! Os pratos custam em torno de € 25 a € 45, mas vale o investimento. Pedi um risoto al limone com camarão e estava pronta para escrever que não tinha gostado tanto do prato, mas não deu, estava maravilhoso…. Naquele nível que você está cheia e continua comendo. Por essa razão, o recomendo. Deem uma olhada no meu prato!

Também não deixem de provar o suco de Limão Siciliano (caro, mas tudo é caro nessa Ilha e é muito bom) e o sorvete da BuonoCore onde a casquinha é feita na hora. O cheiro de casquinha invade todo o centrinho e a sorveteria está sempre com filas; mesmo assim, vale a pena. Devo admitir que a casquinha de waffle do Ben & Jerry´s é mais gostosa, mas a massa com sabor pistache é boa demais.

E assim termina mais uma viagem. Como comentei no começo do post, a Itália não é meu destino favorito na Europa, mas admito que Nápoles tem seu charme. Além de ter uma história rica e fascinante, encontrei os italianos mais simpáticos do país e foi o primeiro lugar do mundo que eu visitei onde os moradores tinham certeza de que eu era uma local. Todos conversavam comigo em italiano (mesmo sendo descendente direta de portugueses) e quando eu comentava que não era italiana, eles achavam que eu era argentina (foi a primeira vez que escutei isso na vida).

E Capri, ahhh Capri… Sempre linda e especial!

Assim como na visita ao Chile, tentei mostrar toda a viagem em um vlog. Ainda estou aprendendo, mas ficou legal e dei muitas dicas. Deem uma olhada e me digam o que acharam.

Espero que continuem me acompanhando e se preparem, pois terão muitos outros posts diferentes nos próximos meses.

Arrivederci!

Voltando ao Chile (Santiago, Viña del Mar, Valparaíso e Valle Nevado)

Era uma vez uma menina simples, persistente, feliz com as escolhas e conquistas que tinha alcançado na vida (mesmo que ainda tivessem sido poucas), que já conhecia grande parte do Brasil, mas com pouquíssima experiência internacional (excluindo algumas incursões em cidades fronteiriças). Era fã de viagens aéreas e aeroportos, tinha poucas expectativas e sonhos para o futuro, mas era curiosa, aficionada por história e cultura e possuía uma vontade enorme de aprender. Em 1998, no feriado da Páscoa, ela decidiu realizar sua segunda viagem internacional; desta vez, visitaria o Chile. No entanto, por mais que tivesse aproveitado o destino e aprendido um pouco mais sobre a cultura latino-americana, ela achava que o país não tinha a conquistado completamente. Vinte anos se passaram e essa menina se tornou uma mulher; muito mais segura, mais decidida, mais corajosa e exigente e com uma grande experiência e bagagem cultural. Neste espaço de tempo, ela teve o privilégio de visitar mais de 30 novos países por diferentes continentes e incontáveis cidades. Mesmo assim, ela decidiu voltar ao Chile para ver o destino sob um novo ponto de vista, ela queria saber se teria as mesmas impressões e sensações que teve na sua primeira visita. Começo esse post dividindo essa história muito pessoal, pois foi esse o motivo que me fez voltar ao Chile neste último feriado. E são essas novas experiências e visão que trago para vocês hoje.

O Chile é uma república localizada na América do Sul, um dos poucos países sul-americanos a não ter fronteira com o Brasil. É um território estreito (tem apenas 175 quilômetros de leste a oeste) e muito comprido. É considerado um país ilhado (nunca tinha visto o Chile por este ângulo), pois tem o Deserto do Atacama ao norte, a cordilheira do Pacífico a oeste, a cordilheira do Andes a leste e as geleiras da Patagônia ao sul. A moeda nacional é o peso chileno (R$ 1,00 175.00 CLP) e sua economia está baseada na exportação de minérios, em grande parte o cobre e o lítio; frutas, vinhos e pescados. Contudo, aos poucos o Turismo tem se inserido como um setor representativo na economia local. É um dos mais estáveis e prósperos países da América do Sul, com alto índice de desenvolvimento humano, qualidade de vida, estabilidade política e liberdade econômica.

Viajei para o Chile com a Gol. Embarquei em São Paulo e cheguei à Santiago em 4 horas (na verdade foram 5 horas e 20 minutos, pois houve um atraso gigantesco durante o percurso). Ainda falando sobre voo, foi a minha primeira viagem internacional com a companhia aérea Gol. Por um lado, fiquei contente ao constatar que as aeronaves utilizadas neste trecho são novas, mas o serviço de bordo precisa ser repensado. Durante o voo de ida, o atendimento foi muito frio e as opções de jantar eram apenas lasanha de berinjela e carne de porco. Sério?! Minha dica é, Gol, por favor, seja mais democrática na oferta gastronômica de seus voos internacionais, mesmo que sejam de curta duração. O Aeroporto de Santiago está defasado, mas estão construindo um novo aeroporto em frente ao antigo terminal, portanto acredito que em pouco tempo a nova estrutura estará preparada para o crescente turismo receptivo do país.

Algumas dicas para viajantes de primeira viagem: Comparado a outros países latino-americanos como o Peru e a Colômbia, o Chile é um país caro. Transporte, passeios, comida, tudo é caro, mais caro que o Brasil. Portanto, não fiquem tão empolgados achando que vão comprar tudo que vem pela frente, pois o rombo no cartão de crédito poderá ser alto. Segunda dica: Caso queiram comprar pesos chilenos, recomendo que viajem com reais e troquem a moeda brasileira nas casas de câmbio do centro de Santiago onde as cotações são mais vantajosas. O comércio em geral não aceita reais ou dólares americanos e, quando aceita, as cotações não são das melhores, então prestem atenção.

Fui à Santiago decidida a me hospedar em um hotel bacana e admito que a cidade oferece boas opções para os viajantes. Pensando na tríade localização/ custo/ benefício, escolhi o Hotel Cumbres Lastarria. O empreendimento é bem moderno, com uma pitada de design, os quartos são confortáveis, espaçosos e a localização é ótima, próximo de restaurantes, dos principais pontos turísticos da cidade e do bairro Bellavista, uma região boêmia de Santiago. O único ponto negativo é a falta de manutenção em alguns quartos. Havia um vazamento no teto da minha ducha (vocês poderão ver com mais detalhes no vídeo que anexei abaixo) e mesmo alertando a recepção sobre o problema, não me colocaram em outro apartamento e nem recebi um pedido de desculpas pelo inconveniente. De qualquer forma, recomendo o empreendimento, pois no geral o hotel é muito bom. 

Mas vamos ao que interessa, à viagem em si.

1º Dia – Santiago do Chile

Fizemos um tour com os tradicionais ônibus turísticos. Eles percorrem os principais pontos de Santiago; são treze paradas e é uma ótima oportunidade para ter um dimensionamento da cidade. O ônibus que tomamos é administrado pela Turistik (acho que é uma das maiores empresas turísticas da cidade) e funciona muito bem. Passamos por vários bairros como Santiago Central, Providencia, Las Condes, Bellavista, entre outros, e pelos principais atrativos como a Plaza de Armas (onde fica a Catedral), a Plaza de la Constitución (ponto que abriga o Palácio de la Moneda), o Cerro de Santa Lucía e o Cerro San Cristóbal. Segue abaixo uma foto da Catedral de Santiago.

Minha paixão por Santiago foi sacramentada neste passeio. Como a cidade é linda! Não me lembrava desse detalhe (que de detalhe não tem nada!). É moderna, mas com pitadas de história, é organizada, aconchegante, oferece uma infraestrutura incrível e tem uma beleza cênica sem igual (está situada entre duas cordilheiras, a cordilheiro do Pacífico e a cordilheira dos Andes, então vocês veem montanhas por todos os lados). Enfim, na minha opinião é a cidade mais bonita da América do Sul. Para quem tem interesse neste ônibus é possível tomá-lo nos principais pontos turísticos ou shoppings da cidade. Há dois tipos de tickets; o mais simples custa 23.000 CLP e dá direito a paradas em todos os pontos do tour. Há também o ticket premium que custa 30.000 CLP; além do trajeto de ônibus, este tipo de bilhete inclui o passeio de funicular no Cerro San Cristóbal e ticket do teleférico. Eu adquiri o tour mais barato e o recomendo, pois mesmo que vocês tenham interesse em andar de teleférico e de funicular, o valor dos dois passeios comprados individualmente fica abaixo dos 7.000 CLP cobrados a mais pelo ticket premium. Passeio bacana e vale super a pena! Segue abaixo algumas fotos da cidade. A terceira foto é uma panorâmica de Santiago a partir do Cerro San Cristóbal. Dá para ver a cordilheira ao fundo.

À noite, jantamos na Calle Constitución em Bellavista, onde há diversos restaurantes turísticos.

2º Dia – Viña de Mar e Valparaíso

Compramos um tour de um dia com a TurisTour (36.000 CLP) para conhecer estes dois destinos. Na minha primeira visita ao Chile, eu fiquei encantada com o cuidado de Viña de Mar e tinha achado Valparaíso bem ok. Queria ver se minha impressão sobre os locais mudaria nesta visita, vinte anos depois.

Para quem não sabe, Viña del Mar está a pouco mais de 100 quilômetros de Santiago e é uma cidade litorânea conhecida por sua praia, pelo festival de música e pelo cassino. Já Valparaíso está localizada ao lado de Viña del Mar e possui o principal porto do país. O Porto tem uma história interessante, pois durante muito tempo foi o mais importante porto do Pacífico, já que todos os navios da costa leste dos Estados Unidos que viajavam para a costa Oeste, precisavam dar a volta pelo sul da América do Sul e o Porto era parada obrigatória neste trajeto. A cidade, que teve uma grande imigração europeia nos séculos XVIII, XIX e começo do século XX, se desenvolveu por conta desta vantagem competitiva geográfica. No entanto, com a abertura do Canal do Panamá, em 1914, Valparaíso perdeu sua posição estratégica o que gerou declínio populacional e recessão econômica, mas a cidade conseguiu se reerguer. Hoje é conhecida como um destino estudantil, devido ao considerável número de universidades, é a sede do poder legislativo do Chile, bem como de outras repartições estatais. Seu setor histórico é tombado como Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO desde 2003.

Passamos a manhã em Viña del Mar e devo admitir a cidade não me pareceu tão charmosa como estava em minha memória. Achei-a só ok e o mar estava muito bravo, sinceramente eu não teria coragem de entrar na água. Segue algumas fotos de Viña del Mar. A segunda foto é do Cassino.

No período da tarde fomos à Valparaíso. Visitamos a pé as casas coloridas cobertas de alumínio tombadas como Patrimônio Histórico; andamos por um dos 10 funiculares em funcionamento na cidade e terminamos o tour no Porto. Como da primeira vez, a cidade também não me impressionou. Admito que há alguns edifícios lindos, as antigas casas tombadas hoje se transformaram em um comércio hipster cheio de hotéis boutique, hostels, cafeterias e restaurantes, e os grafites estão colorindo muito pontos da cidade; mesmo assim, Valparaíso continua só ok no meu coração. Segue abaixo algumas fotos das casas históricas e da região do porto.

De qualquer forma, gostei de ter voltado às duas cidades e também recomendo este passeio para quem quer conhecer um pouco mais sobre o país. 

À noite, voltamos à Calle Constitución para jantar em um dos vários restaurantes da região.

3º Dia – Valle Nevado

Esse era, sem dúvida, o tour mais aguardado da viagem, pois seria minha primeira vez em Valle Nevado e achei que eu ia dar uma de Elza do filme Frozen. Estava pronta para escalar a neve e fazer skibunda. Comprei um tour de 5 horas com a Turistik (a mesma empresa que opera o ônibus turístico de Santiago – 32.000 CLP). O tour foi muito legal, pois subimos a Cordilheira dos Andes até chegar à 3.500 metros de altitude. A subida é linda, pois é toda cortada por montanhas (deem uma olhada na foto abaixo), mas é sofrida. Subir a cordilheira tão rápido nos deixa sem ar, dá enjoo, dor de cabeça, uma zonzeira, mas vale a pena. O mais legal do caminho foi ver umas vaquinhas “ninja” que “escalavam” a cordilheira procurando pasto. Como certeza elas estavam achando que eram lhamas ou vicuñas e nem ligavam para os ciclistas corajosos ou para os vários carros no caminho.

A minha tristeza foi que eu estava toda trabalhada no agasalho para “brincar na neve”, mas descobri que a neve só aparece a partir do mês de julho. A Estação de Ski estava aberta para trilhas e tinha até uma competição de bicicletas, mas apenas um restaurante estava em funcionamento e todos os resorts fechados. Tudo bem, Valle Nevado é lindo de qualquer jeito e pude ver, nem que seja de longe a neve no Cerro El Plomo. Segue abaixo uma foto do meu look “Barbie na Neve” com a montanha nevada ao fundo (bem lá no fundo). Também anexei uma foto de parte das cordilheiras onde vimos um show dos condores.

4º Dia – Santiago do Chile

Para fechar minha viagem ao Chile, não poderia deixar de fazer um Free Walking Tour. Na verdade, eu tinha planejado esse passeio no meu primeiro dia em Santiago, mas imprevistos acontecem. De qualquer forma, o tour, mesmo que no último dia, foi maravilhoso para entender um pouco mais da cidade. Optei pela Free Tour Santiago; eles oferecem tours todos os dias em Inglês e Espanhol às 10h e às 15h com saídas em frente à Catedral. É muito fácil identificar os guias, pois eles estão vestidos com uma camiseta vermelha. O conceito é muito simples, eles oferecem o melhor tour que eles podem e vocês decidem quanto vale o passeio. O tour dura 4 horas, mas é tranquilo, vocês podem sentar em alguns pontos e há 30 minutos de descanso durante o percurso. É explicado um pouco de tudo, desde a história colonial do país, muito semelhante à história de outros países latino-americanos, à história contemporânea. Eles comentam, inclusive, pontos polêmicos como a grande quantidade de cachorros de rua em Santiago e a possibilidade da legalização das drogas no país. Muito, mas muito legal, super recomendo! Segue abaixo algumas fotos tiradas durante o passeio. A última foto é do Palácio de la Moneda, o palácio presidencial.

E assim terminou mais uma viagem. Fiquei encantada com o Chile, principalmente com Santiago. É um país com uma infraestrutura impressionante, com pessoas nas ruas a qualquer hora do dia. De povo simpático, comida farta e deliciosa, o Chile me agraciou com um tempo perfeito; céu incrivelmente azul e muito sol. Depois desta experiência, fiquei tentada a voltar a outros lugares que não visito há muito tempo. Quem sabe com essa nova visão não passo a me apaixonar por destinos que em um primeiro momento não me chamaram tanto a atenção. E vocês, se animaram a visitar o Chile? Tenho certeza de que não se arrependerão.

Ahhh! Agora também virei Youtuber. Fiz um vídeo amador sobre esta viagem (meio tabajara). A resolução das imagens não está das melhores, as imagens ficaram tremidas, pois foram feitas pelo meu celular e consegui me filmar no pior ângulo possível, mas relevem, foi a primeira tentativa de um vídeo. Apresento um pouco do voo, toda a estrutura do hotel, inclusive mostro o rombo no teto do chuveiro, filmei também alguns dos passeios. E o melhor de tudo é que este vídeo foi amavelmente editado pelo meu sobrinho de apenas 8 anos. Se assistirem o vídeo, deem um 👍🏻 para me incentivar a fazer outros. Prometo que os próximos sairão mais profissionais.

¡Hasta luego!

Bailando Despacito en Puerto Rico (San Juan, Cataño e Cayo Icacos)

Ainda na saga “Conheça a América”, nestas férias visitei Puerto Rico. Puerto Rico, apesar de estar localizada na América Central, banhada pelo lindo Mar do Caribe, é um território estadunidense. A Ilha tem aproximadamente 4 milhões de habitantes e San Juan, sua capital, conta com metade dessa população. Suas línguas oficiais são o espanhol e o inglês, mas nas ruas só se escuta o espanhol. A moeda oficial é o dólar americano e a rica história local, o clima tropical, as paisagens naturais, a cozinha tradicional e os incentivos fiscais fazem dela um destino turístico.

Desta vez, não irei comentar sobre meu voo, pois tive problemas sérios com as passagens aéreas e com a empresa escolhida e quase desisti da viagem. Mas posso contar que não há voos diretos do Brasil a Puerto Rico, portanto é necessário fazer conexão em algum país da América do Sul, América Central ou América do Norte. O aeroporto de San Juan é pequeno, mas apropriado para a demanda existente e moderno. Fiquei hospedada em San Juan, mas neste post não irei contar sobre o Hotel, pois não o achei especial. No entanto, vale a pena destacar que San Juan é uma cidade muito espalhada, portanto tomem cuidado com o bairro que irão escolher. A melhor opção de hospedagem é ficar em Viejo San Juan, o centro histórico, mas o Condado (o bairro no qual fiquei hospedada) é uma escolha viável, pois é uma região mais próxima ao centro, moderna, cheia de restaurantes, bem ao estilo de South Beach em Miami. Na verdade, minha conclusão foi de que San Juan é uma mistura de Ciudad de Panamá com Miami.

Dedicarei o texto apenas aos principais atrativos, pois assim fica mais fácil entender o que visitamos.

Viejo San Juan (Old San Juan) – O maior atrativo de San Juan é, sem dúvida, a região histórica da cidade. San Juan é a segunda cidade mais antiga das Américas estabelecida pelos europeus e La Fortaleza, residência oficial do governador de Puerto Rico, é a mais antiga edificação oficial contínua das Américas. É uma área pequenininha (dá para conhece-la a pé), mas extremamente bem cuidada e preservada. As coloridas construções em estilo colonial espanhol se misturam com algumas edificações em art decó, que dão um charme a mais para a região. O centro histórico também comporta um porto que recebe transatlânticos gigantescos que lotam diariamente as ruas de turistas, grande parte deles, americanos.

Minha dica é: Coloquem um sapato bem confortável nos pés e explorem rua por rua. Não deixem de visitar a Avenida Juan Ponce de León onde está o Capitólio e outros lindos edifícios porto-riquenhos e o Paseo de la Princesa.

Também não deixem de conhecer o Castillo de San Cristóbal e o Castillo San Felipe del Morro. Cada um está em uma ponta da região histórica e são conectados por uma via chamada Malecón. A visita aos dois fortes custa US$ 7 + impostos. Deem uma olhada na fachada do Castillo de San Cristóbal e na vista parcial da cidade a partir deste Forte.

Se puder dar dicas de alguns espaços gastronômicos em Viejo San Juan, recomendaria: (1) Restaurante Raíces – Super temático, mas especializado em culinária porto-riquenha. Experimentei o Mofongo (um purê de bananas verdes acompanhado de algum tipo de carne) e aprovei! Deem uma olhada no interior do Restaurante e no meu prato, Mofongo con Pollo. A cara do prato é esquisita, mas juro que é bom!

(2) Restaurante Barrachina – Neste local foi criado em 1963, a Piña Colada, um cocktail elaborado a partir de rum, leite de coco e abacaxi (meu drink favorito). O restaurante é muito bom e a Piña Colada é a melhor que já tomei!

Se quiserem um café, recomendo a Casa Cortés Chocobar, um espaço aberto desde 1929 muito agradável que une uma chocolateria de luxo com um café. Acho que o mais importante é que procurem um estabelecimento que ofereça café porto-riquenho, pois mesmo sendo produzido em pequena escala, o café local é considerado de ótima qualidade. No Caldera Café (localizado na Plaza de Armas) o no Café Don Ruiz também é possível encontrá-lo.

Casa Bacardí – Localizado em Cataño, uma cidade próxima de San Juan, a Casa Bacardí é a destilaria da Bacardí, o rum mais premiado do mundo e que administra, ainda, outras 8 marcas de bebidas. A Bacardí foi fundada 1862 por Don Facundo Bacardí Massó, um espanhol que havia emigrado para Santiago de Cuba e que a partir de uma pequena destilaria começou a produção de um rum de altíssima qualidade. Aos poucos a marca foi ganhando reconhecimento e em um processo de expansão comercial, foram instaladas destilarias Bacardí no México e em Puerto Rico. Em 1958, em um período de pré-revolução cubana, a empresa foi transferida permanentemente para Cataño, Puerto Rico, e é hoje a maior destilaria de rum premium do mundo. A Casa oferece três tipos de tours: o Historical Tour (optamos por este tour. Custa US$ 15 + imposto), o Rum Tasting Tour e o Mixology Tour. O tour que escolhemos é simples, mas bem elaborado e é possível ter uma boa ideia de como o rum é produzido. O único problema é que os passeios são oferecidos apenas em Inglês. Caso tenham interesse, há várias empresas de receptivo que oferecem pacotes específicos para a Casa Bacardí, mas achei-os muito caros. Se estiverem com um grupo de pessoas, acho que a melhor opção é negociar com um táxi o trajeto ou ir ao Muelle 2 (porto localizado no centro histórico onde se pega a balsa para Cataño) e ao chegar à cidade tomarem um táxi até a destilaria. O ticket de balsa custa apenas US$ 0,50. Esta última opção toma mais tempo, mas é um pouco mais econômica e andar de balsa é bem agradável, vale a pena.

Cayo Icacos – Fui a Puerto Rico com a intenção de conhecer a Isla Culebra, pois em minhas pesquisas fiquei encantada com as paisagens da Ilha e muito intrigada ao saber que ela foi uma base da marinha americana e um local de prática de artilharia e bombardeio até 1975. No entanto, devido à maré alta não havia barcos para Culebra e o único passeio disponível era para uma outra Ilha chamada Icacos. Compramos um tour com a East Island Excursions (US$ 90 + impostos) no qual nos levariam para Fajardo onde tomaríamos um catamarán (barco) e passaríamos o dia em Icacos. A ilhinha é deserta, sem nenhuma infraestrutura, mas de areia fininha e o mar do caribe é de um azul espetacular. Você fica meio bobo com os vários tons azulados da água. Não resisti! Depois de décadas fugindo da água salgada, tive que entrar, mas estava um gelo! Também pudemos usar o snorkel para ver os peixinhos e durante o passeio visitamos ilhas particulares e Isla Palomino. Gostei do passeio e recomendo! Deem uma olhada nas fotos. Desculpem-me pela quantidade de fotos, mas é que não resisti.

E assim termina mais uma viagem. Fui para Puerto Rico com muita curiosidade e expectativas, mas percebi que não visitei o destino no melhor momento. Na semana que estive lá o tempo estava muito instável e chegou a chover 6 vezes em um mesmo dia. O Furacão Maria, que devastou várias ilhas caribenhas no mês de setembro de 2017, inclusive Puerto Rico, ainda deixa sequelas marcantes como falta de energia elétrica em algumas regiões, lojas, restaurantes e museus fechados. Mesmo assim, gostei de conhecer esse pedacinho do Caribe. Na verdade, senti que estava em um mundo paralelo. Por mais que Puerto Rico seja um território estadunidense, eles têm uma cultura muito particular. Como já mencionei, o espanhol é a língua mais comum na Ilha e o inglês porto-riquenho, apesar de ser gramaticalmente correto é carregado de sotaque latino. Os porto-riquenhos não tem direito a votar para a presidência dos Estados Unidos, mesmo sendo um território norte-americano (estranhíssimo!). Apesar de ser a terra do Reggaeton, a música mais popular em qualquer lugar é a salsa. Luis Fonsi não faz tanto sucesso por lá como imaginei, mas paguei alguns micos dançando Despacito na balsa em Cataño e na loja de departamento Sears (o que a gente não faz pelos sobrinhos?!).

A comida é farta e saborosíssima. Não deixem de provar os frutos do mar! Comi o melhor camarão e a melhor lagosta da minha vida. E o mar do Caribe é lindo de deixar você meio bobo. A cidade é cheia de arte. Há muitas pinturas, grafites e esculturas por todos os cantos.

No entanto, há alguns pontos da Ilha que não me entusiasmaram tanto. San Juan, a capital, é uma cidade muito cara, principalmente transporte e alimentação. Estou para dizer que é tão ou mais cara que Nova York. Tudo é muito longe, os bairros são muito distantes uns dos outros e o transporte público não é assim tão fácil.

Vocês facilmente lembram que estão em um território estadunidense, pois são a todo o tempo bombardeados com letreiros de grandes empresas americanas como CVS, Wallgreens, Burger King, Mc Donald´s, Macy´s, Best Buy, Pizza Hut, K-Mart, Domino´s, etc. Outra característica que faz vocês terem a certeza de que estão no Estados Unidos é que todos os espaços fechados deixam o ar condicionado no máximo (parecia que eu permanecia em uma geladeira em tempo integral), mesmo que a temperatura ambiente não estivesse tão quente; eles põem muito, mas muito gelo nas bebidas e todo o estabelecimento tem pelo menos um televisor ligado, a maioria deles sintonizados em um jogo de basquete da NBA. Os porto-riquenhos não são pessoas tão calorosas como outros latino-americanos. Não são mal-educados, mas não fazem questão de serem simpáticos e acolhedores. No entanto, encontramos alguns locais apaixonados pelo Brasil, o que nos deu uma sensação muito boa. Enfim, foi ótimo conhecer mais esse pedacinho da América e já estou planejando minhas próximas aventuras. 

 ¡Hasta luego!

Salta, Quebrada de las Conchas e Cafayate (Argentina)

Salta era um destino que eu planejava conhecer a alguns anos. Meu interesse pela cidade surgiu a partir dos comentários de alguns amigos sobre seu patrimônio histórico e de uma viagem que fiz a Mendoza. Minha viagem à Mendoza (para quem tem interesse, deem uma olhada clicando na palavra link) tinha uma escala em Salta e fiquei encantada pelas montanhas de cor terracota que rodeavam a cidade, paisagem bem típica de deserto. Mas para quem nunca ouviu falar deste destino, Salta é uma das mais importantes cidades do noroeste da Argentina com quase 600 mil habitantes. A base de sua economia está na agropecuária e na extração de petróleo e gás. No entanto, aos poucos a atividade turística tem crescido e a cidade tem explorado o turismo como uma fonte de renda e desenvolvimento.

Viajei para Salta com a Aerolíneas Argentinas. Embarquei em Puerto Iguazú (Argentina) e, apesar da turbulência, em quase duas horas já estava no destino final. O Aeroporto de Salta é pequeno, antiquado e possui um serviço muito lento. Precisa de uma reforma urgente!

Sobre os meios de hospedagem, Salta possui uma oferta limitada de estabelecimentos, mas se procurarem com atenção, encontrarão boas opções. Fiquei hospedada no Villa Vicuña Hotel Boutique. Para ser bem sincera, tenho um pouco de receio em escolher empreendimentos independentes, mas esse hotel pequeno, charmoso e localizado em um edifício histórico chamou minha atenção. O estabelecimento possui um serviço atencioso, personalizado e o café da manhã, mesmo não tendo uma grande variedade de produtos, oferece opções de ótima qualidade. E o melhor de tudo é a sua localização, há apenas duas quadras da Plaza 9 de Julio, o ponto central da cidade. Aprovado! Deem uma olhada na fachada do edifício e no apartamento.



Para este post, dividirei o texto em três itens. Explicarei cada uma das cidades que visitei e inclui um último item com dicas de viagem. Acredito que dessa forma entenderão melhor os atrativos e características de cada local.

Salta

É uma cidade onde é possível conhecer os principais atrativos a pé, pois eles estão localizados, basicamente, na região central, chamada de casco histórico. Cheguei a Salta com expectativas muito altas e admito que fiquei um pouco decepcionada, pois para quem conhece outras cidades latino-americanas com um pegada histórico-cultural como Bogotá, Cartagena, Lima, Quito e Ciudad de Panamá, o centro histórico de Salta não tem a mesma riqueza. De qualquer forma, comecei a visita na Plaza 9 de Julio, principal ponto da cidade e onde congrega os edifícios mais importantes de Salta como El Cabildo e a Catedral. É uma praça grande, com coreto, chafariz, enfim, tem tudo o que vocês esperam de uma praça clássica.


Na Praça, visitei El Cabildo. Este é o edifício colonial mais antigo da cidade (séc. XVIII). Já foi prefeitura, tribunal, prisão, sede do poder legislativo, e hoje congrega o Museo Histórico del Norte. O Museu traz informações sobre os primeiros habitantes da região, objetos, mobiliário, veículos e fotos que descrevem o período colonial, a guerra da independência e os primórdios da Argentina como uma nação. O museu é só ok; o acervo é pequeno, mas para quem tiver interesse na visita, o ingresso custa $20 (R$ 4,00). Segue fotos da fachada do Museu e de um dos pátios no interior do edifício.



Durante o passeio pelo centro visitei, ainda, o Convento de San Bernardo, um dos edifícios mais antigos da cidade, e as lindas Igresia de San Francisco e Iglesia Nuestra Señora de la Candelaria de la Viña. Abaixo disponibilizei fotos do Convento de San Bernardo e das coloridas Iglesia de San Francisco e da Iglesia La Viña.



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Andei pelos calçadões e me perdi pelas estreitas ruas do centro. Fazendo esse tipo de passeio é possível encontrar muitas lojas oferecendo produtos regionais como vinhos e alfajores e algumas preciosidades coloniais, como os edifícios abaixo.

Finalizei o passeio no Museo Güemes. O museu, localizado em uma casa história onde o General Martín Miguel de Güemes passou sua infância, apresenta de forma didática e inovadora a vida deste herói argentino, uma das pessoas mais importantes na independência do país. O museu é composto por 10 salas que mostram vídeos usando técnicas com efeitos cenográficos, luminosos, programas multimídia e apresentações audiovisuais. É bem diferente! Achei interessante pelo conceito do museu, mas também por mostrar um pouco mais da história do país. O museu custa $ 100 (R$ 20,00), mas só o recomendo para quem gosta de história ou queira se aprofundar no assunto. 



Vale ressaltar que Salta possui vários outros museus interessantes, portanto se tiverem um tempinho extra, não deixem de visita-los.

Quebrada de las Conchas e Cafayate

Este foi um tour de um dia que adquiri na Argentina4you (US$ 54). No entanto, há várias empresas de turismo em Salta que oferecem o mesmo passeio. Saí de manhãzinha em direção à Cafayate pela Ruta 68. Segue uma foto da estrada e da paisagem local.


A distância entre Salta e Cafayate é de 190 quilômetros, mas durante o percurso, o tour passou por um dos lugares mais lindos que eu já tive a oportunidade de conhecer, a Quebrada de las Conchas. A Quebrada é uma reserva natural no qual há formações rochosas de diferentes cores e formatos. A paisagem é de tirar o fôlego e quem está admitindo isso é uma pessoa que não é muito ligada em áreas naturais. Passamos por formações muito diferentes como La Garganta del Diablo, El Anfiteatro, Tres Cruces e la Yesera. Abaixo segue algumas fotos do caminho. Desculpem, dei uma exagerada nas fotos, mas é que não resisti. A primeira delas é da Garganta del Diablo e a segunda é do Anfiteatro.

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Nosso grupo chegou a Cafayate no horário do almoço. A cidade é muito típica, simples e pequena, mas é conhecida como a terra do sol e dos vinhos. Possui excelentes vinhos produzidos em altas altitudes e bodegas centenárias. Após o almoço visitei a Vasija Secreta, uma vinícola em operação há mais de um século que produz 850 mil litros de vinho ao ano. Entre as variedades de uva produzidas na região, chamou minha atenção a Torrontés, uma espécie típica argentina. Deem uma olhada na fachada da Vinícola e nos vinhos produzidos pela marca.



Os vinhos da região são mais frutados, gostei! Após a visita e degustação, o grupo retornou a Salta pela mesma estrada, revendo as lindas formações rochosas da Quebrada. É um passeio muito cansativo, mas vale super a pena.

Dicas de viagem

a) Gastronomia: Salta é conhecida por ter as melhores empanadas da Argentina, portanto, não deixem de prova-las. É possível encontra-las em qualquer restaurante ou boteco de esquina, mas se eu puder recomendar um lugar específico, indicaria o Restaurante Doña Salta (recomendação do recepcionista do hotel). Este restaurante tem uma vibe meio temático, com garçons usando vestimentas gaúchas e é especializado em culinária típica salteña. As empanadas, assadas em forno a lenha, são  pequeninas, mas MARAVILHOSAS!

Se vocês forem ainda mais aventureiros, experimentem outros pratos locais como as humitas (pamonhas salgadas), os tamales (pamonhas recheadas), o locro (um guisado feito com chorizo, milho branco, feijão branco, entre outros condimentos), a parillada (o típico churrasco argentino) e o popular sándwich de miga (sanduíche de presunto e queijo montado sob várias camadas de pão de forma sem casca). Experimentem as delícias salteñas acompanhadas com um bom vinho da região ou com a cerveja Salta, bebida local.

b) Souvenirs: A cidade oferece várias lojas de souvenirs que vendem um pouco de tudo, em grande parte, com referência andina. No entanto, em minha opinião, as lojas mais fofas são a Almandina e a Caschy. Ambas estão localizadas na Calle Caseros. Admito que não são as lojas mais baratas, mas é uma tentação para quem está procurando uma lembrancinha. Ahhh! Se estiverem buscando doces argentinos, recomendo El Gauchito Salteño (também na Calle Caseros), uma loja especializada em produtos locais. É um lugar simples, mas foi onde encontrei os melhores alfajores e conitos de Salta.

E assim terminou mais uma viagem. Viajar é sempre bom. É uma oportunidade de sair da rotina, conhecer novas culturas, novos costumes e valorizar a vida. Como destaquei no começo do texto, esperava um pouco mais de Salta, mas ao mesmo tempo, fiquei entusiasmada com a Quebrada de las Conchas. Também gostei muito da culinária salteña, repleta de massas caseiras, alfajores artesanais e a melhor empanada da vida. Continuo achando que os argentinos tem o pior gosto para sapatos do mundo (não tem jeito, lá eu encontro os calçados mais feios que vocês podem imaginar). E, se, por um lado, as pessoas não são as mais bonitas, acho que são as mais abertas e simpáticas que já conheci na Argentina.

¡Hasta luego!