Aventuras pela Europa – Capítulo 13 – Maastricht

Maastricht é um destino com pouco mais de 120 mil habitantes localizado no sudeste da Holanda. Cortada pelo Rio Mosa (Maas em holandês), Maastricht é uma das cidades mais antigas do país. Por estar localizada muito próxima às fronteiras da Bélgica e da Alemanha, a cidade possui traços muito incomuns quando comparada a outras localidades holandesas, mas, ao mesmo tempo, apresenta características multiculturais. A questão multicultural também está ligada à sua história. De origem romana, a cidade já pertenceu a Espanha e a França; foi o berço da Revolução Industrial holandesa, destacando-se mundialmente pela fabricação de vários produtos, entre eles, a porcelana. Hoje, destaca-se pelo aspecto cultural e por sediar uma das principais universidades do país, a Maastricht University.

Maastricht era uma cidade que não estava nos meus planos originais de viagem. Para ser sincera, até a poucos meses atrás eu nunca tinha ouvido falar sobre ela. Entretanto, durante minha estadia na Alemanha, muitas pessoas comentaram que a cidade era extremamente agradável, com ótimas opções de hospedagem e compras e que oferecia atributos histórico-culturais muito relevantes. Por essa razão, achei que seria ótimo visitá-la.

Fui à Maastricht de trem. De Bad Honnef até meu destino final, levei cerca de três horas e meia de viagem e paguei € 85 por todo o trajeto. As surpresas começaram logo na chegada do destino. No Sábado, dia 30 de abril, a cidade estava celebrando o King´s Day ou Queen´s Day, uma festa que comemora o nascimento da rainha Juliana, uma antiga monarca da Holanda. As pessoas estavam todas vestidas de laranja (cor símbolo do país), com pinturas da bandeira nacional no rosto, cantando e celebrando. Maastricht estava lotada de pessoas e sediou concertos e festas em seus principais espaços públicos. Por um lado, foi bem bacana ver toda essa comemoração; mas por outro, foi um saco, pois não consegui fotografar vários atrativos locais. A estação ferroviária de Maastricht foi minha primeira parada turística. Construída no século XIX, esta edificação feita em tijolos é bem escura e possui vários vitrais coloridos. Ela se assemelha a uma igreja, suuupper esquisito! A Estação fica próxima ao centro comercial da cidade e está localizada em uma região muito charmosa, cheia de estabelecimentos gastronômicos descolados e meios de hospedagem.

Maastricht oferece vários estabelecimentos hoteleiros interessantes. Como queria um lugar especial, fiz questão de ficar hospedada no Kruisherenhotel Maastricht, um antigo convento do séc. XV transformado em hotel. Adorei a maneira como eles adaptaram a edificação para o hotel. Adorei também o restaurante super descolado e o atendimento impecável, mas acho que a tarifa cobrada é muito cara para o que eles oferecem. Os apartamentos, principalmente os banheiros são muito apertados e precisam de uma manutenção urgente (meu chuveiro estava oxidado e uma das paredes apresentava leves manchas de mofo). Além disso, eles não possuem internet nos apartamentos! Sério?! Um hotel de categoria luxo no século XXI que não oferece internet nos apartamentos?! Mas enfim… Segue abaixo as fotos do empreendimento para que vocês possam conhecê-lo.

IMG_0843

IMG_0832

IMG_0794

O centro histórico da cidade é pequeno e propício para boas caminhadas. Contudo, sugiro que levem um sapato muito confortável, pois como as ruas são todas de paralelepípedo, tornam-se um martírio para as mulheres de salto alto. É claro que como sempre eu me ferrei! Queria dar uma de mulher chique, mas depois de horas andando com minha botinha de salto, não aguentava de dor no pé, além de ter estragado o meu sapato, claro! Durante meu final de semana, conheci os principais atrativos de Maastricht. Comecei o passeio na Grote Markt, a principal praça da cidade. Nela está localizada a Prefeitura de Maastricht (Stadhuis), uma imponente edificação do século XVII. Passei ainda na Vrijthof, outra importante praça da cidade onde é possível ver o fundo da Basílica de St. Servatius (vou contar sobre ela mais tarde) e da Sint Janskerk. Essas duas praças são o coração de Maastricht e oferecem vários restaurantes e cafés charmosos. As pessoas adoram sentar nas mesas localizadas na calçada, bater um bom papo e deixar o dia passar! Ainda na Vrijthof, visitei o Museum Aan Het Vrijthof, um local que conta a história da cidade. Achei-o muito interessante, pois a explicação dos objetos é ativada por um crachá utilizado pelo visitante, inclusive as portas das salas eram automaticamente abertas pelo crachá. O museu oferece algumas salas interativas e mostra a evolução econômica e expansão territorial de Maastricht. Fiquei muito contente ao saber que a preocupação com o patrimônio histórico local já era vigente no séc. XIX, com o crescimento industrial da cidade e é por essa razão que grande parte das edificações históricas continuam em pé. A visita custou € 8. Achei bem caro, pois mesmo sendo interessante, o local apresenta um acervo muito pequeno. Ahhh! O Café do Museu é super glamouroso, uma boa opção para quem quer sentar e relaxar. Deem uma olhada no interior do local.

IMG_0870

 Andei ainda pelas ruas comerciais da cidade: Grote Straat, Kleine Straat, Wolfstraat, Kersenmarkt, Havenstraat, entre outras. A cidade oferece um comércio agradável, charmoso e bem diversificado. Além disso, grande parte das lojas está aberta aos Domingos (ADORO loja aberta no Domingo!). Minha próxima visita foi a Onze Lieve Vrouwebasiliek (Basília de Nossa Senhora). A Basílica é diferente de tudo que eu já vi. Ele é muito, mas muito escura, parece uma danceteria (péssima comparação, mas foi a sensação que eu tive ao entrar em um lugar muvucado e escuro!). As luzes são todas direcionadas para o altar central, ornamentado com mosaicos dourados e azul turquesa e para o órgão na outra ponta do edifício. Logo na entrada também há um lindo altar em ouro dedicado a Nossa Senhora. Deem uma olhada na fachada da igreja.

IMG_0853

Passei ainda na Helpoort, antigo portão de entrada da cidade do século XIII. Por séculos Maastrich foi cercada por muralhas, mas elas foram quase que totalmente destruídas no séc. XIX. Além deste portão, ainda é possível ver um tímido paredão medieval próximo ao Rio. Vejam a foto do Helpoort logo abaixo.

IMG_0858

Ao lado do Helpoort fica o Stadspark, o parque da cidade. O lugar é super romântico e charmoso e está circundado por lindíssimas casas em tijolos escuros. O parque estava recebendo um show de rock, por conta da King´s Fest, mas também estava cheio de pessoas vendendo coisas velhas, como se fosse um gigantesco mercado de pulgas. Tinha de tudo por lá: livros, discos, roupas, calçados, brinquedos, louças, etc. Ainda visitei a Basílica de St. Servatius, uma igreja muito clara e colorida (completamente diferente da Basílica de Nossa Senhora) e a Boekhandel Dominicanen, uma antiga igreja do séc. XIII transformada em uma moderna e completa livraria. Caso queiram conhece-la, ela está localizada entre a Grote Markt e a Vrijthof. Vale a pena dar uma passadinha! Abaixo seguem as fotos da lateral da Basílica de St. Servatius e do interior da Boekhandel Dominicanen.

IMG_0845

IMG_0820

Sobre a gastronomia da cidade, devo admitir que eu fiquei completamente extasiada com as opções de Maastricht. Além de oferecer alternativas para todos os gostos e bolsos, o atendimento é sempre impecável e comi muito bem em todos os lugares! Até o Waffel é mais gosto em Maasticht que na própria Bélgica, terra natal desta iguaria. Sério mesmo! No Sábado jantei no meu hotel. O local é super charmoso, o atendimento e a comida foram impecáveis! Acho que é uma boa opção para um jantar romântico. No Domingo, almocei no Nxt Door, um restaurante que mistura modernidade e charme em uma rua muito próxima a Onze Lieve Vrouwebasiliek (Basílica de Nossa Senhora). Amei e recomendo muito! Ainda próximo a Basílica, adorei o Bonboniere, um café histórico super tradicional. Opção perfeita para um café no meio da tarde! Segue abaixo fotos do Nxt Door. Eu pedi um dourado com risoto de tomate e como sobremesa uma panacota com chocolate e sorvete de baunilha. A melhor panacota que eu já comi na vida, juro!

IMG_0854

IMG_0855

E assim terminou mais uma viagem. Maastricht foi uma grata surpresa! A cidade é tudo que você espera da Holanda… Um local agradável, charmoso, extremamente limpo e organizado, animado, cheio de ciclistas, bicicletas estacionadas por todos os cantos e repleto de gente bonita. Foi a primeira vez desde que cheguei a Europa que não vi nenhum indigente ou pedinte pelas ruas, fiquei positivamente impressionada com isso! Adorei a visita e consegui me ver facilmente morando lá (eu e meus sonhos bestas!). Mas a verdade é que fiquei muito feliz com o passeio e interessada em conhecer outros destinos holandeses. Portanto, próxima parada, a sonhada Amsterdã!!!!

IMG_0857

Aventuras pela Europa – Capítulo 12 – Salzburgo

Grüß Gott! O post de hoje é sobre Salzburgo (ou Salzburg em alemão), um dos destinos mais populares da Áustria. Conhecido como a terra do músico Wolfgang Amadeus Mozart e cenário do filme “A Noviça Rebelde” (um dos meus filmes favoritos de todos os tempos!), este destino austríaco possui aproximadamente 150 mil habitantes e é a quarta maior cidade do país. Fica a duas horas de trem de Munique e oferece como atrativos seu ambiente charmoso e bucólico e o centro histórico em estilo barroco (tombado como Patrimônio Mundial da UNESCO). Salzburgo é cortada pelo rio Salzach. Ele divide o que os moradores chamam de cidade velha e cidade nova (achei estranho esse nome “cidade nova”, pois as edificações desta parte da cidade são em sua maioria do século XIX, portanto, não são tão novas assim, mas enfim…). Dessa vez fui a Salzburgo de avião pela Germanwings, pois o trajeto de trem levaria MUITO tempo. Mesmo que eu tenha pagado caro pela passagem (€ 243,99 no trecho de ida e volta – quem manda comprar em cima da hora?!), não me arrependi. Chegando de avião à Salzburgo é possível ver a linda paisagem austríaca com os campos verdinhos, cercados pelas montanhas nevadas e as casinhas coloridas no melhor estilo tirolês. Lindo, lindo, lindo! O pior é que vendo aquela paisagem comecei a cantarolar inconscientemente a música “Sound of Music”. Quando eu me toquei, comecei rir sozinha! O aeroporto de Salzburgo é pequeno, meio antiquado, mas prático.

Nesta viagem não quis arriscar com o hotel, pois ando meio decepcionada com os últimos empreendimentos que eu escolhi. Salzburgo possui várias opções hoteleiras, inclusive há diversos hotéis luxuosos, mas estudando o destino achei os empreendimentos muito antiquados, portanto resolvi ficar em uma rede já conhecida. Minha escolha desta vez foi o Motel One Salzburg Mirabell. A Motel One é uma rede hoteleira alemã que também possui unidades na Áustria, Suíça, Reino Unido e Holanda. Ela investi no design e na qualidade das instalações, mas oferece ao mesmo tempo, um empreendimento prático, sem muitos serviços, e extremamente eficiente. Além disso, possui tarifas BEM atrativas. É um ótimo BBB (bom, bonito e barato), e por essa razão, recomendo muito. Deem uma olhada abaixo na estrutura do empreendimento. O hotel ficava a apenas 15 minutos a pé do centro histórico e a menos de 10 minutos da Hauptbahnhof (Estação Central de Trens), portanto eu estava super bem localizada.

VLUU L100, M100  / Samsung L100, M100

IMG_0682

Dessa vez vou voltar ao formato antigo e contar minha viagem pelos dias, pois acho vai ficar mais prático. Entretanto, já adianto que fiz várias coisas em um único final de semana, portanto vou escrever MUITO, mas também adicionei várias fotos para deixar minhas impressões mais divertidas. Cheguei à Salzburgo na sexta-feira no final da tarde, mas no meu primeiro dia não tive tempo de conhecer os atrativos; fiz apenas um breve reconhecimento da área.

 

Sábado

Hoje acordei bem cedo, pois sabia que meu dia seria muito puxado. Minha primeira parada foi no Palácio Mirabell, o único atrativo turístico da “cidade nova”. O Palácio foi construído pelo Arcebispo Wolf Dietrich von Raitenau no século XVII para sua amante. Infelizmente não é possível conhecer o interior do edifício, mas seus jardins são realmente lindos. São muito bem cuidados, coloridíssimos e com espécies de flores que eu nunca tinha visto antes! Os jardins foram um dos cenários do filme “A Noviça Rebelde”. Deem uma olhada no local…

IMG_0694

IMG_0693

De lá fui até o Café Sacher para experimentar a original Sachertorte, uma torta de chocolate super tradicional na cidade de Salzburgo. A receita original da torta, usada até hoje, foi criada há mais de 120 anos. O café é bem tradicional, oferece um ambiente requintado e possui um atendimento acolhedor. Eu achei a torta bem comum, mas valeu a experiência. Ahh! O Café fica ao lado do Hotel Sacher, o empreendimento hoteleiro mais exclusivo da cidade. Deem uma olhada no Café e na torta. Já adianto que a foto do Café ficou meio embaçada porque ela foi tirada meio escondida do garçom.

IMG_0696

 IMG_0698

Já bem alimentada, atravessei o rio Salzach em direção à “cidade antiga”. A cidade antiga é onde congrega o centro histórico de Salzburgo. Essa região é repleta de ruas estreias, passagens históricas (não deixem de andar por essas passagens, pois elas podem te levar a lugares imprevisíveis!) e igrejas, muitas igrejas! Durante séculos Salzburgo foi administrada por arcebispos, e por essa razão é possível ver igrejas por todos os cantos. Elas são muito diferentes das igrejas católicas germânicas. Na verdade, esteticamente elas são mais similares às igrejas italianas, mas possuem estilos completamente diferentes entre si. Caso vocês sejam fãs de arquitetura ou de igrejas católicas, é uma boa opção de passeio. Como eu gosto de igreja (não faço o tipo carola, mas me interessa muito o apelo artístico desses lugares), visitei várias: a Catedral de Salzburgo, a Abadia de St. Peter (sem dúvida a mais linda de todas! Ela possui todo um complexo que conta também com um cemitério inusitado e a padaria mais antiga de Salzburgo), Kollegienkirche, Franziskanerkirche, Michaelskirche (quase fiquei trancada dentro desta igreja, que susto!). Já no lado da cidade nova, visitei a Dreifaltigkeitskirche, a St. Sebastianskirche e seu cemitério. Ufa! Deem uma olhada nas fotos da fachada da Catedral de Salzburgo e da fachada e interior da Abadia de St. Peter.

IMG_0713

VLUU L100, M100  / Samsung L100, M100

IMG_0773

Após minha missão religiosa (rsrsrs!), fui às compras. O centro histórico é repleto de lojas de souvenirs, lojas de doces com muitas opções de mozartkugeln (conto mais tarde o que é), lojas de roupas ao estilo tirolês e comércio em geral. A principal rua comercial da cidade é a Getreidegasse, mas é possível encontrar lojas por toda a região histórica. Esta rua é bem fofinha, pois os letreiros dos estabelecimentos são diferenciados. Eu li que eles eram feitos desta forma, pois na Idade Média grande parte da população era iletrada, portanto essas placas de ferro ajudavam as pessoas a identificar qual tipo de comércio era oferecido em determinado local. Deem uma olhada…

IMG_0743

 IMG_0737

Olhem também o letreiro do Mc Donald´s, que fofo! Falando em Mc Donald´s, fiquei muito empolgada com essa unidade. O mais limpo, organizado e estiloso de toda a Europa. Só não era perfeito, pois havia lírios por toda a parte. Eu adoro lírios, mas eles têm um cheiro muito forte, portanto não são recomendados para estabelecimentos gastronômicos.

IMG_0735

Eu fiquei particularmente espantada com o número de produtos de luxo ofertados na cidade, e lojas exclusivas como Hermès, Louis Vuitton, Moncler, entre outras. Para uma cidade do tamanho de Salzburgo? Ou os moradores locais são loucos por marcas ou o turista que frequenta o destino é muito abastado. Ahhh! Uma dica para quem gosta de preciosidades… Na Alter Markt, uma das principais praças do setor histórico, há uma farmácia que funciona desde 1591. O lugar é lindo, com mobiliário todo em rococó. Ela se chama Alte F.E. Hof Apotheke. Os funcionários não permitem que tirem fotos do local, mas caso vocês gostem de um pouco de história, acho que vale a pena dar uma passadinha por lá!

Durante o almoço quis conhecer um lugar especial. Optei pelo Esszimmer. Localizado longe do circuito turístico de Salzburgo, este restaurante possui uma estrela Michelin e oferece um cardápio internacional com forte influência austríaca. Ele é bem escondidinho e possui um ambiente mais casual, mas seus pratos são uma explosão de sabores. O atendimento é preciso e acolhedor! É bem caro, mas é uma ótima opção para os amantes da alta gastronomia. Deem uma olhada no meu prato principal, peixe com feijão branco e vegetais. Tá, admito que a cara não está muito boa, mas era delicioso!

IMG_0740

Após o almoço, voltei ao centro histórico para conhecer a casa onde Mozart nasceu (Mozarts Geburtshaus). O museu está localizado na Getreidegasse (principal rua comercial) e é uma boa opção para conhecer um pouco história deste músico genial. Eu gostei de saber que Mozart veio de uma família de classe média feliz e amorosa e que seu pai, mesmo muito controlador, era o maior incentivador do filho. Fiquei espantada ao saber que Mozart tinha o costume de se banhar todos os dias, mesmo sendo uma situação rara na Europa do século XVIII (Limpinho, não?!). Além disso, ele também teve um casamento muito feliz, apesar dos problemas financeiros que enfrentou no final da carreira. O museu custa € 10. Deem uma olhada na fachada da casa…

IMG_0702

Ainda visitei o Salzburg Museum (Neue Residenz). Ele é o museu sobre a cidade de Salzburgo e está localizado onde foi a nova residência dos arcebispos da cidade. Mesmo que ele tenha ganhado o prêmio de Melhor Museu Europeu de 2009, não sei se recomendo a visita. Achei-o muito confuso! Gostei de ver que ele discute o desenvolvimento do turismo na cidade e a conservação do patrimônio histórico. É o primeiro museu que visito que trata sobre esses assuntos. Mas tirando esses dois temas, o museu é meio esquisito. O turismo em Salzburgo vem sendo explorado desde a segunda metade do século XIX (para dar um banho no Brasil!). A princípio, o destino explorava o turismo de veraneio enfatizando os Resorts. Hoje, a maioria dos turistas visita a cidade no período do inverno. Ahh! A entrada custou € 7,50.

Para fechar meu dia em Salzburgo, fui experimentar uma sobremesa típica da cidade, o Salzburger Nockerl. É um suflê de ovos com calda de cranberries (mirtilo) embaixo. Achei o sabor normal, nem bom, nem ruim,  mas a cara da sobremesa é horrorosa! Dê uma olhada na foto abaixo. Ahhh! Ela serve duas ou mais pessoas. Eu não consegui nem comer metade do prato.

VLUU L100, M100  / Samsung L100, M100

Outro doce típico da cidade é o Mozartkugeln, um bombom composto por chocolate, pistache e creme de avelã. Há pelo menos nove marcas que comercializam este doce, cada uma com uma receita diferente, mas o criador do bombom original foi Paul Fürst em 1890. A Confeitaria Fürst ainda existe e revende a receita original do doce em quatro diferentes pontos de venda em Salzburgo. O bombom é gostoso!

Domingo

Acordei cedo e voltei à cidade velha para conhecer a Hohensalzburg, uma das fortalezas medievais mais bem conservadas da Europa. Ela fica no alto de uma montanha, logo ao lado do centro histórico e congrega mais de 50 edifícios construídos a partir do século XI. Para se chegar à fortaleza o turista tem duas opções: subir a montanha a pé ou pegar o funicular. Eu não estava muito animada para subir a ladeira a pé, mesmo porque estava de salto, então optei pela segunda alternativa. A entrada na Hohensalzburg com o funicular incluído custa € 11,30. Ahhh! Se você comprar o ingresso, tem direito a  um desconto nos outros museus da cidade. Se eu soubesse disso, teria colocado a fortaleza como minha primeira visita. O lugar é bem bonito, vale a pena! Entretanto, o que eu mais gostei foi a vista. Eu não sou o tipo de turista que gosta de ficar admirando vista de lugar nenhum, acho um programa meio besta, mas ela é realmente de tirar o fôlego! Deem uma olhada nas fotos. A primeira é do castelo e a segunda de uma das vistas da cidade. 

VLUU L100, M100  / Samsung L100, M100

VLUU L100, M100  / Samsung L100, M100

Voltando ao centro, almocei no St. Peter Stiftskeller – Das Restaurant, o restaurante mais antigo da Europa. Localizado ao lado da Abadia de St. Peter, este restaurante aberto desde o ano de 803 é especializado em cozinha austríaca. O local não é muito chique, faz mais o estilo aconchegante com toques bem austríacos. Eu pedi um Wiener Schitzel, o prato mais tradicional da Áustria. Estava bom, mas as batatas tinham um gosto esquisito. Deem uma olhada no prato. Ahhh! Essa trouxinha amarela é limão. Ele é embrulhado desta forma para não lambuzar a mão do comensal. Adorei! O potinho ao lado do prato é geleia de cranberry (mirtilo). Acho que ela é uma sensação culinária na cidade.

IMG_0771

Para fechar minha jornada por Salzburgo, saí do centro da cidade e fui visitar o Schloss Hellbrunn. Localizada a 25 minutos de ônibus da Hauptbahnhof, este palácio de veraneio em estilo italiano do séc. XVII também pertenceu a um dos arcebispos da cidade, Markus Sittikus. O que mais chama a atenção são as fontes de água localizadas nos jardins do Palácio. Elas são ardilosas e é impressionante a engenharia utilizada para construí-las, pois no séc. XVII ainda não existia energia elétrica. Adorei a visita, vale muito a pena! Super recomendado! A entrada custa € 10,50, mas paguei € 8,50 em razão do desconto que ganhei com a visita à Fortaleza. Para chegar ao Palácio, o turista pode pegar o ônibus 25 que saí da Hauptbahnhof. Ele também passa pela Prefeitura da cidade, no centro histórico. O trajeto até o local é lindo, vale muito a pena. Deem uma olhada na entrada do Palácio e em uma das fontes…

IMG_0770

 IMG_0756

Salzburgo é sem dúvida um destino fascinante! Ela é tudo o que você espera: natureza inebriante, patrimônio histórico fascinante, extremamente limpa e organizada e atendimento caloroso. Mesmo que ela tenha passado uma imagem de cidade muito próspera, como tenho visto em outros destinos europeus, havia um grande número de pessoas pedindo dinheiro na rua, em sua maioria, ciganos. Percebi nesta minha jornada pela Europa que isto virou a epidemia do novo século. Mas isso não tirou o meu fascínio pelo destino. Além disso, fiquei extremamente tentada a conhecer outras cidades do país. Vamos ver…

IMG_0753

IMG_0701

Auf Wiedersehen!

Paris je t´aime

Paris é outro destino que está no meu coração. De origem romana, a cidade seguiu imponente e na vanguarda durante vários períodos históricos. Com isso, toda sua riqueza histórica e cultural a transformaram na cidade turística mais visitada do mundo. É um destino atemporal; o tipo de lugar que nunca sai de moda!

A primeira vez que estive em Paris foi em 1999 quando fiz um intercâmbio de estudos na Espanha. Visitar a capital francesa era um dos meus maiores sonhos, e foi uma emoção sem tamanho ficar de frente à Torre Eiffel pela primeira vez e perceber que finalmente eu havia conseguido realizar esse desejo. Entretanto, tenho que admitir que meu amor por Paris não foi à primeira vista. Talvez minhas expectativas com relação à cidade eram tão grandes (Essas expectativas acabam comigo!), que quando cheguei ao destino, pensei: – É isso?! Mas com o passar dos dias, descobri que o melhor de Paris está nos detalhes intangíveis; está na aura de romance presente em todos os cantos e a sensação de que você está definitivamente no centro do universo. Já estive em Paris várias vezes e nas viagens anteriores visitei os atrativos mais populares da capital francesa: Torre Eiffel, Hôtel des Invalides (Museu Militar), Arco do Triunfo, Champs Elysees, Museu do Louvre, Museu D´Orsay, Igreja de Notre Dame, Igreja de Sacre Coeur, Ópera Garnier, Palácio de Versailles (que não fica bem em Paris, mas nas proximidades), Disney Paris (também localizado na região metropolitana), entre outros. Em minha opinião, todos esses atrativos são super recomendados! Mas nessa minha nova estada na cidade, quis me dedicar aos locais que eu ainda não conhecia, e são esses lugares que eu vou contar aqui no post.

Fui a Paris de trem (estou ficando cliente cativa dos trens europeus), pois achei que fosse a maneira mais prática de chegar ao destino. Peguei o Thalys (trem de alta velocidade – TGV) em Colônia. Após 3 horas e meia de viagem eu já estava na Gare du Nord (Paris). O trem é bem bacana, super estiloso, mas para ser sincera, fiquei um pouco decepcionada com a velocidade. Este TGV não chega nem perto dos 300 quilômetros por hora propagandeados pela empresa. Ahh! Paguei € 210 pela viagem de ida e volta (caro, mas quem manda comprar as passagens em cima da hora?!). Dessa vez, eu não vou falar sobre o hotel que eu escolhi, pois foi uma decepção. A cidade de Paris concentra o maior número de hotéis do mundo. O problema é que as tarifas destes empreendimentos são exorbitantes. Para os turistas com orçamento mais apertado (o meu caso!), a solução é ser esperta. Procurem hotéis de grandes grupos hoteleiros que oferecem bandeiras mais econômicas como a Accor (Ibis, Ibis Styles, Ibis Budget) ou a Choice (Comfort Inn), pois eles apresentam padrões de higiene acima de média, a manutenção e atualização dos equipamentos é maior, e geralmente estão bem localizados. Como queria ficar próxima à Gare du Nord, procurei vários empreendimentos na região. Fiquei empolgada com um hotel pequeno e familiar muito bem avaliado pelos clientes, mas não valeu a pena. Da próxima vez, volto para o bom e velho Ibis.

Durante meus três dias em Paris visitei os seguintes atrativos:

– Le Train Bleu: Este magnífico restaurante inaugurado no início do século XX está localizado na Gare du Lyon. Oferece pratos tipicamente franceses e já foi frequentado por pessoas ilustres como Coco Chanel, Salvador Dalí e Brigitte Bardot. Esse era um restaurante que eu já queria ter visitado há muito tempo. O lugar é absurdamente lindo!!!! Além dos vários detalhes que remontam a Belle Époque, as pinturas espalhadas pelo salão também são deslumbrantes. Lendo as avaliações de outros turistas no TripAdvisor, fiquei com um pé atrás com o local. Havia muitos comentários negativos a respeito do empreendimento. Muitos turistas diziam que a comida e o atendimento eram péssimos, e os preços, exorbitantes. Minha experiência no Le Train Bleu foi ótima! Escolhi um filé de peixe com purê de batata com açafrão que estava divinooo! Também fui muito bem atendida. Entretanto, o preço é realmente elevado. Paguei € 7,50 em uma garrafa de Pepsi Cola (se fosse uma Coca Cola talvez não ficaria tão ultrajada!).  É um lugar para os turistas mais desprendidos de dinheiro e que tenham interesse em tesouros históricos. Mas durante o período do almoço, vi muitos parisienses comendo por lá no que me parecia um encontro de negócios, portanto ainda é um restaurante para todos os tipos de público. Deem uma olhada nas fotos do lindo restaurante. A primeira é da entrada do local com um luminoso de gosto duvidoso. A segunda é do salão principal.

IMG_0582

IMG_0581

– Château de Fontainableau – Construído a partir de um castelo do século XII, este palácio foi residência dos soberanos franceses por 8 séculos.  Ele está localizado na pequena e charmosa cidade de Fontainableau, há 40 minutos de trem de Paris. O lugar é absurdamente lindo, bem ao estilo dos mais luxuosos palácios franceses. Não tem como fazer a visita sem ficar boquiaberto com todos os detalhes e suntuosidade das salas. Amei e recomendo muito a visita, principalmente para os amantes de palácios como eu. Ahhh! Não deixem de visitar os românticos jardins do Château e a charmosa cidade de Fotainableau! Para chegar ao atrativo, os turistas têm duas opções: comprar um passeio por alguma empresa turística ou visitar por conta própria. Os passeios turísticos duram em torno de 5 horas e custam de € 60 a € 80, dependendo da época do ano e da empresa escolhida. O passeio inclui transporte até o local (ônibus) e visita guiada ao Palácio. Como eu ando na minha fase pão-dura, achei que seria mais econômico visitar o château por conta própria. Para ser sincera, foi a melhor opção! Fui até a Gare du Lyon onde peguei um trem para Montargis Sens. Parei na estação Fontainableau-Avon (40 minutos de viagem). De lá, peguei o ônibus circular Linha 1 com sentido a Les Lilas e parei no ponto Château (10 minutos de trajeto). Na volta, fiz o mesmo percurso, mas o ônibus é o Linha 1, sentido Gare. Parece complicadinho, mas é tranquilo! Além disso, tem vários turistas fazendo o mesmo percurso, então dá para ir seguindo a multidão. Com o trem, o ônibus circular e a entrada no museu, eu paguei € 31,10, uma boa economia. Ademais, fiz toda a visita no meu tempo, sem me preocupar com horários. Ahhh! Os trens que servem essa linha são super antigos, com carinha da década de 1970, mas são extremamente velozes, do tipo que faz inveja à qualquer trem alemão. Para sentirem a beleza do Château, segue abaixo imagens do jardim, da entrada do Palácio e de algumas das salas.

IMG_0599

IMG_0600

IMG_0604

IMG_0612

– Angelina Paris: Inaugurado também no início do século XX pelo austríaco Antoine Rumpelmayer, essa casa de chá francesa mantém o glamour típico da Belle Époque. Está localizada na Rue de Rivolli, próxima ao Museu do Louvre. É um lugar super turístico e há sempre muita fila na entrada para conseguir uma mesa. O carro chefe da casa é o chocolate quente (realmente muito bom), mas eles oferecem também várias opções de pães e doces. Minha dica para evitar filas é: troque o café da tarde no Angelina, programa mais procurado pelos turistas, pelo café da manhã. No período da manhã, o local é bem tranquilo e o cardápio é o mesmo. Os preços são meio salgados (paguei € 20 pelo café da manhã), mas a experiência vale a pena!

IMG_0591

IMG_0596

IMG_0593

– Le Bon Marché Rive Gauche: A cidade de Paris é um convite para as compras. Galleries Lafayette e Printemps são sempre as lojas de departamento mais populares entre os brasileiros, mas fui visitar uma outra opção parisiense. Inaugurada em 1852, a Le Bon Marché foi pioneira ao oferecer serviços como entrega em domicílio, troca de produtos, pedidos pelo correio e períodos promocionais de vendas, práticas comerciais muito comuns nos dias de hoje. Adorei o lugar, gostei ainda mais que a Printemps. É uma loja mais classudo, até um pouco intimidadora, mas é um bom lugar para sonhar (e começar a apostar na Megasena!). Adorei ver que eles vendem três marcas brasileiras: Granado (Phebo e companhia), Melissa e Adriana Degreas.

Além dos novos programas, não podia deixar de passar por alguns lugares já cativos no meu coração como a Notre Dame e a Torre Eiffel. Há muitos anos eu não entrava na Notre Dame e foi ótimo poder voltar à Catedral. A maturidade (e a experiência) me fez ver a igreja com um outro olhar! Também não era possível passar por Paris sem dar um oi para a Champs Elysees e a Torre Eiffel (sempre lotadas de turistas), além de caminhar ao lado do romântico Rio Sena e pelo agradável Boulevard Haussmann.

IMG_0624

IMG_0634

E assim terminou mais uma viagem. Paris é sempre uma ótima opção de passeio! É uma cidade contagiante e que oferece opções para todos os tipos de turista. Adorei todos os passeios que fiz nesta oportunidade e o clima também ajudou e ofereceu o final de semana mais quente da minha temporada europeia. Infelizmente não há só aspectos positivos a destacar. Assim como tenho visto em outras cidades pela Europa, também acho que Paris empobreceu nestes últimos anos. Vi um número grande de andarilhos nas ruas, também vi muitas pessoas pedindo dinheiro ou algum outro tipo de ajuda, em grande parte, estrangeiros. Perto da Gare du Nord e Gare de L´Est, fiquei espantada com a quantidade de lixo nas calçadas. Todas essas situações me deixaram um pouco triste, mas não tiraram o brilho de uma das cidades mais vibrantes e bonitas da Europa.

C´est la vie! Au revoir mon ami!

Aventuras pela Europa – Capítulo 11 – Bruges

Bruges (ou Brugge em holandês) é uma cidade localizada ao noroeste da Bélgica, na região conhecida como Flandres. Ela é denominada a Veneza do Norte, pois possui vários canais como a Veneza original, e é um dos destinos turísticos mais populares do país. A primeira vez que ouvi falar sobre Bruges foi quando a minha querida amiga Keila voltou de uma viagem a Europa e me contou como esta pequena cidade belga a encantou. Desde então, Bruges ficou na minha cabeça. Anos depois, achei que estava na hora de conhecê-la, e devo admitir que eu retornei a Alemanha completamente APAIXONADA por este destino! Bruges foi um grande centro comercial no final da Idade Média, mas acabou perdendo sua importância para a Antuérpia, cidade mais ao norte do país. Séculos depois, passou a explorar o turismo como sua principal atividade econômica, e hoje, suas lindas edificações do séc. XVII e XVIII tipicamente flamencas e seu charme bucólico a transformaram em um dos Patrimônios Mundiais da UNESCO.

Fui a Bruges de trem, como sempre. A viagem durou cerca de 4 horas e meia (saindo de Bad Honnef) e paguei € 88.  Minha paixão por Bruges começou logo na saída da Estação de Trens, pois na entrada da cidade já era possível ver os canais e suas charmosas paisagens. Como passei apenas o final de semana, fiz questão de ficar em um meio de hospedagem especial. Depois de pesquisar as várias opções existentes (e Bruges tem muitas opções!), escolhi o Duke´s Palace, um hotel histórico localizado próximo às ruas comerciais e à Grote Markt, principal praça da cidade. Instalado em um lindo palácio do século XV que serviu como residência dos duques de Borgonha, este hotel possui uma estrutura e áreas sociais impactantes, mas fiquei bastante decepcionada com os apartamentos. Além de achar tudo muito comum, e até um pouco datado, o chuveiro do banheiro não tinha água quente direito (imaginem tomar banho frio pela manhã no inverno europeu!).  Mesmo que eu tenha ficado empolgada com a variedade dos ammenities (uma coleção completa da L´Occitane até com bucha, lip balm e demaquilante), achei que faltou alguma coisa! Não sei se recomendo para outros turistas, mas na dúvida, segue abaixo algumas fotos para que vocês o conheçam.

IMG_0501

IMG_0504

Durante meu final de semana na cidade visitei os seguintes atrativos:

– Grote Markt – Praça Principal. Nela é possível ver o Campanário, uma edificação do século XVIII no qual o turista pode subir e ter uma visão completa de Bruges. Também é onde fica o Tribunal Provincial, um lindo edifício do séc. XIX em estilo neogótico; além de outras construções em estilo medieval (dizem que elas não são autênticas e há muitas críticas por conta disso). A praça é o principal atrativo turístico de Bruges e por essa razão, concentra vários restaurantes, cafés, casas de chá, chocolateiras, etc. Também é de lá que saem as românticas charretes que fazem city tours pelos principais atrativos do destino. Por mais que as charretes sejam de fato super românticas, tenho que admitir que por conta dos cavalos, essa parte da cidade fede um pouco! Ahhh! Nesta região é onde se concentra o maior número de lojas de souvenirs. É possível encontrar coisas muito típicas belgas como os bordados (minha mãe ia infartar várias vezes por lá!), as cervejas e os chocolates, e outras coisas de origem duvidosa como tamancos holandeses e os bonecos quebra-nozes de Rotemburgo, Alemanha. De qualquer forma, deem uma olhada em duas imagens da Praça.

IMG_0510

IMG_0517

– Burg – Outra praça importante da cidade localizada ao lado da Grote Markt. Nela estão situadas o Palácio Bispal, a Prefeitura e a Basílica do Sangue Sagrado. A Basílica do Sangue Sagrado (Basiliek van het Heilig Bloed) foi construída ainda no séc. XII. É uma igreja pequena, meio escondida no canto direito da Prefeitura, mas a capela é linda demais! Fiquei até emocionada de estar lá, sério mesmo! Ela possui ainda um museu com diferentes relíquias. Mesmo custando apenas €2, não recomendo a visita no museu. É apenas uma salinha com um acervo bastante enxuto. São peças lindas, tenho que admitir, mas muito poucas! Deem uma olhada nas fotos abaixo. A primeira é a do edifício da prefeitura e a segunda, do interior da Basílica.

IMG_0516

IMG_0567

– Igreja de Nossa Senhora (Onze-Lieve-Vrouwekerk) – Essa linda igreja medieval possui uma escultura de mármore da Madonna de Michelangelo. Dizem que essa peça estava originalmente destinada à Catedral de Siena, mas foi adquirida por dois comerciantes de Bruges e doada a esta igreja. Eu estava curiosa para ver a escultura, pois segundo o filme “Caçadores de Obras-Primas” (Monuments Men – vejam o filme!), ela tem uma história emocionante.  Ahhh! Para ver a obra é necessário pagar € 2, mas eu posso mostrar para vocês de graça, deem uma olhada na foto abaixo. Ela é a figura central deste altar.

IMG_0564

– Begijnhof – É uma pequena área da cidade fundada ainda no séc. XIII, onde estava estabelecida uma irmandade de beguines, mulheres dedicadas à vida religiosa. Durante uma pesquisa na internet, vi que muitos turistas descreviam que o local transmitia paz. Não sei se paz é a melhor palavra para descrevê-lo, mesmo porque tinha um grupo de italianos buzinando no meu ouvido a visita inteira. Mas é um lugar lindo, muito especial e senti uma felicidade interior muito grande! Vale a visita!

IMG_0547

Bruges ainda oferece vários museus, mas dessa vez, fiz questão de não visitar nenhum deles. Queria dedicar meu tempo à própria cidade, que é na verdade o principal atrativo.  O melhor programa a se fazer é caminhar pelas bucólicas e sinuosas ruas e descobrir o que o local te proporciona. Também recomendo fazer uma caminhada beirando os canais, pois eles propiciam charmosas e inesquecíveis paisagens. Deem uma olhada!

IMG_0531

IMG_0553

Sobre a gastronomia de Bruges, ela não foge a regra belga. É possível encontrar uma infinidade de opções de cervejas, waffels, pommes (batata-frita), chocolates e mussels (mexilhões). Como eu não bebo cerveja, me dediquei às outras especialidades locais. No Domingo, almocei no Breydel de Coninc, um restaurante despretensioso localizado entre a Grote Markt e o Burg. Mesmo que o garçom tenha me avisado que este período do ano não seja época de mexilhões (quer dizer, eles estavam muito pequenos), eu tive que experimentá-los. Eu pedi mexilhões ao molho de vinho branco e gostei muito, principalmente se você acompanhá-los com um molhinho de mostarda. É uma ótima opção para quem gosta de frutos do mar! Ahh! E achei que eles estavam enormes! Deem uma olhada no meu prato… Ele era gigante!

IMG_0563

Com relação aos chocolates… Ahhh os chocolates… No meu post sobre a Antuérpia eu havia comentado sobre a Chocolate in Line, uma marca de chocolates gourmet na qual eu tinha me apaixonado. Imaginem a minha felicidade quando descobri que eles tinham uma loja em Bruges. Comprei não uma, mas duas caixas de bombons. Dominique Persoone, o chocolatier responsável pela criação dos bombons é um gênio! Super, mega recomendado! Não deixem de provar! Também experimentei os chocolates da Mary, uma chocolateria de 1919 fundada pela primeira mulher chocolatier da Bélgica. A loja oferece bombons mais tradicionais, mas também são muito saborosos!

Duas atividades super tradicionais que eu não fiz em Bruges foram; passeio de barco pelos canais da cidade e a subida ao topo do Campanário. Eu achei os dois programas meio bestas, e por essa razão, acabei não fazendo! Sem arrependimentos!

E assim terminou mais uma viagem. Eu devo admitir que até este último final de semana, a Bélgica não tinha me trazido muitas emoções! Bruxelas estava muito aquém ao que eu esperava, e a Antuérpia também não me conquistou de fato. Entretanto, descobri nesta última viagem que a verdadeira joia belga está em Bruges. Li alguns blogs de viagem dizendo que Bruges era meio “fake”. Eu particularmente não tive essa impressão! É verdade que a cidade vive exclusivamente do turismo e por essa razão, o centro histórico é dedicado basicamente ao turista. É possível ver uma profusão de lojas de souvenirs e estabelecimentos gastronômicos. Mas ao mesmo tempo, achei tudo extremamente despretensioso e verídico, sem forçação de barra ou coisa do gênero. Li em outros blogs que os restaurantes do centro histórico eram “pega turista”. Também não concordo com isso! É claro que é possível encontrar todos os tipos de estabelecimentos, inclusive aqueles meio trabajaras, mas vi restaurantes de chefes renomados, alguns deles até com estrelas no Guia Michelin. Existe também muitos estabelecimentos ligados a escola de hotelaria e culinária, portanto, vejo que a gastronomia é coisa séria por lá.

Para fechar o post, gostaria de dar três dicas para aqueles turistas que se animaram em visitar Bruges. 1) Leve um tênis bem confortável, pois a melhor forma de conhecer os atrativos é caminhando e o calçamento da cidade é todo em paralelipípedos pequenos, portanto qualquer outro calçado vai acabar com seu pé (Experiência própria! No meu segundo dia inventei de colocar uma bota de salto fino. No meio da tarde já não estava mais aguentando de dor. Além de ter estragado o salto da minha bota);  2) faça um regiminho antes da viagem, ou mesmo já comece a planejar um detox para quando voltar do passeio, pois é difícil resistir a tantas tentações. Eu que sou super comedida acabei pisando um pouquinho na jaca; 3) caso queira comprar algum produto tipicamente belga, encontrei uma loja entre a Grote Markt  e o Dijver chamada 2Be. Ela é muito bacana e vende todas as marcas belgas de chocolate, cerveja, molhos, etc. Gostei bastante e recomendo!

IMG_0558

Até a próxima!

Karneval in Deutschland (Carnaval na Alemanha)

Hoje conto uma das experiências mais diferentes, e um tanto quanto bizarra, que tive a oportunidade de vivenciar, o carnaval na Alemanha (Karneval). Acho engraçado, pois nós brasileiros temos a falsa impressão de que Carnaval é bom e animado apenas no Brasil, e tenho amigos que achavam que só nós celebrávamos a data; entretanto, como um feriado cristão, vários outros lugares do mundo têm o carnaval como uma festividade importante, inclusive a Alemanha. Além disso, estou para dizer que os alemães são tão empolgados ou até mais que os próprios brasileiros com o carnaval.

A preparação para o Carnaval por aqui começa logo depois do Natal (Sério! Já começa depois do Natal), quando grande parte das lojas é enfeitada com palhacinhos (Não sei muito bem qual a relação do palhaço com o Carnaval, talvez a questão da alegria, mas no começo achei estranho!).  Seguem abaixo duas vitrines enfeitadas para a comemoração. As fotos não ficaram muito boas por causa do reflexo do vidro, mas é possível ver os palhaços.

IMG_0434

 IMG_0442

A partir do mês de janeiro já é possível ver a proliferação de Festas a Fantasia. Algumas são celebradas na casa de amigos e outras em bares e hotéis. O alemão é doido por uma festa a fantasia! Todos têm alguma fantasia guardada em casa, e conheci pessoas que tinham um guarda roupa repleto de opções para todas as ocasiões. Era a coisa mais esquisita do mundo ver um número enorme de pessoas nos trens vestidas de palhaço (a fantasia mais popular!) policial, gatinho, girafa, urso panda, teletubbies, entre outras. Algumas fantasias eram realmente lindas, muito elaboradas, outras… nem tanto. Eles ficam no trem como se fosse a coisa mais normal do mundo, talvez até seja, e o problema seja eu. O Carnaval de fato por aqui começa logo na quinta-feira (Sério! Já na quinta!), quando o comércio fecha ao meio dia e as pessoas com suas fantasias vão para os bares beber e celebrar. Como eu não sabia disso, na quinta à tarde tentei comprar meu jantar no centro de Bad Honnef e não tinha uma padaria aberta. Me ferrei bonito! Tive que improvisar em casa mesmo. Na sexta, o comércio funciona normalmente (algumas repartições públicas ficam fechadas neste período), mas é possível ver pessoas fantasiadas no mercado, na farmácia, e andando na rua. São pessoas de todas as idades (de bebês a idosos). À noite eles voltam para os bares para beber e celebrar. Entretanto, as melhores festas acontecem mesmo no final de semana. Grande parte dos bares oferece festas de Carnaval e tem alguns estabelecimentos com filas gigantescas na entrada. Além disso, há shows com músicas típicas em várias cidades. No Sábado fui assistir a um desses shows na Neumarkt, em Colônia. O show estava lotado, com gente de todas as idades, todos os espectadores fantasiados e cantando enlouquecidamente músicas que eu nunca tinha ouvido na minha vida. Deem uma olhada na foto que tirei no show.

IMG_0432

Algumas das canções tinham jeitinho de música tradicional, como essas que escutamos na Oktoberfest, outras já pareciam mais atuais, tipo pop/rock. Depois de alguns dias ouvindo essas músicas, já tinha me acostumado e estava quase cantando junto. Na verdade, algumas delas estão na minha cabeça até agora! No Domingo fiquei em Bad Honnef, pois teria a parada de Carnaval no centro da cidade. A parada de Carnaval é como se fosse um desfile de escola de samba, na verdade está mais para um desfile de 7 de setembro. Não há competição, mesmo porque só há apenas uma escola, mas é formada por vários grupos que fantasiados tentam animar os espectadores. Vale lembrar que os espectadores também se fantasiam para assistir o desfile! Na parada também é possível ver algumas bandas, dessas com cara de banda escolar, mas o som delas não chega a ser marcante. O desfile corre por todo o centro da cidade, e há um ou mais locutores que ficam parados em diferentes cantos animando as pessoas. O Carnaval em Bad Honnef é bem tranquilo, muito família e é possível ficar bem próximo de todos. Durante a passagem dos grupos, seus componentes presenteiam os espectadores com alguns mimos; grande parte deles é doce (balas, chocolates e pirulitos), mas também há presentes como rosas para as damas, e outros meio bizarros como bolinha de plástico e lenços de papel (???).  A distribuição é tão grande que os espectadores levam sacos plásticos (como esses de mercado!) para guardar tudo que receberam. O desfile durou 1 hora e meia e depois da parada todos foram à Marktplatz para dançar, beber e comer. O sonho (sabe o tradicional sonho que comemos aí no Brasil?!), conhecido aqui na Alemanha como Berliner, é o doce mais popular no Carnaval em Bad Honnef. As pessoas compravam de dúzias e comiam com os familiares. Deem uma olhada no desfile de Bad Honnef.

IMG_0445

IMG_0458

IMG_0453

Na segunda-feira fui para Colônia participar da Rosenmontag, a parada de Carnaval de Colônia. Muitas pessoas haviam me alertado o Carnaval em Colônia era o melhor da Alemanha e por essa razão, estava muito empolgada por este dia. Disseram-me que a parada começaria às 10h30 e por isso, acordei cedo e às 10h30 já estava lá para reservar meu lugar. A cidade estava completamente abarrotada de gente, era uma confusão danada para sair da estação de trens e andar pelo calçadão comercial. Todas as pessoas estavam fantasiadas e prontas para a folia. Deem uma olhada em algumas fantasias. Eu particularmente amo estas duas primeiras fotos. Eu gosto de ver as crianças empolgadas com suas roupas, acho meigo!

IMG_0428

IMG_0431

IMG_0467

Fiquei das 10h30 às 12h50 parada em pé no frio de 4°C graus (o vento estava horrível e a sensação térmica devia estar perto de 0°C) e nada de desfile. Deu tempo até de levar uma boa cantada nessa espera. Fazia um tempo que ninguém me cantava aqui na Alemanha, estava até sentindo falta. Fiquei tão de mau humor com a espera que desisti e fui no Mc Donald´s mais próximo almoçar. Voltei às 13h30 e a parada já estava começando. A confusão era enorme! Muita gente se espremendo para ver o desfile, um empurra empurra danado, espectadores espertalhões tentando entrar nos camarotes, o fim! Andei por vários quarteirões até conseguir um lugar mais ou menos para ver o desfile. O esquema é muito parecido com o de Bad Honnef. A parada de Colônia também é formada por grupos, mas neste desfile as confrarias são centenárias. Também há carros alegóricos grandes, de bom gosto e cheios de bonecos. Deem uma olhada em alguns carros. 

IMG_0478

IMG_0487

IMG_0490

Dentro desses carros há pessoas acenando e jogando presentes para os espectadores; os doces reinam absoluto entre os mimos e haviam alguns foliões jogando caixas inteiras de bombons; outros davam rosas para as mulheres e eram recompensados com um beijo na bochecha. Meigo! O desfile durou 2 horas e depois da parada todos se encaminharam ao calcadão comercial para beber e comemorar. Ao lado da Catedral tinha uma bateria de escola de samba. Eles eram muito bons e os alemães ficavam enlouquecidos com o ritmo dos tambores. A banda se chamava “Quem é?”. Mesmo com um ritmo super brasileiro, me pareceu uma bateria bem alemã, sem mulatas sambando e coisa assim. Deem uma olhada.

IMG_0469

Após a parada começou a pior parte do Carnaval. Eu imaginava que na Alemanha as coisas seriam mais organizadas, mas o que eu vi foi o pior do Carnaval brasileiro. Muito empurra empurra, muita gritaria, muita gente bêbada por todos os cantos; mesmo com banheiros químicos gratuitos espalhados por todo o centro, os homens faziam xixi na rua. Haviam algumas paredes no centro que tinham filas de homens urinando. Um nojo! O chão estava completamente sujo, cheio de papéis, embalagem de doces, e muitos, mas muitos cacos de vidro. Esses cacos eram das garrafas de cerveja ou das berentzen schnaps, um licor vendido em embalagens pequenininhas que era a sensação do Carnaval. As pessoas andavam com cintos repletos desta bebidinha e bebiam 3 ou 4 de uma só vez! A estação de trens estava um CAOS! Imaginem a rodoviária de Curitiba em véspera de feriado. Muita gente bêbada, gente gritando por todos os lados. A confusão estava tão grande que uma das lojas que eu costumo comprar, a Rewe to Go, teve que fechar as portas e controlar a entrada de clientes, pois não estavam dando conta da multidão. Os trens estavam todos atrasados (alguns com atraso de 50 minutos) e saiam abarrotados de gente. Vi um dos trens para Münster saindo com as portas abertas e pessoas agarradas na porta, um horror!

Cheguei em casa à noite, ainda um pouco assustada com tudo. No final das contas acho que valeu a experiência. Na terça-feira ainda era possível ver algumas pessoas fantasiadas pelas ruas, mas na quarta parecia que tudo não tinha passado de um sonho e que o Carnaval tinha sido uma realidade muito distante.

Fiquei impressionada com a empolgação e energia dos alemães para a festa. Também fiquei impressionada como eles gostam de se fantasiar (uma pessoa me disse: “- Somos tão sérios o ano inteiro, é bom se divertir de vez em quando!”), mas para ser sincera, não tenho vontade de repetir a experiência. A não ser que da próxima vez eu seja convidada para ficar em algum camarote ou  para assistir os desfiles das sacadas de uma das muitas festas particulares. Sonho meu!

Espero que tenham entendido e gostado do meu ponto de vista sobre o carnaval alemão.

Auf Wiedersehen!

Willkommen in Berlin

Quem me conhece sabe que Berlim é uma das cidades que eu mais gosto no mundo. Adoro as avenidas largas e longas, os edifícios monumentais e a movimentação louca dos turistas que se mistura com o ritmo dos berlinenses. Enfim, adoro e pronto! Berlim era uma das cidades que já estava na minha agenda antes mesmo de chegar à Bad Honnef, mas que por conta das outras viagens e por medo do frio (que este ano felizmente chegou com pouquíssima intensidade), acabei adiando este passeio. 

Há alguns anos atrás, quando fiz um circuito pela Alemanha, já havia aproveitado alguns dias em Berlim. Nesta oportunidade, visitei os principais atrativos da cidade: Alexanderplatz, Unter den Linden, Ilha dos Museus, Berliner Dom, Friedrichstraße, Gendarmenmarkt, Checkpoint Charlie, Brandenburger Tor, Reichstag, Tiergarten e Colina da Vitória, Schloss Bellevue, Potsdamerplatz, remanescentes do Muro de Berlim, Kaiser-Wilhelm-Gedächtniskirche e Kudamm. Recomendo muito a visita em todos esses lugares (a não ser o Checkpoint Charlie que eu achei super sem graça, mesmo tendo um grande significado histórico).  Mas havia dois atrativos que eu não tive tempo de visitar na primeira passagem por Berlim e que, desde então, ficaram na minha mente; o Schloss Charlottenburg e a cidade de Potsdam. Por essa razão, sempre tinha a sensação de que eu deveria voltar à capital alemã para terminar minha jornada. Neste post vou contar um pouco do meu retorno à Berlim, mas se preparem, pois fiquei tão empolgada com a viagem que escrevi muita coisa!

Para este passeio, reservei quatro dias. Na primeira noite optei por ficar em um hotel, mas não qualquer empreendimento; fiquei no “Senhor” hotel. E as demais noites me hospedei na casa de um antigo amigo, o Chris. A hotelaria de Berlim é digna de uma grande capital europeia. A cidade oferece as mais variadas opções e todos os tipos de tarifa. Outra coisa que eu gosto muito em Berlim é que há uma profusão de hotéis design, então é um prato cheio para quem, como eu, é louco por hotéis diferenciados. Nesta viagem optei pelo “Das Stue Hotel”, um dos melhores e mais exclusivos empreendimentos da capital alemã. O Das Stue faz parte da Design Hotels, uma associação com abrangência mundial que congrega diferentes hotéis design pelo globo. Como eu conhecia o Gerente de Marketing da Associação, tive a oportunidade de ficar no hotel com um desconto bastante considerável. Localizado entre o Tiergarten e o Zoológico de Berlim, este empreendimento luxuoso está instalado em um lindíssimo edifício da década de 1930 que já serviu como Embaixada da Dinamarca na Alemanha. O design do edifício e a decoração moderna e sóbria dos diferentes cômodos são impressionantes. Outra coisa que eu gostei bastante foi a tecnologia do apartamento. É possível controlar todas as luzes do quarto da sua própria cabeceira; a mesa de trabalho possui um teclado e um mouse da Apple e com eles você pode transformar a TV em um computador com conexão à Internet. A TV também é toda interativa. Ela era tão moderna, mas tão moderna, que eu nem conseguia ligá-la (eu sou um fracasso quando se trata de tecnologia). Se por um lado eu amei a estrutura do lugar, por outro fiquei decepcionada com o atendimento. Não tive a atenção que eu gostaria e não me senti exclusiva. Tirando um dos mensageiros e a atendente do spa, os demais funcionários foram indiferentes, o que não é uma coisa muito boa em um hotel deste nível. O empreendimento ainda oferece um spa (com piscina aquecida e sauna) e dois restaurantes, um deles estrelado no Guia Michelin. Eu almocei no Restaurante Casual. Foi bom (tirando a insossa sobremesa), mas muito caro para o que eles oferecem. No final, recomendo o hotel para aquele turista mais abonado, mas com ressalvas. Vejam as fotos do empreendimento.

IMG_0368

IMG_0366

IMG_0345

Sobre os dois novos atrativos que eu conheci.

Schloss Charlottenburg – Construído no séc. XVIII em estilo barroco, este local foi o antigo palácio real do Reino da Prússia, país que hoje faz parte da Alemanha. Está localizado no distrito de Charlottenburg, a uns 20 minutos do centro de Berlim de ônibus. O lugar é realmente especial, mas infelizmente ele foi brutalmente bombardeado durante a Segunda Guerra Mundial e grande parte da edificação foi destruída, principalmente no primeiro piso. Uma pena! O que você vê no Palácio é, em grande parte, uma reprodução do esplendor original. O ingresso custou € 12 e recomendo o passeio, caso vocês sejam, como eu, loucos por palácios.  O local ainda oferece um enorme jardim. Eu o achei meio sem graça, mas havia muitas pessoas aproveitando o dia bonito para praticar corrida ou simplesmente passar o tempo. Segue abaixo uma foto da entrada do Palácio.

IMG_0382

Potsdam – Essa cidade está situada a sudoeste de Berlim, à uma hora de trem da Friedrichstraße, no centro da capital alemã. Ela serviu como residência de verão dos reis da Prússia. O Parque de Sanssouci, um de seus atrativos, congrega o maior conjunto rococó do mundo. Seu patrimônio histórico é tão relevante que a cidade é considerada Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO. Potsdam é toda fofa! É cheia de construções monumentais combinadas com uma atmosfera bucólica e acolhedora. É um lugar extremamente agradável, charmoso e calmo! Já o Parque de Sanssouci é um espaço gigantesco onde é possível encontrar diferentes palácios e demais construções que passeiam pelos séc. XVIII ao XX. Os dois principais palácios: Sanssouci e Neue Palais são absurdamente lindos! Não tenho outras palavras para descrevê-los. O Palácio de Sanssouci é relativamente pequeno, tem apenas 12 aposentos, mas tem tantos detalhes que você não acredita como conseguiram construir tudo aquilo em apenas dois anos.  Minhas dicas em Potsdam são muitas: 1) Caso tenham interesse em visitar a cidade, reservem um dia todo para o passeio, pois vocês irão perder um tempo para chegar ao destino e muito tempo será destinado somente ao Parque; 2) Vão com um sapato confortável, pois a caminhada vai ser boa (só no Parque a caminhada é de  4kms); 3) Levem comida e bebida para o Parque, pois não há estabelecimentos gastronômicos por lá (eu só consegui almoçar às 16h); 4) Caso tenham interesse em conhecer vários castelos, comprem o ticket combinado (Premiumkarten). Ele custa € 19 e te dá direito a entrar em todos os lugares; caso contrário, vocês pagam € 12 em cada visita; 5) De preferência, visitem a cidade no verão, pois no inverno apenas os dois principais palácios estão abertos à visitação e os jardins estão meio pobrinhos; 6) Não deixem de visitar o restante da cidade, pois vale muito a pena. Segue abaixo algumas fotos. A primeira é da fachada do Palácio de Sanssouci. Já a segunda é o do Neue Palais.

IMG_0422

IMG_0410

Além desses dois atrativos, também passei por outros lugares interessantes. Conheci a KaDeWe, a maior e melhor loja de departamento de Berlim. Ela é bem legal! Não tem tantas opções como as lojas estadunidenses, mas tem aquele ambiente formal e sem vendedores atrás de você como eu tanto gosto! Se derem uma passadinha por lá, não deixem de conferir os dois últimos andares destinados à restauração. Eles oferecem um pouco de tudo: doces, vinhos, queijos, carnes, tem até um restaurante mais formal. Vale a pena! Aproveitando que eu estava na KaDeWe, também andei pela Kudamm, uma das ruas mais charmosas e exclusivas de Berlim. Ela é cheia de hotéis boutique, cafés, restaurantes e lojas de marca. A rua é linda, tem aquele ar romântico, até meio parisiense. Não deixem de dar uma olhada nas outlets de luxo que tem por lá! São várias e elas oferecem coisas muitos boas, por um preço interessante. Deem uma olhada na charmosa Kudamm.

IMG_0359

Também dei uma passadinha na minha praça favorita, a Gendarmenmarkt e almocei em um restaurante especial, o Borchardt. Aberto no final do séc. XIX este restaurante tem um ambiente histórico, mas extremamente agradável. O cardápio é mudado diariamente e oferece desde pratos clássicos da cozinha alemã à fusion cuisine. Eu já havia lido sobre ele em um livro de Gastronomia que eu estou ajudando a editar e me interessei muito pelo apelo histórico e tradicional do lugar. O atendimento é mais ou menos, mas a comida é excelente e o ambiente é muito acolhedor. Recomendo! Deem uma olhada na linda Gendarmenmarkt.

IMG_0395

Na primeira vez que estive em Berlim, depois de andar à pé o dia todo,  quis pegar um metrô para voltar ao meu hotel. Peguei a linha errada (a primeira e única vez que eu me perdi no metrô na vida) e parei sem querer na Postdamerplatz. Fiquei um pouco assustada por estar à noite sozinha e cansada em um lugar que eu não sabia bem onde era, mas ao mesmo tempo,  impressionada com o jogo de luzes do Sony Center. Naquele momento, jurei que voltaria para jantar por lá um dia. Desta vez, além de jantar na frente da Praça, no italiano “Essenza” (recomendado!), também fui assistir um filme no IMAX (Monuments Men), localizado dentro do Sony Center. O cinema é fora de série! Além de ser gigantesco (ele está dividido em vários andares e as salas parecem auditórios de teatro de tão grandes), ele é moderno e chique, vendem até prosseco. Ahhh! E oferecem todos os filmes em inglês, e sem legenda! Adorei as duas experiências!  

Também fui conhecer uma parte menos turística da cidade e mais descolada (dizem!), o Kreuzberg. Na verdade, fiquei um pouco assustada com o lugar. Ele é sujo, completamente pichado, cheio de empreendimentos abandonados, um bairro extremamente multicultural e alternativo. Ele parece um Queens piorado, e bota piorado nisso! Tinha tanto restaurante oferecendo kebab que era possível ver uma névoa formada pela carne assada nas ruas com direito a cheirinho de churrasco (Não estou contando isso em um bom sentido). Dizem que é uma área que está se valorizando muito em Berlim. Ela é cheia de boutiques descoladas, clubes noturnos, e muitos chefes renomados têm montado seus restaurantes por lá. Eu simplesmente não gostei, então não acho que valha a pena visitar, minha opinião!

E assim terminou mais uma viagem. Berlim é aquele tipo de metrópole que não tem como não ficar impressionado. Seja pela organização do destino, pela preocupação com o bem estar de seus habitantes, pela quantidade e tamanho de seus monumentos históricos, pelas inúmeras opções culturais e de entretenimento, ou até mesmo pelo amor que os próprios berlinenses têm pela sua cidade. Além disso, você vê coisas curiosíssimas por todos os cantos; seja um grupo de amigos idosos se reunindo para fazer um tour por conta própria ou até mesmo uma rave em um dos vagões do metrô em um Sábado à noite. Queria fechar esse post com uma foto marcante. Uma noite (na verdade eram umas 19h) estava andando pela Unter den Linden e vi o Brandenburger Tor iluminado. Fiquei fascinada!  A cidade brilha até à noite, então vou me despedir com esta imagem!

IMG_0381

Tschüss!

Aventuras pela Europa – Capítulo 10 – Antuérpia

Hoje começo a escrever sobre uma viagem que estou planejando há muitos anos. Conhecida como a capital dos diamantes (já que é responsável pela negociação de 80% dos diamantes brutos e 50% dos diamantes lapidados em circulação), por seu importante porto e por seus pintores barrocos (Rubens e Van Dyck), Antuérpia é uma das cidades mais charmosas de toda a Europa. Com pouco mais de 500 mil habitantes, a cidade é a segunda maior metrópole da Bélgica (metrópole é só maneira de dizer, já que as cidades belgas não são assim tão grandes) e fica a apenas 40 minutos de trem de Bruxelas, capital do país. O idioma predominante desta região é o holandês, mas TODOS os moradores falam fluentemente francês e inglês, o que facilita muito a comunicação. Antes mesmo de morar na Alemanha, eu já tinha planos de visitar a Antuérpia. Entretanto, desde que cheguei à Europa, outras viagens, sejam a negócios ou lazer, e o próprio inverno, acabaram atrasando este passeio. Fiquei apenas três dias na cidade e vou destacar logo abaixo todos os atrativos que tive a oportunidade de conhecer. Já adianto que como Bruxelas, acho que a Antuérpia é um destino que pode ser visitado em poucos dias, como em um final de semana, pois grande parte dos atrativos está localizada no centro histórico ou próximo dele.

Fui a Antuérpia de trem. São quase 4 horas de viagem de Bad Honnef e acho que é a melhor forma de chegar à cidade. Caso vocês também viajem a Antuérpia de trem, o primeiro atrativo do destino é a própria estação de trens. Construída no final do séc. XIX a Antwerpen-Centraal é por si só um atrativo turístico. É uma das estações de trens mais bonitas do mundo, com muitos detalhes em ouro e muito mármore. Além disso, ela é extremamente moderna; são três andares e 24 portões de embarque. Fiquei impressionada! Deem uma olhada nas fotos. A primeira mostra a fachada da Estação e a segunda destaca seu interior.

VLUU L100, M100  / Samsung L100, M100

IMG_0334

 A Estação está localizada no distrito dos diamantes. Realmente esta região é repleta de lojas de joias, mas sinceramente achei tudo de muito mau gosto, muito datado, não me interessei por nada (como se eu pudesse comprar muita coisa com a minha bolsa de estudante da CAPES).

Com relação à hospedagem, não tive muita sorte com o hotel desta vez. Fiquei hospedada em frente à Estação, no Radisson Blu Astrid Hotel. Não sei nem como descrever o hotel. A localização era excelente e o 1º andar era todo dedicado ao bem estar do hóspede, oferecendo sauna seca, sauna úmida, piscina indoor, jacuzzi, academia completa e spa. É muito legal! Já o quarto era mais ou menos. A cama era de péssima qualidade, o chuveiro quente tinha pouca água. Além disso, esperei horas para fazer meu check-in, achei o mensageiro pouco amigável e meio “tabajara” (se vocês me entendem!).  Enfim, não sei se recomendo… Mas acho que se hospedar próximo à Estação de Trens é sempre importante.

 Vamos aos atrativos…

Meir – Esta é a principal rua comercial de Antuérpia. É um calçadão agradável, cheio de lindos edifícios neoclássicos e onde se concentram as marcas mais populares como Zara, H&M, Benetton, entre outras. Mesmo quem não gosta de umas comprinhas, acho que vale a pena passear por lá. Está localizada entre a Estação Central de Trens e o centro histórico. Na Meir, eu destacaria dois lugares especiais; o primeiro é o Stadsfeestzaal Shopping, um antigo espaço de eventos do séc. XIX – parece muito um antigo teatro – transformado em shopping. Eles se auto intitulam “o shopping mais bonito do mundo”. Não tenho essa certeza, mas o lugar é realmente de perder o fôlego. O outro é o Paleis op de Meir, um antigo palácio real do século XVIII que já serviu como residência de Napoleão Bonaparte e que hoje, além do museu, também possui uma charmosa brasserie (Café Impérial) e uma chocolaterie (The Chocolate Line). A visita ao museu custa € 6 e está disponível apenas aos Domingos. É pequeno, mas bonitinho, principalmente a sala dos espelhos. O restaurante é legal, a comida não é assim fantástica, mas vale a pena pelo ambiente monárquico e nostálgico. Já os chocolates… Ahhh, os chocolates… São divinos! Eu comprei uma caixinha com oito diferentes bombons artesanais e nem sei dizer qual era melhor. Recomendadíssimo! Deem uma olhada nas fotos. A primeira é o início da Meir. Já a segunda é o Palácio.

VLUU L100, M100  / Samsung L100, M100

VLUU L100, M100  / Samsung L100, M100

Rubenshuis – Esta linda casa na Wapper, calçadão muito próximo ao Paleis op de Meir, foi adquirida pelo famoso pintor flamenco Peter Paul Rubens no início do século XVII e foi onde o artista morou e manteve seu estúdio para quase 30 anos. A casa é linda, principalmente as paredes com um papel dramático feito em couro, as fantásticas lareiras e as magníficas pinturas de artistas flamencos. O estúdio com as obras do pintor também é divino. É um passeio imperdível! Ahhh! O ingresso custa € 8, mas se você apresentar seu bilhete de trem, você ganha um desconto e paga apenas € 6. Também é possível fazer um combinado com o museu Mayer van den Bergh, pagando apenas € 10 pelos dois passeios. Como não tinha certeza se iria visitar o segundo museu, acabei ganhando só o desconto do trem. A primeira foto é a entrada do museu. Já a segunda foto é do pátio da casa. 

VLUU L100, M100  / Samsung L100, M100

VLUU L100, M100  / Samsung L100, M100

Catedral de Nossa Senhora (Onze-Lieve-Vrouwekathedraal) – Localizada no centro histórico de Antuérpia, essa catedral de arquitetura eclética foi construída no séc. XVI. Vocês sabem que eu sou contra pagar ingresso para visitar igreja ( € 6), mas essa em especial é um museu de pinturas sacras flamencas. Além disso, possui quatro obras magníficas de Rubens. Seu interior não é assim impressionante, mas fiquei particularmente entusiasmada com os trabalhos em madeira escura. 

VLUU L100, M100  / Samsung L100, M100

Grote Markt – Localizada no coração do centro histórico da Antuérpia, essa praça preserva a linda prefeitura do séc. XVI e os edifícios muito típicos do renascimento flamenco (séc. XV). É um lugar agradável, cheio de restaurantes, cafés, bistrôs e brasseries e é o principal ponto turístico da cidade. Não há uma profusão de casas de waffle como em Bruxelas e o comércio de chocolate também é mais escasso. Em minha opinião, isso é ótimo, pois dá à praça uma imagem mais autêntica, menos “pega turista”. Essa região é o melhor lugar para se perder e descobrir vielas medievais e um comércio inusitado. Super recomendo!

VLUU L100, M100  / Samsung L100, M100

VLUU L100, M100  / Samsung L100, M100

Steen – O castelo de Steen é a construção mais antiga da Antuérpia. Está localizado às margens do Rio Escalda (Steldt) e teve sua construção iniciada ainda no século IX. Já foi prisão, residência e museu naval. Hoje é apenas mais um marco da história desta cidade.

VLUU L100, M100  / Samsung L100, M100

The Vleeshuis – A “Casa do Açougueiro” é uma construção do séc. XVI, fica muito próximo ao Steen e congrega o museu histórico da música, som e dança da Antuérpia. É pequeno, mas têm peças interessantes, principalmente os lindos pianos do séc. XVII.  Achei dispensável a não ser que você seja uma fã de instrumentos musicais antigos. O ingresso custou € 5.

Museum Mayer van den Bergh – Esse museu foi feito a partir da coleção particular de Fritz Mayer van den Bergh, um grande admirador das artes. O acervo está exposto em uma linda casa em estilo neogótico. Eu gostei muito das pinturas barrocas no andar térreo e da biblioteca de tirar o fôlego no piso superior, mas acho que também é um museu dispensável a não ser que você seja fascinado por arte. O ingresso custou € 8.

Maagdenhuismuseum – Esse é um antigo orfanato para meninas, muito próximo ao Museu Mayer van den Bergh que também foi transformado em museu. É um lugar pequeno, mas que possui lindas obras de Rubens, Van Dyck e Jordaens, grandes pintores flamencos. Mesmo assim, também achei um museu dispensável. O ingresso custou € 7.

Cogels Osylei – É a região mais charmosa da cidade. Localizada ao sul da Estação Central de Trens, essa rua pertence ao distrito de Zurenborg. Eu não sei nem como descrever o lugar.  É uma região pequena composta por lindas mansões. Mas não são quaisquer mansões… A impressão que eu tive é que os donos faziam uma competição para ver quem construía a casa mais diferente do bairro. São mansões do começo do século XX e é possível encontrar edificações em estilo neoclássico, neogótico, art noveau, bizantino, a la tudor, ou até mesmo todos os estilos em uma mesma construção. Tudo com muitas torres, pontas e regadas com muitos mosaicos dourados. O lugar é lindo, muito calmo, parece um conto de fadas… Para quem gosta de arquitetura, é o tipo de lugar que precisa ser visitado. Mas minha dica é: Não vá a pé até lá, pois é meio longinho do centro;  pegue um trem até a estação de Antwerpen –Berchem, muito próxima da região. Segue abaixo algumas fotos do lugar.

VLUU L100, M100  / Samsung L100, M100

VLUU L100, M100  / Samsung L100, M100

Outra dica legal… Se vocês estiverem na Antuérpia e quiserem almoçar em um lugar bem agradável, vão até a região do Museu Real de Belas Artes da Antuérpia. Localizado a uns 15 minutos a pé ao sul da Nationalestraat, essa região é cheia de restaurantes, cafés e brasseries. É extremamente calma e charmosa. O museu está fechado para restauração até 2017, mas mesmo assim, o passeio vale muito a pena! Almocei no Ferrier 30, um restaurante italiano contemporâneo. Minha escolha não podia ter sido melhor. Pedi um ravióli de lagostins com molho de crustáceo que estava divino! Além disso, de entrada eles servem um prosciutto maravilhoso (e não cobram por isso!). O ambiente é super agradável e o atendimento muito personalizado. Fica a dica! Outro lugar que eu também achei legal é o Brasserie den Artist, logo em frente ao museu. É um café histórico em art decó muito charmoso e lotado de gente, portanto imagino que seja bom.

Ahh! Não podia deixar de destacar que durante minha passagem pela Antuérpia também fui ao cinema (tinha que me atualizar) e comi alguns waffles com chocolate e creme (nada mais turístico). Essas pequenas indulgências fazem um bem danado para a alma!

 E assim terminou mais uma das minhas viagens. Antuérpia é um destino que me fez ver como a história pode estar viva. Foi uma viagem na qual tive sentimentos conflitantes. Não me apaixonei pela cidade como achei que me apaixonaria, mas gostei muito mais que Bruxelas. Eu vejo cada dia mais que a expectativa é o nosso maior inimigo. A cidade é mais cinzenta do que eu esperava. Em muitos momentos ela me pareceu decadente com construções que carecem urgente de uma limpeza ou uma demão de tinta. As ruas nem sempre estão limpas, principalmente ao sul do centro histórico e próximo à Estação Central de Trens. Não vi mendigos pedindo dinheiro, mas também não me senti segura andando à noite pela rua. Ao mesmo tempo, se alguns pontos da cidade me incomodaram, outros me fascinaram completamente. É uma cidade extremamente autêntica! Você não se sente perdido (sem saber se está na França, na Alemanha ou mesmo no Canadá). Os museus deixam clara a importância que a região teve e ainda tem na arte mundial, e os muitos edifícios históricos mostram o quanto essa cidade é singular. Fiquei surpresa em ver como a Antuérpia é cheia de boutiques descoladas (principalmente localizadas no quadrilátero da moda que compreende entre a Wapper e a Nationalestraat), de lojas de móveis e decoração com um bom gosto absurdo ou mesmo de alguns negócios inusitados como uma croissanterie. Também fiquei surpresa com o número de judeus ortodoxos (na verdade não devia me surpreender tanto, já que a cidade se dedica em grande parte ao comércio de joias) e com a pequena quantidade de turistas. Por essa razão, espero que tenham gostado do meu relato e se estiverem pensando em visitar o país, não deixem de reservar alguns dias para conhecer essa “joia” belga.

Tot de volgende keer!

Aventuras pela Europa – Capítulo 9 – Luxemburgo

A cidade de Luxemburgo não é um destino tradicional para o turista brasileiro padrão, mas não sei bem o porquê; estrategicamente localizada entre França, Alemanha e Bélgica, esta cidade é a capital do país de mesmo nome e figura um dos destinos mais ricos da Europa. Com pouco mais de 100 mil habitantes, em que mais da metade são estrangeiros, a cidade de Luxemburgo é conhecida por ser a sede de várias instituições da União Europeia, na qual é um dos membros fundadores. Eu escolhi visitar Luxemburgo por uma questão logística, pois a cidade está localizada a menos de 4 horas de trem de Bad Honnef, mas devo admitir que voltei para casa fascinada pelo destino. Fiquei tão apaixonada que quero voltar o quanto antes e vou lançar a campanha “Quero morar em Luxemburgo!”. A cidade tem uma origem muito antiga, que remota ao ano de 963 d.C., quando o Conde de Siegfried adquiriu o Castelo de Luxemburgo. Entretanto, tem uma história fascinante já que devido sua localização estratégica foi dominada por espanhóis, franceses e até pelos nazistas. Para se proteger dessas diversas invasões, a cidade foi ampliando sua fortaleza e criando o que hoje faz parte da paisagem habitual do lugar. Hoje suas grandes parceiras são a Holanda e Bélgica, pois juntas formam um bloco conhecido como Benelux. A Holanda tem um papel tão importante no país que o Duque de Luxemburgo (a nação é uma democracia parlamentar que possui um grão-duque como monarca constitucional), é descendente da Família Nassau, a mesma linhagem da família real holandesa. O país possui três idiomas oficias: o francês, o alemão e o luxemburguês. Para mim foi sem dúvida a parte mais confusa de toda a visita. Nas lojas, os atendentes falam com você em francês, mas há um grande número de lugares em que as coisas estão escritas em alemão. Além disso, o país possui um grande número de imigrantes portugueses (são mais de 100 mil portugueses em todo território luxemburguês, infelizmente nem sempre bem vistos pelo restante da população), portanto o idioma mais escutado pelas ruas é a língua da terrinha!). Mas para mim o mais importante é que TODOS, sem exceção, falavam inglês, o que mostra que Luxemburgo é realmente uma cidade global. O centro antigo foi construído ao longo do rio Alzette, e pode ser visitado andando pelo charmoso bairro de Grund, mas conforme a cidade foi crescendo, ela foi tomando conta de três principais morros (plateaux): Gare, Centre e Kirchberg. Isso parece confuso no começo, mas logo o visitante se acostuma. O problema é que há muito sobe e desce para o pobre turista, portanto é necessário fôlego e força nas perninhas. Ahhh! A cidade tem várias ciclovias, mas achava estranho não haver bicicletas pelas ruas. Depois desse sobe e desce percebi que por lá o carro é sempre a melhor opção. É importante mencionar que o centro histórico e as fortificações de Luxemburgo são tombadas como Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO. Tenho andado por muitos lugares chiques ultimamente, não acham?! Cheguei ao destino pela Estação Central de Trens (Gare Centrale) e de lá fui a pé ao meu hotel. Mesmo sendo a capital de um país, Luxemburgo não é uma cidade com grandes opções hoteleiras. Todas as grandes redes estão bem representadas: Accor (Sofitel, Novotel, Ibis Budget), Best Western, Meliá, Rezidor, entre outras, mas é só isso. Entretanto, as tarifas são bem competitivas se comparadas com outras capitais europeias (é possível achar um bom hotel 4 estrelas por € 80). Por essa razão, fiz uma extravagância e fiquei hospedada no Sofitel Le Grand Ducal. O hotel é fenomenal! Além da estrutura de primeira linha, está localizado a 10 minutos da Estação de Trens e a 10 minutos do centro da cidade. Recomendadíssimo! Deem uma olhada nas fotos abaixo. A primeira é da recepção do hotel. Não entendi bem o porque desses cachorros, talvez para mostrar que o empreendimento é dog friendly? A segunda é a do meu quarto.

IMG_0283

IMG_0256

A minha primeira dica da cidade: quando reservar um hotel em Luxemburgo, procure um empreendimento perto da Gare Centrale, pois é onde se concentra grande parte das opções hoteleiras e é uma região próxima aos principais atrativos turísticos do destino. Além disso é o ponto central de várias linhas de ônibus circular. Durante meus dias na cidade visitei os principais atrativos: casemate de Bock (túneis de acesso à antiga fortificação da cidade); casemate e jardim de Pétrusse; Catedral de Notre-Dame (uma igreja gótica construída no século XVII); Bibliothèque Nacional de Luxemburg (ao lado da Catedral); Place Guillaume II (onde está localizada a prefeitura da cidade); Place d´Armes; Palais grand-ducal (residência do grão-duque) e Grund (o bairro medieval). Vale ressaltar que todos esses atrativos ficam bem próximos. Abaixo é possível ver o Palácio (na primeira foto) e uma visão da cidade tirada a partir de Grund.

VLUU L100, M100  / Samsung L100, M100

VLUU L100, M100  / Samsung L100, M100

Para aqueles que gostam de um agito (não é mais o meu caso), minha segunda dica da cidade é: vá passear à noite pelo Le rives de clausen. Localizado no Grund, essa área foi uma antiga fábrica revitalizada e transformada em um centrinho cheio de cafés, restaurantes e cervejarias. Super charmoso e descolado! Visitei também o Museu Histórico da Cidade de Luxemburgo. Gostei da visita, pois conheci um pouco da história da cidade, mas achei um museu dispensável (€ 5). No centro de Luxemburgo, passei pela Grand-Rue, o principal calçadão comercial e na Rue Philippe II, rua na qual se concentra as lojas mais exclusivas como Chanel, Gucci, Louis Vuitton, entre outras. Na Philippe II encontrei ainda a Ladurée. Claro que não resisti e tive que comprar alguns macarons. Também visitei o Plateau de Kirchberg, a parte mais moderna da cidade onde se concentram o parlamento europeu e outros escritórios da União Europeia, a Filarmônica de Luxemburgo e o Forte Thüngen (foto abaixo).

VLUU L100, M100  / Samsung L100, M100

Eu tive a ideia de jerico de ir a pé até essa parte da cidade, mas só eu para ter uma ideia idiota como essa! Terceira dica: Sejam mais espertos que eu e peguem um ônibus circular para chegar até lá. Os ônibus em Luxemburgo custam apenas € 2, são confortáveis, muito limpos, práticos e eficientes. Em Kirchberg também fui ao cinema, adorei! Os filmes são sempre exibidos em versão original, mas possuem legendas em dois idiomas (francês-alemão ou francês-holandês). Cool!

 VLUU L100, M100  / Samsung L100, M100

Dicas gastronômicas: Quem me conhece sabe que eu sou uma típica garota de classe média que fica toda faceira só com um menu do Mc Donald´s, mas cada vez mais tenho provado coisas diferentes, aumentando minhas experiências gastronômicas. Queria dar algumas dicas de Luxemburgo. A cidade não é uma metrópole gastronômica como Bruxelas, Paris ou Londres, e não faz o tipo de cidade com grandes restaurantes de luxo. Entretanto, é possível encontrar charmosas brasseries dedicadas em sua maioria à cozinha francesa. Durante minha estadia em Luxemburgo tive a oportunidade de conhecer dois lugares especiais. O primeiro é o Café de Paris. Localizado na Place d´Armes esse pequeno café possui um cardápio enxuto, descomplicado, mas delicioso. Recomendo o arroz de coco com camarão e molho indonésio. Dá água na boca só de lembrar! Veja as fotos do café abaixo.

VLUU L100, M100  / Samsung L100, M100

 IMG_0278

O segundo é a Plëss. Também localizada na Place D´Armes, essa brasserie possui um ambiente agradável, descolado e atendimento caloroso. Eu pedi um dourado (peixe) com risoto de limão que estava maravilhoso! Também recomendo o risoto de trufas com camarões. Ahhh! Não deixe de experimentar as sobremesas da casa. Feitas pelo pâtissier do próprio restaurante, são todas ótimas!!! Deem uma olhada no empreendimento…

 IMG_0288

IMG_0287

Na verdade, o que mais me impressionou em Luxemburgo foram às sobremesas. Sempre lindíssimas e saborosíssimas. Há anos eu não comia tantas sobremesas boas em uma mesma cidade. Para os amantes de doces como eu, recomendo o Oberweiss, uma pâtisserie super famosa que tem pontos de vendas espalhados pelas várias regiões de Luxemburgo e a Kaempff-Kohler, que além dos lindos e deliciosos doces, também comercializa diversos tipos de queijo. Esta última está localizada em frente à Prefeitura. Porém tomem cuidado com o preço dessas gostosuras… Se os hotéis de Luxemburgo são mais econômicos que a maioria das grandes capitais europeias, a comida é meio carinha. Até o Mc Donald´s é o mais caro que eu já comi na vida (€ 7,15).

E assim terminou mais uma viagem. Luxemburgo me surpreendeu logo de cara. Limpa, charmosa e organizada, o centro antigo lembra em muitos momentos um conto de fadas. Sua população é uma mescla de um pouco de tudo; alemães, franceses, portugueses, formando uma singular nação. A única decepção que tive na cidade foi ver que às 18h o comércio fecha e Luxemburgo morre. Queria ter visto a cidade pulsante à noite como vejo na maioria das grandes capitais europeias, mas também, não dá para ser perfeita em tudo. De qualquer forma, adorei a experiência e já estou contando os dias para voltar.

VLUU L100, M100  / Samsung L100, M100

 Au revoir!

Hallo Weihnachtsmarkt! Os mercados de Natal na Alemanha

Eu sei que este post está um pouco atrasado, peço desculpas, mas estou escrevendo-o com muito carinho, pois gostaria de compartilhar minha experiência nos mercados de Natal da Alemanha. Mesmo antes da minha viagem à Alemanha, muitas pessoas já haviam me alertado que o Natal é um período muito festivo por aqui e que os mercados de Natal eram muito especiais para os alemães. Mesmo sendo uma pessoa com um super espírito natalino, eu só consegui entender a fixação deles por seus mercados de Natal quando realmente tive a oportunidade de visita-los. Durante o mês de dezembro visitei as Weihnachtsmarkt de quatro diferentes cidades: Siegburg, Bonn, Düsseldorf e Köln (Colônia). Nas cidades pequenas e de médio porte, existe apenas um mercado de Natal, mas às vezes ele é gigante e corre por todo o centro. Desta forma, você nunca sabe onde ele começa e quando termina. Já nas cidades maiores, não há apenas um mercado, mas vários. Eles estão espalhados pelos diversos cantos. Independente da cidade, eles têm algumas similaridades: as barracas são sempre padronizadas, os atendentes estão sempre uniformizados, eles vendem produtos típicos alemães que vão desde gêneros alimentícios a artesanato, e estão sempre lotados. Nos mercados você encontra um pouco de tudo, mas sem dúvida os produtos mais populares são: Glückwein (um vinho quente que é a sensação de qualquer local. Eles são servidos em canecas padronizadas meio bregas e bem características do Natal e podem ser encontrados em várias barracas), wurst (salsichas nas mais diferentes variações: bratwurst, currywurst, etc.), pommes (batatas no estilo batata frita), peixe frito, salmão grelhado, pães artesanais, flammkuchen (pizza alemã), lebkuchen (bolachas preparadas com várias especiarias. AMO!), crépes (não é nada alemão, mas eles são loucos por um crépe e EU TAMBÉM! Meu favorito é o de Nutella, mas vejo que os alemães têm um guilty pleasure pelos crepes com marzipã), entre outros. Com relação aos artesanatos, é possível encontrar peças em lãs como gorros, cachecóis e luvas; peças confeccionadas com pele de animal como casacos, luvas e chapéus ; produtos com uma pegada meio hippie, mas de gosto duvidoso;  cosméticos naturais como sabonetes de mel, sais de banho de lavanda; entre outros. Mas o que mais chama a atenção são os enfeites de Natal feitos à mão. Os lindos quebra-nozes (Nussknacker) são parte essencial dos mercados. São tão populares que sempre havia uma fila para entrar nas lojinhas dedicadas à eles. Por serem confeccionados em madeira e por artesãos locais (muitas dessas peças vêm da linda Rothenburg ob der Tauber), eles são carinhos, mas lindos! Deem uma olhada que fofura! Eu tinha vontade levar todos, mas sou tão pão dura que não tive coragem de comprar nenhum.

IMG_0189

 Os mercados de Natal são lugares para encontrar os amigos, passear com as crianças ou simplesmente sentir que o Natal está chegando. Para ser sincera, minha paixão por esses lugares não veio logo de cara! Em um primeiro momento fiquei tão incomodada com o mercado abarrotado de gente e abafado que saí de lá correndo… Mas aos poucos fui me acostumando e sentindo a vibe desses lugares.

Das quatro feiras que conheci a de Siegburg era a mais original. É uma mercado medieval onde todas as barracas e todos os comerciantes entram literalmente no clima. Os shows apresentados são todos ao estilo Idade Média, sempre regados a muita música celta. Até o carrossel é medieval e gira com a força de dois homens (deem uma olhada na terceira foto abaixo). Esta Weihnachtsmarkt é pequena, mas interessante. Segue abaixo algumas fotos.

IMG_0193

 VLUU L100, M100  / Samsung L100, M100

VLUU L100, M100  / Samsung L100, M100

Já o mais bonito é sem dúvida o mercado da Altstadtmarkt em Köln. Ele é tão charmoso e tão perfeito que você se sente em um filme. As barracas feitas em madeira bruta são ricas e a decoração é de tirar o fôlego! Por alguns segundos, você até esquece que está no frio e em um lugar super muvucado. Deem uma olhada.

IMG_0183

IMG_0187

E a partir do meu relato eu convido  todos vocês a conhecerem um desses mercados. É uma ótima experiência, principalmente para que está acostumado ao Natal brasileiro de 35ºC. Devo admitir que depois de escrever este post, fiquei com um pouco de saudade, mas quem sabe não estarei de volta em uma outra oportunidade…

Tchsüss!

Aventuras pela Europa – Capítulo 8 – Espanha (Málaga, Córdoba, Ronda e Madri)

Quem me conhece sabe que a Espanha é sem dúvida um dos meus destinos favoritos no mundo. Se alguém me perguntar o que eu mais aprecio no País, não vou saber escolher apenas uma coisa, pois gosto de um pouco de tudo. Gosto muito do clima, das cidades de uma forma geral, do patrimônio histórico existente, do ritmo de vida muito noturno e boêmio, da música meio brega, mas super contagiante, da comida, do humor esquisito, mas com um toque acolhedor dos espanhóis, enfim, de quase tudo… Minha paixão avassaladora pela Espanha começou em 1999 quando tive a oportunidade de fazer um intercâmbio em Valladolid, cidade de 400 mil habitantes à uma hora de Madri. Foi a melhor experiência da minha vida e fiquei tão empolgada com o País que resolvi voltar para fazer meu mestrado. Minha intenção era até cursar o doutorado por lá, mas o destino me levou para outro caminho. Por essa razão, esse post tem um significado especial para mim, pois vou contar minha última viagem à Espanha e quem sabe por meio do meu relato vocês consigam entender porque sou tão apaixonada por este lugar.

A Espanha é um país situado na Europa Ocidental, ocupando grande parte da Península Ibérica. Possui 47 milhões de habitantes e é o quarto maior país europeu em extensão territorial. Com uma monarquia parlamentar, a Espanha possui 17 comunidades autônomas ou regiões autônomas que infelizmente nem sempre vivem harmoniosamente. Além disso, a crise econômica europeia chegou forte por lá e o desemprego da população ativa alcançou índices alarmantes, acima de 25%. Mesmo assim, o País é a 12ª economia mais importante do mundo e tem no turismo sua segunda maior fonte de receita.

Fui para a Espanha passar o período das festas de fim de ano (Natal e Ano Novo). Como não podia voltar para o Brasil e ficar com minha família, quis escolher um lugar no qual pudesse encontrar clima ameno e gente conhecida. Durante esta semana visitei quatro cidades espanholas: Málaga, Córdoba e Ronda, localizadas mais ao sul do País, e Madri, a capital. Neste post vou contar a viagem pelas cidades e detalhar os passeios que fiz em cada uma delas. Se preparem, pois tem muita coisa para ler.

 Málaga Localizada na Andaluzia, sul da Espanha, precisamente na Costa del Sol, esta cidade de quase 600 mil habitantes é famosa por ser a terra de Pablo Picasso e Antonio Banderas, por suas praias de águas azuis, por seu clima mediterrâneo e por seu time de futebol. Mas Málaga não é apenas isso… De origem fenícia, o destino abrigou diferentes civilizações ao longo de sua história: romanos, visigodos, bizantinos, árabes e cristãos, que foram e ainda são os povos que influenciam toda a região. Fui a Málaga para visitar a Poliana e o Alessandro, dois colegas brasileiros, e durante meus dias na cidade visitei os seguintes atrativos: centro histórico (cheio de becos sinuosos e casas com lindos balcões coloniais espanhóis, este é um bom lugar para se perder e se descobrir), Catedral (situada onde já foi um dia uma antiga mesquita, essa enorme igreja foi construída entre os séculos XVI e XVIII), Alcazaba (uma antiga e linda fortificação muçulmana construída a partir do séc. XI. Como está localizada em cima de uma rocha, é o atrativo mais imponente e marcante de Málaga). Deem uma olhada nas fotos abaixo. A primeira é a vista de fora da Alcazaba e a segunda é dentro de um dos portais da fortaleza.

VLUU L100, M100  / Samsung L100, M100

VLUU L100, M100  / Samsung L100, M100

Também visitei o Castelo de Gibralfaro (edificação do séc. XIV que servia para proteger a Alcazaba), Teatro Romano (construção do séc. I localizada ao lado da Alcazaba), Playa de la Malagueta, Plaza de Toros e Muelle Uno (região do porto revitalizada e super preparada para receber os turistas). Deem uma olhada na região do Porto.

VLUU L100, M100  / Samsung L100, M100

De todos os atrativos que  visitei, o único que acho que não vale a pena é o Castelo de Gibralfaro. Para mim foi um dos micos da viagem. Primeiro porque para chegar ao castelo é necessário subir uma colina que só Deus e outros poucos corajosos sabem como é difícil, mas minha decepção foi porque além da linda vista da cidade, o Castelo não oferece mais nada. Não vale o sacrifício!

Ainda tive a oportunidade de ir a um Hammam, local que oferece o tradicional banho turco. Gostei bastante da experiência e recomendo muito. É um ótimo lugar para relaxar e vivenciar algo diferente. Pensei em postar uma foto minha me preparando para o banho, mas achei as cenas muito fortes para esse veículo de comunicação (tô brincando, a foto é hilária!).

Mas o melhor programa que você pode fazer em Málaga é visitar todos esses atrativos no período da noite. Acho que é realmente o horário que a cidade se destaca. As construções antigas são ressaltadas pela iluminação das lâmpadas criando um ambiente romântico e acolhedor e as pessoas têm o costume de sair para a rua, seja para comer em algum restaurante de tapas (e a cidade é cheia deles), ou apenas para caminhar e aproveitar a vida. Nada mais espanhol!

Infelizmente a cidade não é só maravilhas. Eu tive a sensação de que Málaga é dividida em duas partes. A margem direita do Rio Guadalmedina (que está mais para um córrego) é onde fica o centro histórico e outros sítios de interesse turístico. Essa parte da cidade é bonita e muito vibrante. Já a margem esquerda do Rio, onde fiquei hospedada, é muito comum e suja, decepcionante. Por essa razão, demorei alguns dias para me conectar à cidade e em alguns momentos me questionei se o país tinha mudado tanto nestes últimos anos, ou se eu que havia mudado, pois parecia que eu não estava no lugar que eu tanto amava. Ademais, há muitas pessoas pedindo dinheiro nas ruas, buscando comida na porta das igrejas, além de ter pichações de protesto por todos os cantos. Isso mostra que a Espanha ainda tem um longo caminho a percorrer para se recuperar dos problemas econômicos que vivenciou nos últimos anos.

Córdoba – Também localizada na Andaluzia, esta cidade possui quase 350 mil habitantes e é tombada como Patrimônio Mundial pela UNESCO. Assim como Málaga, Córdoba também tem em sua história a presença dos romanos e visigodos, mas foi com os muçulmanos que a cidade se destacou, tornando-se uma das maiores e mais importantes metrópoles do mundo antes da Idade Média. Durante meu dia em Córdoba visitei os seguintes atrativos: Judería (situada dentro dos muros da antiga cidade, esta colorida e acolhedora região foi o bairro judeu de Córdoba durante a Idade Média. Hoje concentra o comércio de souvenirs e grande parte dos estabelecimentos gastronômicos turísticos. Também é daquele tipo de lugar que o turista precisa se deixar levar, e se perder pelas alamedas e becos estreitos). Deem uma olhada na foto abaixo.

VLUU L100, M100  / Samsung L100, M100

Mesquita-Catedral (construída em cima da Basílica visigoda de São Vicente, esta mesquita convertida em Igreja Católica é um espetáculo! Sem dúvida está na minha lista das igrejas mais bonitas do mundo. Independente de sua crença, é daqueles lugares que precisa ser visitado pelo seu valor histórico e artístico). Deem uma olhada nas fotos abaixo. A primeira é a entrada do jardim de laranjeiras da Mesquita-Catedral, já a segunda mostra um pouco do interior da Igreja.

VLUU L100, M100  / Samsung L100, M100

VLUU L100, M100  / Samsung L100, M100

Ponte romana (ligando as duas margens da cidade há mais de 2000 anos, essa ponte é lindíssima, mas o Rio Guadalquivir é medonho!), e Alcázar de los Reyes Cristianos (uma construção medieval do séc. XIV com forte influência árabe que serviu como residência habitual dos reis cristãos  e fortaleza da cidade, além de ainda ter sido palco do tribunal da Inquisição espanhola). Deem uma olhada nos jardins do Alcázar.  Aproveito aqui para ressaltar que eu recomendo a visita em todos esses lugares. Eles ficam bem próximos e valem muito a pena!

VLUU L100, M100  / Samsung L100, M100

Mas Córdoba não é apenas o centro histórico. A cidade é toda fofa! Acho que é aquele tipo de cidade agradável para viver. Para quem gosta de umas comprinhas, recomendo a Calle del Gran Capitán. Logo no começo desta rua, quase esquina com a Avenida de América tem uma pequena panificadora chamada Panaria. O lugar é ótimo, bem BBB (bom, bonito e barato)! Recomendadíssimo! Também acho que vale a pena andar pelas Avenida de los Mozárabes e Avenida de la República Argentina, indo em direção aos antigos muros da cidade.  Super charmosas!

Ronda – Localizada na província de Málaga, Andaluzia, esta pequena e charmosa cidade de pouco mais de 35 mil habitantes é conhecida por ser o berço das toradas. Durante meu dia em Ronda visitei os seguintes atrativos: Plaza de Toros (é uma das mais antigas e bonitas arenas da Espanha. Construída no séc. XVIII, o espaço também conta com um museu que mostra  a história da tauromaquia moderna – € 6,5). Segue abaixo algumas fotos da Plaza de Toros. A primeira mostra a entrada do espaço e a segunda destaca seu interior.

VLUU L100, M100  / Samsung L100, M100

VLUU L100, M100  / Samsung L100, M100

Também visitei a Puente Nuevo (uma linda ponte do séc. XVIII construída em um enorme precipício). Segue abaixo a foto da ponte. Ficava imaginando como eles conseguiram construir isso.

VLUU L100, M100  / Samsung L100, M100

Ao lado da Igreja de La Merced, pouco antes de chegar ao centro histórico, há um parque chamado Paseo de Moritz Willkomm, um local bastante bucólico, calmo, no qual que é possível ter uma linda visão do desfiladeiro. Vale dar uma passada por lá. Independente dos atrativos que visitei, Ronda é uma ótima cidade para caminhar e relaxar. Gostei bastante e recomendo!

Madri – É a capital e maior cidade da Espanha com mais de 3 milhões de habitantes. É uma das minhas cidades favoritas no mundo e por essa razão, escolhi passar o Ano Novo por lá. Ela é séria e classuda como deve ser uma grande capital, mas ao mesmo tempo, é vibrante, noturna e charmosa. Todas as vezes que visitei Madri fiz questão de pegar os conhecidos ônibus turísticos, pois achava que seria a opção mais prática devido ao tamanho da cidade. Desta vez, resolvi visitar meus pontos de interesse a pé e não me arrependi, pois grande parte dos atrativos turísticos de Madri tem localização central. Acho que é uma boa opção para os turistas mais animados. Durante meus dias na cidade visitei os seguintes atrativos: Palacio Real de Madrid (também conhecido como Palácio do Oriente, esta edificação foi construída no séc. XVIII. O lugar é fenomenal! Os salões oficiais abertos ao público são de uma riqueza e opulência sem tamanho – vale muito a pena a visita – € 11. Só não gostei de ficar 1 hora na fila no frio para conseguir visitar o local). Deem uma olhada na rica entrada do Palácio.

VLUU L100, M100  / Samsung L100, M100

Museu do Prado (aberto no formato atual desde o séc. XIX, é o mais importante museu da Espanha. É dedicado quase que exclusivamente a pintura, tirando algumas poucas salas dedicadas às esculturas, e possui quadros dos grandes pintores espanhóis como Velázquez, Goya e Madrazo y Kuntz. Também possui uma linda e importante coleção de pinturas de artistas franceses, italianos, ingleses, alemães e holandeses – € 14); Puerta de Alcalá; Calle Serrano e Calle Ortega y Gasset (as ruas mais exclusiva de Madri com as marcas de luxo como Valentino, Gucci e Prada); Passeo de la Castellana; Gran Vía  (rua comercial da cidade que também possui diferentes teatros, hotéis e restaurantes); Plaza de Cibeles (sede da Prefeitura da cidade e na minha humilde opinião, a praça mais bonita de Madri); Plaza Mayor (principal praça de Madri) e Parque del Retiro (charmoso e gigantesco parque instituído no séc. XVII). Segue abaixo fotos da Plaza de Cibeles e da Puerta de Alcalá.

VLUU L100, M100  / Samsung L100, M100

VLUU L100, M100  / Samsung L100, M100

Quem me conhece sabe o quanto sou fascinada por hotéis (não é a toa que sou professora de hotelaria) e um dos sonhos da minha vida era me hospedar no Ritz Madrid. Felizmente tive a oportunidade de realizar este sonho nesta minha viagem. Idealizado pelo Rei Alfonso XIII que sentia a necessidade de ter um hotel digno da realeza europeia em Madri, o Hotel Ritz Madrid foi inaugurado em 1910 com supervisão pessoal de César Ritz, o mais celebrado hotêlier do mundo. O lugar é um espetáculo! Além da localização perfeita (ao lado do Museu do Prado e em frente ao Parque del Retiro), o luxo e os serviços do hotel chamam a atenção. O café da manhã é completíssimo e o chá da tarde é muito charmoso. Bem ao estilo dos antigos e tradicionais cafés! Não é um hotel barato, infelizmente devo admitir isso, mas é muito mais econômico que qualquer outro empreendimento de mesma categoria em Paris, Londres ou Nova York. Por essa razão, eu recomendo muito o Ritz Madrid  para os turistas que querem uma experiência fantástica em um hotel com muita história e tradição. Não tive a oportunidade de jantar no restaurante do Hotel, o Goya, mas sei que é um dos melhores da cidade. Segue abaixo algumas fotos do Hotel para que vocês, como eu, possam sonhar um pouco.

VLUU L100, M100  / Samsung L100, M100

VLUU L100, M100  / Samsung L100, M100

VLUU L100, M100  / Samsung L100, M100

Comecei bem 2014, não?!

Madri continua charmosa e vibrante, mas nesta última visita percebi que a cidade empobreceu. De todas as cidades europeias que visitei em 2013, Madri foi sem dúvida o destino com o maior número de pedintes. Era triste! Ainda havia um número enorme de africanos vendendo produtos falsificados na rua e homens à toa nas praças (como brasileira essa situação me causava certa desconfiança e insegurança). Também havia caos e um pouco de sujeira no centro da cidade, mas imagino que seja por conta da correria de final de ano e dos preparativos para a grande festa de Ano Novo. Todas essas situações me incomodaram um pouco, mas não tiraram o brilho da cidade!

E assim terminou mais uma viagem. Com uma história rica, comida farta e deliciosa, preços mais módicos (quando comparados a outros países europeus como Alemanha e França) e ritmo de vida vibrante, a Espanha é sempre um bom destino para visitar. Nesta minha última passagem pelas diferentes cidades espanholas fiquei feliz em perceber que mesmo com minha estranheza inicial, o País continua o mesmo. Adorei ver os espanhóis aproveitando as noites nas ruas de suas cidades e lotando os restaurantes de tapas. Adorei ver como as crianças espanholas são lindas e super estilosas (acho que é o relógio biológico falando…). Adorei a oportunidade de assistir um  bom filme espanhol (Ismael, recomendado!) e de ter me deliciado com ótimos sanduíches de jámon ibérico com queijo brie. E principalmente adorei sentir novamente a sensação de paz e felicidade que a Espanha me traz.

Hasta luego!